Notas iniciais
Bom dia! Post cedo nesse feriadão. Uma leitora que eu vou dizer o nome só nas notas finais, deu chute em seu comentário a respeito da situação envolvendo Gil, Maryane e o casamento deles. E devo dizer que ela acertou em parte a situação. Vamos descobrir o que foi que ela descobriu?

— Sara pode destrancar a porta e abri-la pra mim, quero falar com você.

Ela não é a primeira pessoa que me diz isso.

— Satisfeito?! É a sua noiva! — sussurei para Gil.

Maryane não podia pegá-lo ali ou a confusão seria armada. Se bem que seria ótimo acabar logo com essa farsa e desmascarar de uma vez esse cretino do noivo dela, antes que a mentira dele combinada com a minha omissão vá longe.

No entanto a revelação da verdade me exporia não somente para Maryane, mas também meus pais e eu não queria criar um desgosto a eles assim. Então, melhor não fazer merda alguma por agora.

— Merda! E agora?

Gil sussurrou e sua expressão era de pânico.

Ótimo! Sobrou só para mim resolver essa confusão que ELE arrumou ao vir atrás de mim.

— Sara! Abri aqui!

Maryane chamou outra vez batendo na porta

— Já vai, calma!... — depois de falar isto me dirigi a Grissom num sussurrou que somente nós dois éramos capaz de ouvir. — Você vai para o meu banheiro e fica lá quieto. — instruí aquele cretino. Sem fazer qualquer contestação, ele foi rápido em direção a porta que lhe indiquei.

Só depois que ele entrou no meu banheiro e fechou a porta, que fui até a outra porta; destranquei-a e abri para Maryane.

— Nossa! Quanta demora pra abrir essa porta.

— Eu tava no banheiro fazendo o número 2. — inventei. Foi a primeira coisa que consegui pensar na hora.

— Ai, que nojo! — Maryane fez uma careta. Juro que eu até riria dela se eu não estivesse em pânico por ter seu noivo escondido no meu banheiro.

— Nojo o quê? Você também faz isso. Todo mundo faz o número 2. É..

— Tá! Não vim aqui pra falar disso.

— Veio falar de quê?

— Do Gil!

Engoli a seco e tentei disfarçar meu desconforto quando ela mencionou o nome dele.

O que raios ela queria falar comigo a respeito de seu noivo?

Será que ela ouviu a nossa conversa?

Acho improvável! Ou do contrário, não entraria ali naquela calma toda e sim, fazendo um escândalo e quebrando o pau comigo.

— O que você quer me falar sobre o... Seu noivo!

Coloquei bem ênfase naquelas duas últimas palavras, para que o cretino escondido lá no banheiro ouvisse e tomasse consciência do que ele era. Com-pro-me-ti-do!

Só não contava que minha priminha estranhasse minha ênfase ao falar.

— Por que falou assim dele com essa ênfase toda?

— Por nada! — dissimulei. — Acho que minha voz que saiu mais grave do que eu queria ao pronunciar as últimas palavras. Mas o que quer falar dele pra mim? — cruzei os braços e com discrição lancei um olhar a porta do banheiro.

— Bom... Papai e mamãe... Comentaram ainda pouco que você conhece o Gil. É verdade?

Sim! Era verdade.

Eu o conhecia intimamente! Ô se conhecia!

— Na verdade... Conheço de vista. — quis me esbofetear por manter a versão mentirosa daquele cretino. Mas por hora faria isso até pensar com calma e descobrir a melhor forma de contar a Maryane a verdade. Se é que tem uma forma melhor de contar a sua prima que você transou com o noivo dela. — Vi seu noivo... — que desprazer enorme me dava de repetir àquela palavra: noivo! Mas era isso que ele era dela mesmo. — ... Na festa da Camille que fui com a Dayse dias atrás. Ele estava lá.

— Hum... — ela não parecia muito satisfeita com a resposta. Mas não contestou, ao invés disto, ela me lançou questões que eu não esperava: — E você o viu com alguma mulher por lá? Ele saiu da festa acompanhado de alguma?

Meu Deus!

Onde eu fui me meter?!

Se a minha prima soubesse que seu noivinho não só ficou a festa toda na companhia de uma mulher, como também depois saiu acompanhado pela mesma mulher e ainda passou a noite com ela, que no caso era euzinha, sua prima, com certeza, eu era um ser humano morto! Na mesma hora!

— Maryane tenha dó! Como vou saber disso? — a única solução que vi foi me esquivar de responder suas perguntas, e ia fugir de respondê-las como o diabo foge da cruz.

— Ué?! Você não estava lá?

— Sim. Mas eu não tinha a menor ideia de que ele era seu noivo. E se tivesse não ia ficar de vigilância nele. Tenha santa paciência!... Além do mais, só o vi por duas vezes apenas. E nas duas ocasiões, ele estava sempre de conversa com um grupo de homens.

Estou mentindo para ela que nem aquele cretino estava fazendo com Maryane, e fez comigo.

Que péssima prima/irmã eu estava saindo.

Sei que ela não merece minha consideração por ter sido muitas vezes péssima comigo na nossa infância e adolescência, mas éramos primas e eu me sentia horrível por estar mentindo para ela não só nisso, como no fato de estar lhe omitindo sobre seu noivo.

— Ok! Não precisa ficar estressada. — suas mãos se ergueram em sinal de defesa.

— Não estou estressada!

Você é que está me estressando com esse interrogatório a respeito do seu noivo cretino!

— Mas agora me diz, o que achou do meu noivo?

Um cretino!

Um cretino bem gostoso... Mas ainda assim, um cretino!

