Notas iniciais
Ana, Bruh e Molly meu obrigada pelo comentário no capítulo anterior. E vamos a primeira parte dessa festa que incluí o reencontro de Sara com o Sr. Gostoso e uma conversa entre eles.

Dois dias depois, eu estava diante do espelho em meu quarto, dando uma última conferida no look que usava àquela noite para ir a festa de casamento de Camille.

Ouvi a porta do quarto se abrir e o assovio de Dayse ecoou pelo cômodo.

— Uau!... Assim o Grissom vai aceitar na hora falar com você e a Camille vai morrer de inveja quando te vê lindona desse jeito.

Sorri e me virei para encontrar minha amiga igualmente linda no seu longo perolado estilo toma-que-caía, que compramos ontem no shopping. Seus cabelos estavam soltos e escovados, e ela ainda usava uma maquiagem impecável que destacava seus belos olhos claros.

— Não exagera, Dayse.

Meu longo vestido azul marinho em renda, sem mangas e que possuía um decote generoso na parte de trás das costas, não se igualava ao glamouroso do dela.

— Não estou exagerando nada. Com essa maquiagem e o penteado que fez no salão, você ficou mais deslumbrante ainda nesse vestido que compramos.

Eu havia prendido os cabelos em um coque muito elegante e a maquiagem era forte, mas sem ser vulgar. Usava uns brincos de strass compridos, dispensei cordão ao pescoço; no pulso direito apenas uma fina pulseira de ouro branco e num dos dedos da mesma mão um solitário também em ouro braco.

— Você também está deslumbrante. — elogiei minha amiga que deu uma voltinha.

— Nós vamos arrasar geral nessa festa. Camille vai até se arrepender de ter nos convidado. — Dayse piscou.

Estava pouco me importando com Camille. Para falar a verdade, eu até estava agradecida àquela vaca pelo convite, pois seria através dele que eu teria a oportunidade de ver Grissom e tentar falar com ele.

— Vamos? — chamei Dayse após apanhar de cima da cama minha prateada bolsa/carteira.

— Agora!

***

Levamos menos tempo que o habitual para chegar ao local da festa, o que agradeci porque estava numa ansiedade louca para ver Grissom logo.

E assim que Dayse estacionou seu Nissan Rouge em frente ao Soho Grand Hotel, na 310 W Broadway, Nova York, meu coração deu aquela aceleradinha pela expectativa de em breve ver e com sorte falar com Grissom.

— Ela podia ter feito essa festa num endereço mais perto do Brooklyn.

Olhei para minha amiga e sorri de sua reclamação. Na realidade nem era tão longa assim a distância do local da festa para o bairro em que morávamos. Pelo menos, eu não achava. Mas como Dayse adora reclamar...

Após entregar a chave de seu carro ao guardador, minha amiga e eu seguimos para a entrada do hotel. Já lá dentro fomos direcionadas por uma moça para seguir até The Salon, que fica na parte de baixo do elegante hotel onde estava sendo realizada a festa.

Ao chegarmos neste outro lugar fomos recepcionadas por outra moça elegantemente vestida num terninho escuro, que perguntou nossos nomes completos.

— Dayse Campbell e Sara Sidle. — informou minha amiga.

Alguns segundos da moça procurando nossos nomes na lista de convidados armazenada em um tablet que ela carregava numa das mãos, e só depois de achá-los, que nossa entrada na festa foi autorizada.

Lá dentro o espaço já estava lotado de convidados, acho que tinha para mais de cem por ali e a grande maioria eram conhecidos de mim e Dayse por conta de termos sido amigas de Camille. E alguns assim, que nós avistaram, acenaram de suas mesas para nós duas.

Os convidados estavam dispostos em mesas para oito pessoas distribuídas pelo amplo salão. A decoração local era uma mescla perfeita de dourado e branco. Algo impecável, bonito e sofisticado! Mas também pudera, Camille é filha de um dos donos de uma importante Holding em Nova York. E era de se supor que a festa de casamento dela fosse puro luxo e ostentação.

— Quanto luxo.

— Novidade seria se fosse o contrário, Dayse. — contra-argumentei com minha amiga observando o salão bonito enfeitado de arranjos de belas flores. — Além do mais, nós duas sabemos bem que Camille adora um luxo e sua família tem dinheiro o bastante pra bancar as vontades dela.

