Notas iniciais
Post sem demora. Como as minhas três fics estão bem adiantadas, então dá pra soltar os capítulos delas sem tanta demora assim. E um esclarecimento: Troquei a cidade natal da Sara. Como eu tenho outra fic em que São Francisco é plano de fundo, então pra não ficar uma segunda fic com a mesma cidade, eu fiz uma mudança. Aqui nessa não é São Francisco a cidade natal de Sara e sim, Santa Mônica. OK? Agora vamos ao reencontro de Sara com o Sr. Gostoso dez dias depois daquela noite louca de sexo.

— Então você já está indo, Sara?

No mesmo instante lancei um olhar para a porta e encontrei Dayse parada lá com cara amassada e sonolenta, típica de quem tinha acordado agora.

— Estou, amiga. Mas domingo, estou de volta.

— Hum... Precisava comprar passagem para um voo tão cedo assim?

Minha amiga deu um longo bocejo enquanto vinha se aproximando de mim.

Era cedo mesmo. Madrugada, na verdade! Quatro e meia. Meu voo estava marcado para sair às cinco e meia. Eu já devia até ter saído de casa rumo ao aeroporto, mas fiquei naquela de "só mais um cochilinho de cinco minutos", aí quase me feerro.

— Dayse, você sabe que daqui à Santa Mônica são cinco horas de voo. Eu quero chegar na casa dos meus pais antes do almoço. Por isso o horário da passagem tinha que ser esse mesmo.

— É, né?!

Minha amiga me ajudou com a mala e ainda fez questão de descer comigo até a portaria do prédio onde um táxi já me aguardava parado ali na frente para levar-me ao aeroporto de Manhattan, que ficava alguns minutos do Brooklyn.

Eu estava indo para Santa Mônica passar esta sexta-feira do feriado de 4 de julho, amanhã e um pouco do domingo também, na companhia da minha família. Tinha prometido à eles que esse ano iria lá e estava indo cumprir minha promessa.

Dayse ficaria e passaria o feriado com a família dela, pois seu pai a intimou a isso. Do contrário, ela estaria indo comigo para Santa Mônica também.

— Bom feriado lá com a sua família. — desejou-me Dayse.

— Obrigada, amiga. — agradeci. — E você vê se não discute muito com sua mãe durante o almoço em família. — orientei minha amiga após desfazermos nosso abraço.

— Ah, Sara... Você sabe que isso vai ser meio difícil de não acontecer.

— Mas tenta, Dayse. Vocês são mãe e filha, não duas rivais de colegial.

— Ok, mamãe Sara! Vou tentar.

— Promete?

— Sim!

Trocamos outro abraço e eu me dirigi ao táxi. Já de dentro dele acenei para Dayse antes do veículo partir dali. Em torno de uns pares de minutos, eu já estava no aeroporto no tempo que mais ou menos estimei chegar. Fiz o check in e fique na sala de espera aguardando o chamado do voo. Coisa de meia hora depois isso aconteceu e eu embarquei.

Acomodada em uma poltrona confortável, que ficava ao lado da janela, eu olhei para o tempo fora da aeronave. Aquela altura já estava meio claro e logo, logo o sol estaria brilhando forte no céu.

Retornando meu olhar para dentro do avião, avistei lá mais adiante há umas boas fileiras de poltronas de distância, um homem que ajeitava uma bolsa no bagageiro acima da poltrona. O sujeito que estava de costas me lembrou muito alguém, que sem querer fez meu coração dá um pulo dentro do peito.

Era o meu Sr. Gostoso quem eu via no mesmo avião que eu?!

Será?

Cheguei até a me empolgar com a remota possibilidade de ser ele.

Mas quando o homem se virou, a empolgarão deu lugar a frustração, pois eu vi que não se tratava de William. Era alguém que de costas se parecido muito com ele, mas que de frente era totalmente diferente.

Suspirei com tristeza.

Já fazia dez dias desde aquela minha noite de muito sexo ardente com o Sr.Gostoso.

Inevitavelmente peguei-me naquele instante pensando em como William estaria.

