One Night - Livro 1
78 Capítulo LXXVIII
Notas iniciais
O cômodo à meia luz e pela porta entreaberta, eu o vi só de pijama, sentado diante do piano, tocando compenetrado algo que claramente me parecia música clássica. Não tenho ideia de qual era e muito menos de quem fosse a música, mas posso afirmar que ela é linda e um tanto nostálgica. Só que não se tratava de uma nostalgia triste, estava bem longe disto. Era algo até muito agradável de se ouvir e que tocava ao coração.
Apoiando a lateral do rosto ao batente da porta, permite-me apreciar quieta em meu cantinho ainda secreto, ao concerto particular que Gil estava me proporcionando sem sequer ainda saber.
Há coisa de alguns minutos, eu tinha despertado no meio daquela madrugada fria e me deparado com a ausência de Gil na cama. Chamei seu nome achando que estivesse no banheiro anexo, mas diante de sua falta de resposta concluí que lá ele não estava. Sonolenta saí da cama e resolvi ir à procura do meu namorado.
Quando já descia as escadas que traziam à sala, escutei suaves notas musicais vindas de um piano. Seguindo o som delas acabei sendo trazida aonde me encontrava neste momento: na porta da sala de leitura.
Confesso que me surpreendeu um pouco ver como Gil toca bem. Não imaginava que fosse tão bem assim. A sensação era de aquilo parecia a coisa mais habitual para ele de se fazer. E decerto, fosse isso mesmo, já que Gil me revelou certa vez que tocava desde criança.
Abobalhada e encantada fiquei admirando-o até a última nota ser tocada por ele e a música chegar ao seu final. Não conseguindo me conter, bati palmas atraindo de imediato a atenção de Grissom.
— Faz tempo que está aí? — o vinco em sua testa me passou a sensação de que Gil não gostou muito de ter tido plateia. Ele já havia me explicado sobre isso, mas acabei ignorando tal fato assim que o vi tocando. Foi impossível virar as costas e sair dali, ao invés, de ficar e assistir, como foi o que acabei por fazer.
— Tempo suficiente pra me deliciar vendo como você toca bem. — ignorando sua pequena cara feia, eu o elogiei indo até ele. — Posso saber como se chama a música que tocava? — parando ao seu lado depositei a mão esquerda em seu ombro direito.
— Noturno Opus 9, Número 2 de Chopin. — Gil contou, suavizando sua expressão. Um de seus braços passou pela minha cintura, me puxando para ficar à sua frente e tendo o piano as minhas costas. Sua boca tocou minha barriga em um beijo delicado, antes dele descansar a lateral do rosto nela.
— Ela é linda. — alisei seus cabelos.
— Sim. E é uma das minhas músicas preferidas de tocar, principalmente, quando estou com insônia.
Ele ergueu o rosto para me olhar e detectei uma névoa de preocupação e angústia no fundo de seus olhos.
— Essa sua insônia tem a ver com o medo que mencionou-me mais cedo?
Levando em conta a pose de homem poderoso e inabalável que até então, eu fazia dele, o fato de Grissom estar com medo de algo que sequer sabia, me deixou surpresa.
— Bastante!... E eu... Preciso te contar uma coisa que devia ter dito mais cedo quando conversamos.
A seriedade tanto em sua voz quanto na expressão, já me deixou um tanto preocupada e apreensiva.
— Do que se trata? — apertei levemente com as duas mãos, seus ombros largos, cobertos pela macia camisa azul marinho, que compunha junto com a calça de mesma cor o pijama usado por Gil naquela noite.
— Sente aqui. — me acomodei em seu colo como foi pedido por Gil. E pela cara dele, eu não ia ouvir coisa boa. — Eu menti pra você quando disse que não sabia do quê estava com medo. Me desculpe! A verdade é que sei exatamente a razão do meu medo.
— E qual a razão do seu medo? — indaguei com uma das sobrancelhas arqueadas e, sem saber porquê já temendo pela resposta.
Sinceramente, eu não conseguia imaginar o quê poderia pôr medo num sujeito como ele. Decerto, deve se tratar de algo BEM sério, porque do contrário não o deixaria assim. Gil não me parecia um sujeito que temia ou se deixava abalar facilmente por qualquer pouca coisa que fosse.
— Hoje a tarde Lewis me confidenciou algo. — seu olhar desviou do meu e fitou o chão por uma fração de segundos. Uma de suas mãos entrelaçou-se a minha e ele ficou mudo por longos segundos, que quase me pronunciei cobrando continuidade em sua fala. Contudo, não foi necessário já que Gil retomou a palavra olhando para mim de novo: — Meu irmão acha que nosso pai... Pressentiu que algo de ruim fosse lhe acontecer, porque há quatro dias ele se reuniu à portas fechadas no escritório de sua casa, com Hamilton, o advogado particular dele, que é responsável direto pelo testamento do coroa. — só por isso já fui começando a entender o que poderia estar afligindo e amedrontando Gil. — Pode parecer cisma ou até loucura minha, mas essa reunião entre eles não me soa como algo bom, Sara.