Minha família e a de Dayse também tinham. Porém ao contrário de Camille que sempre ostentou e esbanjou o generoso patrimônio de sua família aos quatro cantos da sociedade, Dayse e eu não somos assim. Nós sequer parecíamos ser de família classe alta e tentávamos a todo custo nos virar por contra própria.

— E por falar na Camille, olha a vaca ali com o banana safado do seu ex-namorado, Sara.

Olhei discretamente na direção da mesa onde estava o bolo e avistei os noivos sorrindo de orelha à orelha enquanto tiravam fotos com algumas pessoas. Olhando para eles pareciam felizes! E sinceramente, eu torcia para que fossem mesmo, só que... bem longe de mim, óbvio.

— Nós vamos lá cumprimentá-los?

Encarei Dayse. Já que estava ali mesmo não ia deixar de fazer isso. Camille me convidou em provocação, então era a minha vez de devolver a provocação.

— É claro que sim, Dayse! Não seremos tão mal-educadas assim. Vamos?

— Sara Sidle que sorriso maquiavélico é esse? O que você vai aprontar?

— Me acompanha e saberá!

Segui e Dayse veio em meu encalço. E pensar, que lá atrás, quando eu ainda namorava com Elliot me imaginei inúmeras vezes me casando com ele, ocupando o lugar que Camille agora ocupava. Graças a Deus e ao chifre que levei desse bastardo isso não aconteceu.

Não vou negar que na época a traição dele me doeu. Cheguei a achar que não ia superar aquele chifre, mas hoje em dia, isso era uma página virada e um acontecimento mais que superado. Inclusive até agradeço por Elliot ter me traído, pois se não fosse por isso meu relacionamento com ele não teria terminado e eu não teria conhecido Grissom.

E por falar nele, será que já chegou?

Depois eu descubro isso. Agora era hora de cumprimentar os noivos, pois acabei de chegar neles que já estavam sozinhos.

— Olha só elas vieram mesmo!

Camille sorria em puro deboche, enquanto Elliot parecia visivelmente tenso e surpreso por me ver.

— Ué? Você nos convidou!.. Senão queria a nossa presença aqui, então não nos mandasse o convite, não é Sara?

— Sim! — desviei o olhar de Camille e fitei Dayse com um sorriso debochado.

— Não vai nos desejar os parabéns, Sara?

— Camille pára com essa palhaçada! — de maneira delicada notei Elliot segurar no braço da esposa e demonstrar sua total desaprovação a provocação que ela me fez. — Sara, me desculpe, por essa situação.

Sinto que ele estava sendo sincero, sem contar que podia apostar que Elliot estava se borrando de medo que eu fizesse algum barraco em sua festinha. Mas ele pode ficar tranquilo que não vim para isso.

— Elliot relaxa que não vou cair na pilha que a sua esposa está querendo me pôr!... — o tranquilizei. — Você quer os meus parabéns pelo casamento, Camille? Não seja por isso. Lhe felicito pelo casamento. Que você seja muito feliz com Elliot. E que ele também seja feliz com você e esse bebê que espera dele.

— Nossa quanta civilidade!

— Eu sou civilizada!

— Não foi bem isso que demonstrou quando... Me pegou transando com Elliot.

— Camille! — Elliot sussurrou o nome dela em advertência. Mas Camille pouco se abalou e ficou me encarando com um grande sorriso triunfante por ter me afrontado.

Com as duas mãos apertei com força a bolsa que trazia e mantive a muito custo o sorriso. Se Camille ousar passar outra vez dos limites com suas provocações, eu vou descer do salto e enfiar a mão na cara dela em plena festa do seu casamento.

— Aí, Camille... Se eu fosse você segurava a onda ou vai querer confusão na sua festa?

A cara triunfante dela se desfez num passe de mágica e nitidamente, um pavor tomou conta dela diante da ameaça que Dayse fez.

— Vamos, Sara!

Minha amiga me segurou pelos ombros e já ia me tirar dali quando eu lhe pedi:

— Espera aí, Dayse! — eu não ia sair sem revidar a provocação. Camille não levaria essa vitória. — Tenho que dizer algo importante pra nossa... Amiga!

— Sara, por favor, sem confusão. — Elliot pediu baixo imaginando que talvez eu fosse começar a terceira Guerra Mundial ali, mas não era isso.

— Não vim pra isso. Ao contrário da sua esposa, que parece querer muito uma confusão comigo ao ficar me provocando.

