One Night - Livro 1
56 Capítulo LVI
Notas iniciais
— E aí, como foi? — nem bem encostei e Dayse já me interrogou.
— Não foi o "mar de rosas" que eu queria, mas ao menos conseguimos falar um pouco. E amanhã a noite ele vai até o apê pra gente conversar melhor, porque aqui segundo ele "não é o lugar e a ocasião para esse tipo de conversa".
— Pensando bem ele tem razão nisso. Mas tenho quase certeza que amanhã vocês vão se resolver. Esse cara te ama.
— Só que eu senti que ele ainda está bem ressentido.
A forma fria como ele falou e me tratou, deu a entender que ainda há ressentimento de sua parte, o que é compreensível.
— Isso vai passar amiga.
Dayse me abraçou rápido e depois desfazendo o nosso abraço, eu lhe contei sobre o abraço que dei no Gil.
— Você o abraçou?
Assenti.
— Na hora que me vi diante dele senti vontade de fazer isso e fiz. Também senti vontade de beijá-lo, mas não achei prudente fazer isso.
— E ele retribuiu ao abraço?
— Por um breve momento sim. Aí, eu lhe pedi perdão e ele desfez nosso abraço, alegando que ali não era lugar para conversarmos.
— Pelo menos vocês vão se falar amanhã. E como disse a pouco, tenho quase certeza que vocês se acertarão e farão as pazes.
— Essas duas coisas são o que eu mais quero que aconteça, Dayse! — comentei, lançando um olhar na direção da mesa em que Grissom tinha voltado a se acomodar junto a Maryane. — Ou do contrário, eu o terei perdido, talvez pra sempre.
— Por que diz isso? Por causa da sua prima?
— Sim!
— Ele nem gosta dela, Sara.
— Mas a coisa de casar com a Maryane tá ficando séria mesmo. Ele até está usando aliança de noivado. Vi em sua mão.
— Não acredito! Sério?
— Seríssimo!
***
Sozinha no bar esperando Dayse retornar do toalete para irmos embora daquela festa que para mim já tinha dado no saco, eu escuto uma voz reverberar atrás de mim um pedido:
— Será que a bela dama... dançaria com esse nobre cavalheiro pelos velhos e bons tempos?
Abri um sorriso na mesma hora, porque reconhecia muito bem o dono da voz daquele galanteio feito à mim. Logo já me virava para me deparar com Gavin, o primo de Camille, com quem eu tive um namoro antes de virarmos amigos, e eu conhecer o Elliot posteriormente.
— Gavin! — não consegui me conter e pulei da banqueta para abraçar meu ex.
— Quanto tempo, Sara! — ele sussurrou em meu ouvido enquanto trocávamos um abraço cheio de carinho e saudades.
Fazia tempo mesmo. Mais ou menos uns cinco anos, eu acho!
Gavin ainda estava na faculdade, a mesma que eu cursava porém seu curso era outro Marketing. E no terceiro semestre do curso dele, sua família teve que sair do país e se mudar para a fria Suíça, daí em diante perdemos o contato.
— Nem me fale! — retruquei já desfazendo nosso abraço. — Voltou a morar nos EUA?
— Que nada. Mas estou pretendendo, só que não agora. Vim apenas para o casamento da minha prima Camille, sua amiga.
— Na verdade é ex amiga. — corrigi com uma careta.
— Ex? O que houve? Vocês não são mais amigas?
Pelo visto ela não contou para ele a sacanagem que aprontou comigo. Então, eu mesma contaria ao Gavin.
— Não! E nem seremos mais se depender de mim e acredito, que dela também.
— Qual o motivo disso? Vocês pareciam as melhores amigas.
Verdade!
— Flagrei sua prima transando com meu namorado, que por sinal é homem com quem ela acabou de casar. — revelei sem qualquer filtro, porque com Gavin não precisava disso.
— Cacete, como assim? — Gavin arregalou os olhos e eu cheguei a rir de sua reação. — Fala sério que foi isso, Sara?!
— Foi!
O pobre do Gavin nem teve tempo de retrucar, porque ouvimos a voz de pura alegria de Dayse ao vê-lo ali.
— Gavin seu nerd gostosinho. Não acredito que é você!
A louca da minha amiga se jogou nos braços do Gavin que chegou a cambalear para trás por conta do "ataque" da Dayse.
