Notas iniciais
Nesse capítulo vocês e a Sara vão saber o que o Grissom sentiu quando acordou e não encontrou a morena ao lado dele na cama depois daquela maratona de sexo deles. Ana, o Conrad não vai aparecer, mas haverá sim alguém próximo do Gil que vai se engraçar com Sara, a princípio sem o conhecimento de Grissom. Esse personagem já, já vai aparecer e ainda trará consigo à tona um segredo.

Eu não ouvi aquilo, ouvi?

— Que estupidez foi essa que disse?

— Não foi estupidez. Antes fosse mesmo. Mas é a verdade!

Gil admitiu, largando meus cotovelos para se sentar no sofá. Eu permaneci de pé lhe observando em choque com aquela declaração sua de segundos atrás. Ele não podia ter falado sério.

De cabeça baixa, eu o ouvi voltar a falar depois de ficar por quase um minuto inteiro calado.

— Você por acaso é capaz de imaginar ou supor o que senti quando acordei e não te encontrei ao meu lado depois daquela noite incrível que tivemos? — Gil levantou a cabeça para me encarar já que não lhe respondi. Vi algo como tristeza e raiva no fundo daquele olhos. Em resposta a sua pergunta, eu apenas balancei a cabeça de maneira negativa. Óbvio que eu não era capaz de imaginar ou supor aquilo. Assim que eu respondi, Gil então prosseguiu em sua fala. — Mesmo contra a minha vontade... Eu senti ódio, muito ódio de você, Sara. Não faz ideia do quanto.

— Ódio de mim? — pega de surpresa eu balbuciei me sentando ao seu lado.

— Sim! — desviando o olhar de mim, ele confirmou enquanto encarava as próprias mãos unidas sobre suas pernas. — Você foi embora sem me deixar um papel com um número pra eu entrar em contato com você. Nada! Por um momento, sabe... — virando o rosto para mim, ele voltou a me olhar. — ... Eu cheguei até a pensar que nossa noite foi um mero sonho meu? Mas aí o seu perfume no travesseiro ao meu lado, me fez ver que não foi sonho algum. Foi muito real a noite que tive com você. E mais ódio me deu, porque... — pela segunda vez seus olhos deixando de me olhar para ficar encarando suas mãos. — ...Você foi embora sem se despedir, depois da noite perfeita que tivemos.

Eu engoli a seco. Estava sem palavras pelo que tinha ouvido até ali. Jamais imaginei que ele tivesse sentido ódio de mim. E eu podia ver esse sentimento estampado nos olhos dele ao contar aquilo.

— Eu sinto muito. — murmurei, mas ele pareceu não ter ouvido, pois continuou, falando sem me olhar.

— Quando voltei pra Nova Jersey, você e a nossa noite ficaram repassando em minha cabeça vire-mexe. E quando Maryane me procurou e contou da gravidez dela, eu fiz sim o pedido de casamento por causa da condição que meu pai impôs. Mas também fiz, porque eu ainda estava puto de ódio de você ter sumido de mim. Eu queria de uma forma idiota, te punir quando eventualmente, por essas casualidades da vida nos esbarrassemos por aí. Queria que me visse casado e...

Sua voz morreu e ele não foi capaz de completar sua frase.

— Você queria que eu tivesse do seu lado quando acordasse? — arrisquei em saber. Diante de tudo o que ele já tinha dito, eu já imaginava a resposta. Só queria ter certeza dela e da tremenda estupidez que fiz naquela noite ao tê-lo deixado só.

— Queria! — vi um discreto sorriso se formar no canto de seus lábios. Minha mão coçou para tocar seu rosto. Como pude ser tão imbecil? — E se você tivesse ficado, eu teria te pedido pra casar comigo assim que acordássemos.

Eu arregalei os olhos em total espanto.

— Mas a gente mal se conhecia. Acha mesmo que eu aceitaria seu pedido?

Seu olhar buscou o meu e em seus lábios havia um sorriso gracioso.

— Provavelmente não. Na verdade, tenho quase certeza que você não aceitaria o pedido. Mas eu ia insistir tanto até você aceitar.

— Por que você é um homem insistente, né?

Seu sorriso se alargou diante da pergunta.

— Também. Mas a verdade é que você me pegou de um jeito que... Eu não sei explicar. Uma noite apenas e você me derrubou, garota. Me derrubou como nenhuma outra antes, Sara. E tudo que eu queria era você comigo dali em diante.

Nenhum homem me disse algo tão surpreendente quanto aquilo que Gil acabara de dizer.

— Você não sabe, mas naquela noite da festa, eu já vinha te observando muito antes de nós trocarmos o primeiro olhar enquanto eu conversava com uns conhecidos meus.

