One Night - Livro 1

67 Capítulo LXVII


Notas iniciais
Olá, meninas! Não vou nenê desculpar por mais um atraso na atualização, porque se torna repetitivo e chato isso. Mas saibam que tenho feito todo possível pra tentar ser mais frequente aqui, no entanto não tem dado, só que a gente vai levando como a situação deixa né? Então pelos comentários de vocês referente ao capítulo anterior, eu vi certa unanimidade a respeito das "bocas malditas" que envenenaram a cabeça do pai do nosso Sr. Gostoso com relação a Sara. Pois bem, vocês estão certas em parte nisso. Só que vale lembrar que existe mais alguém aí a qual vocês sequer mencionaram, e que pode muito bem fazer parte dessa lista. Esse alguém por sinal também não gosta da Sara e o principal, tem certa proximidade com a família Grissom. E não estou falando da Matilde, hein! Pensem aí em quem pode ser. Agora vamos a leitura do capítulo.

— Sara!!

Assustando-me com o tom mais elevado com o qual Brooke chamou por meu nome, eu prontamente "despertei" do transe pensativo em que me encontrava e me deparei com o meu chefe postado diante da mesa em que eu estava trabalhando. Algo me diz que aquela não era a segunda e muito menos a terceira vez que ele já me chamava.

— Oi, Brooke! Desculpa a distração. Quer alguma coisa?

Com certa desconfiança ele ficou me fitando por um breve instante antes de por fim me responder:

— Aconteceu alguma coisa, Sara? Você me parece preocupada ao invés de distraída. Está tudo bem?

Exalei o ar pela boca de maneira alta e me deixei recostar na cadeira giratória. Realmente eu estava preocupada. Enquanto não falasse com Gil e soubesse como tinha sido as conversas dele com o pai e o idiota do Bryan, eu não ficaria bem. Pelo contrário, seguiria preocupada e também apreensiva, agoniada e nervosa. Muito nervosa!

Meu corpo podia estar ali na editora, mas a minha mente se encontrava há léguas de distância dali, tanto que me concentrar e focar a atenção no meu serviço estava sendo tarefa difícil. Só conseguia pensar no Gil e as suas duas conversas, principalmente a que ele teria com seu pai. Esta por sinal era a que mais me preocupava das duas conversas.

Aquele senhor Joseph tinha toda cara de que não ia me aceitar, muito menos meu relacionamento com o filho dele. Isso em parte me afligia, pois acabaria acarretando um desentendimento entre pai e filho, e como já falei para o Gil não quero ser a causadora de rusgas entre ele e o pai. Longe disso! Mas tenho a sensação de que no fim das contas será isso mesmo que acabará acontecendo.

— Sara!

— Foi mal. — pronunciei, voltando a realidade a qual havia novamente saído por um breve instante após a pergunta que Brooke tinha me lançado segundos atrás.

— Você não me parece bem. Quer ir pra casa?

Ele demonstrava em sua expressão uma preocupação com o meu estado. Mas tratei de tranquilizá-lo prontamente.

— Não, não, Brooke. Eu tô bem. São apenas algumas questões pessoais que estão me distraindo um pouco, mas vou tentar não deixar mais que elas interfiram no trabalho.

Não havia necessidade de eu ir para casa. Até porque se eu fosse para lá ia pirar mais ainda de tanta ansiedade e nervoso. Aqui no trabalho eu poderia encontrar uma mísera distração que fosse, já em casa eu não poderia assegurar. Desse modo era melhor ficar onde eu estava mesmo.

— Tem certeza de que não quer ir pra casa?

— Absoluta. — respondi com convicção. — Como eu disse são apenas questões pessoais que daqui por diante tentarei ignorar pra não me atrapalharem mais aqui no trabalho.

— E essas "questões" tem algo a ver com algum parente seu? Aconteceu alguma coisa com alguém?

— Não aconteceu nada com ninguém. Esta tudo bem com a minha família. São outras questões particulares.

Eu não me sentia confortável em contar à ele sobre minha real preocupação, ainda mais, ali no nosso local de trabalho.

— Está bem então. Qualquer coisa que precisar, sabe que pode contar comigo pra desabafar, não sabe? — assenti positivamente. — Sou seu chefe, mas também um amigo que pode contar quando for preciso, Sara.

