One Night - Livro 1
41 Capítulo XLI
Aquela desgraçada estava me chantageando, era isso?
Se ela contasse as coisas aos meus pais daquele jeito e fazendo aquela falsa cena que fez, eles iam acreditar nela e ficariam contra mim, quem sabe até, eles me odiassem por isso. E eu não suportaria algo assim! Meus pais me odiando seria demais para mim. Eu já sei que eles ficarão tremendamente decepcionados quando lhes contar a verdade e isso já doía. Imagina se eles me odiassem?!
— Você não vale nada, Maryane!
— E você vale tão pouco quanto eu. Ou acha que uma pessoa decente teria um caso com o noivo da própria prima?
— Se você não estivesse grávida, eu juro que te encheria agora de uns bons sopacos.
— Você e esse jeito caminhoneiro de resolver as coisas, não é?
— Não me provoca, Maryane!
— Sara, calma! Não perde a cabeça, porque é isso que ela quer. — Dayse me murmurou, segurando-me numa tentativa de impedir que eu avançasse em Maryane e fizesse algo a ela. Mas eu não tinha intenção disso, apesar da minha prima merecer que eu a agrida.
— Você que não me provoque ameaçando que vai contar ao Grissom sobre o Bryan, porque se você abrir o bico pra ele, Sara, eu faço sua caveira para os nossos pais.
— MEUS PAIS! Laura e Carl são MEUS pais e seus tios.
— Eles são meus pais também, pois me criaram. E eu posso muito bem fazê-los se voltarem contra você. Acho que não vai querer perder a admiração, o carinho e o respeito deles, não é querida irmãzinha?
Eu sempre achei que Maryane não era lá essa flor de pessoa, só não sabia que ela era tão pior quanto eu achava.
— Sai daqui Maryane antes que eu faça uma besteira com você.
— Eu vou e você tá "alertada" quanto a contar ao Grissom sobre o bebê e Bryan, e também desse nosso papo. Se ele souber nossos pais vão saber da minha versão sobre seu caso com meu noivo.
— SOME DAQUI!
Ela riu e se dirigiu a porta, mas parou no meio do caminho para me dizer mais algumas palavras.
— Ah, e antes que eu me esqueça... Se afasta do meu noivo, porque do contrário você vai se arrepender amargamente disso.
— Tô morrendo de medo de você! — ironizei.
— Se eu fosse você estaria mesmo morrendo de medo, porque eu sou capaz de acabar com você se não deixar o Grissom em paz.
— Se manda logo daqui ou eu não respondo por mim, Maryane!
Graças ao bom Deus, ela enfim foi e eu agradeci por não ter que olhar mais para a cara dela e nem ouvir suas ameaças.
Quando imaginei esse embate entre nós duas não foi com ele tendo esse final em que minha prima saía por cima. Maryane inverteu a situação a favor dela e eu saí na pior.
— Essa sua prima é muito ardilosa, Sara.
— Muito mais do que eu pensava.
— Você não vai cair no jogo sujo dela de não contar nada ao Grissom, vai?
— Claro que não! E nem vou me afastar dele. Mas confesso que temo em relação aos meus pais. Maryane pode me detonar para eles.
— Fala com eles antes dela, Sara.
Pelo visto era o que eu teria que fazer mesmo ou do contrário aquela mau caráter da minha prima ia fazer com que eu saísse como a bandida da história.
— Eu vou falar. Assim que eu voltar de Chicago irei a Santa Mônica falar com eles. Mas amanhã mesmo eu falo com o Grissom. Queria poder contar agora mesmo o que houve aqui, mas isso será possível.
Maldito jantar de negócios que ele tinha hoje e que, ainda por cima, terminaria tarde. Eu queria tanto contar a ele o que houve. Mas, infelizmente, terei que esperar até a amanhã.
***
— Já tá pronta Sara?
— Sim! Mas ainda não está na hora de irmos ou está? — peguei meu celular para checar as horas.
— Não! — Dayse respondeu antes mesmo de eu ver que horas já eram. — Só que eu vou dar uma rápida saída até o Clayton's apanhar uma encomenda e quando voltar te ligo pra que desça e eu te leve ao aeroporto.
