One Night - Livro 1
6 Capítulo VI
Notas iniciais
— Carl, querido! Olha quem chegou!
O chamado de minha mãe trouxe a atenção do meu pai e consequentemente, a do homem com ele.
Quando os belos olhos do Sr.Gostoso se cruzaram com os meus, vi um misto de alegria e satisfação reluzirem deles, apesar da seriedade em sua face.
William não parecia nenhum pouco surpreso diante da minha presença ali. Talvez, isso se deva pelo simples fato, de que ele já tenha visto algum retrato meu na estante da sala.
Minha mãe mantêm por lá várias fotografias da família toda unida e também, apenas, fotos tiradas separadamente de cada membro da nossa família. Dona Laura gostava de mostrar para as visitas as fotos da gente. Aposto que ela mostrou para o Sr.Gostoso as minhas e dos demais.
Meu pai e William se encaminharam até mim e minha mãe, sendo que o primeiro vinha mais a frente do segundo.
Eu gelei da cabeça aos pés diante da aproximação do Sr.Gostoso de mim. Deus! William estava uma tentação incrível vestido numa calça jeans escura colada em suas coxas, uma camisa branca com finas listras verticais na cor azul e por cima da peça um casaco escuro, talvez fosse marrom escuro ou cor de café, não sei bem ao certo definir. Apenas posso afirmar que a peça escura estava grudada à ele evidenciando assim, seus braços e o peitoral forte. O mesmo peitoral que eu tive o prazer de ver, beijar, sentir sob a palma das mãos e passear com a língua por sua extensão toda.
Só de lembrar de tudo isso, principalmente deste último fato, sinto uma fisgada no ventre e um tesão louco se apossar de mim.
Controle-se!, minha mente me ordenou.
Meu pai e William chegaram onde eu e minha mãe estávamos. Uma rajada de vento que só pode ter sido proposital, bateu naquele momento, trazendo o perfume do Sr.Gostoso de encontro aos meus sentidos e me fazendo perder com isso, momentaneamente o rumo, como se eu tivesse levado um soco e ficado nocauteada por isso.
Jesus, que belo e delicioso soco, eu acabei de levar!
Contudo, me recuperei rapidinho quando meu pai me abraçou com efusiva alegria pegando-me desprevenida. Eu retribuí o abraço com um segundo de atraso.
Meus olhos fitavam ainda com surpresa William postado atrás do meu pai, segurando sua cerveja long-neck, de uma marca conhecida.
O Sr.Gostoso não tirou os olhos de mim e nem eu conseguia tirar os olhos dele. Estava feliz, mas ao mesmo tempo apreensiva e preocupada, diante de sua presença na casa dos meus pais.
O que ele estava fazendo ali?
Foi então que me passou à cabeça, a possibilidade de que ele só podia estava ali por mim. Me senti a tal com isso. Sorri internamente ao imaginar, que ele não conseguiu me tirar da cabeça e acabou dando um jeito de conseguir meu endereço sabe-se lá como e aí, apareceu aqui de surpresa.
— Como você está minha garota?
A fala do meu pai após desfazer o abraço comigo, me trouxe de volta ao planeta terra.
— Estou bem, pai. E você? — foquei minha atenção no meu pai, tirando assim os olhos de William.
— Feliz por você está aqui conosco nesse fim de semana. Sentimos sua falta, querida.
— Mamãe já me disse. — comentei com um leve sorriso.
— E ralhei por ela não ter ligado para nós nesses últimos meses.
Ótimo! Com isso William deve achar quer sou uma relapsa com a minha família.
Mas você é mesmo!, meu subconsciente caçoou de mim eu quis lhe esbofetear por isso.
Meu pai começou a falar algo que eu sequer prestei atenção, já que estava mais ocupada olhando por cima de seus ombros a figura de um William, que também me olhava e sorria-me com discrição.
— Ouviu, Sara?
— Sim pai! — menti descaradamente. Não havia escutado uma grama do que ele possa ter dito antes de me lançar aquela questão. Contudo, meu pai não precisava saber.
— Bom... Agora... Deixa eu te apresentar uma pessoa. — meu pai foi anunciando enquanto se virava para William depositando um de seus braços sobre meus ombros.
— Não precisa, pai. Eu o conheço! — contei o interrompendo antes mesmo que ele me apresentasse o homem diante de nós.
Não havia necessidade de ser apresentada à quem eu já conhecia. E conhecia bem até demais!
Meu pai olhou para mim e depois para William, que sorriu.