Nem a mim!
— Será que ele chamou esse advogado pra cumprir a ameaça que fez de deserdar você?
— Pode ser. Mas acho que também pode ter algo mais além disto. E é justamente esse "algo mais", que está me deixando preocupado e temeroso.
— O que você acha que seria esse "algo mais"?
Comecei a ficar tão preocupada quanto Gil se mostrava sobre aquilo.
Será que o pai dele poderia ter aprontado algo... contra a gente?
Era só o que nos faltava!
— Não sei, querida. Pode ser tanta coisa.
— Mas alguma chance de estar relacionado a nós ou pior... Contra nós? — com hesitação e temor arrisquei em questioná-lo.
A carranca que Grissom fez foi tão dura quanto sua resposta.
— Pois se tiver... Ele pode esquecer que têm dois filhos. Eu nunca vou perdoá-lo se fez algo com o intuito de prejudicar meu relacionamento com você ou até mesmo nos separar.
****
"Você não vai casar com o Grissom. Pode escrever isso!"
Desde ontem a praga dessa frase vinha me açoitando feito um chicote implacável.
Me questionava o porquê de Maryane parecer tão convicta assim de que Gil não casaria comigo e sim, com ela?
Podia ser até loucura da minha parte, mas começava a dedconfiar que tal certeza dela vinha do fato de o pai do Sr.Gostoso ter possivelmente feito alguma mudança em seu testamento.
Me recordo de Gil ter mencionado sobre seu pai ter um grande apreço pela minha prima. Inclusive, ele a queria como sua nora. E para garantir que isso fosse possível, ele poderia muito bem ter feito algo que tanto trouxesse benefício a sua preterida a posto de nora, quanto arruinasse à mim e meu relacionamento com o filho dele, não podia? Claro que podia! E isso estava me preocupando!
— Estou saindo para o almoço, Sara. Você também pode sair para o seu.
Apenas assenti para Brooke que passou diante de mim e seguiu seu caminho. Ajeitei algumas coisas na mesa e ao terminar o meu celular tocou. Tratava-se de uma chamada de minha mãe. Após saudações e cumprimentos, ela me contou que soube ontem por Maryane o que tinha acontecido com o pai de Gil e estava me ligando para saber novidades sobre o estado de saúde do meu sogro.
Toda vez que alguém mencionava aquele senhor como meu sogro, sentia uma sensação tão estranha.
As informções que eu tinha repassei à minha mãe. E antes que dona Laura fizesse outra pergunta, escutei pela linha alguém lhe chamar e avisar que precisavam dela rápido na ala de emergência. Assim tivemos que nos despedir, contudo minha mãe avisou-me que a noite me ligaria para conversarmos. Segundo ela, tinha algo importante para me dizer.
Depois da ligação segui para encontrar com meus colegas no refeitório. Pelo caminho tentei supor o que de tão importante minha mãe tinha a me dizer mais tarde.
Talvez fosse relacionado com meu pai. Provavelmente, ela conseguiu conversar com ele e queria me contar como foi. Tomara que ele tenha mudado de opinião.
Ao chegar no meu grupo de sempre, deixei momentaneamente de lado os problemas com meu pai e a preocupação com o pai de Gil, para me permitir aproveitar a boa e divertida companhia daqueles malucos dos meus colegas de trabalho. Estar com eles era esquecer por mais de uma hora das coisas ruins e apenas sorrir dos nossos papos animados. Pena que o horário quando estávamos juntos parecia voar tão depressa, que mal sentávamos para almoçar e bater papo, e já estávamos levantando para cada um retornar aos seus postos de trabalho.
O resto da minha tarde foi puro trabalho e com isso, não tive qualquer chance de pensar em outra coisa além do meu serviço. E quando o fim do turno chegou, eu só queria ir para casa, tomar aquele banho relaxante, comer algo e cair na cama, depois é claro, de ter ligado para Gil e me atualizado de novas notícias do pai dele.
Terminei de recolher meus últimos pertences e os guardei dentro da gaveta com chave. Já de pé e com a bolsa pendurada em um dos ombros fui até a sala de Brooke e me despedi do meu chefe, que ainda ia permanecer até às oito, pois estava esperando uma ligação importante do Canadá.
Na porta do elevador encontrei meus amigos todos só a minha espera. Entre conversas acerca de trabalho, nós entramos no elevador e em segundos chegávamos ao térreo. No que já estamos na frente da editora rindo das reclamações de Dayse a respeito de Sullivan, eu estudo um "Senhorita Sidle" reverberar atrás de mim. Me virei, encontrando Luke em sua formalidade e seriedade de sempre.
— Luke! O que faz aqui? — foi impossível não me preocupar com sua presença. Falei com Gil há pouco mais de uma hora por SMS e ele não mencionou nada a respeito da vinda de seu motorista até meu trabalho.