— Tá, ok. Vou aproveitar e tentar ver se consigo falar com o Gil.
— Tomara que ele chame essa sua prima e diga umas boas verdades na cara dessa mau caráter. E você vai contar também do teste de gravidez que fez ontem?
— Sim!
Ia aproveitar a oportunidade para falar tudo de uma vez. Chega de ficar protelando para depois. Já fiz isso demais.
— Tá vou indo. Não vou demorar.
Assenti, vendo Dayse sair do meu quarto. Apanhei meu celular de cima da cama e disquei os números do Gil. Na primeira tentativa a ligação chamou e chamou até cair na caixa postal. Na segunda e terceira vez foram a mesma coisa.
— Por que você não atende, Gil?
Resolvi fazer mais duas tentativas. A primeira não deu em nada. E quando achei que a segunda ia dar no mesmo que as outras tentativas, a chamada foi atendida.
— Alô!
Na mesma hora franzi a testa e tirei o telefone da orelha para ver se eu tinha discado o número certo. E eu tinha! Voltei o telefone a orelha.
— Quem está falando, hein? — quis saber da voz feminina que atendeu ao celular de Gil.
— Heather!
Caí sentada na cama não acreditando quando ouvi aquele nome. O que essa mulher faz atendendo o telefone dele?
— Eu quero falar com o Grissom, por gentileza. — pedi numa falsa cordialidade e tentando dissimular minha ira.
Espero que aquele cretino tenha uma ótima explicação para me dar a respeito dessa fulana atendendo o celular dele, pois do contrário, ele estará em sérios problemas.
— Quem quer falar?
— Não te interessa. Apenas chama o Grissom!
Ouvi um risinho de puro deboche da tal Heather.
— Agora infelizmente não dá. O Gris tá se refrescando no banho depois de uma "atividade" intensa que tivemos na cama dele momentos atrás.
— Quê?? — murmurei em choque.
— Isso aí que ouviu. Ele está tomando uma ducha. E você o que quer com ele?
Eu não me dê o trabalho de responder e finalizei a chamada ainda desnorteada pelas palavras daquela mulher.
"Não acredito que você tenha feito essa sacanagem comigo, Grissom!"
Você e eu fizemos um voto
Para o bem ou para o mal
Eu não posso acreditar que você me decepcionou
Mas a prova está no jeito como isso dói
(I'm Not the Only One)
***
Em Munique, Heather sorriu mais do que contente com seu feito. Melhor do que fez impossível! Tão logo encerrou a chamada, a ruiva tratou de imediatamente apagar a chamada atendida e todas as outras perdidas de Sara do celular de Grissom, e depois devolveu o aparelho de volta a gaveta onde ele se encontrava antes dela atendê-lo. Em seguida foi se acomodar de volta na cadeira em que estava anteriormente, quando ouviu o celular do empresário tocar insistentemente.
Estava ali a espera de Grissom que segundo a secretária lhe informou tinha ido fazer uma vistoria pela fábrica. E como já era conhecida pela secretária, Heather pôde esperar na sala do gestor. Enquanto o aguardava a executiva ouviu o celular dele tocar em algum lugar. Procurou o aparelho e o encontrou. Não pensou duas vezes em atender a chamada ao ver o nome da mulher que Grissom lhe contou estar apaixonado e por quem ele foi capaz de lhe dispensar e rejeitar ontem à noite após o jantar de negócios que tiveram.
"Heather não insista! Entre nós não haverá mais nada! Agora se me der licença...", ele tentou passar por ela, mas a ruiva impediu sua passagem postando-se no caminho dele.
"Por que está me dispensando? Ou melhor, por quem?", ela tocou seu rosto.
A única razão que ela conseguia ver para Gil Grissom está lhe rejeitando daquele modo era em virtude de algum rabo de saia novo com o qual ele estava se divertindo.
"Não tem ninguém!"
"Eu sei que tem. Me fala quem é ou eu não te deixo ir."
A ruiva viu Grissom suspirar com desagrado ante a sua exigência.
"Ela se chama Sara. Estou completamente apaixonado por ela e só a Sara me basta! Não preciso de mais ninguém e não quero mais ninguém além dela. Boa noite!"
