Notas iniciais
Sara vai conhecer um "amigo".

Terminando de me aprontar para ir a abertura da feira do livro com Brooke, escuto o celular apitar sobre a cama. Fui até lá e apanhei o aparelho. Tratava nada mais nada menos que outra mensagem de Grissom. Já tinha perdido as contas de quantos SMS ele já tinha me mandado ao longo daquele dia, já que suas inúmeras ligações eu não atendi — o sinal de chamada bloqueada apareceu diversas vezes na tela do meu celular.

Só por curiosidade eu abri essa mensagem. As outras não fiz questão alguma. Elas chegavam e eu as excluída sem ler o conteúdo. Nesta última dizia o seguinte:

De: Sr.Gostoso
Para: Sara
"Sara o que está acontecendo? Por que não me atende e nem responde minhas mensagens? Ligo para Dayse tentando saber sobre você, mas ela também não me atende. Estou preocupado com você, meu amor. Me dá um sinal de vida!"

Ah, ele está preocupado??

Quer um sinal de vida??

Pois eu lhe enviarei um "sinal de vida"!

Digitei rapidamente um: "Me deixa em paz e vai pro inferno!", E mandei pra ele uma mensagem de texto bem auto explicativa para não ter erro de ele nao entender.

— Está aí o seu sinal de vida, cretino!

Joguei o celular na cama e fui tratar de terminar de me aprontar.

***

O McCormick Place estava lotado, mas era lotado mesmo! Milhares de pessoas podiam ser vistas ali. Eu estava impressionada não só com a quantidade de gente que via, como também, com o tamanho do lugar. Brooke que já esteve ali antes, me explicou que aquele era o maior centro de convenções dos Estados Unidos. Possuía mais de 240 mil metros quadrados de pavilhões, quatro salões, quatro teatros e 173 salas de reunião.

Eu já tinha ouvido falar que aquele centro de convenções fosse grande, mas não imaginava que fosse tão, tão, tão grande assim!

Durante o tempo em que fiquei por ali com Brooke, nós assistimos ao show de abertura da feira, depois visitamos estandes, assistimos uma palestra e outras atrações mais. E em nenhum momento desse tempo, eu lembrei de Grissom e o que aquela "amiga" dele me disse. Tinha distração demais para pensar em me recordar daquele traste.

Mas bastou estar de volta ao hotel e me ver sozinha em meu quarto, para lembrar de quem eu não queria.

Ao apanhar meu celular para ligar para Dayse e contar tudo de legal que vi, eu descobri cinco mensagens de Grissom. Não notei aquilo antes, porque deixei o celular no silencioso enquanto estivesse na feira. Não queria ser interrompida enquanto estivesse no evento.

Ao ver aqueles SMS dele suspirei e pensei em não abrir nenhum, mas depois mudei de ideia.

Primeira mensagem:
De: Sr.Gostoso
Para: Sara
"Que história é essa de 'me deixa em paz e vai pro inferno', Sara?"

Minha mensagem tinha sido clara o bastante. Que parte ele não entendeu? Burro!

Teria de trocar o nome de seu contato para cretino burro. E fiz isso antes mesmo de ir ler suas próximas mensagens.

Segunda mensagem:
De: Cretino burro
Para: Sara
"Sara o que está acontecendo com você?"

Terceira mensagem:
De: Cretino burro
Para: Sara
"Quer fazer o favor de me responder?"

— Nem em sonho!

Quarta mensagem:
De: Cretino burro
Para: Sara
"Você quer me fazer de palhaço?"

— Palhaça fui eu, ou melhor, idiota mesmo por ter acreditado em uma grama do que você disse.

Quinta mensagem:
De: Cretino burro
Para: Sara
"Se você não entrar em contato logo comigo, eu dou um jeito de descobrir seu paradeiro e ir até você!"

Pois ele que se atreva a vir aqui que eu o expulso a ponta pés se preciso for!

E se ele pensa que me ameaçando assim vai conseguir o que quer, está enganado. Eu não vou entrar em contato com ele. E muito menos vou mandar porcaria de mensagem alguma em resposta porcaria. Eu não quero mais saber dele! Foda-se Gil Grissom!

