Notas iniciais
Neste domingão temos atualização da fic. E respondendo sua pergunta Ana, Gil e Maryane estão dormindo em quartos separados e isso será mencionado num capítulo em breve. OK? Agora, vamos ao capítulo.

Sinalizei com uma das mãos para Dayse tão logo a avistei saindo pela aérea de desembarque. Minha amiga louca veio correndo e puxando sua mala até chegar em mim e a gente se abraçar.

Parecia até que fazia meses que não nos víamos e não, horas.

— Ai, que bom que você veio! Acho que nunca fiquei tão feliz na vida de te ver como agora, amiga. — admiti após desfazermos nosso abraço.

— Está tão desesperadora assim a situação com o Sr.Gostoso na casa?

— Até demais! Vamos que no caminho te conto.

Seguimos para o estacionamento e quando chegamos lá, Dayse teve um pequeno surto ao avistar o carro que vim.

— Ai, minha nossa você veio me buscar de Mercedes conversível, que moral eu tô. E que mentida você tá, Sidle.

Nós caímos na risada.

— É do meu pai o carro, louca. Ele me empresta sempre que eu estou aqui, porque adoro guiar essa belezinha — dei duas batidinhas leves no parabrisas do carro. — Agora entra aí, sua louca.

Durante o caminho eu relatei a Dayse sobre a minha fuga constante de Gil depois do ocorrido no meu quarto.

O descarado do sujeito passou a ficar me cercando discretamente para os demais não perceberam óbvio. A qualquer momento em que eu ficava só, ele já queria se aproximar de mim, mas eu dava um jeito de fugir dele. O único momento em que ele não tentou nada foi depois do jantar, porque eu sumi para meu quarto com Maryane. E depois do nosso papo, eu permaneci refugiada no cômodo até dar o horário de vim buscar minha amiga.

Eu ainda contei também a Dayse sobre a conversa que tive com Maryane e as coisas que ouvi dela.

— Nossa, Sara, que história! Será que é isso que ele quer te contar e por isso pediu para vocês conversem no quintal?

— Provavelmente.

— Mas agora que você já sabe do possível assunto que ele queria te contar, pretende conversar com ele mesmo assim?

— Nem pensar. Se eu falei com a Maryane justamente, para evitar papo com ele.

— Amiga, eu acho que independente disso, devia ouvi-lo. Sério! Você tem que buscar escutar a versão dele, como foi com a sua prima. Toda história têm dois lados, Sara. E temos que ouvir os dois antes de tomar qualquer decisão.

Ela tem razão, para variar!

— Está bem. Vou pensar nisso. — resmunguei.

Pensaria, mas não significaria que eu iria acatar. Uma coisa é uma coisa... Outra coisa é outra coisa.

— Pensa mesmo. Agora, deixa eu te fazer uma pergunta e promete que responde com toda a sinceridade?

Lancei um rápido olhar a ela ao passar a marcha.

— E quando foi que eu não te respondi com sinceridade, Dayse?

Eu era sempre sincera e verdadeira com ela. Assim como sabia que ela era comigo. Nossa amizade era baseada na sinceridade e honestidade.

Nós conhecíamos uma a outra bem demais para ousar faltar com a sinceridade em qualquer resposta. Uma sabe quando a outra está mentindo ou omitindo coisas da outra. Talvez nem nossas família soubesse identificar isso e muito menos, nos conhecessem tão bem quanto Dayse e eu conhecíamos uma a outra.

É muita amizade leal e verdadeira entre nós; muita confidência, muita troca de segredos, amor e carinho entre nós. Era quase um casamento, que eu esperava durar até o fim de nossas vidas.

— Você gosta desse cara?

Suspirei. E fiquei calada por dois ou três segundos antes de ousar responder.

— Como vou gostar dele se mau o conheço direito, Dayse?

— Ok! Mas você transou com ele, muitas vezes numa noite só que você me disse. E, eu posso ver que isso mexeu com você.