— Por que o interesse na minha opinião? Você nunca foi disso.

Para ela pouco importou o que eu achava. Do mesmo modo, que pouco me importava o que ela achava de determinada coisa que me dizia respeito.

E, agora, justo, agora, ela resolve se interessar pela minha opinião?

Quando o que eu tenho para dizer é uma bomba?

Isso só pode ser brincadeira.

— Ah, Sara, porque agora estou interessada. Resolvi que está mais do que na hora de parar com essa implicância toda com você. Somos parentes, Sara. Família!

Que discurso era aquele?

Nem parecia ela falando.

Se eu não soubesse que Maryane desconhecia sobre seu noivo estar escondido em meu banheiro e provavelmente, de butuca ligada na nossa conversa, eu diria que minha prima disse tudo aquilo com o intuito de impressioná-lo.

Mas como eu tenho certeza, mais que absoluta, de que ela nem sonha com a presença dele ali, então estou bem desconfiada dessa versão "boa moça" da Maryane longe das vistas de terceiros.

Aí, tinha, viu?

Ou será que o noivado a transformou em uma pessoa melhor instantaneamente?

Duvido!

Aquele ali não tem cara de que muda o jeito dela.

— Vamos dizer que eu acredite nesse seu discurso. — resolvi não entrar em discussão quanto aquilo. — Te pergunto: por que de está me dizendo tais coisas?

— Ah, irmãzinha, quero selar a paz e começar uma nova e boa relação entre nós. Já está mais do que na hora disto.

Sério?

Justo agora ela quer isso? Só para me fazer sentir mais mau por ter me metido com o noivo dela sem saber?

Maryane, eu preferia que você se mantivesse a chata e não resolvesse virar a boazinha comigo.

Eu me sentiria menos culpada assim.

— Por favor, Sara... Vamos virar amigas, irmãs de verdade.

Cristo amado!

Por que isso tá acontecendo comigo? Justo comigo?

— Está bem, Maryane. Vamos... Ser amigas... Irmãs.

Sem que eu esperasse, ela veio e me tascou um abraço como nunca havia feito até aquele momento. Retribui o abraço sem jeito e me sentindo horrível por tê-la traído. E por estar mentindo para ela.

— E você ainda não respondeu o que eu te perguntei sobre o que achou do Gil. — ela insistiu nisto após nosso abraço ser desfeito.

O que ela não sabia era que eu já tinha lhe respondido, só que nos meus pensamentos. E desta forma, minha prima obviamente não tinha como ouvir e nem poderia.

— Ele me parece um sujeito...

O que eu vou dizer a respeito dele?

Podia dizer a verdade, que ele era um cachorro, ordinário e infiel, mas não tenho coragem suficiente para isso.

O que eu digo?

O cara está escondido no meu banheiro e aposto que se encontra de ouvido atento nessa conversa que está rolando aqui. Se eu ficar tecendo elogios (mentirosos) a ele, depois o sujeito vai se achar pensando que eu falei a verdade.

Ai, meu Deus!

— Vai, Sara. Fala! Ele parece um sujeito... O quê?

Me limitei a dizer apenas algo que para ela bastasse e de quebra, não deixasse aquele sujeito se achando mais do que devia.

— Um bom sujeito, Maryane!

Na verdade ele não tinha nada de bom sujeito.

Estava mais para um cretino... Safado... Cachorro sem vergonha... Um cafajeste e canalha perfeito!

Ô vontade de dizer tudo isso!

— E ele é isso mesmo irmãzinha. — respirei fundo por ela me chamar daquela forma ainda mais no diminutivo. Pensei em lhe chamar a atenção por isso, todavia, desisti quando ela prosseguiu em sua fala. — Sem contar que ele ainda é lindo, com dotes incríveis e... excelente de cama. — essa última parte ela pronunciou com um sorriso malicioso e largo, que ia de orelha à orelha.

Maryane mal podia imaginar que eu sabia e muito bem de todas essas três "qualidades" do noivinho dela, que acabou de citar. Já tinha tido a chance de comprovar na prática tudo aquilo nele, principalmente o que diz respeito ao bom de cama.

E como eu comprovei este último fato, senhor amado!

Tanto que só de lembrar já ficou toda arrepiada e molhada.

— Maryane como vocês se conheceram e começaram a se relacionar?

Como eu já tinha ouvido a versão do cretino do Grissom. Agora, eu queria ouvir a da minha prima e assim, ver se elas batiam.

Maryane me contou basicamente o mesmo que Gil, ou seja, as histórias batiam e muito. Mas senti certo sentimentalismo da parte da minha prima em relação ao noivo enquanto ela falava dele.

Confesso que me incomodou um pouco ouví-la falar toda derretida do Sr.Gostoso, o homem que foi MEU por uma noite inteira!

— Não é cedo demais pra vocês casarem? Estão juntos, segundo você, há quase três meses somente.

Vi minha prima agarrar minha mão e encarar-me de um jeito estranho, que não consegui identificar qual seria ao certo.

— Tenho sérias razões pra casar logo com ele.

— Que razões?

— É segredo ainda, mas eu vou te contar mesmo assim. Porém, você não pode contar aos nossos pais ainda, tá?

Assenti e Maryane me puxou para nos sentarmos na minha cama. E após um breve silêncio de suspense dela, minha prima enfim me contou, sua razão para casar com Gil tão rápido:

— Eu estou grávida, Sara!

Notas finais
Ana, você acertou a situação em parte como eu disse nas notas iniciais. Mas tem coisa a mais aí nesse meio. E um aviso... Nem tudo que parece ser, é de fato. O próximo vai deixar a dúvida mais ainda no ar. Aguardem. Beijos.