Apaguei essas suas mensagens e liguei para Dayse. Primeiramente contei a minha amiga sobre como foi na feira do livro, já que isso foi a primeira coisa que ela quis saber. Depois revelei sobre as mensagens que Gil mandou e que eu apaguei. Ouvi de Dayse que Grissom também havia ligado para ela inúmeras vezes e lhe mandando alguns SMS ao longo do dia, querendo saber se ela já havia falado comigo. Minha amiga disse que não respondeu a nenhum SMS dele, porém confessou que sentiu ímpetos fortes de fazer isso, além de sentir vontade de mandá-lo a merda.

— Você não vai poder ficar evitando-o e se esquivando dele quando voltar, Sara. Uma hora ele também volta da Alemanha e você terá que falar com ele, enfrentá-lo e lhe dizer umas boas verdades na cara.

— Então que seja só quando ele voltar de lá mesmo e que isso ainda demore, porque tão cedo eu não quero vê-lo ou ouvir a voz daquele cretino.

Depois da ligação com Dayse ser encerrada, eu resolvi descer até o bar do hotel para me distrair um pouco. Ficar ali no quarto pensando no Gil e toda aquela merda não me faria bem. Amanhã pela manhã não havia nada para fazer. Brooke disse que somente a tarde que íamos a feira novamente. Portanto, eu podia esticar a minha noite até mais tarde e de quebra beber um pouco para afogar as mágoas.

Saía do quarto quando vi meu chefe fazer o mesmo do dele. O quarto de Brooke ficava há dois do meu.

— Ei, descendo pra jantar?

— Não! Pra falar a verdade nem estou com fome. Vou só no bar beber algo.

Ele fez uma cara de decepção.

— Puxa que pena! Vim justamente saber se não queria jantar comigo. Soube que aqui tem um excelente cardápio vegetariano. E pensei que ia adorar comprovar se de fato o jantar daqui é excelente mesmo.

Que gentil da parte dele. Pena que eu não estava com fome e nem era uma boa companhia aquela noite, pois do contrário até aceitaria seu convite para jantar.

— Se você quiser a gente pode deixar esse jantar pra amanhã.

— Sim. Mas quer companhia para beber no bar?

— Me desculpa, mas não. Eu gostaria de beber sozinha.

Me senti mal por dar essa dispensada nele, mas eu tinha que ser sincera.

Brooke meneou a cabeça e ficou em silêncio me olhando por um breve instantes.

— Você não está legal, né? E não deve ser só coisa de mulher isso. Não quer compartilhar o que houve? — ele repousou sua mão esquerda em meu ombro e deu um leve aperto.

Apesar de sua gentileza e preocupação. Meu chefe seria a última pessoa com quem eu queria partilhar aquela decepção.

— Desculpa, mas não. — outra vez o dispensei.

— Tudo bem. Mas se precisar conversar em outro momento conte comigo para te ouvir.

— Valeu, Brooke.

— Quanto ao jantar... Fica para amanhã sem falta?

— Sim! — sorri para ele.

— Então beleza. Vou voltar para o meu quarto e pedir minha comida lá. Boa noite, Sara.

— Boa noite!

Enquanto ele seguiu de volta para seu quarto, eu me dirigi para pegar um elevador. Poucos instantes depois, já me encontrava no bar, acomodada em uma banqueta diante do balcão, recebendo do barman um drinque que o sujeito me sugeriu quando o indaguei sem ter a ideia do quê realmente pedir.

Precisava de uma bebida, mas não para ficar bêbada, só para uma tentativa de distração e quem sabem assim não pensar naquele cretino do Gilbert.

O drinque de nome 'Lagoa azul', levava segundo a descrição do barman: Curação blue, gelo, Soda, limonada , suco de limão e Vodka, era bom mesmo como o sujeito que me sugeriu, disse. Tanto que eu terminei rápido a taça com o líquido azul e logo pedi outra com a mesma bebida ao barman que me atendia.

Quando eu estava na terceira dose do meu drinque e tamborilando os dedos no balcão do bar no compasso da música suave que tocava no ambiente do local, senti alguém se acomodar na banqueta vazia ao lado da minha e me indagar.

— Esse drinque é bom?