— Pois pode acreditar que sou eu mesmo, Day!
— Cara, a Suíça te fez bem demais, você tá ainda mais gostosinho.
Observei o pobre do Gavin ficar todo sem graça diante do elogio da Dayse. Ele morria de vergonha quando minha amiga o chamava de 'gostosinho'.
— E você continua a mesma louca da faculdade, Day.
— Ah, obrigada pelo elogio!
Nós três caímos na risada.
— Dayse, o Gavin ainda achava que Camille e eu éramos as melhores amigas. — cutuquei minha amiga com o cotovelo. — Conta pra ele porquê não somos mais, pois ele não levou muito a sério quando eu disse o motivo disso.
— Ih, Gavin... O noivo da Camille era namorado da Sara e a nossa amiga aqui... — Dayse apontou para mim com o polegar. — ... Descobriu que os dois tinham um caso pelas costas dela. E desde aí, há uns meses que a amizade foi para o ralo.
— Caraca! Muita sacanagem da Camille hein?!
— Na verdade os dois são uns sacanas e sem vergonhas.
— E ainda sim veio ao casamento deles?
— Vim, mas não por eles. Na verdade a razão de eu estar aqui é outra.
— Posso saber qual?
Só para me frustrar de contar, Dayse se antecipou a mim na resposta.
— A razão dela se encontra sentada ali naquela mesa, Gavin! Dá uma olhada.
Minha amiga apontou na direção da mesa de Grissom e explicou ao Gavin, que o cara ao lado da minha prima era a razão da minha vinda a festa.
— Quem é o cara? — Gavin fez uma careta de desaprovação.
— Ele se chama Grissom. — bati em Gavin com minha bolsa por ele chamar Gil daquele maneira e fazer aquela careta nada agradável. Depois resumi para Gavin minha história com Grissom.
— Isso parece enredo de romance de livro, já pensou em escrever?
— Engraçadinho! — lhe bati pela segunda vez no ombro e Gavin sorriu.
— Olha se ele gosta de você, logo as coisas se acertam e ele cancela esse casamento com a Maryane.
— É o que eu mais quero, Gavin.
— Agora deixando esse assunto pra lá, você não respondeu a pergunta que te fiz logo que cheguei em você.
— Uma dança só, porque Dayse e eu já vamos embora.
— Ah, mas já? Agora que cheguei e encontrei vocês, as duas já vão?
— Essa festa já deu no saco da Sara e no meu também.
Estava um tédio ali. E para mim ainda havia o agravante de ficar vendo Maryane toda carinhosa com Gil. Eu não tinha estômago suficiente para aguentar aquela provocação dela por muito tempo.
— Tudo bem, aceito. Mas serão duas músicas, que você vai dançar comigo, Sara, porque uma é pouco demais.
— Está bem! — cedi.
— Day quero duas danças com você também.
— Ai de você se dançasse só com ela, Gavin.
— Depois só eu que sou ciumenta, né Dayse? — provoquei minha amiga, que em reposta me deu língua.
— Já volto pra tirar você para dançar, Day. Vem, Sara!
Tomando minha mão, Gavin me levou com ele em direção a pista de dança. No momento em que chegamos lá as músicas agitadas deram lugar as lentas.
Gavin enlaçou minha cintura, eu passei meus braços em torno de seu pescoço e começamos a nos movimentar suavemente, ao som de Norah Jones.
— Você não disse se tem alguém ou está namorando.
— Estou enrolado.
Sua resposta me fez sorrir de leve.
— Enrolado ou enrolando? — provoquei ainda sorrindo.
— Um pouco dos dois. — foi a vez de Gavin sorrir. — Ela é uma boa pessoa, divertida, mas parece querer correr com as coisas, Sara.
— E você gosta de ir com calma, no seu tempo.
— Pois é, você me conhece. Com a gente foi assim, lembra?
— Lembro!
Precisou mais de dois meses que nós já estávamos ficando para ele me pedir em namoro. Pena que nosso namoro não demorou muito, apenas poucos meses.
— Eu fui um bom namorado, Sara?
— Claro que foi! — eu não tinha qualquer queixa dele durante o período de três meses que namoramos. — E foi melhor ainda como amigo depois.
— Concordo. Nós funcionamos bem como namorados, mas melhoramos quando viramos amigos.