— O patrão pediu que eu viesse lhe buscar para levá-la à casa dele.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não! Ele só quer que a senhorita vá para lá.
— Ah! — sorri sem jeito. Por isso Gil quis saber o horário certo da minha saída, para mandar seu motorista me buscar.
Me despedi dos meus colegas ouvindo piadinhas de alguns. Segui com o motorista até onde o carro estava estacionado. Dentro do veículo silêncio, já que Luke não é de papo algum.
Agradeci profundamente quando escutei o celular em minha bolsa tocar depois de quinze longos e torturantes minutos em que já seguíamos naquela viagem silenciosa. A chamada era de minha mãe.
— Oi, mãe! — estava numa ansiedade louca para saber logo o que ela queria falar comigo. Se era sobre o meu pai ou...
— Sara!
— Pai?!
Por três ou quatro segundos eu deixei de respirar. E quando voltei a fazer isso o silêncio perdurou na linha tanto da minha parte quanto da dele. Não sei quanto tempo ficamos mudos, só sei que coube ao meu pai quebrar o silêncio.
— Podemos conversar?
— Sim.
Pelos minutos seguintes ouvi dele um pedido sincero de desculpas; explicações sobre seu comportamento de dias atrás; uma confissão a respeito de não se orgulhar das coisas que me disse naquela ocasião; e por fim, justificativas de que ele só fez o que fez, e disse o que disse, com o único intuito de me proteger de um futuro desgosto ou decepção com relação ao sujeito com quem me envolvi.
— Não haverá desgostos e tampouco decepções, pai. Gil me ama e eu o amo.
Ele soltou um suspiro daqueles que a gente entende como um "sei" irônico e descrente.
— Sua mãe me disse tudo o que o sujeito falou a ela quando foi conversar com vocês. Segundo ela, esse cara — meu pai se recusou a pronunciar o nome de Gil. -... pareceu convincente em cada palavra e sentimento que expressou por você. Só não sei se acredito em nada do que ele disse a ela.
Eu até entendia a desconfiança dele. Mas eu precisava deixar claro ao meu pai que Grissom era um bom sujeito e que com ele, eu sou e serei feliz.
— Grissom não é um mau sujeito pai.
— Tenho minhas dúvidas.
— Ele me faz bem, pai. Nunca me senti tão bem, feliz e amada por um cara como sou por ele. Entendo que não o veja com bons olhos em virtude da nossa relação ter começado como começou, mas nós nos amamos. Pretendemos ficar juntos e casar em breve.
— Realmente quer isso Sara?
— Sim!
Não havia nada que eu quisesse mais, do que me casar com Gil e começar uma vida com ele.
Ouvi pela segunda vez um suspiro e meu pai permaneceu calado por um breve tempo. Apesar das desculpas, ele não parecia satisfeito e disposto a aceitar a situação, muito menos minha relação com Grissom.
— Se é o que você quer... Não me resta outra alternativa senão tentar entender a sua escolha.— ele se pronunciou, me surpreendendo e quebrando o silêncio.
Sorri emocionada por ouvir meu pai dizer aquilo. Imaginei que não deveria estar sendo fácil para ele tal fato e que só estava fazendo aquilo unicamente por mim.
— Obrigada, pai.
— Só, por favor... Não me peça pra aceitar seu noivo agora, querida, porque não consigo.— eu o compreendia e jamais o obrigaria a isso. — Talvez um dia pode ser que eu volte a aceitá—lo. Mas por hora não consigo. Esse tal de Grissom tinha todo meu apreço antes. Só que agora não consigo olhar para à cara dele sem pensar que é um canalha, que se meteu com as minhas duas filhas ao mesmo tempo.
— Pai...
— Só torço... E torço muito, querida, para que ele não lhe magoe também, porque do contrário, eu o farei se arrepender de ter nascido.
****
Assim que Gil abriu a porta me joguei em seus braços e lhe tasquei um beijão daqueles. Mesmo pego de surpresa e não entendendo a razão do meu "ataque" para cima de si, o Sr.Gostoso retribuiu ao beijo.
Eu estava tão feliz por ter feito as pazes com meu pai! Tudo bem, que ele ainda não aceitava meu envolvimento com Gil e muito menos o meu noivo, mas pelo menos tentaria, e isso já me bastava e deixava contente além de feliz.
— Ei! Tudo isso é saudade? — ofegante e com um sorriso, Gil quis saber após o fim do nosso longo beijo.
— Também. Mas é que estou feliz. — contei enquanto ele já me conduzia pelos ombros para dentro do apartamento.
— E posso saber a razão de estar feliz?
— Quando estava vindo pra cá meu pai me ligou. — me virei de frente para Gil e passei os braços por seu pescoço.
— E o que ele queria?
— Em resumo... Me pedir desculpas pelo que disse naquele dia em que contamos sobre nós. Afirmou que se arrependia das palavras ditas e tentaria entender a minha escolha.