Esbocei um sorriso de agradecimento.

— Eu sei, Brooke. E agradeço sua preocupação.

Ele era uma pessoa incrível, além de um chefe muito compreensível. Dei muita sorte de vir trabalhar com ele.

— Mas vai ficar tudo bem.

— Se você diz, acredito!... Agora, mudando de assunto... Vou precisar sair pra me encontrar com May Foley para acertar os últimos detalhes do pré lançamento do livro dela. Era pra ela vir aqui, mas houve um imprevisto e nossa célebre autora me pediu pra ir até a casa dela. Voltarei só depois do almoço, pois assim que sair do encontro com May irei ao aeroporto buscar a Nancy. Te falei que ela vem me visitar?

— Falou.

A relação do meu chefe com a amiga do Owen estava progredindo e ganhando rápido ares de coisa séria. Ele havia me confidenciado em uma recente conversa, que todo esse tempo vinha mantendo contato com Nancy e que muito em breve ela viria para lhe fazer uma visita. E pelo visto ela vem mesmo! Confesso, fiquei um tanto surpresa quando soube que eles seguiam se falando, pois achava que aquela relação não tivesse continuado depois que retornamos de Chicago. Só que Brooke me garantiu que não somente continuou como também, eles vinham "estreitando os laços" (da maneira que a distância deixava) naquela relação deles.

— Esse negócio tá ficando sério né?

— É. Já vou até apresentá-la a dona Chloe num jantar hoje a noite.

— Ih, então tá ficando sério mesmo.

Ele apenas sorriu largamente.

— Vou indo. Qualquer ligação pra mim, você anota o recado e diz que assim que eu retornar dos meus compromissos fora da editora, ligarei de volta.

— Pode deixar comigo.

— Tchau, tchau, Sara. — ele acenou já afastando-se da minha mesa.

Eu lhe retribui o gesto de despedida.

Sozinha após Brooke sumir ao pegar o elevador no fim do corredor, eu suspirei angustiada ao me pegar pensando em Gil novamente. Ainda faltava tantas horas para chegar a noite e assim eu vê-lo e saber como foram suas conversas.

Seria um longo dia até dar o meu horário de ir embora do trabalho!

Longe (muito longe) dali...

Grissom não vai fazer besteira lá, irmão.

— Eu vou fazer o quê tenho que fazer. — pelo viva-voz do carro respondi com irritação ao Lewis, com quem vinha falando há poucos minutos enquanto dirigia para o escritório de Bryan. Lewis não gostou nada de saber que eu estava indo agora ver meu amigo para tomar satisfações com ele por ficar dando em cima de Sara. — Esse filho da puta que se diz meu amigo, teve um caso com Maryane pelas minhas costas, o que eu tô pouco me importando. Mas ele vem assediando a Sara longe das minhas vistas e isso não vou engolir. Não vai ficar assim, Lewis. Vou colocar o Bryan no devido lugar dele.

Achei que Bryan fosse realmente um amigo, mas diante do que soube por Sara, eu vejo que ele não é isso, pois se fosse não daria em cima dela.

Agora, entendo bem a razão daquelas benditas flores que ele mandou a ela e que nunca tive oportunidade de questioná-lo. Aquele filho da puta mandou flores com segundas intenções, quiçá terceiras. Você me paga... Bryan Simons!

Gil, me ouve, você não devia estar indo falar com Bryan depois do forte bate-boca que teve com nosso pai.

Lewis soube do que houve entre eu e nosso pai através de Matilde, que lhe ligou (já que meu irmão havia ido para o trabalho quando fui falar com Joseph), pouco tempo depois que deixei a mansão. No mesmo instante em que soube da nossa discussão, meu irmão me ligou. Ele me disse desaprovar veemente a reação do nosso pai em relação ao meu relacionamento com Sara e repudiou a chantagem do coroa, classificando-a como um golpe de extrema baixeza do nosso pai. Concordei com ele. E, agora, Lewis está tentando me convencer a não ir tomar satisfações com Bryan. Mas ele não vai conseguir isso. Estou decidido a ir falar com aquele canalha a quem considerava um amigo.

Você está alterado e sei no que isso vai dar, Gil. Merda pura!

— Me erra, Lewis. Não enche o saco. — me exaltei já. O falatório do meu irmão estava me aborrecendo mais ainda.