Sorrimos juntos e em seguida, deitei a cabeça no ombro do Gavin. Nós dançamos em silêncio por uns dois ou três minutos, até que o escuto dizer:
— Sara o tal Grissom não tira os olhos da gente.
Céus! Grissom?? Por um momento, eu até tinha esquecido da presença dele ali na festa.
— Deixa eu ver isso. — pedi já desencostando minha cabeça do ombro de Gavin. Nós então giramos devagar e eu pude avistar melhor a mesa de Grissom para confirmar o que Gavin disse. Só que não era somente o meu Sr.Gostoso que nos olhava dançando, mas também Maryane.
— Ele me parece enciumado.
À mim parecia o mesmo também. E pela segunda vez me enchi de esperança quanto a nós dois, pois se ele ainda é capaz de sentir ciúmes de mim como era nítido pela forma como olhava para mim com Gavin, então é porque continuo tendo importância a ele.
— Não corro o risco dele vir e acertar o meu nariz, corro?
— Levando em conta que a noiva e o pai dele estão ali, você não corre qualquer risco.
— Melhor assim!
De duas músicas acabamos, na verdade, dançando cinco. E nas vezes em que arrisquei um olhar a Grissom durante a dança com Gavin, flagrei seu olhar em nós e na mesma hora que isso acontecia, ele desviava o olhar para disfarçar. Foi até engraçado.
— Até que enfim! — Dayse reclamou quando voltamos da pista de dança.
— Vamos lá, Day.
Os dois seguiram para a pista e me deixaram sozinha no bar.
Não levou mais que uns quatro minutos em que eu já me divertia assistindo Dayse e Gavin dançando de maneira engraçada uma música eletrônica, quando ouvi reverberar atrás de mim a voz séria de Grissom pedindo ao barman um drinque.
Não me contive e virei para encontrar o Sr.Gostoso me encarando sério enquanto tamborilava os dedos no balcão amadeirado do bar.
— Algum problema? — resolvi perguntar após alguns segundos.
— Não, nenhum! — ele desviou o olhar de mim e permaneceu tamborilando os dedos da mão esquerda sobre o balcão enquanto aguardava o barman preparar seu drinque.
Confesso que estava achando engraçado o esforço dele de tentar disfarçar seu ciúmes, mas fracassando claramente nisso.
O barman depositou diante de Gil uma taça com um drinque branco enfeitada com um guarda-chuva e uma rodela de laranja na borda. Imaginei que ao receber aquilo Grissom iria sair dali para voltar à sua mesa, mas ele não arredou o pé e permaneceu comigo no bar.
Observei quando ele tomou uma generosa quantidade da bebida e na sequência seu olhar se voltou a mim.
Eu podia ver que ele queria me dizer algo ou talvez perguntar alguma coisa. Ia instigá-lo a falar quando a insuportável da Maryane surgiu ali do nada feito um fantasma.
— Oi, irmãzinha! — ela teve a cara de pau ou chame de cinismo mesmo de me abraçar toda afetuosa. Não retribuí o abraço, pois meu grau de falsidade não chega a tanto assim. — Sua amiga Camille comentou que estava aqui.
— Ela não é mais minha amiga. — corrigi o equívoco proposital dela. Digo proposital, porque aquela fingida sabe que minha amizade com Camille foi para o espaço sideral há meses. Minha mãe deve ter comentado sobre isso na época, já que as duas se falam com frequência.
— Ah, é mesmo esqueci. Desculpa.
Vou fingir que acredito nessa lorota dela.
Depois de falar comigo aquela insuportável da minha prima enganchou seu braço no de Gil — que diga-se de passagem só observava calado a mim e Maryane falarmos — e se dirigiu ao noivo.
— Amor seu pai está querendo te apresentar um conhecido dele.
Amor??
Ela chamou-o de AMOR??
Foi isso mesmo que eu ouvi?
Quem ela pensa que é para se referir assim à ele?
Ô, maluca se situa, ela é noiva dele! Tem todo o direito de se dirigir assim ao cara!, Meu subconsciente me lembrou. Mas pouco me importei com esse 'detalhe'. Para o inferno que ela seja noiva! Vai deixar de ser em breve do que depender de mim!
Notei o desconforto de Gil quando Maryane se referiu a ele por àquele termo carinhoso, o mesmo pelo qual ele passou a me chamar quando estávamos juntos.
