One Night - Livro 1
49 Capítulo XLIX
Notas iniciais
A carranca que Grissom exibia não intimidou Heather.
— Jamais pensei algo assim. — pronunciou-se com extrema naturalidade a mulher enquanto depositava numa das cadeiras a sua pasta juntamente com a bolsa. — Nós temos negócios a tratar e nem se eu quisesse me esconder de...
— Por que não retornou minhas chamadas ou respondeu minhas mensagens de texto? — Grissom cortou Heather visivelmente irritado. Tinha uma ótima razão para isso. Aquela mulher diante dele arruinou seu relacionamento com Sara.
"Alguém parece furioso!", Pensou a ruiva enquanto fitava o gestor acomodado atrás da mesa de madeira.
— Estava ocupada! — justificou com pouco caso a executiva.
A paciência de Grissom que já não estava boa, depois desta resposta com ar desdenhoso de Heather, ficou pior ainda. O gestor se irritou ao extremo com a ruiva.
— Ocupada pensando no próximo passo pra foder com a minha vida pessoal?
Ele golpeou a mesa com uma das mãos abertas fazendo um estampido alto, que fez Heather encolher os ombros num pequeno susto. Ela não esperava por aquela reação do gestor.
— Enlouqueceu? Não tenho a menor ideia do quê está falando.
— Ah! Não tem a menor ideia do quê eu estou falando? — ele repetiu as palavras dela se levantando de sua cadeira; deu a volta rapidamente em torno da mesa e foi feito uma fera raivosa até Heather para ficar cara a cara com a mulher. — Chega de cena, Heather! Sabe que detesto isso. Você não vai me enganar! Sei bem que no dia em que ficou me esperando aqui na minha sala, você atendeu meu celular quando Sara ligava e inventou merda pra ela a meu respeito. Ou vai ter a coragem de negar na minha cara isso?
Seu rosto chegou bem próximo ao de Heather e Grissom ficou mirando a mulher bem nos olhos dela.
— Responde, Heather! — cobrou dela já que a mesma não falava.
— Não vou negar... eu fiz mesmo isso. E sabe por quê? Pra que aprenda a não me dispensar como se eu fosse uma qualquer, coisa que eu não sou.
Heather não seria tonta de negar algo que Grissom já tinha conhecimento de que ela era a responsável. Então por isso mesmo admitiu seu feito e a motivação para tal.
— E aposto que soube disso pela tal Sara? Ela te contou, não foi? E terminou com você pelo visto, né? — debochou com um largo sorriso a executiva.
— Escuta aqui... — Grissom agarrou um dos braços de Heather e sério lhe deu o ultimato: — Você vai consertar essa cagada que me aprontou e desfazer a mentira que contou a Sara.
— Vai sonhando com isso, meu bem. — com um sorriso irônico ela sussurrou aproximando sua boca da dele. — Agora, me solta, Grissom! -
Heather tentou se desprender de Grissom, mas o gestor lhe segurava tão firme, que se tornava difícil da executiva conseguir se soltar.
— Se não consertar as coisas... Eu vou acabar completamente com a sua vida profissional que tanto preza. E você sabe que não sou de ameaçar em vão, Heather.
A mulher que se retorcia para conseguir se soltar do gestor, ficou imóvel diante das palavras de Grissom.
Realmente, ela sabia que ele não era de fazer ameaças em vão. Conhecia Grissom de anos e nas poucas oportunidades em que viu o homem dirigir ameaças à alguém ou algum desafeto, ele cumpriu sem titubear a ameaça feita. Então, certamente, aquela que acabava de lhe fazer, ele a cumpriria sem pestanejar.
E se era uma coisa nesta vida que Heather Kessler prezava, era sua carreira que construiu com demasiada competência, para agora vê-la arruinada por Grissom ou quem quer que seja.
— Você realmente se apaixonou por essa mulher. — foi mais uma afirmação, que propriamente um questionamento. — Achei que o mulherengo e cafajeste Gil Grissom não se apaixonasse?... Não foi isso que me disse certa vez na cama?
— Não me faça recordar de momentos entre a gente, que agora, eu daria tudo pra não ter acontecido.
Heather sentiu por dentro o duro golpe daquelas palavras, mas disfarçou isso externamente para Grissom não perceber.
No fundo a executiva tinha se apaixonado por Grissom. Não era amor! E nunca seria. Era apenas paixão. Uma forte e avassaladora paixão, que foi correspondida durante um longo tempo por Grissom, mas que agora a ruiva percebeu não ser mais. Ele estava em outra. Amando outra, o que Heather julgou jamais ver acontecer.