E como não mexeria?!

— Claro que mexeu. — admiti, porque seria hipocrisia minha se afirmasse o contrário. — Dayse foram transas boas demais pra não mexer com uma pessoa.

— O que você sentiu quando o tinha diante de si de novo?

— Um turbilhão de coisas!... — sem querer acabei por deixar um sorriso escapar ao responder. — No fundo eu queria vê-lo de novo, sabe Dayse? Mas ao mesmo tempo, também não queria.

— Sei...

— Honestamente eu achava que não fosse ter oportunidade de encontrá-lo outra vez. E quando o vi no quintal da minha antiga casa, conversando descontraído com o meu pai... — a imagem de Grissom logo que eu o vi tomou minha mente enquanto narrava para minha amiga aquele nosso reencontro pela manhã. — Nossa! Sei lá... Foi uma surpresa enorme!

— Surpresa boa?

No fundo foi. E bota boa nisso.

— Sim. — afirmei. — Sabe que eu... Cheguei até a achar, por um momento, que aquele cretino estava ali por mim? — tal fala saiu num tom baixo, mas não baixo suficiente que Dayse não escutasse.

— Ai, Jesus, Sara! Eu já entendi tudo!... Você gamou nesse cara, amiga.

Olhei para ela no mesmo instante.

— Que gamei nada! Você enlouqueceu?

— Não, eu não! Mas você sim. Uma noite e você gamou nesse cretino, como você muito bem o chama.

— Não gamei, coisa nenhuma! — teimei.

— Gamou!

— Não!

— Sim!

— Pára! Eu te chamei pra me dar apoio e não me amolar e confundir.

— Você não precisa de mim pra te confundir, queridinha, pois já está confusa sem a minha ajuda.

****

Já passava de quase uma da manhã e eu ali acordada, sem um pingo de sono, me perguntando se o Sr.Gostoso estava no quintal a minha espera para conversar?

"Ai, Jesus, Sara! Eu já entendi tudo!... Você gamou nesse cara, amiga."

[...]

"Uma noite e você gamou nesse cretino..."

Eu não gamei nele!

Definitivamente, não!

Eu não posso ter gramado!

Ele é noivo da Maryane.

Além do mais, eu mau o conheço. Só ficamos juntos por uma noite.

E que noite!, sorri boba só de lembrar. E logo bateu vontade de repetir a dose do Sr.Gostoso.

Balancei a cabeça e me recriminei por esse último fato. Nunca fui tarada assim por um cara como meus hormônios estavam me fazendo parecer.

Devo admitir que me incomoda ver Grissom com Maryane. E mais, me incomoda quando ela o toca e quando fica perto dele. Pensar que ele vai casar com ela me dá raiva.

Será que isso é ciúmes?

Se for então eu gosto dele?!

Caraca! Onde eu fui meter minha égua pangaré!

Dayse se mexeu ao meu lado na cama e resmungou algo incompreensível.

Meu pai achou engraçado a gente ter decidido dividir o meu quarto, sendo que na casa, havia quartos de hóspedes sobrando. Ele quis saber se não seria desconfortável para nós dormimos na minha cama que não é tão grande assim.

Nós contamos para ele que já dormimos juntas num mísero sofá enquanto assistíamos TV no apê que dividiamos. Dormir na minha cama ia ser fichinha.

— Vem cá, gostoso! Isso!

Tapei a boca com a mão para não rir alto das palavras da minha amiga pronunciadas enquanto ela ainda dormia.

Parece que ela está tendo um ótimo sonho com algum boy magia.

Com cuidado levantei da cama. Apanhei meu robe e o coloquei por cima do meu curto conjunto de dormir, depois saí do quarto.

Segui pelo corredor e alcancei as escadas mais lá adiante. Desci por elas e fui rumo a cozinha beber um copo de água. Estava precisando.

