One Night - Livro 1
10 Capítulo X
Notas iniciais
— Mentira, Sara! — Dayse soltou com descrença.
Eu tinha acabado de lhe contar resumidamente as coisas que me aconteceram desde que pus os pés na casa dos meus pais há algumas horas.
— Quem dera fosse mentira, amiga! — meus dedos brincaram com um fiapo solto na barra da minha bermuda.
— Sara do céu, que confusão louca você foi se meter, amiga.
— Nem me fale!
— Me sinto culpada por isso, porque eu te incentivei a se envolver com o cara para agora, você descobrir que ele é comprometido. E se não bastasse isso, ele ainda é comprometido com a sua prima, que está grávida.
— Mas segundo o cretino do Grissom, o filho não é dele. Mas não sei se acredito muito nisso não. Ai, amiga o que eu faço?
Eu necessitava de um conselho e minha amiga era a única pessoa a quem eu podia recorrer nessa situação toda.
— Eu nem sei o que dizer, Sara. Estou ainda em estado de assimilação do que você me contou.
Ela não era a única a estar naquele estado. Eu também estava apesar de já ter se passado um tempo considerado, desde que descobri tudo aquilo que relatei a minha amiga.
— Se você não liga, eu e ele muito provavelmente estaríamos transando agora. — confessei à ela num fôlego só.
— O quê? — Dayse berrou e quase me deixa surda.
— Ai, Dayse, não grita, caramba!
— Foi mal. Mas desenvolve melhor essa história que você disse aí, Sara. Que me interessou bastante.
Novidade! História envolvendo sexo sempre se torna mais interessante para minha amiga.
— Eu acordei com ele aqui na minha cama só de cueca.
— Mas que abusado e ao mesmo tempo ousado!
— Diria que mais abusado que ousado.
— Mas no fundo você gostou de acordar e dá de cara com o Sr.Gostoso só de cueca do seu lado, não gostou?
— Sinceramente fiquei tão apavorada com a possibilidade de alguém nos pegar ali, que sequer tive tempo de pensar em gostar.
— Faz sentido! Mas e seus pais e a Maryane, meu Deus? Onde estavam nessa hora?
— Tinham saído. A família toda foi visitar uma parenta. Só ficaram as empregadas, eu e o cretino do Grissom.
— Ah, sim. Menos mau.
— Esse cara é louco, Dayse.
— Nisso tenho que concordar com você. Porque só sendo louco para ter a ousadia de fazer o que ele fez. Mas, amiga, será que nenhuma empregada o viu entrar ou sair do seu quarto?
— Para o nosso bem, eu espero que não.
Certamente Grissom deve ter tomado todo o cuidado para invadir sorrateiramente meu quarto, e também sair dele. Não creio que aquele cretino ia dar um mole desses de ser visto saindo daqui. Até porque, como ele se explicaria depois caso uma coisa daquelas caísse no ouvido da noivinha dele?
— Ele me tenta. Mexe comigo de um jeito que nem mesmo Elliot conseguiu mexer, Dayse. — comentei após um breve silêncio perdurar na linha. — Eu já havia cedido inteiramente ao pedido dele de transarmos, sabe? Inclusive, ele já estava com o membro dele a milímetros de me penetrar, quando você ligou.
— Jura?? Aff! Me desculpa por interromper a transa de vocês antes mesmo dela começar.
— Que desculpa nada. Eu te agradeço por isso. Seria um erro se transássemos agora que sei sobre ele. Já foi um erro antes, mas eu não tinha conhecimento de quem ele era.
— O que ameniza o seu lado. Se bem que a meu ver você não tem culpa alguma. Quem foi o errado foi o Sr.Gostoso que se envolveu com você sendo comprometido com outra.
Nisso minha amiga tinha inteira razão.
— Eu tô com medo dele e de mim. Nós dois juntos sob o mesmo teto esses poucos dias, me parece perigoso demais. Vem pra cá, amiga, por favor. — pedi, na verdade, implorei. — Com você no meu quarto, acredito que ele não venha aqui me tentar novamente. E eu não vou correr o risco de cair em sua tentação de novo.
Minha amiga ia funcionar como meu escudo protetor contra aquele cretino tentador de uma figa.
Eu não podia me deixar envolver outra vez na lábia dele e muito menos, cair nessa de transar de novo com ele. Não mesmo! Por mais que no fundo eu até queira um revival daquela noite... Não posso ceder a isso! Eu não posso transar com Gil outra vez!
— Ai, Sara! Não sei se consigo passagem pra ir ainda mais hoje, amiga. É feriado, lembra?
— Lembro. Mas dá um jeito e vem, Dayse. Eu te imploro.