— Você vai consertar essa merda que me causou ou eu posso cumprir minha ameaça aqui na sua frente? Ligo ao Joachim e invento tanta coisa pesada a seu respeito, Heather, que ele não vai hesi...
— Como quer que eu resolva isso? — ela interrompeu a fala de Grissom, rendendo-se a chantagem clara do gestor.
Mesmo que essa não fosse a sua vontade, ela cedeu, pois não ia deixá-lo prejudicar sua carreira daquela forma.
Satisfeito com aceitação de Heather, Grissom então largou o braço da ruiva, que ainda mantinha seguro.
Era de se supôr que ela não ia querer ver sua reputação manchada por ele, coisa que realmente o gestor estava decidido a fazer caso sua ex-affair se negasse a reparar a situação que causou.
— Vou ligar pra Sara e você vai desmentir tudo o que disse à ela.
— Acha mesmo que ela vai acreditar em mim depois do que eu inventei?
— Para o seu bem é bom que ela acredite.
Grissom se virou e apanhou o telefone fixo de cima da mesa. Optou por não ligar de seu celular, porque certamente, Sara não lhe atenderia quando reconhecesse seu número. Antes, porém, de discar os números da morena, ele deu uma checada no horário e após concluir que àquela hora Sara estaria em seu horário de almoço e não trabalhando, o homem discou os números dela e esperou.
Brooklyn, Estados Unidos...
Acomodada com meus colegas em nossa mesa de sempre enquanto estávamos em horário de almoço, eu nem dava atenção ao assunto que rolava à mesa. Quieta e calada, meu pensamento estava bem longe dali, mais precisamente na Alemanha e em certo cretino de olhos azuis, apelidado de Sr.Gostoso, que insistia em permanecer em minha mente, mesmo contra a minha vontade.
Era uma droga, mas vire-mexe, eu me via pensando nele. Ontem, mais uma vez sonhei com Grissom. Ele me repetia que não tinha me traiu, que me amava e outras coisas mais que só faziam atormentar-me.
Gostaria de poder não pensar nele, não lembrar dele e apagá-lo por completamente de minha mente, mas infelizmente não dava. Quanto mais eu deseja esquecê-lo, mais vivo ele parecia em mim.
Que merda!
— O que acha disso, Sara?
A pergunta de Trent e seu cutucão no meu braço me trouxeram de volta a realidade de onde eu estava. Porém, eu não tinha sequer noção sobre o quê exatamente meu colega de trabalho estava me interpelando.
— Desculpa, mas eu prestei atenção no você está dizendo antes da pergunta.
— Ih, parece que alguém está com o pensamento em qualquer outro lugar menos aqui. Por onde você andava, Sara?
Forcei um melancólico sorriso e respondi a Bolton que eu andava "por um lugar que eu não devia andar". Notei meus colegas ficarem me olhando sem entender nada da minha resposta. Entre eles, apenas Dayse sacou do quê, ou melhor, de quem eu fala. E antes que os outros me interpelassem para saber o significado do que eu disse, meu celular fez o favor de tocar sobre a mesa.
Apanhei o aparelho sobre o olhar atento de todos. Na tela vi que era um número de fora e pelo prefixo já deduzi de quem se tratava aquela chamada. Só podia ser ele, Grissom!
O que ele quer? Não falei que não queria mais que ele me procurasse?
Mas não vou negar que por um milésimo de segundo fiquei tentada em atender a chamada dele com a desculpa de lhe dizer para não ficar me ligando, quando na verdade a minha real intenção, era só atender para ouvir sua voz. Porém, desisti de tal propósito, pois era masoquismo demais. Eu tinha que deixar esse homem bem longe de mim e evitar qualquer contato com ele. Se bem que se ele casar realmente com Maryane, vai se tornar impossível não vê-lo ou ter contato.
O telefone seguiu tocando e eu olhando para ele.
— Não vai atender, Sara?
— Não! — respondi a Cristina após rejeitar a ligação daquele cretino e colocar logo em seguida, o celular no silencioso. Então guardei o aparelho no bolso do blazer que eu usava. Tudo isso para não ouvir e nem ver mais as outras tentativas de Grissom em entrar em contato comigo.
— Aí, Sara, e aquele tal de Sr.Gostoso? Nunca mais veio te buscar.
— E nem virá mais, Nina. Nós terminamos!
— Ou! Foi mal.
Minha colega ficou visivelmente constrangida.
— Tudo bem.