Depois desse fora de ontem a executiva jurou que na primeira oportunidade que tivesse iria se vingar de Grissom por lhe dispensar daquela forma. E a oportunidade apareceu muito mais cedo que ela imaginava com aquele telefonema que viu da tal Sara no celular de Grissom. Só esperava agora que o que fez, cause o estrago desejado e Grissom seja dispensado por essa tal de Sara, bem como ele fez ontem com ela própria.
"Você não devia ter me dispensado daquele jeito ontem, Grissom!"
***
– Ei, quer arrebentar a porta do carro assim é?
Sorrindo Dayse me encarou após eu entrar no automóvel. E pela minha cara, ela notou que eu não estava bem para gracinhas. E eu não estava mesmo! Aquele telefonema acabou comigo.
– O que houve, Sara?
– Eu sou uma idiota Dayse.
Uma raiva absurda misturada a decepção e desgosto me corroiam por dentro. Como pude ser tão idiota e me deixar enganar pela lábia romântica que aquele cretino de nome Grissom me jogou?
– Por que está dizendo isso?
– Liguei para o celular do Grissom, mas não foi ele quem atendeu. Advinha quem foi?
– Não tenho a menor ideia!
– A tal da Heather. E sabe o que ela me disse quando perguntei pelo Grissom?
– Pelo seu estado não deve ter sido algo bom.
E não foi mesmo! Foi péssimo!
– Ela disse que ele estava no banho se refrescando depois de uma "atividade" intensa que tiveram na cama dele.
A boca de Dayse se abriu em choque.
— Mentira que essa mulher te disse isso?!
Antes fosse, mas não era e eu estava péssima por isso.
– Ela disse com todas as letras! — confirmei, encarando Dayse e sentindo os olhos arderem por conta do esforço que eu fazia para não chorar de novo. No quarto, sozinha, logo após a ligação, eu já tinha chorado. Não queria mais repetir isso. — Ele é um cretino, Dayse. E eu uma burra, idiota por acreditar nele e nos sentimentos que ele dizia ter por mim. Hipócrita, mentiroso! Ele lá no 'bem bom' com outra e eu aqui pensando nele. Achando que ele estava "se comportando" longe de mim. Burra!! Idiota!! É isso que eu sou e muito mais, Dayse, por acreditar naquele mentiroso. — sem que eu me desse conta já chorava. Mas era um choro de raiva por ter me deixado enganar mais uma vez por um cara.
– Sinto muito por mais essa decepção, amiga!
E eu sentia mais ainda. Já estava muito envolvida com Grissom e essa decepção com ele estava doendo mais até que a causada pelo idiota do meu ex.
– Parece que eu tenho o dedo podre pra homem.
Ser enganada e ganhar chifres parece ser minha sina!
– Não fica assim, amiga. Eu li em algum lugar que: "Na vida tem coisas que a gente não perde, a gente se livra!". E vai ver que o melhor pra você era se livrar do Grissom!!
***
– Está tudo bem com você, Sara? Estou te achando triste.
Olhei para o meu chefe acomodado ao meu lado na poltrona dele no avião e forçando um sorriso tentei dissuadi-lo do que achava.
– Está tudo bem sim, Brooke. É só que não acordei muito bem hoje. "Coisas de mulher"! — inventei e ele apenas assentiu em compreensão.
A aeromoça avisou mais uma vez para colocar os cintos quem ainda não havia posto, pois o avião ia decolar em um minuto.
E no tempo mencionado a aeronave já decolava. Uma hora e vinte cinco minutos seria a duração do voo e eu fui esse tempo inteiro pensando em quem não devia.
Eu estava péssima, arrasada e decepcionada! A minha vontade era de ir lá na Alemanha e dizer umas boas verdades na cara daquele cretino mentiroso.
Pensei que a decepção de flagrar o Elliot com Camille tinha sido ruim. Que nada! Ela não causou um décimo da dor que a decepção que aquelas palavras da tal Heather me causaram e estavam causando.
Será que tudo que aquele cafajeste me disse, tratavam-se de mentiras?
Acho que sim!
