Notas iniciais
Amando cada comentário que vocês deixam. Obrigada sempre pela companhia. Agora vamos para o pequeno "embate" entre Sara e Gil.

Eu poucas vezes consegui interagir durante as conversas que rolava na varanda. Sentada bem ao lado de Lewis, o sujeito que eu achei ser o noivo de Maryane, mas que na verdade, se tratava do irmão mais novo do Sr.Gostoso; minha cabeça fritava de raiva do sujeito acomodado num cadeira à minha esquerda, tendo junto dele Maryane. Minha irritante prima mantinha uma mão possessiva repousado sobre as coxas grossas daquele homem. As mesmas coxas grossas que eu tive a chance de tocar, apertar e mordiscar.

De maneira disfarçada Grissom não tirava os olhos de mim e eu evitava a todo custo contato visual com ele. No entanto, mesmo não lhe olhando, eu sabia que seu olhar estava em mim vez ou outra, porque o sentia, queimando minha pele feito ferro em brasa.

Já estava me incomodando ficar ali sob a mira de seu olhar. Eu precisava sair daquele lugar e ir para outro onde pudesse ficar sozinha e respirar sem me sentir sufocada. Ou do contrário, ia morrer ali mesmo de falta de ar puro.

— Se me dão licença, eu preciso ir até meu quarto.

Comuniquei pondo-me de pé e saindo do quintal da varanda sem dar margem para me contestarem a esse respeito.

— Está tudo bem, querida? — Li e as demais meninas da cozinha me olharam preocupadas por me virem entrar ali as pressas e me recostar a porta tendo uma das mãos sobre o peito.

Não tinha me atentado para o fato de que elas estariam por ali. Me recompus diante de seus olhares curiosos.

— Sim, Li. Eu vou no meu quarto, com licença.

Saí da cozinha do mesmo que diz na varanda: sem dar margem para ninguém fazer contestações.

Momentos depois já adentrava em meu quarto, localizado no segundo andar da casa ao final do corredor. Tranquei a porta e só então ali, eu consegui respirar de verdade.

— Cretino!... Cretino!... Cretino! — em puro ódio e raiva exclamei segundos depois de ficar em silêncio.

Se eu pudesse ir embora da casa dos meus pais naquele instante, eu iria. Juro! Mas infelizmente, não podia ir. Meus pais iam querer saber a razão disso e não sei se sou capaz de contar. O certo era, contar mesmo. Todavia, me faltava coragem.

Assim como também faltava para alertar minha prima acerca do noivo cretino que ela foi arranjar. Mas eu devia alertá-la. Era uma obrigação minha.

Só que como eu ia contar que dormi com o noivo dela sem que ela no fim acabe me odiando?

E temo que não somente ela passe a nutri por mim tal sentimento, como também, o restante da família mais ainda ao saberem que fui para a cama com o noivo da Maryane.

Só que eu NÃO sabia que ele era noivo, quanto mais, dela. Se soubesse, óbvio, que não teria JAMAIS me metido com ele.

Deus! O que eu faço?

Estou numa sinuca de bico.

Na primeira vez que acho de ter sexo casual com alguém, acontece isso.

Fui ter sexo casual justo com o noivo da minha prima/irmã!

Que merda!

— Sara!

Me virei para a porta de onde veio o chamado baixo de Grissom, seguido de duas batidas leve.

Mais é muito cretino e cínico de vir atrás de mim!

Esse cara não tem escrúpulos, não?

— O que é que você quer? — resmunguei alto para a porta.

— Shiiiuuu! Fala baixo.

— Você não me manda falar baixo. — vociferei com raiva dentro da minha casa, do meu quarto.

Quem ele pensa que é para isso?

— Desculpa! Quero conversar com você. Pode abrir a porta pra mim, querida?

Querida?

Como ele tem a cara de pau de ainda me chamar assim? Ele é doente?

— Não, eu não posso e nem quero abrir a porta pra você, seu mentiroso. E não me chama de "querida" nunca mais na sua maldita vida.

Escutei-o suspirar alto.

— Sara, eu quero conversar e te explicar...

— Explicar o quê? Que você é comprometido, e justamente, com a minha prima e mesmo assim, transou comigo?... Não se dê a esse trabalho.

Ele era cínico demais...

Cretino demais...

Mentiroso demais...

Tudo o que não presta, ele agora era em demasia.

— Por favor, Sara. Deixa eu entrar pra falar com você. Alguém pode me ver aqui.

— Pois eu adoraria que te vissem aí, eu diria o cretino que você é.

