Notas iniciais
Olá, meninas! Enfim esse capítulo saiu. Ele me deu tanta dor de cabeça pra sair. Escrevi e depois deletei-o todo algumas vezes por não achá-lo bom. Sofro de perfeccionismo até os ossos, portanto você podem creditar isso a essa demora toda. Mas consegui concluir isso hoje nessa madrugada em que perdi o sono por completo. Como notaram o capítulo tá ENORME. Não era a minha intenção sair tudo isso, mas... Espero que gostem.

— Não vejo a hora de chegar em casa. — prendi o cinto de segurança enquanto Dayse já dava a partida no carro. — Vou ligar para o Gil e avisar que já tô saindo do trabalho.

— Meu Deus! Mas você está que não se aguenta de falar logo com esse homem, né?

Dayse balançava a cabeça e ria.

— É que estou preocupada tá!

— Sei... Curiosidade agora se chama preocupação, dona Sara.

— Vou te ignorar até chegarmos em casa. — retruquei já discando o número de Gil. Para minha inteira frustração o número sequer chamou e já deu logo desligado. Só por garantia ainda tentei mais duas vezes e o resultado foi o mesmo.

Droga!

Como não queria deixar qualquer recado, então, encerrei a chamada da última tentativa feita.

— Desligado. Isso é estranho. — guardei o celular na bolsa em meu colo. — Porque o Gil não é de ficar com o celular desligado. — dificilmente ele desligava o aparelho.

— Achei que tinha dito que ia me ignorar até chegarmos em casa.

Virei o rosto para olhar Dayse e a encontrei apertando os lábios num clara tentativa inútil de não deixar escapar uma risada.

— Eu falei de brincadeira. Até parece que não me conhece, Dayse.

Ela caiu na risada e eu esbocei um sorriso.

— Sara desencana. Deve ter dado desligado, porque simplesmente... descarregou.

— Não estou com um bom pressentimento, Dayse.

— Para de bobagem, Sara. Nem deve ter acontecido nada e você está se preocupando a toa, amiga.

Estou torcendo para ela estar certa mesmo.

****

No visor do celular já marcava quase dez da noite, e nada do Grissom dar sinal de vida. Eu já estava realmente preocupada com aquilo. Aquele celular dando seguidamente desligado não me passava boa coisa.

Depois da tentativa no carro, eu fiz mais quatro ao chegar em casa, dando um considerável espaço de tempo entre uma chamada e outra. Contudo o resultado disso foi o mesmo: Desligado!

— Dayse acho que deve ter acontecido alguma coisa! — larguei o celular sobre a mesinha de centro da sala. Aquilo não era normal para mim.

— Por que não telefona então para o Lewis pra saber se aconteceu algo? — sugeriu a minha amiga antes de levar a boca a última colherada do pudim que havíamos comprado juntamente com o jantar, quando estávamos à caminho de casa.

Claro o Lewis! Mais que grande tapada eu sou!

Como não lembrei logo de ligar para o irmão do Gil?

Lewis certamente deveria saber de alguma coisa caso tivesse acontecido.

Da mesa apanhei de volta o celular e ao mesmo tempo escuto a campainha tocar. Não foi difícil imaginar que devia ser o Gil, pois ele era a única pessoa esperada ali.

— Acho que deve ser ele.

Num pulo saí do sofá e corri para atender a porta. Ao abri-la deparei-me com o responsável pela minha preocupação. Ele se encontrava escorado ao batente, com o blazer do seu palitó jogado sobre um dos ombros, o nó da sua gravata estava frouxo e as mangas de sua camisa social verde erguidas até a altura dos antebraços. Gil ainda exibia uma expressão cansada e abatida. Sendo bem sincera, ele mais parecia a visão de quem tinha sido acometido por um vendaval. E vê-lo assim me deixou apreensiva e preocupada.

— Oi! Aconteceu alguma coisa?

Ele deixou escapar um suspiro e desencostou-se do batente.

— Aconteceram muitas coisas hoje, Sara. — me dando um rápido beijo no rosto, Gil entrou no apartamento. Seu tom sério já me deixou mais em alerta. Fechei a porta enquanto ouvia o Sr.Gostoso cumprimentar Dayse.