Será que ele pensa em mim e na noite que passamos? Porque mesmo não querendo e nem devendo, eu não parei de pensar nele e muito menos naquela nossa noite. Inclusive três dias depois, não houve um em que eu não me odiasse e quisesse me estapear por não ter ficado e esperado que ele acordasse para pelo menos me despedir dele com um "oi" que fosse. Ou então, que tivesse lhe deixado um bilhetinho com meu nome verdadeiro e meu telefone.

Agora se arrepende, é? Tarde demais, tolinha!, meusubconsciente zombou de mim.

O que William pensou de mim quando acordou e não me viu ao seu lado?

Segundo a opinião de Dayse, ele deve ter ficado putaço e talvez decepcionado, mais putaço que decepcionado, como qualquer outra pessoa em seu lugar ficaria depois de ter uma noite fodástica como a que detalhei para minha amiga como foi a nossa noite. E ao despertar no dia seguinte, não encontrar sua parceira de noite ao seu lado.

Dayse ficou horrorizada quando lhe disse que saí do quarto sorrateiramente e sem sequer me despedir do Sr. Gostoso. Inclusive, ela me chamou de louca por não ter deixado nem ao menos um papel com meu número de celular para William entrar em contato comigo depois.

Com certeza, ele deve ter procurado por isso e se decepcionado bastante com a ausência de algo do tipo, como muito bem minha amiga disse.

Fico me perguntando se ele me odiou por ter ido embora sem me despedir? Ou então por não ter lhe deixado qualquer forma de entrar em contato comigo? Ou talvez por ambos?

Quero acreditar que não, já que foi só sexual casual.

Mas sabe o que é curioso? É que eu me via admitindo que adoraria reencontrá-lo, porém ao mesmo tempo temia por isso. Não sei porquê, mas temia esse reencontro. Talvez meu temor fosse em virtude de sua reação e possível cobrança por satisfações da minha fuga sorrateira de seu quarto. Não saberia o que lhe dizer.

A verdade oras!

— Com licença, senhorita!

Um senhor de meia idade pronunciou, chamando minha atenção antes de se acomodar na poltrona ao meu lado. Apenas fiz um movimento com a cabeça em cumprimento ao homem e recostei a cabeça ao encosto da poltrona lançando um olhar para a janela.

A aeromoça avisou poucos minutos depois que era para colocarmos os cintos e desligar os celulares, pois já iríamos decolar em instantes.

Encarando a pista de voo pela janela, eu pensei outra vez em William e no desejo de revê-lo.

"Ah, Sr.Gostoso que vontade enorme de te reencontrar e ao mesmo tempo não reencontrar!"

****

Assim que abriu a porta e me viu parada ali minha mãe me deu aquele abraço de urso, que quase me quebra as costelas. Depois me encheu o rosto todo de beijos para por fim, me dar um belo e enorme sermão por mal ter lhe ligado nesses últimos dois meses a fim de saber como todos estavam.

Sim, eu era uma filha relapsa! Acostumada a ligar para minha família só nas datas comemorativas, quando não dava para vir passar essas mesmas datas com eles.

Tratei de pedir desculpas à dona Laura por meu desmazelo e mentirosamente joguei a culpa disto no trabalho. Aleguei que ele tem ficado puxado nos últimos meses. Um batia mentira que minha mãe não precisa saber.

Dona Laura me ralhou e cobrou por eu não ser capaz de tirar cinco minutos que fosse do meu "precioso" tempo no trabalho para ligar e falar com ela e meu pai.

OK! Ela estava certíssima em me cobrar isto, mas é que nas oportunidades em que ligo para ela a ligação não dura cinco minutos apenas.

Minha mãe fala e fala, e ainda põe a família inteira para falar comigo nas ligações. Acho que ela só não coloca o Otti, porque ele é um cão. Ou do contrário, ela também o colocaria para falar comigo.

— Mãe que tal a senhora parar com o sermão e me deixar entrar?

Nós ainda estávamos na porta da casa e já fazia mais de cinco minutos que eu cheguei.