— Entender? Isso quer dizer que ele ainda não nos aceita?
— Por enquanto ele não consegue isso.
— Então vamos dar tempo à ele. — Gil piscou e eu sorri antes de lhe roubar outro beijo demorado.
Tirando o fato do pai dele estar num hospital e Maryane ficar pentelhando-me dizendo que Gil não ficaria comigo — coisa que só vai acontecer no sonho dela -, o resto estava caminhando tão bem e perfeito em meu relacionamento com o Sr.Gostoso, como ainda não tinha sido, já que antes nossa relação amorosa era mantida "às escuras". Agora nós não precisávamos mais esconder dos outros o que tínhamos. Tudo estava às claras! Era somente esperar pela melhora e recuperação do pai dele, para nós casarmos e começarmos nosso "final feliz" juntos!
****
— Tenho um presente pra você. — Gil anunciou após um beijo e ajeitando atrás da minha orelha uma mexa de cabelo castanho que estava em meu rosto.
Estávamos acomodados no tapete da sala onde havíamos jantado ainda pouco. Depois de lhe contar sobre meu pai, fui tomar banho enquanto Gil ficou ajeitando as coisas para jantarmos na sala mesmo. Durante a refeição que Helen havia deixado devidamente pronta, conversamos sobre o estado de saúde do pai dele. Segundo o médico informou à Grissom, tudo que era preciso e necessário, estava sendo feito pela melhora do Joseph. E agora era esperar para ver como ele reagia. Falamos também sobre como foi o meu dia de trabalho e outras coisas mais. Quando faltou assunto, passamos a namorar trocando beijos e carinhos.
— Presente? Que presente? — sorri com empolgação.
— Algo que comprei hoje pra você, por isso mandei Luke te buscar.
— Ah, achei que tivesse mandando me buscar, porque sentiu minha falta. — fingi decepção e ele sorriu.
— Também, claro! Sempre que não está ao meu lado sinto sua falta. — ele tocou meu rosto com carinho e deu-me um selinho. — Mas especialmente hoje eu te queria aqui para entregar-lhe o que comprei. Fica aqui que vou buscar no quarto. Já volto.
— Okay!
Meus olhos o acompanharam subir apressado as escadas até sumir do meu campo de visão. Sozinha na sala tentei supor que presente fosse este. Contudo, não tinha a menor ideia. Vindo de Gil podia ser uma infinidade de coisas. Sorri e apanhei da mesa de centro minha taça de vinho, que havia sido desprezada uns instantes antes enquanto Grissom e eu trocávamos beijos momentos atrás. Num único gole tomei o pouco que restava da bebida e devolvi a taça à mesinha. Dois minutos depois disso, Grissom retornava com um sorriso lindo e as mãos para trás, certamente para me esconder o presente.
— Estou curiosa para saber o que você me comprou.
— Eu acredito que vá gostar. — ele se acomodou ao meu lado, sempre mantendo o presente escondido atrás de si. — Feche os olhos, meu amor.
Quanto mistério!
E como eu estava louca para ver logo esse presente fiz o que Gil pediu.
— Não está vendo nada mesmo?
— Não, Gil!
— Okay! Agora um segundo apenas... — ouvi uns leves ruídos que não fui capaz de identificar ao certo. E então Gil se pronunciou novamente: — Agora pode abrir seus lindos olhos!
Assim que o fiz, fiquei decepcionada ao não ver nada nas mãos de Grissom.
— Cadê o presente?
Sorrindo o Sr.Gostoso apontou com a cabeça para a mesa de centro. Olhei na mesma hora para ela e avistei na ponta do móvel de tampo de vidro, uma caixinha aberta e dentro dela um belo solitário. Pelo nome da joalheria que estampava o interior da tampa da caixinha onde a jóia vinha, não se tratava de qualquer solitário era SÓ um Tiffany!
— Meu... Deus!... É lindo, Gil. — com uma das mãos no rosto e a outra segurando a caixinha de veludo vermelha, eu admirava toda abobalhada a bela jóia em tom rosa, que decerto era em ouro.
— Você me lembrou muito bem que não havia um anel de compromisso em seu dedo. Agora haverá não só um, mas dois!
— Dois? Mas para mim parece ser só um. — olhei Gil confusa.
O Sr.Gostoso tomou com delicadeza a caixinha da minha mão e explicou que se tratavam de dois anéis. Foi só quando ele puxou as jóias da caixa e as separou diante dos meus olhos, que vi se tratar mesmo de duas: o solitário rosa de diamante e uma aliança também em ouro rosa, com meio círculo de diamantes.
— Dê-me sua mão direita, meu amor!
Com os olhos àquela altura cheios de lágrimas estendi minha mão ao meu noivo e o vi deslizar as duas jóias pelo dedo anelar. Já ia lhe agradecer pelo presente quando Grissom puxou do bolso de seu pijama outra aliança, esta era lisa, sem diamantes. E ele me estendeu a jóia para que colocasse em seu dedo. Assim o fiz com um sorriso.