— A Sara já estava agoniada que você não dava sinal de vida.

Dayse e sua boca grande.

Gil me lançou um olhar curioso e eu expliquei:

— Te liguei umas quatro vezes agora noite e seu celular só deu desligado. — me aproximei dele até parar bem a sua frente. — Inclusive mandei mensagens, mas também não me respondeu. Aí, fiquei preocupada com você.

— Que estranho isso!

Gil resmungou e franziu a testa enquanto já enfiava a mão no bolso da calça de linho. Dele, puxou o celular e me mostrou o aparelho perfeitamente... ligado. Mas com meu olhar apurado, reparei no canto superior da tela, que o celular se encontrava no modo avião e comentei com ele isso.

— Modo avião? Mas eu não pus essa merda nisso. — estampando uma zanga — que considerei não ser comigo — Grissom mudou a configuração do aparelho.

— Alguém deve ter posto e por isso, não consegui falar com você.

Ainda com um semblante zangado e sério, aquela gostosura de homem — mesmo zangado ele não deixa de ficar gostoso — ficou, encarando a tela do celular onde começava a cair as mensagens que informavam sobre as minhas ligações e os meus SMS'S.

— Me desculpe por preocupá-la, Sara. — seu semblante deu uma abrandada, perdendo um pouco da seriedade e zanga de outrora. — Não faço ideia de quem possa ter mudado a configuração do celular.

— Tudo bem. O importante é que você está aparentemente bem fisicamente falando. — tentei soar engraçada para arrancar um sorriso dele, mas minha tentativa não deu muito certo. Gil estava muito estranho e sério demais para o meu gosto. Decerto as conversas saíram piores do que ele imaginava e eu supunha que seriam. — Você já jantou? Guardei pra você um pouco do jantar que Dayse e eu compramos no caminho pra casa.

— Obrigado, mas não estou com fome. Será que podemos conversar no seu quarto?

Já imaginando qual fosse o assunto, eu me despedi de Dayse e Grissom fez o mesmo. Na sequência já seguíamos para o quarto.

— Você me parece que teve um dia horrível. — não resisti em comentar enquanto íamos pelo corredor do apê.

— O dia foi bem complicado pra mim hoje.

A julgar pela sua expressão e o fato de eu saber que ele teria duas conversas para lá de tensas com duas pessoas que eram importantes para ele, certamente, o dia deve ter sido complicado mesmo para o meu Sr.Gostoso.

Entramos no meu quarto — Gil na frente e eu logo depois dele — e vi aquele pedaço de mau caminho de homem ir até a cama onde ele largou seu blazer e se sentou a ponta do móvel. Pelo visto vinha bomba aí.

— Você está assim por causa das conversas, né? Elas foram bem piores do que você esperava? — me aproximei dele após trancar a porta do cômodo e me acomodei ao lado de Grissom na cama.

— Foram. E as consequências delas também. — ele revelou após um longo suspiro.

Consequências??? Isso não me soou nada agradável.

— Como assim, Gil? O que foi que aconteceu? Me conta tudo. — entrelaçando meu braço ao dele, apoiei meu queixo em seu ombro e fiquei observando seu rosto de perfil.

— Primeiro que o... Joseph não aceitou a nossa relação.

Levando em consideração o contato nada amistoso que o pai dele e eu tivemos ao nos conhecermos... Eu já esperava por essa não aceitação dele! E acredito que Grissom também no fundo já esperasse pelo mesmo.

— Novidade seria seu pai sendo a favor. Mas e aí?

— Disse a ele que pretendo me casar com você, mas o coroa quer que eu case com a mãe do meu filho.

— Que filho? Essa criança nem é sua! Você disse pra ele isso, não é?

Gil virou o rosto e ficou me encarando. Na sua expressão, eu li que ele não contou nada e isso, de certo modo, me aborreceu.

— Você não disse que o filho não é seu, né Gil?

— Ele é meu sim, pois vou assumi-lo como tal, Sara. Pensei ter deixado claro pra você isso.

É, ele tinha. Só que... Aquilo ainda não me descia, todavia, memo aborrecida com sua omissão, resolvi não discutir com ele sobre isso de novo. A decisão dele já estava mais do que tomada e só me cabia tentar lidar da melhor forma possível com tal decisão (o que estava sendo difícil para mim, mas eu ia ter que conseguir).