— Está bem. Eu vou fazer o possível e o impossível pra está aí hoje a noite. Ou mais tardar amanhã de manhã cedo. Se eu conseguir passagem só pra amanhã, você dorme com a porta trancada ora.
— É capaz daquele sujeito arranjar a cópia da chave e abrir a porta na calada da noite, e me pegar desprevenida.
Dayse riu.
Não duvido nada que Grissom faça isso que eu disse a Dayse. Coragem e cara de pau ele deve ter de sobra para tal feito.
— Você pretende conversar com ele no quintal como o Sr.Gostoso pediu?
— Nem a pau!
****
— Mãe... Pai... Eu convidei a Dayse pra passar o fim de semana aqui com a gente. Espero não ter problema pra vocês. — comuniquei-os durante o jantar.
— Problema algum, querida. Sua amiga é sempre muito bem vinda aqui.
Eu já tinha trago Dayse aqui em outras cinco oportunidades. Meus pais a adoravam e o sentimento era recíproco.
— Quando ela vem?
— Hoje! O voo dela chega mais tarde, as onze, pai.
Graças ao bom Deus minha amiga conseguiu passagem para ainda hoje. Mais cedo ela ligou avisando disto e ainda disse que eu ia ficar lhe devendo está.
Pago depois!
— Você vai buscá-la no aeroporto ou ela vem de táxi?
— Eu pretendo ir buscá- la.
— Sean acompanha sua irmã para ela não ir sozinha.
— Pai não tem necessidade. — eu ri dele. — Não sou mais uma menininha que precisa andar com o irmão mais velho a tira-colo, me vigiando. — olhei para Sean e este sorriu. Algumas vezes na minha adolescência tive que aturá-lo me acompanhando, porque meu pai o incumbia disto. Meu irmão destestava tal incumbência e eu mais ainda. — Preciso só que me empreste o seu carro que eu adoro guiar.
Meu pai sorriu.
— Pode pegar a chave, você sabe onde fica.
— Obrigada, pai.
— De nada!
— Tem certeza que não quer que seu irmão te acompanhe, querida? É perigoso você e sua amiga vindo sozinhas por aí, tarde da noite.
Pais por que eles sempre nos enxergam como crianças independente da idade que temos?
— Certeza absoluta, mãe.
— Sara... Tia May mandou lembranças a você. — Maryane se pronunciou, intervindo no meu diálogo com minha mãe.
Aposto que minha prima disse isso apenas para chamar a atenção para si por se sentir meio deixada de canto à mesa, já que meus pais e eu estávamos de papo e ela não estava sendo incluída no diálogo.
— Depois eu ligo para ela.
Tia May é a tia/avó que eu mais adoro. Ela é fora de sério. Alto astral e com mais enérgica do que muito jovem da minha idade ou até mais novo que eu. Ela era o avesso da irmã, a minha falecida avó. A mãe do papai era mais séria, rígida e não gostava de muita brincadeira. Ainda tem a tia Isis e o tio Jamie.
— Ela perguntou porque você não foi junto conosco visitá-la, Sara. — meu irmão comentou ao meu lado.
— Vocês podiam ter me chamado para ir.
— Eu fui chamá-la para saber se estava melhor da dor de cabeça para nos acompanhar a ida até a casa da sua tia, mas você estava dormindo que seu pai achou melhor não te acordarmos.
— E como a tia May está?
— Com aquele humor nas alturas e a alegria de sempre.
Em meio as risadas que vieram após o comentário feito por Sean, a fala de Maryane ao noivo se sobressaiu aos meus ouvidos.
— Uma pena você não ter se sentido bem para nos acompanhar, Gil. — então ele inventou que não estava bem para ficar e ir me atazanar no quarto? Que descarado, sem vergonha! — Contei a minha tia sobre você e nosso noivado, agora ela quer te conhecer.
— Não vai faltar oportunidade pra isso, Maryane.
Diante da resposta dele, eu não resisti em dizer:
— Exatamente. Seu noivo tem razão, priminha. Não vai faltar oportunidade pra você exibi-lo aos demais parentes.
Meu tom irônico e nada amistoso, não passou despercebido para ninguém à mesa.
— Por que esse tom ao falar com sua irmã, Sara?
— Por nada, pai. Nem sei porque falei assim. Saiu sem querer. Desculpe, Maryane. — forcei-me a dizer para ela.
A minha forma irônica de falar não havia sido dirigida especificamente para Maryane. Tinha sido para o noivo dela, acomodado ao seu lado e bem diante de mim. Mas eu não podia dizer ali, senão me meteria em encrenca.
Durante o resto do jantar a conversa girou sobre o café da manhã que tomaríamos no Joel's, um restaurante próximo ao pier.