— Então vamos lá com ele.
— Vai você na frente. Quero falar um negócio particular com a minha irmãzinha.
Vou enfiar a mão na cara dela se Maryane insistir em ficar me chamando assim.
— Tudo bem. Eu vou indo. Sara... — ele me encarou um tanto sem jeito. Certamente pelo que minha prima o chamou ali na minha frente. — ... Até.
Até amanhã na minha casa!, Que vontade enorme de dizer isso em voz alta e bem na cara da Maryane.
— Até!
Ele saiu e me deixou sozinha com Maryane. Lá vou eu para outro "embate" com ela.
— Vocês fingem tão mal!
— Já você fingi tão bem para os outros ser boazinha. Devia ter feito na faculdade o curso de Artes cênicas ao invés de Arquitetura. Quem sabe agora não estaria em alg...
— Eu não te "avisei" pra ficar longe dele? — ela me interrompeu.
Como se eu fosse realmente dar ouvido a ameaça dela.
— Primeiro que não fui eu quem foi atrás dele. Foi ele que veio aqui. — mas antes disso eu já tinha ido atrás dele mesmo e nós tivemos um breve papo. Mas não quis esfregar na cara dela isso. — E segundo, que eu não tenho a menor intenção de dar ouvidos ao seu "aviso".
— Pois devia. — ela se aproximou mais de mim, bem na intenção de tentar me intimidar. Mas, meu bem, não intimida, não! — Vou relevar essa sua "desobediência". Mas na próxima vez que eu te ver perto do meu noivo... Pode ter certeza que nossos pais vão saber na hora que você não vale nada. Que por inveja de mim, seduziu meu noivo e quer tirá-lo de mim.
Filha da pu... Não! Minha saudosa tia não merece esse xingamento tão ruim.
— Algum problema aí, Sara?
Dayse e Gavin apareceram e se postaram cada um ao meu lado, feitos dois seguranças fazendo a minha escolta.
— A minha prima que está louca!... Olha aqui Maryane, você não me intimida.
— Não me testa, Sara, ou você não vai gostar do resultado.
— Escuta aqui minha filha... — Dayse se pôs a minha frente, permanecendo entre Maryane e eu.- ... Está afim de levar outro empurrão que nem aquele que eu te dei no apê? Porque se quiser, é só dizer que terei o maior prazer de fazer isso.
— Não sabia que sua amiga agora tinha virado sua guarda-costas!
— Eu acho bom você se mandar daqui em cinco segundos, pois ao contrário da Sara, eu não sou sua parente e não hesitarei em acertar sua cara sem culpa alguma e na frente de todo mundo. Então se manda daqui e deixa a minha amiga em paz.
— Está avisada, irmãzinha. Chega perto do Gil mais uma vez pra ver o que acontece.
Ela foi embora logo após me dirigir tais palavras.
— Ai, que ódio dela!
— Sua prima é o nojo em forma de gente! Mas eu vou rir muito quando você e o Grissom se acertarem, e ele mandar aquela vaca pastar.
— Eu também, Dayse. Eu também.
— Quando você falar com ele vê se também conta de uma vez quem é essa Maryane.
— E você acha que eu não vou fazer isso? Claro que vou! Ela não perde por esperar, Dayse.
Eu ia desmascarar aquela farsante para o Gil.
— Nossa vocês confabulando assim me deram até medo.
Juro que eu não queria, mas acabei rindo do Gavin.
— Você é maluco, Gavin!
— Olha quem fala!
— Acho melhor irmos. Minha cota de estresse já deu por hoje. Dayse vamos? Depois dessa com Maryane, eu quero dá o fora daqui. Não por medo dela, mas porque sei que ela vai de longe ficar me provocando com o Gil e isso não vai prestar.
— Vamos mesmo.
Nos despedidos do Gavin que ainda insistiu para ficarmos só mais um pouco com ele, porem não dava para mim. Eu não ia aguentar ficar vendo Maryane tocando no Gil, se insinuando para ele só com a finalidade de me irritar e provocar.
Entendendo meu lado e minha situação, Gavin acabou aceitando minha ida.
— Tchau, Gavin.
— Tchau, meninas.
Seguimos pelo salão em direção a saída. Quando nos aproximávamos do local ouvi meu nome ser chamado. Me virei e quem era? Camille!!