Ela não tinha como saber disso. Aliás, nenhum deles ali exceto a Dayse, tinha como saber do meu término com Grissom, porque não contei isso a eles.
— Então já que a Sara tá de volta a pista, que tal um happy hour depois do trabalho lá naquele barzinho de sempre?
A sugestão do Bolton foi aceita na hora por todos. Eu recusei, mas quem disse que meus colegas aceitaram isso? Eles bateram o pé e disseram que eu ia nem que fosse arrastada.
— Okay, eu vou! — acabei por ceder.
Não adiantava nada eu discutir com eles. E até seria uma boa sair com meus colegas para me distrair. Fazia um pequeno tempinho que não saía com o pessoal para um happy hour.
O nosso horário de almoço terminou naquele instante e cada um de nós fomos para nossos postos.
No caminho Dayse me puxou do grupo e vindo mais atrás do pessoal, ela me interrogou sobre quem ligava. Eu lhe contei que era Grissom. E ainda disse que ele podia ligar quantas vezes quisesse, que eu não pretendia atender.
Chegando a minha mesa busquei meu celular do bolso do blazer e constatei que haviam mais dez ligações perdidas do mesmo número com o prefixo da Alemanha e uma mensagem de texto do celular de Grissom, que abri por pura curiosidade.
"Sara, por favor, atende as minhas ligações. É importante!"
Importante pra quem?
Só se for para ele! Porque para mim não. A mim, ele e suas ligações passaram a não ser mais importantes.
Apaguei a mensagem e resolvi me focar no meu trabalho que ganho mais.
Na Alemanha...
Depois da décima ligação e tendo já enviado um SMS a Sara nesse meio tempo, Grissom desistiu de continuar entrando em contato com a morena, pois pelo que via, ela não ia responder a nenhuma ligação ou mensagem sua.
"Certamente, ela reconheceu o prefixo e deduziu que era eu ligando e por isso não atendeu! Agora como farei a verdade chegar aos ouvidos dela?"
Foi então, que o gestor teve uma ideia e, não pensou duas vezes em segui-la. Se voltando para Heather que o tempo todo o observou, ele lhe comunicou a decisão que tomou naquele instante.
— Você e eu vamos para os Estados Unidos hoje pra esclarecer essa história pessoalmente a Sara, já que ela se recusa a me atender.
— O quê? — Heather quase engasgou com as palavras.
— Você ouviu muito bem o que eu disse. — ele resmungou virando-se de novo para sua mesa e apanhando o telefone novamente. Discou rápido para sua secretária, que atendeu no segundo toque. — Elfriede, ligue para o comandante Klaus e avise que em duas horas quero o jatinho pronto para ele me levar de volta aos Estados Unidos. Tenho um assunto inadiável pra resolver lá. — dito isso Grissom encerrou a chamada.
— Grissom, eu não vou com você.
— Você vai! E não têm conversa. Ou será que quer que eu cumpra minha ameaça? Eu posso fazer isso ainda.
Ela que não ousasse lhe testar ou desafiar, pois ele não estava para ali brincadeira.
— Eu tenho um almoço de negócios amanhã em Luxemburgo.
— Você estará sem falta no seu almoço. Mas antes disso vai comigo até Sara para desmentir a história que inventou a ela. E nem ouse bancar a engraçadinha comigo, Heather, ou vai conhecer o meu pior lado.
— Já conheço faz tempo. Só não imaginei que ele fosse assim tão pior comigo.
***
O barzinho estava lotado, a música ambiente era agradável e a conversa que rolava na mesa era engraçada. Eu até que estava me divertindo ali com meus colegas. Nosso grupo era animado e divertido, que era impossível não se alegrar ao lado deles.
Peguei meu celular para ver por pura curiosidade se havia alguma ligação perdida, mas nada! Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo com isso.
Pára de ser masoquista, Sara!
Durante o dia que passou não recebi mais qualquer outro chamado ou mensagem de Grissom. Certamente, ele se deu conta de que eu não o atenderia e então, parou de insistir. Melhor assim!
— Vendo se ele te ligou? — Dayse me murmurou discretamente ao ouvido.
— Só estava vendo as horas. — inventei.
— Sei!
— Aí, o que as duas estão cochichando? Por que não compartilham a conversa?
— Porque ela não tem nada de mais, Trent.
— Alguém chama o garçom que meu copo já secou.
— Nossa, Nina. Você está bebendo cerveja como se fosse água. Desse jeito vai acabar bêbada.
— Não ferra, Bolton. Sei até onde ir.