— Você não mencionou que conhecia minha filha, Gilbert.
Gilbert???
Mas o nome dele não é William?
Vai ver que era William Gilbert ou talvez o contrário.
— Na verdade conheço só de vista, Carl! — quando ele disse isso eu fiquei passada. — Ela estava na mesma festa que eu fui há dez dias. Nos vimos de relance algumas vezes no evento.
Como é que é?
Nos vimos de relance algumas vezes?
Mais que cretino, safado!
Por que ele está mentindo descaradamente desse jeito?
Vai ver que ele esteja te punindo por ter saído sem despedir aquele dia., outra vez meu subconsciente dando o ar de sua graça sem ser chamado.
— Ah, sim. — meu pai exclamou aceitando a mentira de William.
— Mas não tiveram oportunidade de se falar?
— Infelizmente, não Laura!
Minha boca se abriu de leve e meus olhos se espremeram em incredulidade e raiva. Eu quis encher a cara de William de uns bons tabefes pelo seu cinismo em inventar aquela mentira.
Sujeito cara de pau ele estava me saindo. Naquele noite ele não somente falou comigo como também, transou depois e inúmeras veszes. Agora sai com essa de que não nos falámos?
Que espécie de homem ele era?
Eu quis desmenti-lo na frente dos meus pais, mas tinha ficado tão passada diante da mentira inventada por William, que da minha boca não saía nada.
Sem sequer desconfiar de que estava sendo enganado por William, meu pai resolver fazer as apresentações entre mim e o sujeito diante de nós.
— Então deixa eu apresentá-los oficialmente um ao outro... Gilbert essa é minha filha Sara Sidle. Querida este é Gilbert Arthur Grissom.
Cachorro!
O cretino mentiu o nome dele para mim!
Bom, eu também menti o meu para ele, desta modo, não posso reclamar quanto a isso.
— Olá, senhorita Sara!
William, ou melhor, Gilbert disse naquele seu tom grave que me fez enlouquecer dez dias atrás, ao ficar sussurrando sacanagens em meu ouvido durante nossa maratona de sexo.
Minha vontade foi de lhe acertar um murro agora por seu demasiado cinismo. Mas tratei de respirar fundo e entrar no jogo dele.
— Olá, senhor Gilbert!
Disse de modo seco e segurando a contragosto sua mão que ele fez questão de estender a mim.
Senti um choque percorrer meu corpo de cabo a rabo, no exato instante em que minha mão segurou a dele. Depois, eu quase desfaleci, quando o degenerado levou minha mão até seus lábios macios e beijou o dorso dela.
A lembrança daquela boca mágica passeando por meu corpo e me fazendo aquele oral maravilhoso veio com a força de um trem bala batendo forte nas minhas defesas. Merda! Péssima hora para lembrar disto.
Forcei-me a dissimular o meu desejo, pois meus pais estavam ali. E ao que parece eles não perceberam nada. O que eu já não posso dizer do descarado que estava ali conosco. Pelo olhar e o discreto sorriso que o Sr.Gostoso deixou escapar, aquele cretino percebeu que seu gesto me afetou e desconsertou, mesmo eu não querendo isso.
— Me chame apenas de Gil.
Ele disse soltando minha mão e exibindo-me aquele seu sorriso de matar, que eu vi inúmeras vezes surgir em seus lábios enquanto ele me possuía com vigor durante nossa noite juntos.
— Gil vai passar o fim de semana aqui conosco, filha.
Virei o pescoço para minha mãe no mesmo instante, e lhe olhei como se ela fosse um monstro de duas cabeças, que havia acabado de dizer que ia me devorar naquele momento.
Eu e o Sr.Gostoso sob o mesmo teto durante três dias?
Isso só pode ser brincadeira!
Eu não sei se vou aguentar essa convivência com ele.
— Por que isso? — indaguei, tentando não parecer tão desesperada com a informação me passada antes.
Meus pais não tiveram a chance de me responder, porque Maryane chegou ali de braços dados com um cara bem gato.
Ele me parecia ser mais novo que ela poucos anos. Acho até que o sujeito devia ter a minha idade e...
— Sara!
Minha prima/irmã largou o sujeito e veio me abraçar como se me amasse loucamente. O que eu sabia não ser verdade!
— Maryane! Que bom te rever! — comentei falsamente enquanto retribuía sem muita empolgação o abraço com ela.
— Digo o mesmo irmãzinha.