Durante minha infância, adolescência e até pouco antes de eu me mudar dali, a nossa família costumava ir pelo menos uma vez na semana tomar café da manhã lá no Joel's. Íamos os cinco: meus pais, Sean, Maryane e eu tomarmos café lá.
Já fazia um tempo bem razoável desde a última vez que fomos lá. Confesso que estava doida para ir me fartar nas guloseimas daquele lugar. Só era uma lástima que o noivo da minha prima ia junto também. Podia apenas o irmão gato dele ir. Aquele cretino não!
****
— Maryane será que a gente pode conversar só nós duas no meu quarto? — cochichei para ela em determinado momento em que nos encontrávamos já na sala de estar, ouvindo a conversava furada dos homens sobre esporte.
Minha prima e eu éramos as únicas mulheres entre os quatro homens ali. Minha mãe acabou saindo logo após o jantar para atender um chamado do hospital onde trabalha e se livrou de ficar escutando sobre basquete, futebol e luta. Sorte dela e azar o meu e de Maryane que ficamos ali.
— Agora?
— Sim! Ou prefere continuar aqui ouvindo conversa sobre esportes?
— Nem pensar! Vamos? Tô cheia desse papo deles.
Pedimos licença aos 'rapazes' avisando que subiríamos para conversar sobre coisas de mulheres. Diante da concordância deles, nós duas saímos da sala rumo as escadas. Pude notar de canto de olho Gil me seguir com seu olhar quando passei diante dele atrás de Maryane. O cachorro ainda teve a cada de pau de olhar para a minha bunda na cara dura.
A vontade foi de lhe dar um tapa. Mas infelizmente, não podia.
Apressei o passo e momentos depois já estava no meu quarto, sentada à cama junto com Maryane, que nem bem se acomodou e já foi me questionando:
— O que quer conversar comigo? É sobre o bebê, não é?
— Sim!
Eu precisava tirar a dúvida que Grissom semeou em mim a respeito da paternidade desse bebê. Isso estava me tirando o sossego. Sem contar, que esclarecer esse fato com minha prima me evitaria ouvir as explicações do Sr.Gostoso.
— Por que não me contou que o filho que espera não é do seu noivo?
Sinceramente para o bem daquele cretino, eu espero que ele não tenha mentido nisso, ou do contrário, eu irei, de verdade, acabar com a raça dele depois.
— Como soube disso?
A cara de espanto dela já me deixou em alerta de que pode ser verdade o que aquele cretino disse.
— Então é verdade?!
Ela levou alguns segundos para responder, mas o fez. E o que ouvi dela acabou me deixando aliviada e feliz, sem eu saber bem ao certo o porque.
— Sim, é verdade, Sara.
Ótimo, ele não mentiu. Gil, não mentiu para mim quanto a isso.
— Mas como você soube disto, Sara? — ela me encarava agora séria.
Para me sair sem levantar suspeitas, eu inventei para ela que fui parabenizar seu noivo pela vinda do bebê deles, mais cedo, antes dela, meus pais e Sean voltarem da casa da tia May, e fui surpreendida com Grissom me revelando que o filho não era seu.
— Por que ele te contou algo tão particular assim? Havíamos feito um acordo de não contar isso a ninguém. Aí, ele conta logo para você, alguém que ele acaba de conhecer? Isso está me soando estranho.
Droga! Agora ferrei as coisas. Na ânsia de esclarecer aquele embrolho sobre a paternidade do filho dela, eu acabei criando uma situação que não imaginei.
Ela tinha razão. Soava estranho mesmo o noivo dela me dizer aquilo, assim sem mais nem mesmo, sendo que acabamos de nos conhecer. Mas quer saber? Aquele cretino que se vire para explicar isso a ela.
— Ah, Maryane, não sei porque ele achou de me dizer. Mas ele disse. E agora eu quero saber de você quem é o pai verdadeiro dessa criança?
— Não importa quem seja o pai verdadeiro.
— Como não importa?
— Sara isso não lhe diz respeito, ok? Além do mais, esse bebê já tem um ótimo e rico pai, que é o Gil. Ele disse que irá assumir meu filho como dele. Então tá tudo perfeito, pois tanto meu noivo quanto eu vamos lucrar com essa gravidez e o casamento.
O que ela quis dizer com isso?
— Como assim, Maryane?
Agora eu fiquei curiosa e perdida na conversa.
Minha prima explicou:
— O Gil quer assumir o controle total dos negócios da família dele. Só que pra isso, o pai dele, sócio majoritário da empresa, junto com os sócios minoritários estipularam que Gil só pode assumir a presidência das indústrias Care mediante a estar casado e com um filho. Pois segundo eles, dá mais credibilidade um gestor casado e pai de família, do que um solteirão fanfarrão como Grissom é visto.