Pode ser grosseiro como quiser, que isso não vai mudar o fato de que eu estou preocupado com você indo falar com esse seu amigo...

— Ex amigo, Lewis. — fiz questão de lhe corrigir no termo. Bryan não era mais considerado por mim como um amigo.

Que seja! Deixa isso pra depois.

— Nem pensar!

Gil...

— Lewis entendo sua preocupação. — interrompi a fala do meu irmão. Já deu Lewis! Mas depois nós continuámos esse papo. Acabei de estacionar em frente ao escritório do Bryan. Adeus.

Menti e encerrei a ligação na cara do meu irmão não lhe dando tempo de sequer pensar em dizer-me algo. Infelizmente ainda faltava e bem para chegar no escritório de Bryan, porém eu não estava mais aguentando ficar ouvindo o sermão do Lewis. Se aquela sua ligação e o seu falatório ainda prosseguissem por mais uns minutos que fossem, era capaz de eu mandar o meu irmão para longe tamanha já era a minha irritação com aquilo. Ele não ia ficar me dizendo o que eu tinha que fazer. Compreendo sua preocupação, mas já sou bem crescido para arcar com as consequências dos meus atos. Em hipótese alguma ia deixar para depois meu acerto de contas com o meu "amigo". Bryan ia se arrepender amargamente por suas atitudes, principalmente por dar em cima de Sara. Ah, se ele ia!

Minha "viagem" até o escritório de advocacia de Bryan seguiu por longos minutos. A cada quilômetro que eu me aproximava mais do meu destino final, mais raiva me dava de Bryan. E a raiva triplicava quando eu recordava que Sara me disse que o meu "amigo" não só deu em cima dela lá em casa, como também, nas demais oportunidades em que se viram (as quais nem me dei ao trabalho de questionar Sara na ocasião). Infeliz!

Durante anos tratei aquele cara como um irmão e ajudei em diversas oportunidades, principalmente no que diz respeito a crescer na carreira dele. Se aquele fodido tem o que têm hoje em dia é tudo graças a mim. Eu quem lhe ajudei a montar seu primeiro escritório anos atrás e há um ano arquei com os gastos da reforma do novo escritório que ele comprou. E fui eu também que no começo de sua carreira lhe apresentei os mais importantes clientes que ele tem até hoje. E é assim que o canalha me retribui? Tendo um caso com a noiva que eu tinha e pior, assediando a mulher que eu amo.

— Vai te sair bem cara as suas "gracinhas", Bryan.

Passava fácil das dez, o sol imperava no céu, quando estacionei meu carro do outro lado da rua onde ficava o prédio do escritório de advocacia. Desligando o motor do carro, tirei o cinto de segurança e já saí do veículo. Uma ajeitada no palitó azul e na gravata listrada em vermelho e branco, após bater a porta do carro, e eu acionei o alarme do veículo apertando um botão no chaveiro. Feito isso me dirigi para atravessar a rua. O sentimento de raiva cada vez mais aumentava e me dominava. Com passos apressados caminhei em direção a entrada do local de trabalho daquele infeliz.

Já dentro do edifício, fui passando reto até o elevador. Pelo caminho recebi alguns acenos e até palavras de cumprimentos de uns funcionários e conhecidos de Bryan. O pessoal ali já me conhecia por eu já ter vindo aqui com certa frequência ver o meu "amigo" ao longo desses poucos meses que retornei da Alemanha. Porém não me dê o trabalho de responder a ninguém que acenou ou falou comigo. Não estava com cabeça pra ser educado com ninguém.

Apanhei o elevador e dei ao acessorista o número do andar correspondente. Quando cheguei lá após duas paradas em outros andares para algumas pessoas subirem e outras descerem, o que aumentou a minha impaciência diga-se de passagem, eu enfim pude sair do elevador sem me despedir ou agradecer ao acessorista e segui poucos passos até a recepção.

— Bom dia, senhor Grissom. — educada Alana, a secretária de Bryan me cumprimentou com um sorriso de orelha à orelha.

— Quero falar com o infeliz do seu patrão. — lancei os bons modos para longe e nem me preocupei em cumprimentar a mulher uniformizada do outro lado da mesa. — Ele está no escritório dele?