— O que ainda quer me dizer, Sara?

— Toma cuidado... Porque se Elliot me traiu com você no passado. Pode muito bem te trair com outra no futuro. E aí, a corna de amanhã será você, amiga. Felicidades e com licença.

Saí de perto deles rápido ou perderia a compostura que a muito custo estava mantendo.

— Sara o que você disse à Camille foi pior do que se tivesse dado uma bofetada.

— Foi por muito pouco que também não dei nela de brinde a bofetada.

Só Deus sabe o quanto me segurei.

— E faz tempo que eu queria dizer aquilo à ela.

— Vou achar muito bem feito se Elliot meter um belo par de chifres nela. Aí, a Camille vai ver, ou melhor, sentir na pele o que é bom pra tosse!

— Com certeza! — percorri meu olhar pelas mesas dos convidados para encontrar entre eles, a pessoa por quem vim a essa festa. Mas ao que parece ele ainda não havia chego.

— Procurando o Sr.Gostoso?

— Sim, mas acho que ele ainda não chegou, porque não o vejo por aqui.

Um garçom segurando uma bandeja com bebidas, passou ao nosso lado e nos perguntou se estávamos servidas.

— Que bebidas você tem aí? — Dayse quis saber antes.

— Champanhe. Mas se quiserem outro tipo de bebidas têm o bar logo ali... — o garçom nos apontou na direção esquerda do salão. _ Lá servem drinques de vários tipos e sabores. Basta pedirem, que o barman prepara na hora.

— Ah, então nós vamos lá.

O rapaz assentiu e se retirou com a bandeja para ir servir um convidado que sinalizou a ele.

— Vamos ao bar, Sara. Tô precisando molhar a garganta.

Dayse saiu me puxando para o bar. No caminho paramos duas vezes para cumprimentar e trocar algumas palavras com alguns conhecidos que nos pararam. Depois retomamos o caminho em direção ao bar.

***

— Muito bom esse drinque de nome SEX ON THE BEACH . Aí, moço, me vê outro dessa maravilha.

— Dayse já é seu quarto drinque. — alertei minha amiga.

— Ih, Sara, relaxa que eu sei até onde posso ir.

Era o que eu esperava. Não queria 'carregar' ninguém bêbada comigo.

— E o Grissom que não chega! — reclamei com impaciência.

Já tinha para lá de meia hora que já estávamos naquela festa e nada dele surgir pela porta de entrada. Dayse e eu nos colocamos escondidas estrategicamente no bar de onde dava certinho para ver quem cruzava a porta de entrada do salão da festa. Porem, que chegasse não nos veria de imediato. Deste modo, Grissom só saberia da minha presença na festa quando eu fosse falar com ele.

— Ai, Dayse será que ele não vem? — me virei para minha amiga.

— A tal Hellen não confirmou que ele vinha?

— Sim. Mas pode ter acontecido um imprevisto de última hora, que fez o Gil desistir de vir à festa.

— Não, não pode.

— Como você pode saber disso?

— É que o Sr.Gostoso acabou de chegar.

Me virei e pude vê-lo, parado na entrada do salão, falando com a recepcionista. Certamente, estava dando seu nome para poder entrar.

Gil usava smoking e sua barba outrora inexistente, agora, havia voltado a 'habitar' seu belo rosto e com mais evidência do que na última vez que nos vimos e meu apê.

Ele estava lindo! Tão lindo quanto a primeira vez em que nos vimos. Com a diferença de que sua barba estava menor na outra vez. Abri um sorriso contente por estar vendo-o. Teria minha chance de falar com ele e estava feliz por isso.

Só que meu sorriso e minha alegria se esvairam, quando vi minha prima surgir logo em seguida com Lewis e o pai de Gil, que eu já tinha visto em fotos no apartamento do Sr.Gostoso.

— Eu não posso acreditar que ele trouxe a Maryane aqui! — me indignei na mesma hora.

Vi com desgosto Maryane se postar ao lado de Grissom toda sorridente e se grudar ao braço dele feito um carrapato.

— Mas ele não me parece muito contente com ela de acompanhante! — Dayse observou.

A cara dele de fato não era das mais contentes, pelo contrário, era das mais sérias e sisudas que já vi nele.

Observei os quatro seguirem pouca distância até os pais de Camille e cumprimentá-los. Na sequência cumprimentaram os noivos que se aproximaram deles.