Feito uma fera enjaulada, eu andava pelo quarto de um lado para o outro enquanto vociferava todas aquelas palavras de maneira dura e raivosa a Grissom.

— Vamos conversar como dois adultos civilizados, vai?... Me dá cinco minutos de conversa com você, por favor. Estou te pedindo, Sara.

Que inferno!

Maldita hora que fui a festa da Camille.

Maldita hora que conheci esse cara.

Maldita hora que me deixei envolver por ele.

E maldita hora que transei com ele!

Se arrependimento matasse, certamente, eu estaria morta e estirada no chão daquele quarto.

Mesmo não sendo da minha total vontade, resolvi abrir a porta e dar ao Sr.Gostoso os cinco minutos que ele me pediu.

— Você tem cinco minutos apenas. Entra de uma vez!

Eu o puxei pela manga do casaco para dentro do meu quarto e tranquei a porta para ninguém entrar ali e nos pegar sozinhos.

— Seu quarto é bonito e espaçoso. — ele comentou, passeando com os olhos por cada canto do cômodo.

Ignorando seu comentário, eu o avisei:

— Seu tempo tá passando.

Ele me encarou e enfiou as mãos no bolso da calça.

— Bem... O que tenho pra te dizer vai levar um pouco mais do que cinco minutos. — sorriu, mas eu não retribuí ao seu gesto.

— Você pediu cinco minutos e eu não estou disposta a te dar mais do que isso... Seu cretino... Cachorro... Mentiroso.

Não consegui mais me conter e fui para cima dele, estapeando-o com toda a raiva que eu nutria por ele naquele momento.

— Ei!... Calma!... Assim você vai me machucar, Sara.

— Pois eu não quero te machucar. O que eu quero mesmo é te matar, seu porco imundo. Me solta! — exigi quando ele me segurou pelos pulsos e prendeu meus braços atrás de mim.

— Isso não é conversa civilizada, Sara. Vamos dialogar como dois adultos que somos.

— Me solta! — mandei pela segunda vez.

— Eu te solto desde que você não venha de novo pra cima de mim feito uma louca desvairada.

Mais era só o que faltava. Esse cara de pau me ofender desse modo!

Não aguentei essa afronta. E meu joelho o acertou bem em suas bolas. Foi um santo remédio para fazer o infeliz me soltar. Na mesma hora ele o fez e se curvou com as mãos no meio das pernas.

— Porra, Sara! Quer me deixar estéril?- seu olhar de dor não me comoveu em nada.

Bem feito para ele!

— Estéril, não. Mas adoraria você morto. Eu te odeio.

Sua cara endureceu e pude ver certo pavor refletindo daqueles olhos. Acho que minhas palavras o atingiram mais até do que a joelhada.

— Não. Você não pode me odiar!... Está com raiva e tem toda razão disso. Mas me odiar, não. Vejo nos seus olhos que esse sentimento não está aí dentro de você, querida.

Agora ele tem visão de raio laser e consegue ver dentro de mim, é?

Eu estava odiando, sim, esse cara e também estava com demasiada raiva dele e de mim também por ter caído na lábia dele aquela noite.

— Diz logo o que quer conversar comigo e depois saí do meu quarto.

Com certa dificuldade ele se recompôs e ajeitou sua postura. Acho que minha joelhada foi forte além da conta. Não importa. Ele mereceu aquilo mesmo.

— Primeiro de tudo... eu jamais imaginei que você fosse parente da Maryane. Descobri quando cheguei aqui e seu pai me mostrou uma foto sua. — isso eu meio que já havia deduzido antes. — Eu fiquei muito surpreso com a descoberta, mas disfarcei pra ele e os demais não descobrirem que eu te conhecia.

— Podia ter inventado uma mentira como fez quando fomos apresentados.

— Mas na hora eu não pensei em nada. Temi que descobrissem sobre a gente.

— Eles só iam saber disto se contasse.

— Segundo que eu fiquei noivo da sua prima dois dias depois da gente ter transado naquela noite...

— Não importa se ficou noivo dela antes ou depois! — rebati, interrompendo-o. — Ainda assim, você era um cara comprometido com ela!... Como pode trair sua companheira assim?

Essa foi a mesma pergunta que fiz a Elliot quando o peguei em flagrante me traindo.

Grissom acabou no fim das contas se mostrando um infiel igual ao meu ex.

— Maryane e eu... Não éramos namorado, Sara. Não tínhamos sequer compromisso algum. — eu ri de raiva. Ele não podia estar dizendo aquilo. Quer dizer que ele e ela viraram noivos assim do nada? — O que tínhamos era uma relação aberta, sem rótulo.

— Você acha que tenho cara da imbecil?