Virei o rosto para ver quem era o dono da voz grave que se dirigiu à mim. Encontrei um sorridente cara, super gato por sinal, que na gora me lembrou o ator da série preferida da Dayse, só que me fugiu o nome do cara e da série agora.

Como era mesmo o momento de ambos, meu Deus?!

Ah, lembrei!

A série se chama The Vampire Diaries e o ator Ian Somerhalder.

Só que o desconhecido diferentemente do ator da série, usa óculos de grau, possuía uma barba rala e seus cabelos eram de um corte mais formal e curto. O cara, basicamente, era uma versão mais intelectual do vampiro Damon Salvatore e que de quebra, ainda me exibia um largo e sedutor sorriso.

— Ei, não vai me responder?

— Desculpa! O que perguntou mesmo?

Eu tinha ficado tão impactada e embasbacada com a visão daquele sósia do ator da série dos vampiros, que até esqueci a pergunta que ele me fez.

— O drinque que você está bebendo é bom?

— Ah, sim. É muito bom, tanto que já estou no terceiro. — informei ao estranho bonitão antes de desviar o olhar dele para encarar minha bebida novamente e dar um novo gole nela.

— Amigo vê um pra mim desse que a senhorita está bebendo.

Escutei o cara pedir e vi o barman assentir para o sujeito ao meu lado.

— Bebendo pra afogar as mágoas?

Quase a bebida sai da minha boca numa cusparada que eu felizmente consegui segurar a tempo.

Como ele sacou isso?

— Por quê? Pareço estar bebendo com essa finalidade? — me virei na banqueta de modo a ficar de frente para o sujeito que eu ainda nem sequer sabia o nome.

— Sinceramente? — assenti para ele positivamente. E exibindo-me um sorriso enquanto retirava seus óculos e os guardava no bolso interno do blazer preto que usava por cima da camisa cor de vinho, o cara me disse: — Parece! E sabe por quê eu sei disso? — antes que eu ousava lhe responder, ele o fez: — Porque já fiz algumas vezes isso que você está fazendo.

Apenas deixei que um sorriso irônico escapasse do canto dos meus lábios enquanto o barman apareceu para depositar sobre a bancada do bar o drinque do sujeito que falou comigo.

— Valeu, cara. — ele agradeceu ao barman e provou seu drinque logo em seguida. Eu apenas o observei calada. — Hum... Realmente isso é bom mesmo! — o cara apontou para a taça com sua bebida e olhando para mim. -Ótima escolha essa sua.

— Na verdade foi sugestão do barman. Ele que me indicou esse drinque. Agradeça a ele. — informei o desconhecido.

— Ah, sim. Ótima sugestão de drinque que deu a moça, cara. — o barman apenas sinalizou um positivo com o polegar. O sujeito ao meu lado se dirigiu a mim novamente: — Sou Owen Clark. — ele me estendeu a mão.

— Sara Sidle! — apertei sua mão.

— Prazer, Sara.

Apenas assenti e tomei a iniciativa de desfazer o nosso aperto de mão. Então peguei minha taça novamente e bebi de uma vez o restante do meu drinque, que estava na metade da taça.

— Vê outro, por favor! — pedi ao barman empurrando minha taça vazia.

O cara veio, pegou a taça e foi preparar outro drinque como pedi.

— Uau! — ouço o tal Owen resmungar ao meu lado, mas nem lhe olho. Não estava mãos ma fim de papo ainda mais com desconhecido. Mas o cara parecia querer papo e comigo, pois logo lhe escuto, questionar-me: — Mas e aí... Você está mesmo bebendo pra afogar as mágoas por quem? Um namorado... Noivo... Ou marido?

Olhei para ele e mesmo sem muita vontade resolve satisfazer sua curiosidade.

— Por um idiota que me fez de palhaça. — resumi com seriedade.

— Não quer desabafar comigo? Acho que você tá precisando disso. E eu sou um ótimo ouvinte, sabia?

Ergui uma das em desconfiança e Owen sorriu. Involuntariamente acabei rindo junto.

— Não diga?! E você por acaso é algum psicólogo, terapeuta ou psiquiatra? — debochei ainda rindo.

— Não! — ele deu um gole em seu drinque antes de prosseguir, dizendo: — Na verdade, eu sou editor chefe de uma editora chamada Bag of Books.

Notas finais
Até o próximo capítulo.