Aquele papo de que se tornou outro ao me conhecer, que se apaixonou e que me ama, deve ter sido tudo mentira dele. Certamente, eu devo ter sido mais uma na lista dele. E com certeza, ele não tinha intenção alguma de se separar de Maryane. Essa conversa de que ia desfazer o compromisso com ela quando o pai dele voltasse para assumir um comigo, foi só papinho furado para idiota aqui acreditar e ele se divertir um pouco comigo. Pois, ele que fique com a noivinha dele e se divirta com a "amiga" na Alemanha. Comigo não tem mais "diversão"! Para mim, ele deixou de existir!
No tempo estimado de viagem o avião pousou no Aeroporto Internacional O'Hare, eu e Brooke apanhamos nossas malas após desembarcarmos e seguimos para saída do aeroporto. Pegamos um táxi ali mesmo na frente e fomos para o hotel.
Cerca de meia a hora depois eu me encontrava em meu quarto no hotel, sentada na cama e vendo na tela do meu celular o nome de Gil piscando insistentemente. Era a terceira vez que ele ligava em menos de uma minuto. Esta sua ligação assim como as anteriores, eu não atendi e nem pretendia atender nenhuma. Até deveria para lhe dizer umas boas verdades na cara como eu disse ao Elliot quando peguei aquele estúpido me traindo, mas dessa vez, eu estava tão quebrada, tão sem vontade de ouvir ou dirigir qualquer palavra a Grissom, que me reservava o direito de não atender suas ligações.
Duas tentativas mais e acho que ele desistiu, porque não veio mais qualquer outra chamada sua para mim.
Agradeci mentalmente por isso e me deitei toda encolhida na cama enquanto discava o número de Dayse. Dois toques apenas e minha amiga já atendia. Contei a ela que já estava instalada em meu quarto e que a viagem tinha sido tranquila. Depois falei das chamadas que recebi de Gil antes de ligar para ela. Dayse quis saber se eu atendi alguma e eu lhe respondi que não e nem pretendia. Expliquei o porquê e ela me entendeu. Ela sempre me entendia!
— Sara, ele tá ligando agora para o meu celular. — Dayse me informou enquanto a gente ainda estava se falando.
— Não atende! — a instrui.
— Se eu não atender, ele vai ficar insistindo. Então é melhor eu atender logo.
— Mas então atende e fala normalmente com ele, como se nada tivesse acontecido.
— Sério que eu vou ter que fingir e não dizer umas boas verdades na cara dele?
— Sim, por mim, Dayse.
— Tá bom!
— Me liga depois que falar com ele.
— Tá!
Desliguei para ela atender a ligação de Gil. Poucos minutos se passaram e eu já recebia a ligação novamente de Dayse. Minha amiga disse que ele queria saber se eu já tinha viajado e que horas, pois ligou para o meu celular e só chamou. Ele achou que eu ainda estava no avião. Dayse pegando carona nisso disse que eu ainda estava mesmo no avião e por isso não atendia. Segundo minha amiga parece que ele engoliu essa mentira dela e desligou.
— Ele vai te ligar mais tarde com certeza.
— E eu não vou atender. Não quero falar com ele. E você nem atende mais as ligações que ele te fizer.
— Acho até melhor mesmo eu não atender, porque não sei se aguentarei ficar calada e não dizer umas boas verdades a ele. Já foi difícil ainda pouco.
— Imagino!
— Aí, Sara vou ter que desligar, porque o interfone tá tocando. Me liga mais tarde.
— Ligo sim. Tchau, amiga.
— Tchau e tenta não ficar pensando no idiota do Grissom.
"Impossível!" — pensei comigo mesma após a minha amiga encerrar a ligação.
Ao tirar o celular da orelha, eu notei que havia um SMS que chegou enquanto falava com Dayse. Abri a caixa de mensagens e vi que o remetente era Gil. Ia excluir o SMS sem ler, mas a masoquista dentro de mim quis abrir a mensagem e ler seu conteúdo.
"Querida, assim que ler essa mensagem me liga, por favor. Quero saber se chegou bem. Beijos. Te amo!"
— Me ama!!... Canalha mentiroso!! — apaguei a mensagem e tratei de bloquear o número dele para não receber mais suas chamadas. — Quero que você vá para o quinto dos infernos, que é o lugar que merece, cretino de uma figa!
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