— De forma alguma!... Escuta... Sua prima e eu não éramos um casal de amantes, namorados, ficantes, ou nada desses rótulos. Éramos sim, duas pessoas que saíam algumas vezes pra se curtir, trocar beijos, amassos...

— Pára! — disse alto o interrompendo. — Não quero saber o que você e ela faziam ou deixavam de fazer quando saíam. O fato aqui é que você tinha alguém e ficou comigo. — apontei com o indicador para seu peito. — Há quanto tempo você e ela se conhecem e estão juntos?

Ele soltou o ar pela boca numa longa bufada. E, só depois disto, que respondeu minha pergunta.

— Conheci uma semana depois de estar em New Jersey. Contratei os serviços dela como arquiteta pra reformar minha cobertura. Surgiu de imediato uma atração entre a gente e logo começamos a sair e...

— Você e ela já transaram?

Pergunta idiota!

Não sei porque raios eu a fiz, mas quando vi já era tarde, ela tinha escapado pela boca.

Daria tudo para ouvi-lo dizer que não.

Diga que não, por favor.

— Sim. Algumas vezes.

Era de se supor. E eu idiota torcendo pelo contrário. Em quê século eu vivo hein?

— Seus cinco minutos acabaram. Se manda do meu quarto. — mandei.

Eu lhe deixei falar o que quis e agora queria que ele sumisse da minha frente ou eu bancaria novamente a louca desvairada, que o estapeou minutos atrás.

Saber que ele transou com Maryane me afetou de um modo que eu não sabia explicar. Imaginar que minha prima teve dele o que eu tive há dez dias, me deixou mal e irritada ao extremo.

— Sara... Espera!... Eu preciso que saiba que não senti com ela nas várias oportunidades em que transamos, um décimo do que senti com você quando transamos naquela nossa única noite .

— Oh! Por acaso devo me sentir lisonjeada e especial por isso?

— Sim. Muito!

— Se manda da minha frente, cara.

Ele veio até mim e eu tentei me afastar, mas ele me impediu ao segurar em meu braço. Minha pele se arrepiou com o contato e imagens soltas da gente juntos naquela noite espocaram em minha mente no mesmo instante.

— Não parei de pensar em você depois daquela noite, Sara. Estava louco pra te encontrar, mas não sabia como já que você foi embora sem se despedir e não deixou um número de telefone pra eu te ligar depois. E ainda mentiu o seu nome.

— Você também mentiu o seu, canalha. Estamos quites então.

Mentira por mentira a gente estava empatado naquela.

— Gravei seus gemidos na minha cabeça. E seu gosto, seu corpo, tudo em você ficou gravado aqui dentro. — ele apontou sua cabeça.

Engoli a seco diante daquelas confissões. Saber que ele pensava em mim, gravou na mente nossa noite e tudo em mim, foi tão bom, deixou-me encantada. Mas aí lembrei que ele é noivo. Um cara comprometido com minha prima e o encanto passou tão rápido quanto a velocidade da luz.

— Por favor, vai...

Sua boca tomou a minha e interrompeu o meu pedido de mais uma vez ele se retirar do meu quarto.

Juro que eu no começo tentei resistir e fiz força para empurrar aquele cara de perto de mim, mas quando sua língua invadiu a minha boca sem permissão, eu pedir qualquer senso lógico e acabei por retribuir ao seu beijo com desespero. O mesmo desespero que me senti sendo beijada por Gil.

Qual era o meu problema?

Aquele homem conseguia exercer um poder sobre mim tão grande que eu não conseguia explicar. O beijo dele e o seu cheiro que eu sentia enquanto estava presa aos seus lábios e em seus braços, me fez esquecer por míseros instantes que ele era um homem PROIBIDO para mim.

Mas o senso da decência bateu em mim e logo, eu consegui reunir forças suficientes para afastar o Sr.Gostoso de perto de mim e consequentemente pôr fim ao nosso beijo.

— Nunca mais me toca!... — lhe disse passando as costas de um das mãos pelos lábios. — Cara, você é comprometido!... O que está fazendo com a Maryane homem algum deve fazer. Traição ninguém merece.

— Eu não gosto dela! Não do jeito que devia gostar para assumir um compromisso como um noivado.

— Então por que diabos ficou noivo da minha prima? — sussurrei a questão já que ainda estávamos próximos o bastante.

Gil ia abrir a boca para responder, quando ouvimos Maryane bater na porta do quarto, chamando por mim.

Notas finais
Será que Sara vai aproveitar logo e abrir o jogo com a prima e desmascarar Gil? No próximo capítulo vocês já descobrirão. Beijos e até.