— O que mais seu pai falou? — resolvi ignorar seu comentário anterior e foquei em saber de sua conversa com o pai, que era o que realmente importava no momento.

— Ele falou coisas que nem vale a pena repetir.

Sua resposta vaga me atiçou a curiosidade.

— Mas eu quero que repita pra mim essas tais coisas. Quero saber tudo o que falaram.

Grissom desviou o olhar de mim e ficou calado "brincando" com seus próprios dedos. Esperei alguns segundos para ver se aquele homem voltava a se pronunciar e respondia logo o meu questionamento, contudo, Gil não o fez. Ele permaneceu calado. Eu, então, me pronunciei de novo.

— Se não me responder, eu vou amanhã procurar seu pai para saber da boca dele o que esse senhor te falou. — não me fiz de rogada e ameacei na cara dura, já que ele não quebrava o silêncio.

Gil suspirou e coçou o queixo como uma das mãos. Aquele pai dele deve ter dito coisas bem desagradáveis mesmo para o Sr.Gostoso não querer me dizer.

Quando eu ia tornar a insistir por respostas, Grissom se pronunciou, contando-me que envenenaram a cabeça do coroa com mentiras a meu respeito e ele acreditou, por isso não aceita nosso relacionamento.

— Mentiras?? Que mentiras foram essas?

Já estava começando a me dar nos nervoso o fato do Gil não ser claro comigo ao falar. Parecia estar me blindando do pior, mas eu não quero ser blindada. Eu quero é saber a verdade do que foi dito!

— Grissom me responde! — exigi com firmeza, pois ele mais uma vez se mantinha calado.

— Disseram pra ele que você é uma pessoa... falsa, interesseira e oportunista.

Quase caí para trás ao ouvir isso. E ainda um tanto impactada com aquela resposta, eu respirei bem fundo e exalei o ar pela boca, de maneira exasperada.

Por que tenho a impressão que pode ter o dedo da Maryane nessas mentiras a meu respeito?

— Aposto que ele deve achar que estou com você pelo que tem, não é isso?

Não era difícil chegar a essa conclusão se aquela "descrição" pintada a meu respeito levava a isso.

Com os olhos arregalados e expressão surpresa, Grissom me encarou no mesmo instante em que fiz a pergunta. Sem demorar dessa vez em me responder, ele confirmou a resposta e ainda completou, dizendo que seu pai ameaçou deserdá-lo caso insista em casar comigo.

Novamente, eu não precisei de muito para compreender e concluir qual era o propósito do pai dele com aquela ameaça.

— Seu pai acha que com essa atitude eu vou pular fora e te deixar, já que você não vai ter mais patrimônio algum?

Realmente pintaram a minha caveira ao pai do Gil e por isso, esse senhor fez esse péssimo juízo de mim.

— É bem por aí. — Gil baixou a cabeça e encarou o chão. Acredito que ele está envergonhado pelo pai. No lugar dele eu também estaria com um pai desses.

— Seu pai não me conhece. Eu não sou esse tipo de pessoa! — exclamei sem conseguir conter a revolta em minha voz ao me pronunciar.

Ficando de pé, caminhei até a janela do quarto me corroendo de tanta raiva por aquelas mentiras a meu respeito e pelo fato do tal senhor Joseph — que nem ao menos me conhece direito — ter preferido acreditar no que ouviu, sem sequer primeiro certificar-se de que aquilo tudo era uma grande mentira como era. Vai ver para ele era mais fácil acreditar que eu sou dessa forma.

Ouvi os passos de Gil e logo em seguida já o sentia atrás de mim. Ele me abraçou pela cintura e repousou seu queixo em meu ombro direito.

— Eu sei que você não é, querida. Meu pai se deixou levar por mentiras que lhe contaram.

— Aposto que isso tem o dedo da Maryane.

— Ela e mais gente estão por trás dessas calúnias a seu respeito, Sara.

— Mais gente?? — me pus rapidamente de frente para Gil.

— Foi isso que o coroa deixou claro pra mim.

Quer dizer que Maryane não é a única a querer boicotar meu relacionamento com Grissom? Tem mais gente "incomodada" com a nossa relação?