Pela expressão chocada que a secretária deixou escapar, intuí que meu comportamento grosseiro a surpreendeu negativamente. Dane-se!

— Es-es-tá sim, senhor. Eu vou...

— Não precisa avisar nada. — lhe dei as costas e já fui pegando o rumo do corredor que levava aonde ficava a sala de Bryan.

Foram poucos passos, pois caminhei tão apressadamente que o corredor pareceu ter encurtado rapidamente. E logo eu já estava com a mão na maçaneta da porta abrindo a mesma para encontrar Bryan atrás de sua mesa falando ao telefone. Ao me ver, o sujeito sorriu e gesticulou com a mão que eu entrasse. Até se ele não autorizasse, eu entraria na porra daquela sala.

Passei a chave na porta para não sermos interrompidos por alguém ninguém. Então caminhei em direção a sua mesa e parei bem diante do sujeito que outrora considerava como um irmão.

— Senhor Johnson lhe asseguro que essa causa já está ganha. Não tem com o que se preocupar. — ele falava ao telefone rindo e gesticulando para mim com a mão para que eu esperasse só um instante. Mesmo sem um pingo de paciência já, eu espero só mais uns poucos instantes até que Bryan se despediu do sujeito e encerrou a ligação. — Gil, meu amigo! Não esperava uma visita sua.

Ele se levantou de sua cadeira e dando a volta em sua mesa, veio todo cheio de sorrisos falsos para me cumprimentar com um abraço. Aquilo me irritou tanto quanto sua cara de pau em me chamar de amigo.

Foi o estopim para mim!

E assim que Bryan chegou suficientemente perto de mim, eu deixei a raiva que já me consumia por dentro falar mais alto que tudo e acertei um soco bem dado no queixo de Bryan, que fez com que ele fosse acabando-se para cima de sua mesa derrubando alguns papéis e objetos de cima do móvel.

— Mas o que é isso? — com a mão no queixo Bryan me encarou atônito.

De volta a editora New Publication...

— Sara que agonia é essa? Ele não disse que ia lá em casa te contar tudo?

— Disse, Dayse. Mas...

— Sem "mas"... Larga esse telefone.

Bufei e depositei o aparelho de volta ao seu devido lugar, sobre a minha mesa como Dayse "pediu".

— Eu quero falar com ele.

Na verdade eu precisava. Já tinha tentado me distrair com o trabalho e até consegui por um curto período. Mas logo uma incômoda angústia me trouxe a preocupação e necessidade de saber se Gil já tinha ao menos falado com o pai dele e como tinha sido esse papo. Então liguei para Dayse e pedi que ela viesse rápido aqui comigo para lhe partilhar a minha angústia, porque essa já estava demais.

— Você vai falar a noite quando ele for lá em casa. Além do mais, já te passou pela cabeça que nesse momento ele pode estar falando com um dos dois homens?

Era bem provável isso e certamente minha ligação atrapalharia.

— Acabou de passar agora. Só que eu quero tanto falar com ele. Estou com um péssimo pressentimento que as coisas não terminarão bem, Dayse.

— Relaxa que vai dar tudo certo. O que acha que ele fará? Baterá no próprio pai e no Bryan?

— No pai não creio. Já no Bryan... Acho bem provável que sim, pois Gil ficou puto de raiva quando contei que o amigo dele fica dando em cima de mim nas ocasiões em que nós encontramos longe das vistas dele.

— Que homem não ficaria puto? Vai ser bem feito pra esse Bryan se ele apanhar. Ainda vou dar os parabéns ao Grissom pelo feito. — Dayse ria, jogando minha caneta para cima.

— Isso não tem graça alguma. — olhei feio para minha amiga. — Esse cara é advogado. E se ele cisma de encrencar o Grissom mesmo eles sendo amigos de anos?

— Duvido muito que ele consiga meter o Sr.Gostoso numa fria. Grissom tem mais reputação que esse cara, Sara.

Certamente tem, mas o tal Bryan me pareceu alguém inescrupuloso o suficiente para ferrar até um "amigo" de longa data.

— Só torço para que o Gil lembre da promessa que me fez e não cometa nenhuma besteira, Dayse.

Notas finais
O Grissom tá virado no Jiraya!! E a promessa que fez a Sara, sei não hein, se ele vai lembrar. O acerto de contas vem no próximo. Até lá.