— E agora como você vai fazer pra falar com ele se a nojenta da sua prima veio à tira-colo?

Também gostaria de saber!

— Não sei. Nem esperava que ele viesse com ela.

— Aposto que ela se auto convidou.

Era o que eu estava torcendo também. Não queria pensar que ele a convidou ou pior, fez questão que ela o acompanhasse.

Vimos Gil ao que parecia apresentando Maryane, certamente, como sua noiva para os pais de Camille e posteriormente aos noivos, que já a conheciam de vista por conta de me conhecerem. Depois disso Damon e Corine, os convidaram a se acomodarem com eles na mesma mesa e assim os quatro se sentaram com os pais dos anfitriões da festa, enquanto estes foram falar com outras pessoas.

— Ei, você não vai desistir de falar com ele, vai? — Dayse tocou meu ombro atraindo minha atenção para ela.

— Não! — nem em sonho eu faria isso. Ele só estava com a minha prima por minha culpa que banquei a idiota. Mas eu ia conserta isso e Maryane que não vá achando que vai ficar com aquele cretino para ela. Aquele cara é meu! Ele me ama!

— Temos que achar uma maneira de você falar com ele antes que a Maryane descubra da sua presença aqui!

— Se duvidar, ela já até sabe. Camille deve ter comentado isso quando a viu!

— Então acho que deve pedir ajuda ao Lewis pra conseguir chegar perto do Grissom. Porque posso apostar que Maryane não vai querer dar o mole de sair de perto do Sr.Gostoso e dar brecha a você de se aproximar dele.

Dayse tinha razão. E no lugar de Maryane, eu faria o mesmo talvez.

— Antes de pedir qualquer ajuda ao irmão do Gil, quero esperar um pouco, Dayse, pra ver se aparece alguma oportunidade perfeita. Caso não ocorra isso, aí sim, eu mando uma mensagem ao Lewis e peço a ajuda dele nisso.

— Se você acha melhor assim, tudo bem.

Os minutos foram passando. E eu ali vendo com um desprazer horroroso Maryane vire-mexe cochichar algo no ouvido de Gil, ou então passar a mão por seu cabelo ou seu rosto, sorrir para ele, entrelaçar seus dedos da mãos aos dele. Eu posso quase apostar que ela bem sabia da minha presença na festa e fazia aquelas coisas para me provocar. E estava conseguindo isso!

Cada carinho dela no homem que eu amo, estava​ sendo uma tortura horrível de ver. Se aquele era o meu castigo por duvidar de Gil, ele estava saindo bem caro. Ou talvez nem tanto assim!

Quando eu já estava quase achando, que teria que recorrer a Lewis para me aproximar de seu irmão, Dayse e eu vimos Grissom levantar da mesa e Maryane prontamente fez o mesmo.

Como Dayse havia mencionado, minha prima, certamente, não queria deixar Gil circular sozinho por ali para evitar que eu me aproximasse dele. Só que pelo que vi, Grissom sinalizou que ela ficasse e saiu falando ao celular.

— Sara essa é a sua oportunidade, amiga. Vai atrás dele! E deixa que eu fico de olho na nojenta da sua prima pra ela não te interromper com o Grissom.

— Valeu, Dayse!

Me levantei da banqueta do bar e com certa discrição segui atrás de Grissom pelo salão. Não queria que ele e principalmente, minha prima me vissem.

Gil foi para área externa do salão onde havia uma sacada. Cheguei no lugar e o Sr.Gostoso não me viu, pois estava de costas para porta e próximo do parapeito da varanda. Ele ainda falava ao celular e num exaltado alemão. Fiquei apenas observando-o durante todos os minutos que a chamada durou.

Quando ele finalizou a ligação, não virou-se de imediato. Permaneceu em torno de um minuto ou quase isso, observando a vista da cidade. E eu do meu lugar o observando quieta. Quando enfim Grissom se virou, não havia qualquer surpresa em sua face ao me avistar ali. Isso reforçava mais ainda a minha suspeita de que Camille comentou sobre minha presença na festa.

— Olá, Sara!

— Oi, Grissom! — lhe cumprimentei, dando um sorriso abobalhado e fechando a porta atrás de mim.

— Quando Camille deixou escapar pra sua prima que você estava aqui, quase não acreditei. Você na festa de casamento do seu ex com sua melhor amiga.

— Ex melhor amiga! — corrigi ao parar há uma distância razoável dele.