— Ele não deu nomes?

— Não! E se desse, eu iria atrás de cada um pra tirar satisfações por inventarem mentiras a seu respeito.

O fato dele me defender dessa maneira era reconfortante. Gil me amava e pelo jeito era capaz de brigar com todos por mim. Da mesma forma, eu também faria por ele caso fosse preciso.

— Achei que Maryane fosse o nosso único problema... — abraçando Gil pela cintura, encostei meu rosto em seu peito antes de fechar os olhos. — ... Mas pelo visto tem mais gente que é contra nós dois.

Se duvidar a lista dos contras iria aumentar muito em breve. Meus pais, por exemplo, tinham grandes chances de entrar nela.

— Não importa quantos estejam contra... — senti um beijo seu em minha testa. — ... Nós iremos nos manter juntos. Okay?

Assenti positivamente. Mas devo confessar que havia em mim um medinho de que as coisas seguissem outro rumo diferente do mencionado por Gil.

— Meu pai pode tanto me deserdar se quiser, quanto não querer mais papo comigo ou então fazer o diabo a quatro, que eu não estou nem aí pra ele, Sara. Você é que me importa. Está com você é mais importante pra mim que grana ou todo o patrimônio que eu tenho, e até mesmo mais importante que o meu velho, querida.

Céus! Eu devo ter feito algo muito bom nos últimos tempos e não lembro, para merecer um cara como aquele. Ele era bom demais para ser de verdade!

— Você também se tornou tão importante pra mim, quanto acabou de deixar explícito que eu sou pra você. — afirmei após afastar o rosto de seu peito para olhar no fundo de seus olhos cor de mar. — E apesar do seu pai fazer um péssimo juízo a meu respeito, eu me sinto mal por você ter se desentendido com ele.

— Não se sinta assim. — suas mãos seguraram meu rosto bem próximo do seu. — O problema é dele se não quer nos aceitar. Vai perder a chance de fazer parte da família que você e eu vamos construir juntos. — Gil piscou para mim e sorriu. Acabei acompanhado-o num fraco sorriso. Pouco depois, eu já o questionava sobre Bryan. Não queria mais saber de continuar falando do pai dele. Esse assunto já tinha dado para mim.

— A conversa com Bryan foi tão ruim quanto foi com o velho Joseph.

Isso eu já podia vagamente imaginar também.

— Ele também inventou mentiras sobre mim?

— Disse que você se insinuou pra ele lá em casa e nas vezes em que se encontram.

— O quê? — eu fiquei incrédula diante de tal mentira. Como que pode um sujeito mentir assim? — Esse cara é louco! — pela segunda vez ali, eu me revoltava. Que canalha de marca maior esse tal Bryan. — Ele é que fica dando em cima de mim, Gil.

— Eu acredito em você, Sara. — ele se apressou em afirmar enquanto ainda mantinha meu rosto seguro entre suas mãos. — Bryan só deve ter inventado isso pra tentar se safar, porque viu que eu descobri quem ele era. Mas não se preocupe que as mentiras dele não deram em nada.

Era bom saber disso. Se ele por ventura tivesse acreditado na mentira contada por aquele crápula que se intitulava seu amigo, eu colocaria Gil para fora daquele quarto na mesma hora.

— O que mais esse canalha inventou?

— Ele ainda disse que você tinha ido no escritório dele. Mas é claro que isso foi outra mentira dele. Você não foi lá, né Sara? Até porquê o que teria pra fazer indo no escritório do Bryan.

Engoli a seco.

Aquele asqueroso do Bryan contou isso só para me deixar mau com Grissom. Sabe-se lá qual mentira ele deve ter contado para justificar a minha ida lá. Eu precisava dizer a verdade ao Gil.

— Grissom... — fiz uma pausa buscando a melhor forma de contar aquilo. — ...Na verdade, ele não inventou essa parte. Eu realmente... fui lá no escritório... do Bryan. — revelei com cautela.

Notei que tão logo contei isso a expressão de Gil fechou e ele deu dois passos para trás, largando meu rosto e se afastando de mim.

— O que você foi fazer lá, Sara?

