One Night - Livro 1
70 Capítulo LXX
Notas iniciais
Podia soar frio e até insensível da minha parte dizer algo daquele tipo, tendo em vista tudo o que Gil disse-me momentos atrás ter feito por nós hoje. Todavia era impossível não ser acometida por tal dúvida e medo àquele respeito.
— Pelo nosso bem... Eu realmente vou fingir que não ouvi essas palavras saindo da sua boca, Sara.
Podia ver uma nuvem sombria agora pairando sobre os olhos coloridos de Gil. Seu semblante havia se fechado completamente e até a sua voz ao ter dito tais palavras, carregavam uma bruta seriedade.
— E se por alguma razão eu estiver certa nisso? — argumentei e vi Gil balançar a cabeça insistentemente em negativa.
— Não, você não está. E não repita mais essa merda que disse nem de brincadeira, Sara.
Suas ríspidas palavras me fizeram arquear uma das sobrancelhas e detestar o modo como ele se dirigiu a mim. Era a segunda vez que Grissom falava daquela maneira mais rude e exasperada comigo ao longo desse tempo em que estávamos juntos, e devo admitir que assim como foi da primeira vez, nesta segunda eu também estava detestando isso.
— Você também não precisa falar dessa forma.
— Como você quer que eu fale diante do que ouvi?
Ele parecia visivelmente aborrecido, diria até irritado bem mais do que quando me relatava os ocorridos com ele naquele dia.
— Não foi nenhum absurdo o que eu falei.
— Pra mim foi! E sabe do que mais? Se estiver dizendo que quer terminar, vai estar só confirmando ao meu pai exatamente o que ele acha de você.
Eu não tinha pensado nisso. Mas também o que aquele senhor pensa ou deixa de pensar a meu respeito, não vai fazer diferença para mim.
— Eu já posso até vê-lo me jogando na cara: "Eu não te disse, Gilbert. Foi só saber que eu te deserdaria pra ela pular fora!". E eu vou me ver obrigado a acreditar nele, Sara. É isso que quer? — seu olhar me fitava fixamente. Eu apenas fiquei calada processando ainda cada palavra que ouvi dele. — Me responde! — ele cobrou.
— Não! — sussurrei muitos segundos depois enquanto agora encarava as minhas mãos.
— Bom saber. Por um momento achei que tudo que fiz hoje por nós dois não tivesse feito sentido, já que você deu a entender agora pouco que está pensando em me dar um belo pé na bunda, né?
Ergui meu olhar para encontrá-lo ainda me fitando com seriedade. MUITA seriedade! Ele parecia tão ofendido com tudo aquilo, que até havia me arrependido de ter cogitado tal coisa que lhe disse, e pior ainda de ter realmente dito aquelas coisas.
Um silêncio perturbador nos envolveu por instantes que pareceram até uma eternidade. Então resolvi tentar explicar-me.
— Eu só disse o que disse ainda pouco, Grissom... — comecei a falar de maneira baixa e comedida. — ...Porque eu não quero prejudicar você como vejo que estou prejudicando.
— Prejudicando? Essa é boa! — um riso irônico lhe escapou. — Você por acaso bebeu ou fumou alguma coisa?
Arregalei os olhos brevemente mortificada com aquela sua fala. Ele é que deve ter bebido ou fumado alguma coisa para me tratar com tamanha grosseria assim.
— Nenhuma coisa e nem outra! — retruquei zangada.
— Então bateu a cabeça em alguma porra de lugar.
— Eu não sou obrigada a ouvir merdas de você. — me irritei de vez. Ele podia estar irritado, mas eu não ia aturar aquele palavreado comigo.
— E eu sou obrigado?... Céus, Sara! — ele deslizou uma das as mãos pelo rosto. — Você não me prejudica! É totalmente o contrário. Não vê?
Pisquei de maneira lenta vendo Grissom desviar o rosto de mim e suspirar exasperadamente.
— Seu pai vai te deserdar e isso vai ser por minha causa. Então eu acho que estou te prejudicando. — lembrei-o como forma de argumentação.
Ele virou o rosto para me olhar novamente.
— Acabei de te dizer ainda pouco que não me importa que meu pai me deserde. E isso não é mentira. Eu estou cagando para o fato de ser deserdado, mais que cacete!
Bem mais irritado foi a vez dele de se levantar da cama e caminhar até a janela, exatamente como eu havia feito momentos atrás. Em silêncio, eu observei-o levar uma de suas mãos a cabeça e desliza-la pelos cabelos até que ela 'estacionou' em sua nuca, enquanto a outra se encontrava enfiada no bolso da calça. Ele havia se aborrecido comigo e com toda a razão.
— Gri...
Eu sequer tive chance de terminar seu nome e ele se virou dizendo que não queria mais continuar falando do assunto que estávamos tratando e nem do que aconteceu hoje.
