One Night - Livro 1
65 Capítulo LXV
Notas iniciais
Sentada na cama com as costas apoiadas no encosto da mesma, eu pela vigésima vez em pouco tempo, chequei as horas no rádio relógio sobre o móvel ao lado da cama: 22h58min. Havia se passado apenas dois minutos desde a minha última checada nas horas. Aquela espera pela ligação de Gil para me contar sobre como foi a conversa dele com Maryane estava me deixando louca.
"Quanta demora em ligar!"
Daria tudo para estar lá presente nesse papo nada agradável com minha prima. Queria ver só a cara de Maryane quando Grissom pusesse fim no fajuto noivado que eles tinham. Mas desconfio que minha presença lá só ia piorar a situação e a tensão da conversa. Sem contar que outro embate com Maryane não era algo que eu queria por hora. Já basta o que tivemos aqui que foi pura tensão com direito a agressão física de ambas as partes. Desse modo fiquei de fora da conversa dela com Grissom.
Suspirei, tentando supor como estariam as coisas lá na casa de Gil. Só espero que minha insuportável e fingida prima não acabe conseguindo com suas mentiras e invenções, enganar Grissom e fazê-lo acreditar erroneamente que menti a respeito de tudo que lhe contei sobre a sonsa da Maryane, bem como, as ameaças que a mesma me fez inúmeras vezes.
“Não! Gil me ama. Ele deixou claro com todas as palavras que acreditava em mim! Então não há o que temer.”
Além do mais, meu Sr.Gostoso ainda afirmou-me categoricamente que Maryane não ia enrolá-lo com suas possíveis mentiras. E, eu torço para que realmente, ela não consiga enrolá-lo! Porque do contrário, se aquele cretino ousar acreditar em alguma mentira que Maryane inventar a meu respeito e por consequência, duvidar do que eu tenha lhe dito antes dela, juro que não vou querer mais nada com Grissom. Termino com ele e bola para frente.
Como se fosse assim tão fácil Sara Sidle!
— Ai, Grissom liga logo! — resmunguei já irritada.
No que acabo de falar o toque do celular reverbera ao meu lado na cama. Pego com demasiada pressa o aparelho e vejo piscando na tela a nova foto do contato de Gil que troquei recentemente. Agora a foto era uma nossa que tiramos recentemente juntos no barco dele.
Até que enfim!, pensei ao ver sua ligação.
No segundo toque da chamada eu já a atendia.
— Oi, Gil!
— Oi, meu amor!
Nunca cansarei de repetir que toda vez que ele me chama desse jeito tão carinhoso e lindo meu coração dá uma cambalhota de alegria e felicidade. É sempre bom ouvi-lo me chamar de seu amor. Porque eu era isso e ele era o mesmo para mim: MEU amor... MEU cretino... MEU Sr.Gostoso! E seria só meu e de mais ninguém!
— Como foi com a minha prima?
Um suspiro longo de sua parte e já deduzi que a conversa não deve ter sido nada boa. E como é que seria, né?
— Não foi muito agradável, mas também foi até mais fácil do que pensei que seria.
— Sério?
Ele assentiu.
Me surpreendeu essa última parte de sua fala. Esperava ouvir tudo menos que foi fácil, considerando o gênio da minha prima.
Gil então começou a me detalhar do começo ao fim toda a sua conversa com Maryane. Fiquei ouvindo calada. Novamente me surpreendi com outras partes de seu relato, porém em outras — mais precisamente as mentiras que Gil contou que Maryane inventou a meu respeito — nem cheguei a me surpreender. Já desconfiava que algo assim pudesse vir a acontecer mesmo. Não seria novidade minha prima me detonar. Novidade seria o contrário.
— Você acha que a ameaça que fez a Maryane é o bastante pra que ela não se atreva a contar aos meus pais sobre nós dois, Gil?
Para mim isso não ia adiantar nada, pois se antes ela já queria contar, creio que agora depois de eu ter contado ao Gil sobre suas ameaças e seu caso com Bryan, e dele ter rompido o noivado deles por minha causa, a vontade de Maryane em abrir a boca para os meus pais e me detonar à eles só dever ter aumentado e muito. Ameaça alguma acho que será capaz de inibi-la quanto a isso. Mas não custa nada se agarrar a esperança de que ela não diga nada em virtude do que Gil lhe disse.
— Acho que sua prima vai pensar bem e não irá arriscar perder a bolada que havia combinado lhe dar antes, contando o que não é da conta dela.
Tomara que ele esteja certo. Se bem que não estou muito segura disto.
— Mas caso ela ouse abrir a boca e conte sobre nós, não hesitarei em cumprir religiosamente o que disse que faria.
— Tirar o filho dela?
— Sim. A criança legalmente será minha também, já que assumirei sua paternidade. Então terei todo o direito de requer sua guarda pra mim quando ela ou ele nascer.
— E quem vai cuidar dela? — a pergunta saiu sem que eu mesma pudesse contê-la dentro da boca.
— Nós, Sara. Até lá já estaremos casados e você vai ser a mãe dele ou dela.
— Eu??? — balbuciei quase incrédula com aquela informação.
Era só o que me faltava.
— Sim. Qual é problema? A criança, de qualquer forma, será seu parente, Sara. Ou vai querer negar esse vínculo só porque o bebê é filho de Maryane? Já disse a você que essa criança não tem culpa dos pais que tem.
Aquele seu sermão fez com que eu me arrependes de ter lhe questionado sobre isso. Maldita boca grande!
— Eu sei disso Grissom.