E eu só fui notá-lo porque Dayse o avistou. Do contrário, talvez ele passasse batido por mim.

— Eu vinha te observando desde o momento em que pôs os pés naquele salão de festa, acompanhada da sua amiga. Te achei linda no mesmo instante. E pensei comigo mesmo: "Essa garota tem que ser minha e vai ser!".

— Quanta confiança a sua! — brinquei.

Ele sorriu marotamente balançando a cabeça de maneira positiva.

— Eu sou confiante mesmo. Sempre fui! E quando decidi me aproximar de você, foi bem no momento em que sua amiga falava de você arranjar um pretende pra curtir a festa. Na mesma hora em que ouvi isso, decidi que eu seria esse cara. E não ia aceitar de modo algum o contrário.

— E se por acaso eu recusasse terminantemente você?

— Eu ia insistir e insistir até você acabar me aceitando.

— Por que tanta insistência? Você é do tipo de cara, que não aceita "não" como resposta?

Ele virou o corpo de modo que ficamos um de frente para o outro, em seguida guardou minhas mãos entre as dele. Eu quis puxá-las de volta e fugir daquele contato seu, mas me faltou coragem. Suas mãos nas minhas era bom, o contato me fez até arrepiar como se uma descarga elétrica passasse dele para mim.

Gil me arrepiava com o mínimo toque. Até sua simples presença diante de mim já me arrepiava.

— Não! Eu sou do tipo que corre atrás do que quer principalmente, quando se trata de uma mulher e mais ainda, uma mulher que eu desejo. Aí, mesmo que eu não desisto fácil dela e nem meço esforços pra tê-la comigo. — ele se moveu para frente no sofá e diminuiu mais ainda a pouca distância que havia entre nós. — Eu te disse ontem que gosto de você e isso é verdade, Sara. Pra ser franco, eu gostei de você assim que coloquei os olhos em você. E te quis pra mim de um jeito que jamais quis outra mulher antes. Você não tem noção do quanto eu ainda te quero e do quanto eu já gosto de você, Sara. — não havia malícia ou qualquer tom de safadeza em sua declaração. Ele parecia sincero, muito sincero. — A gente tem uma conexão. Eu já te disse isso antes. E isso não é só pelo sexo excelente que temos, mas é porque eu sinto que de alguma forma há uma ligação enorme nos unindo. Eu me sinto ligado a você como nunca me senti a mulher nenhuma antes.

— Mas é com a minha prima que você vai casar. — lembrei-o daquele pequeno detalhe.

— É!... Mas... Eu assumi esse compromisso com ela e não posso fugir disso.

Ouvir isso foi algo que eu não esperava diante de todas as declarações bonitas que ele já havia me feito até ali. Me deu raiva dele. E no memo instante tratei de livrar minhas mãos do contato com as dele.

— Quer dizer que esse casamento vai sair mesmo? Independentemente das coisas que acabou de me dizer?

Que espécie de homem ele era? E que espécie de mulher ele acha que sou?

— É só um contrato, Sara. Eu não posso declinar desse compromisso. Já contei para o meu pai e os seus pais.

Ele me fez ainda pouco declarações lindas do que eu entendi serem declarações de amor, mas ainda assim acaba de dizer que vai seguir com o casamento com Maryane?

— Mas saiba que é de você que eu gosto, Sara.

— Não me toca! — ordenei quando ele fez menção de segurar minhas mãos de novo.

— Querida, me escuta...

— Você quer que eu me sujeite a ser sua amante enquanto está casado com a minha prima?

Ele não respondeu, mas nem foi preciso. Com seu silêncio, eu soube que, inconscientemente, era isso que ele queria.

— É só um ano, Sara.

— Nem se fosse um mês. Vai embora! — me pus de pé e sai de perto dele.

— Sara...

—Vai embora! Você acha que eu sou que tipo de mulher? Uma qualquer que vai viver um caso escuso com você?... Não, eu não vou. — e nem pretendia ser. — Você quer saber? Eu gosto de você também, descobri que gosto muito. Mas jamais, escute bem... JAMAIS vou me sujeitar a ser a outra na sua vida ou na vida de qualquer outro homem. Eu não vou trair minha prima assim. Sei bem como é estar do lado que é enganado e não é nada bom. Ter a testa enfeitada por um par de chifres... — apontei para minha cabeça. — ... É algo que não desejo a ninguém, nem a minha prima chata. Agora vai embora daqui, Grissom. — aponto na direção da porta de saída.

Ele permaneceu parado sem fazer qualquer movimento de ir na direção que eu lhe apontava. Seus olhos fixos em mim. Ele não ia embora dali.

Então eu tomei a iniciativa de sair da sala em direção ao meu quarto, gritando a ele que não ousasse me seguir e que batesse a porta quando resolvesse enfim ir embora da minha casa.