— Não seja mal criada, Sara! — mamãe me repreendeu em tom divertido como se eu ainda fosse uma menina de oito anos e não uma mulher de 28 anos.

— Mamãe por que tanta... Sara! Maninha!

Sean, meu irmão mais velho apareceu e quando me viu, pegou-me em seus braços tirando-me do chão com seu abraço de urso e nos fazendo girar uma três vezes durante o abraço trocado. Ele tinha essa mania de me abraçar deste modo. Desde que me entendo por gente, Sean faz isso.

— Mamão, seu louco!

Eu disse com um sorriso e ainda em seus braços. Como eu sentia falta do meu "mamão" louco. Este acabou se tornando o apelido dele, que sem querer lhe pus quando ainda era muito pequena e não conseguia chamá-lo de irmão, só de mão, que virou mamão, seu apelido até hoje.

— Sua chatinha, que saudade! — ele admitiu após me pôr de volta ao chão.

— Também sentia saudades sua! Na verdade de todo mundo aqui de casa.

— É, mas nem pra nos ligar, né? Se não for a gente te ligar, dificilmente você entra em contato conosco.

Ótimo! Lá vinha sermão de novo. Agora só faltava o do meu pai para completar.

Dei a mesma desculpa furada para Sean, que dei à minha mãe. E ouvi dele a mesma réplica de Laura. Não ousei contestar, porque era ciente de que a errada ali era eu mesma.

— Mas que bom que veio! Temos novidades, sabia?

— Ah, é? — franzi a testa diante da fala de Sean.

Que novidade podia ser?

— Sim. E temos visitantes.

— Quem?

— Sean não estrague a surpresa de Maryane. — minha mãe cutucou Sean em repreensão. — Ela mesma quer contar à Sara.

Que maravilha, a minha prima estava aqui também! Ano passado ela não conseguiu vir por motivos de trabalho e eu também. Meus pais ficaram super tristes com isso, porque o 4 de Julho, juntamente com o dia de Ação de Graças, e a comemoração do Natal e Ano Novo, são datas que eles gostam de ter toda a nossa família unida em casa para comemorar tais datas importantes.

— Minha prima veio dessa vez é?

Com um sorriso forçado escondi meu descontentamento com tal fato. Meu relacionamento com Maryane não é o melhor do mundo.

— Sara, ela é sua irmã, querida. Seu pai e eu a criamos junto com você e Sean. Portanto devia se referir a ela como irmã e não prima.

Eu me obrigava a fazer isso na frente dos meus pais por ver o quanto eles ficavam tristes por aquilo. Mas dentro de mim, eu não conseguia ver e muito menos, sentir Maryane como irmã, somente prima mesmo.

Ela tentava ser a senhorita perfeita, mas na verdade era cheia de imperfeições. Carente. Prepotente. E muitas das vezes arrogante. Ela implicava comigo quando éramos pequenas. Inclusive inventava mentiras a meu respeito para meus pais só para me ver levando bronca.

Eu odiava isso!

Meus pais me diziam para relevar esse comportamento de Maryane. Eles atribuiam o fato de ela ser e agir daquela forma, ao fato da perda precoce que sofreu dos pais.

Tio Christian, marido da tia Marta, que era irmã mais nova do meu pai, morreram num terrível acidente de avião. O jatinho particular deles pegou uma turbulência forte durante uma viagem e o piloto perdeu o controle da aeronave, que acabou caindo e levando a óbito todos os cinco tripulantes dentro dela, que morreram carbonizados, já que o jatinho explodiu ao se chocar com o chão.

Maryane na época do acidente tinha apenas seis anos, cinco à mais que eu e dois à menos que Sean. Era para ela estar também no avião com os pais que estavam indo para Colorado. Todavia, minha prima pegou uma forte virose e sua mãe resolveu deixá-la aos cuidados dos meus pais, seus padrinhos, já que a viagem para Colorado não dava para ser cancelada.

Quando chegou a notícia da morte dos meus tios, o que foi um abalo enorme para a família. Meus pais não pensaram duas vezes em se decidirem por assumir a guarda de Maryane e criá-la como filha deles.