— Mas... — tentei argumentar, só que ele me interrompeu na hora.
— Eu não quero brigar com você também, Sara. A minha cota de brigas por hoje já deu. Pode ser?
Mesmo ainda querendo dizer-lhe mais coisas, eu desisti disso e achei por bem concordar com ele assentindo de maneira positiva. Assim como ele, eu também não queria brigar. Aquela discussão que tivemos já tinha ido longe até demais. Melhor parar por ali mesmo!
— Eu acho que vou pra casa! Não tem clima pra eu ficar.
Sua voz já não mais soava rude como outrora, agora ela era mais suave.
Ele veio até a cama para apanhar seu palitó e ir embora dali. Só que por mais que eu tenha ficado um tanto ressentida e até irritada — e ainda continuasse assim pela forma grosseira com a qual ele se portou comigo — eu não queria que ele se fosse. Muito pelo contrário! A dependência que eu já sentia dele e da sua companhia eram tão grandes em mim, quanto o amor que eu nutria por aquele homem.
— Não vai. Fica! — pedi após ele ter pegou seu palitó e se inclinado para beijar minha testa em despedida. — Me desculpa pelo que eu disse. Não queria causar essa discussão entre a gente.
Realmente eu estava arrependida daquela merda que eu disse sobre nós. Entretanto, o medo e o pensamento à respeito daquele comentário feito anteriormente, ainda persistia em ficar rondando minha cabeça.
Diante do meu pedido vi Gil suspirar e se agachar na minha frente largando o palitó sobre uma de suas coxas e repousar suas mãos em minhas coxas, para ficar deslizando-as de maneira carinhosa enquanto silenciosamente me encarava com ternura.
— Me desculpa! — pedi novamente, agora segurando seu rosto e me inclinando para frente até juntar minha tesa a sua, depois foi a vez dos nossos lábios se unirem por iniciativa minha.
Ele retribuiu ao beijo e li naquilo sua aceitação ao meu pedido de desculpas.
— Eu não quis irritar você quando disse aquilo a respeito da gente. — falei após nossas bocas se separarem.
— Eu sei. E te desculpo. Também gostaria que me desculpasse por ter falado daquele jeito ríspido e grosseiro com você. — ele pediu, virando o rosto para beijar a palma de uma das minhas mãos que ainda se mantinham em seu rosto. — Mas aquilo que você falou me exaltou e foi impossível me conter. Eu estou lutando por nós contra tudo e todos, inclusive contra as minhas próprias convicções, Sara. — franzi a testa com aquelas suas últimas palavras. — Eu sempre rejeitei isso de apaixonar-me e ter um relacionamento estável; nunca foi minha intenção cair de amores por uma única mulher; muito menos tive desejos de casar e construir uma família com ninguém, você está sendo a primeira e espero ser a única. — um de seus dedos enganchou-se em meus cabelos para colocá-lo atrás da minha orelha.
— Você já me disse algo parecido com isso uma vez.
— Pois é. Aí, quando você me veio com aquelas palavras... Eu saí um pouco de mim. Me desculpe.
Respondi ao seu pedido com um movimento positivo de cabeça enquanto meus dedos polegares deslizavam com suavidade sobre seus lábios macios, que se espicharam num sedutor sorriso. Não resisti e acabei por roubar-lhe outro demorado beijo.
— Você vai ficar? — quis saber após o beijo trocado. Gil ainda não havia respondido aquilo, apenas que me desculpava.
Tombando a cabeça para o lado esquerdo e sorrindo da sua habitual maneira cafajeste que eu adorava, ele confirmou que ficaria.
— Só preciso urgente de um banho pra tirar de mim o cheiro de cadeia e hospital. — a careta que ele fez me arrancou um leve sorriso. Minha raiva e ressentimento com aquele ser gostoso já havia virado fumaça.
— Você sabe aonde fica o banheiro e as toalhas. Vai lá.
— Já volto.
Ele se pôs de pé, jogou o palitó de volta na cama e seguiu poucos passos em direção ao banheiro. No meio do caminho parou e retornou para perto de mim, ficando de joelhos na minha frente.
— O que...
Ele me beijou e nené deixou concluir a pergunta. Achei que seria só um curto beijo, mas logo sua língua já foi exigindo passagem para invadir a minha boca. Concedi sem qualquer objeção enquanto agarrava seu rosto com ambas as mãos, ao mesmo tempo em que sentia as mãos dele apertarem minhas coxas, e depois irem subindo pela lateral do meu corpo até alcançar meus ombros e massageá-los de leve.
Numa breve fração de segundos, eu já tinha o colchão macio em minhas costas e Gil se acomodando sobre mim. Sua boca reivindicou a minha com mais possessividade dessa vez enquanto algo bem duro pressionava minha coxa, me dando a exata ideia de onde íamos parar.