Minha boca se abriu em total descrença.
— Essa história que acabou de contar é brincadeira, né??
Eu mal podia acreditar naquilo que ouvi.
— Não, Sara! Só depois de casar e ter um herdeiro seu à caminho, que Gil terá o poder sobre os negócios que até então estão sob as mãos de ferro do pai dele.
— Eu escuto e ainda não acredito. Isso é tão inescrupuloso.
— Ah não seja dramática vai. Isso não é algo de outro mudo, Sara. Além do mais, acaba por ser uma boa pra mim também se Gil conseguir o controle dos negócios.
Onde que pode ser bom para ela?
— Posso saber onde pode ser bom para você isso?
— Te explico!... Quando descobri a gravidez fiquei desesperada, porque o pai do bebê não é lá essas coisas.
— Ele é de classe baixa?
— Não! — ela respondeu em cima e fazendo uma careta de horror. — Deus me livre me meter com pobre e pé rapado, Sara.
Revidei os olhos diante de sua fala preconceituosa. Se não bastasse ser esnobe e arrogante, ela ainda era preconceituosa.
— Qual o problema em se envolver com alguém assim?
— Pra mim todos!... E quando mencionei sobre o pai do bebê não ser lá essas coisas não foi porque eu quis dizer que ele seja pobre. Não! Ele é muito bem de vida só pra você saber.
— Então por que falou dele daquele jeito?
— Foi com a intenção de dizer que ele não presta. É um safado.
— Quem é ele, Maryane? — insisti.
— Já disse que não interessa!... Agora voltando ao que eu dizia sobre o Gil... Quando contei a ele sobre o bebê, logo após Gil retornar pra Nova Jersey, a reação dele me pegou um pouco de surpresa.
— Por que?
— Porque assim que ele soube da gravidez, me disse que assumiria o filho e a gente casaria.
— E por que contou à ele sobre isso?
— Gil e eu desde o princípio tivemos uma relação franca. Quer dizer, não tão franca assim, porque ninguém conta tudo ao outro. Mas enfim... Ele é um homem com quem sei que posso contar, Sara. Apesar da gente se conhecer só há poucos meses, eu descobri que o Gil é um homem fora de sério. E na hora que ele disse que assumiria a paternidade do filho que eu carrego e me propôs casamento, eu fiquei meio chocada com isso. Não tinha contado aquilo com aquela intenção e finalidade. Contei porque precisava desabafar e ele era a pessoa mais próxima com quem eu podia fazer isso naquele momento. — ela podia até estar falando a verdade, mas eu não conseguia botar muita fé naquilo. Maryane não era de fazer as coisas sem propósito. Se ela fazia já era com algo em mente! — E após lhe contar sobre o bebê, ele me explicou a razão do pedido e de querer assumir a paternidade. Segundo ele, nós dois seremos beneficiados com esse nosso enlace matrimonial. Gil com o controle da empresa, e eu com uma gorda pensão vitalícia, que meu futuro marido pretende me dar pelo casamento e o filho que supostamente lhe dei.
Eu não sei se estava mais passada com a história toda ou com a falta de vergonha na cara tanto da minha prima por se sujeitar aquela situação, quanto de Grissom em lhe propor algo daquele tipo.
Estou começando a achar que esses dois se merecem.
— Não posso acreditar que vá se prestar a um casamento comercial. Porque é isso que é esse casamento de vocês.
— Eu sei que é. Mas eu tenho intenção de conquistar o Gil. — arqueei a sobrancelha diante desta sua fala. — Sinto que ele gosta um pouco de mim, só não é apaixonado porque Gil me disse certa vez que não é de se apaixonar. Mas eu vou conquistá-lo e tornar nosso casamento real e não mais comercial. Terei um ano pra isso. E tenho certeza que vou conseguir fazer Gil se apaixonar por mim e assim seguir casada com ele.
Ela se mostrava confiante o bastante nisto.
— Você gosta do seu noivo? É apaixonada por ele?
Sem saber ao certo o motivo, eu no fundo senti medo da resposta que ouviria.
— Confesso que sim! Acabei me apaixonando por ele. — empurrei goela abaixo o nó que senti formar-se na garganta diante da resposta de Maryane. — Como eu te disse, Gil é um homem fora de sério, Sara. Só quando você passa a conhecê-lo melhor que descobre isso. Além do mais, ele é lindo, rico, charmoso e mais uma porção de outras coisas boas. É impossível não gostar e nem se apaixonar por um cara com excelentes atributos destes. E eu o quero pra mim, irmãzinha. Vou lutar por ele e não vou medir esforços pra conseguir isso.
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