— Essa sim, eu faço gosto que use. — comentei após ter posto a aliança nele. Gil sorriu, enxugando uma lágrima que não consegui conter. — Obrigada pelos presentes. Não esperava que fosse isso.
— Gostou?
— Muito!... Demais! — afirmei com entusiasmo enquanto me sentava sobre o colo de Gil; abracei seu pescoço e lhe dei um rápido beijo de agradecimento. — Melhor presente que já ganhei.
E era verdade!
— Fico contente que tenha gostado tanto assim, porque escolhi as duas peças só pensando em você.
Sorri encantada e abobalhada enquanto encarava aqueles olhos que estavam fixos aos meus. Em sua boca um sorriso que fazia meu coração dar cambalhotas de alegria. Aquele homem era fora de sério! A coisa mais linda. O homem a quem eu pertenço de alma, corpo e coração!
Olhos que fazem baixar os meus
Um riso que se perde em sua boca
Aí, está o retrato sem retoque
Do Homem a quem eu pertenço*
Sem saber o que lhe dizer depois do que ouvi, eu apenas o beijei novamente e dessa vez nada de ser rápido, muito pelo contrário. Minha intenção era que fosse longo e demorado!
O gosto de vinho na boca de Grissom só deixou mais gostoso o sabor daquela sua boca deliciosa, que eu tanto amava beijar. MEU noivo... MEU futuro marido... MEU Sr.Gostoso! Só meu e de mais ninguém.
Como eu o amava!
Ele era tão especial para mim. Especial de uma maneira que nenhum até então tinha sido. Talvez Elliot tenha chego perto disso, na época em que eu era uma idiota e nutria sentimentos sinceros por aquele bastardo traidor. Mas felizmente me livrei dele e encontrei alguém MIL VEZES melhor.
O beijo que passados alguns segundos já trocávamos com bastante intensidade, paixão e vontade foi fazendo meu corpo entrar em chamas e desejar o de Grissom com extrema volúpia. E a julgar pelo volume que sentia cutucar minha bunda, o Sr.Gostoso também já desejava-me da mesma maneira.
Eu precisava ser dele naquele momento.
E ele precisava ser meu naquele momento também.
— Vamos... Para o... Quarto... Querida? — interrompendo nosso beijo, par dar atenção ao meu pescoço, Gil me fez tal proposta.
— Por que ir para o quarto... se temos um sofá bem atrás da gente? — sugeri com malícia. A cama estava tão longe e o sofá tão perto. Então para quê perder tempo indo para o quarto se podíamos ficar na sala?
Em resposta Gil me encarou e sorriu do jeito safado que eu já tinha aprendido a gostar nele, para logo em seguida me beijar. Durante nosso beijo o Sr.Gostoso nos levantou do chão para se acomodar no sofá comigo em seu colo.
A blusa dele que eu usava "voou" e caiu no chão, assim como a que Grissom usava. E a partir daí e pelas meias horas seguintes o sofá foi palco da nossa sessão de amor ardente, regada a muitos beijos, gemidos, inversões de posições, sorrisos indecentes e olhares repletos de declarações silenciosas de amor. Esta foi a nossa forma de comemorarmos muito bem comemorado o nosso noivado! Melhor impossível! Já que em se tratando de sexo nós éramos bons demais em fazer.
— Sabe qual é a minha vontade?
Estávamos deitados no sofá, eu em cima de Gil, ambos ainda nus e nos restabelecendo do nosso intenso momento de amor de momento atrás.
— Não! — respondi enquanto ouvia seu coração batendo ainda acelerado e deslizava com suavidade a mão esquerda sobre seu braço direito.
— Casar com você amanhã mesmo e te trazer pra viver comigo aqui em casa, porque não consigo dormir mais uma noite longe de você, garota. — me apertando em seus braços, ele beijou minha testa.
— Eu ia adorar isso, mas o momento me parece inoportuno com seu pai nesse estado.
— É, eu sei disso. — as mãos dele deslizaram pela extensão das minhas costas numa carícia tão deliciosa e relaxante, até, por fim, repousaram sobre minha bunda.
— Mas quando ele se recuperar... — ergui minha cabeça e olhei para o rosto de Gil. — Você e eu casamos. Aí, o senhor estará preso a mim até o resto de sua vida, viu seu cretino gostoso? — bati de leve com a ponta do dedo indicador em seu peito e Gil deixou uma gargalhada ecoar pela sala. Adorava quando ele fazia isso. Era o som mais gostoso de ouvir.
— Pois eu vou adorar ficar preso à você, garota. Quero passar cada segundo do resto da minha vida ao seu lado. — tais palavras foram tão lindas, que quase me desmancho em lágrimas. — E quer saber mais o que quero?