Ela sabia que eu odiava esse negócio de "irmãzinha", mas não parava de me chamar assim. Desconfio que o faça só para me irritar.
— Estava ansiosa por sua chega.
Isso me soou estranho.
— Não diga?!... Por que já? — indaguei após nosso abraço ser desfeito.
Não estava entendendo bem aquela ansiedade e empolgação toda dela. Nunca foi disto em se tratando de mim.
— Tenho uma grande notícia pra te dar. Papai, mamãe e Sean já sabem. Falta somente você saber da grande novidade.
— E qual é essa grande novidade?
Rezei para ouvi-la dizendo que ia morar em outro país, ou melhor ainda, em outro continente. E que ficaria vivendo anos para lá. Ou quem sabe...
— Vou me casar!
Franzi a testa piscando os olhos seguidamente e de maneira rápida.
Casar?
Essa era a novidade dela?
Então que bom para ela! E péssimo para aquele pobre coitado gato que seria seu marido. Já tô sentindo pena dele antes mesmo do enlaço matrimonial. Decerto, ele nem sonha a peça enjoada que é a noiva. E eu é que não vou dizer. Só o que posso desejar é sorte para ele, porque desconfio que vá precisar com Maryane.
— Meus parabéns, Maryane! — resolvi felicitá-la já que todos ali pareciam esperar por isto, inclusive a própria Maryane.
Depois de falar a minha prima, eu encarei o sujeito postado ao lado de minha mãe, que tinha chego ali de braços dados com Maryane e lhe felicitei também:
— E parabéns pra você também, noivo.
— Ah não, irmãzinha. Lewis não é o meu noivo, sua bobinha. — Maryane me corrigir na hora em que falei.
— Não? — franzi a testa em surpresa.
— Não! Meu noivo este homem aqui.
Eu vi com choque Maryane ir se postar ao lado do Sr.Gostoso, enlaçar seu braço e beijar a boca dele bem diante dos meus olhos chocados.
Eu mal podia acreditar que aquele ser gostoso com quem transei loucamente dias atrás, é noivo da chata da minha prima/irmã!
Meu queixo caiu em surpresa.
Aquele cara era um cretino!
E eu uma tremenda idiota!
Estou completamente aparvalhada e em choque com a notícia que havia acabado de ouvir saindo da boca da minha prima. Ao lado dela observei o Sr.Gostoso me olhar meio sem graça após o beijo da minha prima.
Antes eu já quis estapeá-lo, bem pouco tempo atrás mudei para esmurrá-lo, agora eu queria matá-lo ali na frente de todos.
Senti ímpetos de contar aos presentes a verdade a respeito daquele cara. Dizer que aquele homem era um cretino mentiroso, que mesmo comprometido com a minha prima transou com outra dias atrás, e esta outra era EU. Todavia estava tão chocada e passada com aquela situação toda, que por mais que eu quisesse escancarar a verdade não conseguia, porque palavra alguma saía.
— Acho que a notícia te pegou de surpresa, né irmãzinha?
Ela não faz ideia do quão certa esta sua fala. Eu de fato estava surpresa e chocada, muito chocada, por sinal.
— Não vai desejar felicitações ao noivo certo agora, irmãzinha?
Aquela porra de "irmãzinha" a todo instante só estava fazendo minha ira aumentar.
— Parabéns! — foi o que consegui dizer. A felicitação saiu como um escárnio e uma repulsa, que torci para os demais não notarem, apenas o tal Gilbert.
Por várias noites após nossa noite juntos, eu desejei reencontrar aquele sujeito e enfim tenho meu desejo realizado.
Contudo, desagradavelmente, descubro que esse ser que me proporcionou uma noite inesquecível de muito sexo... Não passa de um cachorro, cretino e mentiroso, que enganou e traiu a idiota da minha prima, e a mim também.
Tudo bem, que eu não gosto lá tanto da Maryane assim. Nós temos nossas rusgas e tal, mas mulher nenhuma merece ser enganada pelo companheiro como ele fez com ela. E o pior de tudo, que ele a enganou comigo, o que torna as coisas mais cabulosas ainda.
Não sei se ele sabia do parentesco que havia entre eu e ela. Acho que não! Quero acreditar que não.
Mas isso não apaga o fato de que Maryane e eu fomos feitas de idiota por esse sujeito.
Como ele pode transar comigo sendo comprometido?
E ainda por cima, comprometido com a minha prima e quase irmã.
Eu tinha que contar para ela isso.
Só que não sabia como!
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