— Então qual é o problema em ser a mãe adotiva do seu sobrinho?
O problema estava no fato de que eu ainda não quero ser mãe nem do meu próprio filho, quanto mais do filho da minha prima sonsa. Agora como vou explicar isso ao Grissom é que não sei.
— Sara... Estou esperando a sua resposta.
— Eu não sei se serei uma boa mãe. — inventei. Mas a verdade é que eu precisava ser honesta com ele sobre essa situação logo. Não podia ficar omitindo o fato de ainda não querer um filho entre nós. E tinha certeza que contar-lhe isso ia acabar magoando-o, pois agora ele parecia querer mais ainda ser pai.
— Querida, eu tenho quase certeza de que será uma mãe melhor que sua prima. Ela não me parece levar jeito pra tal papel.
E muito menos eu!
Vou torcer para, quem sabe, o tempo mudar esse meu pensamento. Espero que sim, para o bem do meu relacionamento com Gil.
— Amanhã mesmo pretende falar com o seu pai? — mudei o rumo do nosso papo.
A linha ficou em silêncio por alguns segundos. Acho que Gil estranhou a mudança brusca no assunto, entretanto, não mencionou nada a respeito. E, por fim, ele me respondeu:
— Com ele e Bryan também. E estas serão duas conversas muito mais tensas e difíceis do que foi a de hoje com Maryane.
Disso eu não tinha a menor dúvida. E, certamente, a conversa com o pai de Gil tinha toda cara de ser a mais tensa das duas.
— E se o seu pai não aceitar nosso relacionamento, Gil?
Isso era algo que eu tinha como o mais provável de suceder dada a forma nada amistosa com a qual aquele senhor me tratou e se portou comigo no nosso primeiro encontro na festa do Lewis. O pai de Gil não gostou de mim e para ser honesta, eu também não gostei nenhum pouco dele por conta de seu comportamento grosseiro comigo.
— Não preciso da aprovação dele, querida. Só vou comunicá-lo da minha decisão por consideração. Um consideração que diga-se de passagem, ele nem merece.
— Não quero ser motivo de discórdia entre você e ele.
Deus me livre uma situação dessas. Ia me sentir muito mau caso pai e filho brigassem feio por conta de mim e do relacionamento que tenho com Gil.
— Não se preocupe com isso. Esta não seria a primeira e acho que nem será a última em que meu pai e eu discordamos de algo. Nossa relação nunca foi lá das melhores por causa do jeito autoritário do velho Joseph, Sara. Ele é um sujeito difícil de se lidar em todos os aspectos. Por isso sempre batemos de frente e nos desentendemos diversas vezes por N motivos. E a coisa ficou pior depois da morte da minha mãe.
Fico pensando se as coisas não ficarão piores ainda quando ele contar ao pai sobre nós.
— Mesmo assim, Gil. Ele já não gostou nada de mim e eu ainda posso ser o motivo de briga de vocês, quando contar a ele sobre nós. Aí, mesmo que ele vai me detestar de vez.
— Ei! Já disse pra não se preocupar com isso. Quem tem que gostar de você sou eu. E eu já gosto! Ou melhor, eu te amo, garota!
Sorri agraciada com sua declaração de amor. Esse homem só faz com que eu me apaixone mais e mais por ele desse jeito.
— Eu também te amo, meu cretino gostoso.
Sua gargalhada alta e contagiante do outro lado da linha me arrancou um sorriso divertido.
— Sério que ainda me considera um cretino?
— Pra falar a verdade não te considero mais. Só que o apelido pegou e não consigo mais me desfazer dele. — aleguei e ouvi novas risadas de Gil.
— Está bem. Aceito esse apelido que imagino ser carinhoso, não?
— Sim! — concordei, rindo.
Apesar de no começo ter sido algo puramente de brincadeira, esse apelido acabou se tornando de fato uma forma carinhosa pela qual eu aprecio chamar Gil.
— Agora preciso desligar e dormir, meu amor. Amanhã o dia vai ser longo e tenso. Quero estar bem descansado para os embates com meu pai e Bryan.
"Embates" essa palavra me soa tão desconfortável e preocupante. Por mim Gil nem precisava procurar Bryan para falar nada, mas ele já disse que faz questão disso, então não vou falar mais nada a esse respeito. Só fico preocupada com o rumo desse encontro com o "amigo" dele. Conhecendo Gil como eu já conhecia um pouco, o papo com Bryan tinha tudo para não terminar bem e eu temo pelo meu Sr.Gostoso.
Mas se ele queria mesmo ir falar com Bryan e parecia irredutível quanto a sua decisão, eu não podia fazer nada.
— Só espero que cumpra a promessa que me fez. — lembrei-o.
— Cumprirei.
Torceria para ele cumprir mesmo e que nada de ruim lhe aconteça nessa conversa ou posteriormente.
— Você me liga contando como foram essas duas conversas?
— Faço melhor. Amanhã a noite, eu vou amanhã aí na sua casa pra te contar pessoalmente, o que acha?
— Acho muito bom. Você vai dormir aqui? — não consegui conter minha excitação ao questionar.
— É a minha intenção também.
Sorri, aprovando sua resposta. Assim como ele já me confessou que já se acostumou a dormir em minha companhia, eu posso afirmar o mesmo com relação a ele. Dormir com Gil tem se tornado mais e mais uma necessidade para mim. Desde que nos reconciliados, eu não consigo dormir bem sem aquela gostosura de homem do meu lado na cama.
— Então te espero amanhã a noite aqui.
— Pode esperar que estarei aí.
A gente se despediu e a ligação foi encerrada.
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