Eu lhe expliquei pausadamente que Brooke me pediu para ir ao escritório de um advogado levar para ele uns documentos ao ao sujeito, que estava tratando de um assunto referente a firma da mãe do meu chefe. Afirmei que não sabia que o advogado em questão fosse Bryan e por isso fui de boa lá no escritório do sujeito.

— Só descobri que o tal Simons advogado era o Bryan, quando entrei na sala do sujeito e me deparei com ele.

— E eu posso saber por qual razão não me contou antes que esteve lá?

Boa pergunta! Por que não eu não contei mesmo? Ah, lembrei! Nessa época nós estávamos separados por conta do rolo lá com a tal Heather. E foi isso que contei ao Grissom, que ainda quis saber o motivo de eu não contar então depois quando nós reatamos.

— Eu esqueci, está bem?! Não acredito que vamos brigar por isso? — me indignei, cruzando os braços e balançando a cabeça de um lado para o outro.

— Não vamos. Mas eu só preferia ter conhecimento desse fato por você e não por ele.

— Me desculpe pelo... lapso. — fiz questão de ser bem irônica na maneira de responder.

O tal Bryan não conseguiu envenenar Grissom contando aquilo, mas em compensação, deixou o clima entre nós um pouco estremecido.

— Eu o confrontei sobre o caso dele com Maryane.

Grissom pronunciou após alguns segundos em que ficamos em silêncio, mas não fiz menção alguma de comentar aquilo. Desse modo, Gil seguiu contando que de primeira Bryan quis bancar o desentendido sobre essa história, assim como foi quando lhe contestou sobre andar me assediando. Mas logo depois o tal Bryan viu que não era possível ficar sustentando aquela mentira que estava dizendo, e por fim admitiu tudo e deixou "a máscara dele cair".

— Passei anos achando que conhecia o cara que se dizia meu amigo, e hoje vi que não era bem assim.

— Acho que ele tem inveja de você.

— Talvez. Mas hoje ele teve o que mereceu.

— O que você fez?

— Cobrei a grana que ele me deve, ainda disse que ele não me representa mais legalmente e de quebra... lhe dei uns socos.

— Gil! — por que será que não estou tão surpresa com o fato dele ter batido no outro sujeito? Estava achando um milagre ele ainda não ter mencionado algo assim.

— Ele pediu por isso ao ficar inventando mentiras.

Levei uma das mãos ao queixo enquanto encarava Grissom de maneira incrédula, por conta de sua naturalidade em ter dito aquilo tão calmamente, como se tivesse falando uma banalidade qualquer do dia.

— Você tinha me prometido que não ia fazer nada que te comprometesse. E se esse cara resolve usar isso contra você? — me preocupei, porque era bem capaz daquele intragável de péssimo caráter fazer algo contra Gil mesmo sendo seu "amigo".

— Na verdade ele já usou.

— Como assim? Explica! — pedi me aproximando de Grissom em três passos apenas.

Tomando minha mão entre as suas, o Sr.Gostoso me levou até a cama onde nós sentamos. Só então depois de estarmos acomodados a ponta do móvel, foi que Gil começou a falar.

Disse que após ter dado um segundo soco em Bryan por ele ter mentido, o sujeito lhe ameaçou dizendo que o próximo soco que recebesse, mandaria Gil esfriar a cabeça numa cela de polícia.

— Ele ameaçou mandar te prender?

— Sim. Aí, pouco tempo depois ele tornou a inventar mentiras e lhe acertei um terceiro soco.

— Céus, Grissom! Ele mandou te prender?

— Fez menção de ligar, mas não deixei. E não foi por medo antes que pense isso. Não deixei que ele ligasse, porque ainda não tinha terminado de falar tudo o que queria pra ele. Só quando acabei que mandei que ele ligasse pra polícia e fizesse sua denúncia.

Ele é louco só pode! Como vai instigar o outro a fazer aquilo?

— Me diz que ele não ligou? — foi mais uma súplica esse meu questionamento.

— Não, porque ele é covarde pra isso fazer na minha frente. Esperou que eu lhe desse as costas e saísse de sua sala após ele mesmo mandar isso, e então ligou me denunciando.

— Não acredito nisso! — cobri o rosto com as mãos. Que desgraçado esse Bryan. É um covarde mesmo.