Enquanto me servia da bebida olhei de relance a porta que dava para o quintal, tentada em ir até ela e cruzá-la para saber se Gil ainda estava lá a minha espera.

Me vi desejando ouvir o que ele tinha para me dizer. Se é que ele ainda estivesse lá fora me esperando.

Já bebendo água fiquei naquele impasse de "vou ou não vou". Depois de minutos nisso, eu decidi que o melhor era não ir e voltar para meu quarto. Fugir da tentação era mais saudável e evitaria confusão e culpa.

Depositei o copo dentro de pia e ao me virar para ir em direção a porta da cozinha, eu vi Gil parado e escorado ao batente da entrada do local. Ele estava de braços cruzados na altura do peito, a cabeça meio tombada para a direita e um cafajeste sorriso torto no canto dos lábios. Usava camiseta regata branca que deixavam expostos seus braços fortes; calça moletom azul marinho folgada e nós pés chinelos. Sr.Gostoso estava uma perfeita tentação!

Mas também, quando esse homem não está uma tentação? Não tem um momento em que o vi e ele não esteja assim.

De smoking como na festa. De roupa casual quando tive a surpresa de encontrá-lo ontem pela manhã no quintal da casa dos meus pais. E agora, de madrugada, com essa roupa de dormir. Nas três ocasiões com distintos vestuários, ele conseguiu manter a proeza de ser gostoso e tentador.

— Imaginei que ia te encontrar aqui!

Suas palavras e sua aproximação de mim, fizeram-me despertar.

— Como assim, imaginou que ia me encontrar aqui?

Ao vê-lo caminhar em minha direção, eu rápido tratei de ir para o lado oposto, deixando o comprido balcão de centro entre nós. Deste modo me sinto mais segura! Distância entre nós se fazia necessária para mim ou eu não resistiria àquele cara.

— Está fugindo de mim, por quê?

— Não estou fugindo. — menti, amarrando meu robe ao ver que os olhos de Gil estavam olhando para meu corpo naquele curto pijama. — Só não quero proximidade. E pode responder a pergunta que te fiz antes.

— É que estou vindo do seu quarto e...

— Você entrou no meu quarto?

Eu fiquei chocada com tamanha audácia dele. Nem a presença da minha amiga foi capaz de coibi-lo de tal ato.

Ele é um despudorado mesmo!

— Eu disse que se você não viesse falar comigo, eu ia até o seu quarto. E quando você demorou a aparecer, eu resolvi ir até seu quarto. — provavelmente não o encontrei no meio do caminho porque ele deve ter pego outro corredor. — Notei sua ausência na cama e imaginei que talvez tivesse vindo para cá ou ido atrás de mim no quintal para termos a conversa que pedi.

— Pois imaginou errado. Eu vim apenas beber água e não atrás de você.

— Que seja! Mas já que está aqui, vamos conversar lá fora?

— Eu não vou conversar com você.

— Ah, não?!

— Não! — disse convicta notando seus olhos semicerrados e um sorrisinho estranho escapando do canto de seus lábios.

Aquele cretino deu a volta rapidamente no balcão e antes que eu tivesse agilidade suficiente de fugir dele, o sujeito me alcançou. Gil, então, me pegou nos braços e me jogou sobre seus ombros, como se eu fosse um saco de batatas.

— Me põem no chão, canalha! — ordenei baixo e em tom raivoso.

— Você não vem por livre e espontânea vontade para o quintal conversar comigo, então eu vou te levar a força mesmo.

— Eu vou gritar e acordar a casa toda.

— Duvido! Mas se quiser vai em frente, querida! — o cretino falou com desdém e dando um tapa na minha bunda, antes de empurrar a porta que dava acesso ao quintal.

— Ai, seu ordinário!... Me põem no chão! — eu pedia, batendo com as mãos fechadas nas costas e na bunda gostosa daquele degenerado, enquanto ele descia os degraus da varanda e seguia comigo rumo a piscina.