Entrando em meu quarto, fiz questão de tranquar a porta e me lancei a cama. Naquele momento lágrimas começavam a deslizar por meu rosto.

Agarrada ao meu travesseiro, eu chorei. Chorei por aquele cretino lá na minha sala; por tê-lo conhecido; por ter me apaixonado por ele; por seu compromisso com minha prima que pelo que vejo e pelo que Gil deixou claro, vai acontecer; chorei pela minha possível gravidez; chorei de medo, de raiva, de dor, de ódio. Coloquei para fora através do choro tudo que me sufocava e afligia.

Não sei quanto tempo durou meu choro, pois acabei pegando no sono. Acordei, achando estranho o fato de Dayse não ter vindo me chamar para jantar. Imagino que ela me viu dormindo e não quis me acordar.

Levantei da cama e fui até o meu banheiro. Ao olhar no espelho, eu encontrei um rosto inchado e de quem tinha chorado muito, que foi o que aconteceu comigo mesmo.

Resolvi tomar uma ducha. Eu estava precisando. Fiquei sob a água do chuveiro, inerte e de olhos fechados por cerca de uns dez minutos. Deixando aquela água lavar e levar a tristeza e as preocupações do meu corpo e da minha mente.

Terminei o banho e me enxuguei. Vesti um blusão que uso para dormir e saí do quarto morrendo de fome. Também pudera eram quase onze da noite.

Cheguei na sala e estanquei ao ver que Gil ainda estava ali. E ele estava na companhia de Dayse, ambos pareciam conversar de boa.

— Mas o que você ainda faz aqui? Eu não te mandei ir embora?

Ambos viraram suas cabeças para mim.

— Sara... — Dayse se pôs de pé e veio até mim. — ... Amiga, conversa com ele.

O quê?

Olhei para Dayse sem entender nada.

Mais que porra ele falou para ela me pedir isso?

— Você está mesmo me pedindo pra conversar com ele? — sussurrei para ela vendo sobre seus ombros a figura de Gil ainda sentado no sofá e nos espreitando de lá do seu lugar.

— Tô! — ela sussurrou. — Esse... Cretino como você o chama, gosta de você, amiga.

— Ele fez alguma lavagem cerebral em você, foi?

Dayse riu e vi Gil acomodado no sofá fazer o mesmo, porque tinha ouvido o que eu disse, já que não fiz questão de sussurrar desta vez.

— Não, Sara. Ele não fez lavagem nenhuma. Grissom só abriu o coração dele pra mim. Deixa que ele faça agora o mesmo pra você. — ela piscou e depois passou por mim deixando-me a sós na sala com Grissom.

— Que merda de conversa fiada jogou pra cima da minha amiga para ela está agora do seu lado, hein?

Ele sorriu e deu de ombros.

— Só abri meu coração pra ela, como bem disse a Dayse. E pretendo fazer o mesmo com você agora. Vem cá, querida. Senta aqui.

Ele pediu me indicando o seu lado vazio no sofá.

— Estou muito bem em pé. — me aproximei do sofá onde ele estava, mas não muito para não correr o risco de cair na tentação que era aquele sujeito. — Pode falar. Aliás, por que não foi embora quando eu mandei?

— Porque eu ainda não tinha terminado de conversar com você. Chega mais perto, Sara. Deixa eu abrir meu coração pra você, querida.

Sua mão esticada à mim era um convite tentador, que eu não cedi.

— Pode abri seu coração daí mesmo. Se é que você tem um coração, o que eu duvido muito.

Cafajeste e safado como ele era, eu não achava possível que tivesse coração.

— Eu tenho sim. — ele afirmou, pondo-se de pé. — Pra ser franco...

— Não chega perto de mim, por favor. — pedi assim que vi suas intenções de aproximação.

Ele estancou no meio do caminho e de onde estava, o que era uma distância de dois metros, Gil continuou sua fala.

— ... A verdade é que antes realmente eu não tinha um coração, Sara... descobri que tinha um a partir do momento em que te conheci. A partir do momento em que eu tive você naquela noite.

— Você quer que eu acredite nessa sua conversa fiada?

— Não é nenhuma conversa fiada. É a verdade. Antes de te conhecer, eu nunca tinha sentido antes o que senti ao te ver pela primeira vez. E muito menos, eu tinha sentido o que senti quando transei com você.

Sério que ele acha que vai me convencer com essa conversa?

— E o que você sentiu posso saber? — só perguntei para saber até onde ia sua cara de pau. Mas sua reposta me desconcertou.

— Me senti completo!

Notas finais
Eita que o homem tá apaixonado de verdade! Esperem que no próximo vem mais confissões do Sr. Gostoso. Beijos e até.