— Tá bem, mãe. — concordei com ela como sempre fazia quando se tratava desse fato. — Agora será que a gente pode entrar antes que o papai apareça também e nós passemos mais tempo aqui na porta do que eu já estamos? — pedi.

— Ou Deus, claro! Entre, querida. Sean leve a mala com os pertences da sua irmã para o antigo quarto dela.

— Ah, virei o garoto de subir as bagagens, foi?!

— Não reclama, mamão. — bati em seu braço e Sean sorriu.

Minha mãe me avisou que meu pai estava no quintal, por ser um local mais fresco do que a sala.

Seguimos para lá porque eu queria dar um abraço no meu pai o quanto antes. No caminho paramos na cozinha para eu cumprimentar Cameron, a cozinheira de anos da casa, Chloe, a faxineira e a minha querida Olívia, a governanta da casa dos meus pais.

Das três eu tenho um carinho especial pela Olívia. Ela é uma mulher baixinha, negra, cubana, que veio há alguns anos para os EUA conseguir um trabalho para ter uma vida melhor e mais digna em termos financeiros, que tinha em seu país natal. O trabalho na casa dos meus pais foi o primeiro emprego que conseguiu arranjar e nele permanece até hoje, quase trinta anos. Ela começou como arrumadeira, depois virou uma quase babá do Sean já que não foi babá de fato, porque minha mãe mesmo quem cuidava do meu irmão. Li apenas ajudava nos cuidados quando preciso. E fez o mesmo comigo quando eu nasci. Por fim, ela acabou virando a governanta e o braço direito da minha mãe naquela casa. Dona Laura não sabia mais como era viver sem a Li, como carinhosamente a chamávamos.

Mi Sarita, quanto tempo!

Li me cumprimentou com seu costumeiro sotaque espanhol, que apesar dos anos vivendo nos EUA, ela não perdeu.

Eu lembro que quando era pequena pedia à Li para me ensinar sua língua, porque a achava bonita. E atendendo meu pedido, ela me ensinou espanhol. E por causa dela, que eu sei falar um pouquinho de espanhol.

— Tudo bem com você, Li? — nós trocamos um longo abraço. Eu tinha verdadeiro carinho e amor por ela. E o sentimento era recíproco. Diversas vezes Li já me disse que Sean, eu e até mesmo Maryane somos como seus filhos postiços.

— Agora tudo ótimo que estou lhe vendo de novo.

— E seu filho?

— Ah, está bem e muito feliz. Descobriu recentemente que a esposa está grávida. Vou ser vovó. — ela riu toda orgulhosa e as demais ali conosco revelarem que desde que soube disto, Li anda toda boba.

— Meus parabéns, Li e mande minhas felicitações à Juan e a esposa dele.

—Vou mandar.

O filho de Li, é mais velho que eu um ano apenas. Quando ainda morava com meus pais, ele e eu éramos próximos apesar de toda a timidez dele. Estava feliz com a notícia de que ele vai ser pai.

Pedi licença a Olívia e as outras "meninas", e disse a elas que mais tarde nós conversaríamos mais. Eu não via aquelas mulheres e nem os outros empregados que trabalhavam na casa dos meus pais como simples empregados. Eles eram pessoas queridas para mim, parte da minha família.

Me dirigia junto com a minha mãe para a porta que dava acesso ao quintal. Tão logo pus os pés na varanda e dei uns poucos passos me afastando da porta, o sorriso que eu tinha nos lábios sumiu instantaneamente, quando avistei meu pai de conversar com um homem há poucos metros de distâncias de onde eu havia estancando, tendo ao lado a minha mãe parada.

Eu reconheci na mesma hora o homem que segurava uma garrafa de cerveja numa das mãos e conversava de maneira descontraída com meu pai.

Era William!

O que o Sr. Gostoso estava fazendo aqui na casa dos meus pais?

Notas finais
Péssima hora pra parar o capítulo, né? Kkkk Eu sei que é! Mas é que não resisto em parar estrategicamente os capítulos em partes assim. E antes que queiram minha cabeça, eu aviso que o próximo capítulo vem sem demora. Um beijo e até breve, muito breve.