— Não ponho. — o maldito cantarolou com divertimento em seu tom de voz.

Ele seguiu comigo em seus ombros até chegar as espreguiçadeira perto da piscina, onde só então me pôs no chão. Quando fez isso lhe golpeei no braço um soco.

— Nunca mais se atreva a fazer o que fez. — lhe disse após o soco dado e apontando o dedo em riste ao rosto dele.

O cínico do sujeito apenas sorriu e só para me irritar beijou a ponta do dedo que eu mantinha a pouca distância de seu rosto.

— Você não vale nada!

— Já me disse isso antes. Agora senta aí pra gente conversar. — todo mandão ele apontou à espreguiçadeira atrás de mim enquanto ele próprio se sentava na que havia atrás dele.

Contra a minha vontade me sentei e antes de Grissom abrir a boca, eu lhe disparei:

— Maryane me confirmou que o bebê não é seu mesmo.

As sobrancelhas dele se arquejaram e Grissom sorriu de leve.

— Eu te disse que não era. Todas as vezes que transei com Maryane, eu usei camisinha sempre, Sara. Portanto, não tinha a menor chance de eu ser o pai do bebê dela. Além do mais, ela mesma quando me contou nervosa da gravidez disse que não era meu.

— Quantas vezes você e ela já transaram?

Eu sei que a pergunta é o absurdo da estupidez, mas quando vi já tinha feito-a sem me atrever a olhar para Grissom.

— Sério que está me fazendo essa pergunta mesmo, querida?

Ergui os olhos para ele e o encontrei com cara de espanto, acomodado a minha frente há pouca distância de mim.

— Foram algumas porções de vezes! — ele respondeu diante do meu olhar que se sustentou diante do dele.

Um silêncio se instaurou entre nós depois que ouvi sua resposta.

Por algumas porções de vezes ele foi para a cama com Maryane.

Por algumas porções de vezes minha prima o teve só para si.

E por algumas porções de vezes ele fez Maryane, com certeza, visitar o paraíso como fez comigo àquela noite.

— Minha prima também me contou sobre o casamento comercial de vocês. — revelei ao desviar o olhar dele.

— Casamento comercial?... Soa bem melhor do que como eu vinha chamando minha união a sua prima.

— E como você vinha chamando? — tornei a encará-lo.

— Transação comercial!

Eu não queria, mas acabei rindo do termo. E Gil ao me ver sorrir, também sorriu junto.

— Você tem um sorriso bonito, Sara. Ainda não tinha tido a oportunidade de te dizer isso antes. — seu olhar fixo em mim pareceu me atravessar feito uma flecha que foi lançada em minha direção com este propósito.

— Sua noiva também tem, sabia? — tentei tirei seu foco de mim.

— Você agora já sabe que ela só é minha noiva por mero acordo. Meu pai e os outros sócio da empresa não me deram escolha. Eu quero assumir o poder absoluto dos negócios da família, mas só terei isso mediante a estar casado e com um filho.

— E por que não espera... Sei lá, encontrar uma mulher que se apaixone por você e você por ela, pra então se casar de verdade e não de mentira?

Ele encarou as próprias mãos e suspirou.

— Eu tenho pressa de casar. Só tenho um ano pra isso e também dar um neto ao meu velho. Se eu não cumprir essas exigências neste prazo, o comando da empresa da minha família vai todo parar nas mãos do meu primo esnobe e prepotente. E eu não vou deixar que o controle de uma empresa que já está há três gerações nas mãos dos Grissom's, vá parar nas mãos do Conrad, que além de não ser um Grissom legítimo, ainda me odeia e é terminantemente contra um projeto que quero que a empresa custei.

— E que projeto é esse?

— Não posso te falar. Ainda é algo que corre em segredo.

Notas finais
Sobre o projeto Gil só vai revelar pra Sara qual é mais lá pra frente. Um beijo e até o próximo capítulo.