— O quê? — sorrindo, aproximei mais meu rosto do seu, fazendo a ponta de nossos narizes se tocarem.
— Que depois que casarmos você pare com seus remédios para encomendarmos logo o nosso filho.
O meu sorriso foi murchando assim que as palavras de Gil entraram por meus ouvidos e alcançaram o cérebro.
Céus! De novo essa história de filho?! Para quem não se imaginava pai, ele agora estava apressado demais para isso.
Volta e meia, ele trazia esse assunto. E eu precisava ser honesta quanto a essa questão. Mas como ser sem magoá-lo?
— Gil não acha um tanto precipitado isso de filhos?
— Não!
Sua resposta foi tão pronta que me deixou momentaneamente sem saber o que dizer. Até que meu cérebro voltou a trabalhar e eu consegui formular palavras.
— Olha nós ainda nem casamos. Vamos deixar essa história de filho pra depois do casamento? — tentei negociar e já logo sair desse assunto.
Diante do que eu disse, Gil ficou me encarando silenciosamente exibindo um vinco na testa e olhos confusos.
Ai, ai, ai. Quer ver como essa conversa ainda não acaba aqui?
— Por que toda vez que toco no assunto "filho", você fica estranha e tenta desconversar? Por acaso não quer filhos, Sara?
Não disse!
Eu temia tanto que ele tentasse aprofundar-se nesse assunto, porque a chance dele se magoar com a minha resposta era grande.
— Claro que quero!
Havia sim a vontade disto, nunca disse o contrário. Contudo, eu não queria um filho para tão breve como era do desejo de Gil. Talvez daqui há uns dois ou três anos, sim!
— Às vezes eu tenho a impressão de que é o contrário, sabia?
Mesmo ainda com meus receios de abrir o jogo e ciente de que podia magoar Gil, além de estragar nosso momento de romance ali, tomei a decisão de falar logo a verdade para o Sr.Gostoso. Eu precisava ser logo sincera com ele. Chega de ficar guardando aquilo só para mim!
— Mas não é. Eu quero sim, um filho com você. Só que não agora e nem pelos próximos... dois anos talvez.
— Dois anos?? Por que isso? — sua cara de incrédulo era gritante e se o assunto não fosse tão sério, eu teria caído na risada daquela cara dele.
Antes de lhe responder, pedi que nós colocássemos nossas roupas para conversarmos melhor. Isso foi a forma que encontrei de ganhar tempo e formular o melhor jeito de contar à Grissom o que eu queria. Nós catamos nossas roupas e as vestimos em poucos instantes. Depois disso sentamos no sofá, um de frente para o outro.
Hora da verdade!
— Você vai me achar uma egoísta. — sem lhe olhar, eu comecei a falar. — E vai ver que seja mesmo egoísmo da minha parte o que vou dizer, mas... Tenho que ser sincera com você. — fiz uma longa pausa antes de por fim revelar-lhe: — Eu ainda... não quero dividir você e a sua atenção com uma criança.
Só após falar que tomei coragem de olhar o homem diante de mim. Ao fazer isso vi confusão, surpresa e até mesmo choque em sua expressão e olhos.
— Você não pode estar falando sério, né?
Me pareceu mais uma pergunta feita à ele mesmo do que propriamente dirigida à mim, porém, ainda assim, eu respondi:
— Estou, Gil.
— Não!... Não!... Sara... isso não tem cabimento. — ele balançava a cabeça em negação enquanto um sorriso de estarrecido lhe escapava.
— Eu sei, mas é o que sinto.
Ele me encarava e encarava. Eu podia ver ainda em seus olhos a descrença total diante da minha confirmação.
— Você está falando que não quer me dividir com um filho que vai ser NOSSO, ter o nosso sangue?
Parecia loucura, no entanto não era! Tratava-se da ridícula e vexaminosa verdade. Sei que posso até ser considerada um ser anormal por não querer dividir meu futuro marido com um filho nosso, só que terei que conviver com isso. E estava disposta a tal fato.
— Exatamente isso, Gil!... Nós, primeiro podíamos aproveitar mais esse lance de ser só nós dois e depois pensar em um filho. Não precisa essa pressa. — argumentei.
— Do que é que você tem medo? É de que eu goste mais do nosso filho do que de você, e te deixe de lado?
Era vergonhoso admitir tal despautério, mas eu tinha que compartilhar com Gil aquilo por mais ilógico e egoísta que fosse e, que por ventura ele achasse.
— Sim! — afirmei num sussurro e abraçando a mim mesma enquanto também baixava a cabeça envergonhada por ser tão estúpida e egoísta de estar afirmando um despautério como aquele.
O silêncio que se fez foi tão longo e angustiante, que eu sente medo do que viria quando ele fosse interrompido.
Nem bem noivei e já colocava em risco meu compromisso com aquela situação toda.