Todos na mesa rimos de Nina. Bolton gesticulou ao garçom e pediu uma nova rodada de cerveja a todos. Mas eu recusei a bebida. Já tinha bebido quatro doses e estava de bom tamanho para mim. Não queria passar da conta.
— Ah, qual é, Sara? Já parou?
— Sim, Bolton.
A chiadeira na mesa foi grande, mas depois de insistirem mais um pouco para eu tomar mais uma, e me verem recusar a isso, meus colegas deram-se por vencidos e não insistiram mais.
Foram duas horas bem animadas que passei com o pessoal e quando deu umas nove e meia, falei baixo psra Dayse que já queria ir. Ela assentiu e nós avisamos aos demais que já íamos. Eles reclamaram que ainda estava cedo para irmos, mas Dayse alegou que estávamos cansadas e que na próxima sexta se sairmos juntos de novo, ela e eu ficaremos bem mais tempo. O pessoal aceitou e se despediu da gente.
— Você ainda queria ter ficado mais? — olhei para Dayse enquanto seguíamos para pegar o carro dela no estacionamento do bar.
— Se eu não estivesse realmente cansada até ficaria mais um pouco. Mas eu estou moída de verdade. Sullivan me encheu de trabalho depois do almoço. Ô, mulher do cão!
Eu ri de Dayse.
A chefe da minha amiga era uma megera daquelas bem difícil de engolir. Coitada da Dayse! Felizmente, Brooke não era assim, pois se fosse eu não sei se lhe aturaria por muito tempo.
***
— Lar doce lar! — pronunciei me jogando no sofá. Vi Dayse me imitar ao se jogar no outro móvel menor.
— Ai, daria tudo pra ter um bofe agora me fazendo massagem nos pés. Acho que teria até um orgasmos só com isso.
Não consegui me conter e dei uma sonora gargalhada pelo que Dayse disse.
— É sério, Sara!
— Você têm um parafuso a menos, Dayse.
— E você têm dois!
Caímos na risada e nesse mesmo instante ouvimos o interfone tocar na cozinha.
— Ah, não! Vai lá atender, amiguinha linda e amada. Eu não tô com a menor disposição de me levantar daqui.
— Só vou, porque me chamou de linda e amada.
Dayse abriu um sorriso e me jogou beijos em agradecimento.
Saí do sofá e segui a passos llentosàpra cozinha e alcancei o interfone.
— Oi, seu Joel.
— Boa noite, Senhorita Sara. O senhor Grissom está aqui na portaria querendo subir para falar com a senhorita, posso autorizar a subida dele?
Grissom aqui?
Mas ele não estava na Alemanha?
O que esse cara quer comigo?
Pois seja lá o que for, eu não estou interessada em saber.
— Não deixe este senhor subir. Diga a ele que vá embora e não me procure mais. — desliguei na cara do porteiro.
Não passaram-se nem dez segundos e o interfone voltou a tocar. Atendi.
— O que foi, seu Joel?
— Um segundo.
— Sara!
Engoli a seco. Minhas pernas chegaram até a fraquejar de leve e um arrepio percorreu meu corpo todo quando ouviu do outro lado da linha a voz grave de Grissom pronunciar meu nome.
— Eu sei que está aí na linha, Sara.
Mas bem que gostaria de não estar.
A vontade que deu, foi de mandar aquele cretino para o inferno e encerrar a chamada na cara dele. Contudo, faltava coragem para fazer aquelas duas coisas.
A voz daquele cretino me trouxe lembranças as quais eu vinha tentando esquecer, mas que amargamente falhava nisso. Aquela peste de homem estava se tornando impossível de esquecer.
— O que você quer? — conseguir dizer algo após segundos calada.
— Preciso falar com você.
— Mas eu não quero falar com você. Deixei isso bem claro na última vez que nos vimos.
— E eu te disse que ia te procurar pra provar que eu não era um canalha, pois bem... É isso que vim fazer.
— Eu não estou interessada nisso.
Ouvi sua respiração pesada na linha.
— Heather está aqui comigo, Sara.— Mas é muito abuso dele trazer essa fulana aqui! — Ela veio desmentir pessoalmente a história que inventou a você. Mas se prefere continuar se iludindo com a mentira que ela te contou sobre mim, então não nos receba. Eu vou embora com ela agora mesmo e, pode ter certeza absoluta, que não insistirei mais pra falar com você a esse respeito ou qualquer outro. Agora, se quiser saber a verdade de fato, nos deixe subir pra que Heather te esclareça de uma vez por todas essa história mentirosa que ela inventou pra me prejudicar. O que vai ser, Sara?
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