Gil relatou que quando chegava na porta de saída do prédio do escritório de advocacia, foi informado por um segurança que não podia sair e que era para subir novamente a sala de Bryan, pois o mesmo queria lhe dizer algo mais. Curioso por saber qual nova mentira o ex amigo fosse falar, Gil retornou a sala. Já lá o canalha do Simons anunciou que tinha mudado de ideia e lhe denunciado pela agressão sofrida.

— Você foi preso? — eu agora lhe encarava chocada.

— Sim.

Ele contou que quinze minutos após a denúncia de Bryan, dois policiais chegaram no escritório e o conduziram a uma delegacia para prestar esclarecimentos. Sem oferecer resistência alguma, Gil disse que acompanhou os policiais. Bryan foi junto em seu carro. E lá na delegacia foi feita formalmente a denúncia.

— Diante do machucado que Bryan exibia na boca e da minha confirmação de que o agredi. Foi decretada a minha prisão temporária por lesão corporal.

— Eu sabia que esse cara não ia deixar por menos. Você não tinha nada que bater nele e nem confirmar isso.

— Está dizendo que eu devia mentir para a polícia?

— Não, mas...

— Eu arco com as consequências dos meus atos, Sara. Sou muito homem pra isso, ao contrário do babaca do Bryan.

— Não quis dizer isso. Só acho que você podia ter evitado essa situação toda. — ponderei. Ele podia ser menos pavio curto. Olha quem fala! — Mas e aí? Como saiu da cadeia?

— Era pra eu sair mediante fiança. Aí, esperarei umas três horas até o meu novo advogado vir do estado vizinho e conseguir um habeas corpus. Quando ele conseguiu, o infeliz do Bryan retirou a denúncia. Ele me disse depois na saída da delegacia, que só queria me deixar preso por algumas horas para "eu ver que ele não é tão bosta covarde quanto eu o xinguei antes de sair da sua sala".

Eu ainda estava passada, tentando assimilar e digerir tudo aquilo. Quando achei que já tinha ouvido tudo, Gil ainda revelou que depois de falar com Bryan — ou melhor de ouvir o que o babaca lhe disse — foi para casa e lá encontrou seu pai a sua espera. Eles tiveram uma séria discussão pelo o que houve e no calor da briga o Joseph acabou passando mal. A pressão dele subiu horrores e o velho teve que ser levado às pressas para o hospital, onde ficou internado até agora a noite só para observação. Depois foi liberado e agora se encontrava em casa e se recuperando do que houve.

Ao final de tudo aquilo que ouvi, eu só conseguia me sentir a única responsável por toda aquela situação. Foi por minha causa, por conta do relacionamento que Grissom e eu temos que ele discutiu com o pai e ainda corre o risco de ser deserdado pelo mesmo; brigou com Bryan e foi preso por causa dessa briga; tornou a brigar com o pai uma segunda vez e este foi parar no hospital.

O pensamento nada agradável de que talvez estar comigo não seja benéfico ao Sr.Gostoso, passou pela minha cabeça e me vi cogitando a ideia de abrir mão de Grissom para não lhe trazer mais consequências como as de hoje. Só que imaginar-me longe daquele homem fazia meu coração se apertar dentro do peito.

— Ei, que cara é essa? — com o dedo indicador e polegar, Gil segurou meu queixo e ergueu meu rosto para olhá-lo nos olhos.

— Acho que eu sou a culpada de tudo que aconteceu hoje.

— Você não é culpa de nada, Sara. Não diga essa bobagem.

— Não é bobagem, Gil. Olha tudo o que aconteceu por você estar comigo? Essas coisas devem ser alguma espécie de... Sinal!

— Sinal? De quê?

Doía pensar aquilo... Doía ter chego aquela conclusão, mas me pareceu a única resposta para justificar aquilo tudo. Ou talvez, eu quisesse acreditar que aquilo justificasse.

— De quê não devemos ficar juntos!

Notas finais
Bryan não foi capaz de cumprir sua ameaça na frente de Grissom. O covarde esperou o "amigo" sair pra cravar outra punhalada nas costas dele. E esse final. Sara vai começar a ser "assombrada" por dúvidas acerca de sua relação com Grissom. Até o próximo.