Uma leve brisa bateu e trouxe à mim o perfume bom de Grissom Fechei os olhos por um segundo e inspirei fundo aquele seu perfume delicioso e inconfundível. Quanta falta eu sentia daquele cheiro e do dono dele.

— Você está linda!

Seu elogio me fez abrir os olhos na hora e notar seu olhar de cobiça passeando por mim de cima abaixo.

— E você também está lindo. Me lembra a vez que nos conhecemos. Na ocasião, você usava smoking também.

Ele esboçou um sorriso de lado, depois ficamos por vários segundos em silêncio apenas nos olhando. Então, eu não resisti e cedi à uma das duas vontades que me consumiam desde o momento em que parei diante daquele homem. Eu abracei Grissom, escondendo o rosto em seu peito.

— Me perdoa por não ter acreditado em você, Gil.

Senti seus braços cercaram minha cintura retribuindo o abraço que eu lhe dava.

— Eu estou tão arrependida de não ter acreditado em você. Me perdoa! — implorei de olhos fechados e segurando a vontade de chorar.

— Sara esse não me parece o melhor lugar e nem a melhor ocasião pra esse tipo de conversa.

— Então quando e onde? — afastei meu rosto de seu peito e encarei Gil nos olhos. — Nós precisamos conversar.

— Eu não acho. — ele rebateu já retirando seus braços do em torno da minha cintura e com delicadeza me afastou dele, desfazendo de fez nosso abraço. — Na verdade o que havia pra esclarecer e conversar entre nós já foi feito àquele dia em que levei Heather até você.

— Não, não foi. Você me trouxe a verdade e sequer me deu tempo de...

— Sara... Eu repito que esse não é nem o lugar e a ocasião pra tratar desse assunto. Agora se me der licença.

Ele ia passar por mim, mas eu segurei em sua mão direita impedindo-o de seguir e me deixar sozinha. No que fez isso senti o toque de um metal frio. Olhei na direção da mão dele e vi com surpresa uma aliança em seu dedo anelar.

Que merda era essa?! Desde quando ele usa aquilo?

— Foi um presente do coroa ontem durante um jantar! — meu olhar se desviou daquela jóia e foi para o rosto de Gil ao ouvi-lo explicar sem que eu tivesse pedido por isso. — Ele disse que como sou um homem comprometido tenho que andar como tal, com uma aliança de compromisso no dedo. — justificou.

— Não casa com ela!

— Eu preciso ir, Sara, antes que sua prima, a minha noiva apareça aqui.

Aquela sua fala me irritou profundamente.

— Para o inferno a sua noiva!... Você não vai sair daqui enquanto não aceitar falar comigo em outro dia e outro lugar. — impus com a autoridade que eu não possuía sobre ele.

— Não seja infantil! Essa não é você!

— Se pra conseguir que converse comigo, eu tenha que bancar a infantil, eu bancarei mesmo.

Ele suspirou e levou sua outra mão ao rosto, passando-a sobre a barba. Que saudade de ter
aquela barba de pêlos sedosos passeando por meu corpo e me levando ao delírio.

— Tudo bem, Sara!... Amanhã a noite, eu passo no seu apartamento e lá nós conversamos, pode ser assim?

Mesmo não muito satisfeita com aquela proposta, eu concordei com ela. Contudo, devo confessar que nosso breve contato ali não foi como eu esperava que fosse. Entretanto, eu consegui que ele aceitasse conversar comigo amanhã. Agora tentaria conseguir nesta conversa que ele me perdoasse e voltasse para mim. Se eu ia conseguir isso, já eram outros quinhentos.

— Agora, eu, realmente preciso ir, Sara.

Larguei com muita relutância sua mão.

— Até amanhã sem falta na minha casa, né?

— Sim!

Ele seguiu para porta de saída.

— Grissom! — lhe chamei quando ele estava prestes a cruzar a porta. Gil parou e se voltou psra mim. — Sinto demais a sua falta. — confessei.

Ele não me disse nada em resposta, apenas deixou escapar um discreto sorriso, que me encheu de esperança quanto ao fato de que nem tudo estava tão perdido entre nós, e que ele talvez não estivesse mais assim muito ressentido comigo quanto quis transparecer há pouco, no nosso breve 'papo'.

Notas finais
Ainda tem mais nessa festa. Aguardem. Um abraço e até o próximo