Mantendo-me ainda de cabeça baixa esperei. Esperei. E esperei por alguma palavra ou na pior das hipóteses, xingamentos mesmo por parte do homem diante de mim. Só que não veio nenhuma coisa e nem outra, apenas sente o movimento no sofá. De soslaio vi Gil se aproximar mais de mim, contudo não lhe olhei, segui de cabeça baixa.
Uma de suas mãos se meteu entre os meus braços e os descruzou. Já sua outra mão segurou meu queixo e ergueu meu rosto até nossos olhares se encontrarem. A expressão que encontrei agora em Grissom era suave e seu olhar mostrava-se compreensivo e amoroso.
— Jamais algo assim aconteceria. Um filho nosso só faria o meu amor por você ficar maior, nunca o contrário, querida.
"Que bela patética, você é Sara Sidle!", Concordo em gênero, número e grau com essa voz maldita que se pronunciou em minha mente.
— Você deve estar me achando uma idiota egoísta, né?
O meu comportamento de agora e esse meu medo davam brechas para se pensar isso e até coisa pior a meu respeito.
— Não. — ao negar Gil sorriu e beijou minha testa demoradamente. — Nunca pensaria isso. Mas admito que não esperava ouvir o que ouvi de você. Por acaso também é por essa razão, que rejeita ao fato de que eu assuma o filho da sua prima?
— Não! — tratei de negar veemente e expliquei: — Acho que essa não é sua obrigação, porque o filho não é seu. E até já mencionei isso em outra ocasião. Porém, você já me deixou bem claro que essa sua decisão não mudará. E mesmo não estando de acordo com ela, estou tentando respeitá-la ainda que seja difícil pra mim.
Ele meneou com a cabeça e guardando meu rosto entre suas mãos, deslizou os polegares pelas minhas bochechas enquanto juntava nossas testas.
— Pois eu também vou tentar entender esse seu lado de não querer um filho agora. Vamos deixar isso para daqui à uns meses, tá bom pra você? — seu tom era carinhoso e amável.
Concordei e o abracei, escondendo o rosto em seu pescoço.
Grissom estava sendo tão compreensivo com aquele meu medo patético e ridículo.
— Você não está com raiva de mim por não querer te dar um filho tão rápido, né?
O som gostoso de sua leve risada encheu meu coração de boas sensações.
— Eu não sei ter raiva de você, meu amor.
****
— Ai, meu Deus! — Dayse parecia enlouquecida vendo os meus anéis de compromisso e eu só conseguia me divertir de suas caras e bocas dentro do vestiário da editora. — Quantos quilates vocês falam, hein coisinhas preciosas?
Não me aguentei e deixei uma escandalosa gargalhada escapar.
— Dayse, você é louca de pedra. — ainda rindo beijei o rosto da minha amiga.
— Ai, Sara, sabe que vendo isso no seu dedo e o quanto você está feliz por ter um cara que te ama, sinto até inveja e vontade de ter o mesmo?
Senti dó da minha amiga. Ainda que ela neguei, Dayse não havia se recuperado totalmente da desilusão com Damien. Minha amiga gamou de verdade naquele DJ, mas o safado era do time do Elliot, os que não valiam nada.
— Mas aí lembro da última experiência que tive e acho que não quero me envolver desse jeito.
— Dayse nem todos são como Damien ou Elliot. E eu tenho certeza que logo aparece também um Sr.Gostoso pra você.
— Sei não se eu quero também.
— Pois eu duvido muito que não queira. — sorri, piscando para ela e Dayse riu.
Durante aquele dia várias vezes me peguei namorando o presente em meu dedo. Ele era lindo demais! E notei que chamava atenção aos olhos dos outros. Nem precisei dizer o que significavam aquelas jóias em meu dedo, pois as pessoas que o viam logo deduziam do que se tratava. E assim, recebi felicitações do meu chefe, dos meus amigos todos e de algumas pessoas com as quais eu falava, mas não era tão próxima assim quanto dos demais.
Naquela noite e pela seguinte, Grissom e eu não nós vimos, porque o Sr.Gostoso ficou passando essas noites todas na casa do pai dele atendendo à um pedido de Lewis. Gil até me chamou uma noite para ir ficar com ele lá, mas recusei alegando que tinha trabalho a fazer em casa. Só que a verdade é que não quis ir mesmo, porque não me sentiria à vontade na casa de seu pai, que nem de mim gostava. Não via muito cabimento ou lógica em ir ficar na casa de um sujeito que não gosta de mim, mesmo este não estando lá.
Apesar de não nos vermos nesses dias, eu e o Sr.Gostoso nos falávamos direto por celular. Gil me ligava no meu intervalo do trabalho e a noite. Sempre eu pedia notícia do estado de saúde do pai dele.
Na sexta-feira meu noivo me ligou contando que seu pai tinha acordado e as sequelas do AVC logo se mostraram: problemas graves de fala e o lado direito todo do corpo de Joseph tinha ficado paralisado, causando revolta no homem.
"Eu não quero ficar assim! Ser um fardo!", Tinham sido as palavras ditas por Joseph e que Grissom me contou durante a ligação.