Nosso beijo foi interrompido muitos minutos depois do que julguei ser uma eternidade. Então a boca de Gil foi deslizando para o meu pescoço, me arrepiando inteira.
— Achei que tivesse dito que precisava urgente de um banho. — não resisti em brincar enquanto Gil baixava a alça da minha blusa com a mão direita para seguir com uma trilha úmida de beijos em direção a um dos meus seios.
— Mudei de ideia. — ouvi-o sussurrar ao ter interrompido seus beijos, que já estavam a centímetros de chegar ao meu seio direito. — Agora eu preciso e quero você... Urgentemente. — aquela voz rouca juntamente com o olhar de luxúria que aquele homem me lançou, fez com que eu estremecesse e um calor se acendesse no meio das minhas pernas. — O banho pode esperar.
Dito isso Gil baixou um pouco minha blusa e literalmente "caiu de boca" em meu seio, fazendo-me agarrar seus cabelos com ambas as mãos.
Eu também o queria e precisava dele naquele momento para expulsar da minha mente os "fantasmas" que persistiam em me assombrar quanto a nós.
Doía cogitar aquela ideia de nós dois separados. Nós devemos é ficar juntos, porque nós NOS AMAMOS! E nada parecia mais certo que isso!
A blusa regata que eu usava voo e pousou no chão após Grissom interromper por instante suas carícias em mim com o intuito de me livrar da peça de roupa. Depois foi a vez do short e a calcinha ganharem o mesmo destino da blusa.
Aí, foi a minha vez de ajudar Gil a livrar-se com rapidez de suas próprias roupas. Primeiro a gravata bonita, aí veio a camisa de tecido macio, a calça e por fim a cueca. Eu achei que ele já fosse se unir a mim assim que ficou nú, porém não o fez. Para quem tinha urgência de que eu fosse sua, ele pareceu mudar de ideia já que passou a beijar de maneira demorada e intensa cada pedaço da minha pele, cada centímetro do meu corpo e cada canto meu.
Em determinado momento eu quis retribuir a gentileza fazendo o mesmo nele, mas Grissom não deixou. Parecia empenhado em só me proporcionar o prazer, como se quisesse me provar algo que eu não conseguia identificar bem. E quando eu implorei para que me fizesse logo sua, Grissom assim o fez.
Seus movimentos se iniciaram de maneira lenta e foram ascendendo na intensidade a cada nova investida sua em mim.
— Isso te parece um sinal de que não devemos ficar juntos, Sara? — ale me sussurrou em determinado momento. Sua voz soava rouca e arfante enquanto seguia entrando e saindo de mim cada vez mais rápido.
— Não! — sussurrei ao me agarrar a seus braços e enlaçar seu quadril largo com minhas pernas dando mais condições dele ir ainda mais fundo.
— Pra mim nada parece mais certo do que... nós dois juntos, querida. — com a boca rente ao meu ouvido Gil ia me sussurrando tais palavras. Isso ia me fazendo ser empurrada mais e mais para chegar ao paraíso. A luz do prazer parecia mais perto a cada estocada de Grissom e aquelas palavras dele pareciam só potencializar mais as coisas. — Nunca mais pense o contrário disso, porque não faz qualquer sentido... me ouviu?
Seu golpe ao fim desta pergunta me atingiu o ponto mais sensível arrancando-me um gemido alto e fazendo-me cravar as unhas em suas costas.
— Você me ouviu?
Eu ouvia muito ao fundo sua voz, mas ouvia.
— Ouvi! — respondi, apertando os olhos. O som da minha voz ao respondê-lo, foi um mero sussurro rouco seguido de um gemido carregado de prazer.
— Diga que me ama! Eu preciso ouvir isso de você, Sara.
Uma mordida sua em meu pescoço e eu gemi mais uma vez. Seu rosto se desencostou do meu e por um momento seus movimentos de vaivém cessaram para o meu total desgosto. Abri os olhos e encontrei Gil me encarando a espera de que seu pedido fosse atendido.
— Eu amo você, Gil... Amo... Amo demais! — murmurei ofegante e segurando seu rosto.
Ele sorriu.
— Eu também amo você demais, Sara.
Segurando em seu pescoço eu o puxei de volta para mim e o beijei enquanto ele retomava seu intenso vaivém sobre mim. Não tardou quase nada para que eu chegasse ao meu orgasmo me agarrando a Grissom com todo o resto de força que ainda me restava. Ele chegou segundos depois de mim e procurou minha boca para me brindar com um longo e apaixonado beijo, que fechou bem aquele nosso momento tórrido de amor.
Um silêncio tomou conta do quarto por longos e incontáveis minutos até que Grissom resolveu quebrá-lo ao mencionar que agora precisava do banho que pretendia tomar anteriormente.
— Quer companhia? — propus sorrindo e deslizando a mão por seus cabelos úmidos enquanto sua cabeça repousava sobre meus seios.
— Adoraria!
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