Certamente para alguém ativo e altivo como aquele senhor era, ficar com aqueles problemas não devia ser fácil de aceitar e muito menos, de encarar. Contudo com sessões de fono e fisioterapia esses sequelas poderiam ser minimizadas, segundo o médico informou e Grissom me repassou.
No sábado a tarde eu estava na casa do meu noivo gostosão, que mais cedo havia ligado pedindo que eu fosse passar o fim de semana com ele em sua casa.
— Estava com saudades de você!
Fiquei feliz de ouvir tal declaração enquanto trocávamos um abraço de cumprimento.
— Também estava com saudades.
E como eu estava!
— Acho que se você não viesse, eu iria à sua casa passar o fim de semana por lá.
— E eu ia adorar.
Ele sorriu e me beijou. Antes que tivéssemos chance de nos aprofundar no beijo, ouvimos Helen pigarrear atrás de nós. A empregada avisou que o lanche que nos preparou já estava pronto.
Seguimos à cozinha e durante a refeição Gil me contou sobre a visita que tinha feito pela manhã ao pai no hospital.
— Ele não parece nem sombra do homem que costumava ser, Sara. Parece até que quer morrer. — olhei desolada para o meu amor.
Desde que havia acordado e se dado conta das sequelas que o AVC lhe deixou, o pai de Gil não queria comer e se recusava a tomar as medições. A saída para os médicos foi passar a dar medicamentos intravenoso e a alimentação era feita por sonda. E apesar disso, o estado de Joseph ia se debilitando muito para preocupação dos médicos.
Da melhor forma possível tentei confortar Gil e passar confiança dizendo que o pai dele ia superar isso e sair dessa.
A minha estadia naquele fim de semana com Grissom passou veloz e domingo à noite eu já estava de volta ao meu apê.
Segunda trabalho e trabalho. Durante este dia recebi uma ligação de Owen querendo marcar para sexta o nosso jantar. Acertei com ele de nos encontrarmos às oito em frente ao Juliette, um restaurante situado no meu bairro, que eu mesma sugeri e Owen aceitou sem pestanejar. Já com o horário e local combinado, nos despedimos e finalizamos a ligação.
Eu estava louca de curiosidade para saber o que Owen queria falar comigo. Até tentei arrancar algo dele durante a ligação, mas meu amigo foi bem taxativo ao dizer que só falaria durante o jantar.
Paciência!
À noite durante uma ligação contei logo à Grissom sobre o jantar com Owen na sexta. Obviamente, meu noivo detestou isso e deixou mais que claro sua insatisfação e ciúmes quanto a tal situação. Mas com muito tato e argumentos consegui domar a 'fera ciumenta'.
Ainda ficamos na linha conversando sobre seu pai e outras coisas mais, até que o sono começou a bater para mim e Grissom percebeu. Nos despedimos e desligamos.
****
Não sei que horas eram quando o celular tocou naquela madrugada e me despertou de sonhos tão lindos com meu noivo. Sonolenta apanhei o aparelho e quando vi o número de Gil piscando na tela, a sonolência deu lugar a preocupação na hora.
— Oi, amor! — atendi já com o coração acelerado e uma sensação estranha, que só aumentou diante do silêncio do outro lado da linha. — Gil?!
— Meu pai acabou de falecer, Sara!
Aquelas suas palavras foram um soco na boca do estômago.
— Onde você está? — foi a única coisa que consegui pensar em questionar.
— Estamos todos ainda no hospital.
A voz dele não continha qualquer emoção. Mais parecia um robô programado repetindo seco e áspero as palavras.
— Eu estou indo aí, amor.
Assim que finalizei a chamada pulei da cama e num tempo recorde já estava pronta. Fui ao quarto de Dayse avisá-la do que houve e também pedir seu carro emprestado para que com ele, eu chegasse mais rápido ao hospital.
— Dayse! — chamei e por sorte já no primeiro chamado minha amiga acordou.
— Sara já está na hora de irmos? Meu Deus! O celular não despertou. Cacete!
— Ei calma! — a tranquilizei quando ela já ia se levantar toda atordoada da cama. — Não está na hora de ir para à editora. Até porque ainda são duas da madrugada.
— Então onde você vai toda pronta à essa hora?
— O pai do Gil faleceu. Ele acabou de me ligar contando.
— Santo Deus!
— Estou indo lá para o hospital ficar com o Grissom. Pode me emprestar seu carro?
— Claro! A chave tá na minha bolsa. — ela apontou o objeto pendurado num gancho atrás da porta. — Pode me dar dez minutos para me arrumar e ir com você? Acho que não vou conseguir ficar sozinha no apê.
Olhei para minha amiga e assenti. Ela saiu da cama feito um raio e se aprontou mais rápido que eu, batendo meu recorde. Logo nós já saíamos do apê e apanhávamos o elevador para o estacionamento.
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