Eu mereço!
Não bastasse minha prima para me atazanar, agora vinha Camille.
— Estou pressentindo que a noite não vai acabar bem. — sussurrei para Dayse.
— Pressinto o mesmo!
— O que você quer, Camille? — questionei assim que ela parou diante de nós com sua arrogância e imponência.
— Ia embora sem se despedir da anfitriã da festa? Isso não é muito educado.
— Já ouviu falar em saída à francesa? Pois era isso que íamos fazer.
— Não sabia que sua prima era noiva do Grissom! Ela por acaso sabe que você saiu com ele da festa beneficente que eu dei?
— Isso não é da sua conta, querida!... Vamos, Dayse!
Lhe dei as costas e já ia dar o primeiro passo para me afastar dela quando ouviu a vaca me dizer:
— Parece que a sua sina é sempre ser trocada pelos homens, não é Sara?
— Que foi que você disse? — tornei a me virar para ela. O sangue já começando a ferver.
— Você ouviu bem que eu sei. Elliot namorava você, mas te trocou por mim. Ficou com o Grissom, mas ele te trocou pela sua prima. Já deve ser horrível ser trocada uma vez, duas então deve ser pior ainda, né?
Ela conseguiu me irritar tão profundamente com sua fala, que a minha única reação foi acertar um belo tapa na cara dela.
Dane-se a etiqueta!
Dane-se as pessoas, o local e tudo mais. Camille merecia aquilo e teve por ficar me provocando.
— Louca! — ela gritou para chamar a atenção de alguns convidados.
— Você estava pedindo isso! Ficou me provocando e está aí o resultado. Eu não tenho sangue de barata, Camille. — esbravejei a ela enquanto Dayse me segurava e a pobre da recepcionista da festa estava entre Camille e eu.
— Eu não te provoquei coisa alguma! Vim apenas saber se você estava indo embora.
Mas que cínica! Como ela pode ser tão mentirosa assim?
— O que está havendo aqui?
— Você não viu? Ela me agrediu, Elliot!
— Ela me provocou. Aposto que veio atrás de mim pra isso mesmo. Agora vai pousar de vítima.
— Camille isso é verdade?
— Claro que não, Elliot! Vai acreditar nela ao invés da sua esposa?
— Ela está mentindo, Elliot. Foi Camille quem incitou a Sara. — Dayse me defendeu, mas eu sabia que ia ser inútil.
— Deixa, Dayse. Ele não vai acreditar mesmo. Ao menos você teve o que mereceu, Camille por ficar me provocando. Vamos embora daqui, vem. — puxei minha amiga pelo braço. Antes de cruzar a porta lancei um olhar para o salão onde a maioria dos convidados estavam olhando para nós, entre eles Grissom, o pai dele, Lewis e Maryane. Depois disso saí com Dayse.
— Ela armou isso só pra te detonar e sair de vítima na festa.
— E você acha que eu não sei, Dayse?! Claro que sei!... Ela veio atrás de mim com o intuito de me provocar e eu caí. Mas não me arrependo nenhum pouco do tapa que acertei nela. Daria outro se pudesse.
— E como ela soube de você e Grissom?
— Sabe lá Deus!
Nós seguimos até a saída do hotel e ficamos a espera do guardador trazer o carro de Dayse.
— Sara... Dayse!
Nos viramos e vimos Lewis vir a passos rápidos até nós.
— Ei o que houve lá dentro?
— Camille me provocou e teve o que mereceu. — resumi para ele.
— Mas você tá bem?
— Estou ótima! A cara dela que deve estar ardendo bastante do tapa que acertei.
— Um belo tapa por sinal. — Lewis sorriu e tanto eu quanto Dayse fizemos o mesmo. — Gil me pediu pra vir saber se estava tudo bem com você.
Fiquei feliz e ao mesmo tempo triste com isso. Feliz pela preocupação de Gil comigo, mas triste por ele mesmo não ter vindo descobrir por conta própria aquilo que pediu ao irmão.
— Diz pra ele que está tudo bem. Foi só Camille querendo me tirar do sério e conseguindo isso.
O guardador estacionou o carro bem ao nosso lado.
— Esse é o carro da Dayse. Nós já vamos, Lewis.
Com um abraço em cada uma de nós, ele se despediu para depois como um bom cavalheiro abrir a porta para mim. Do outro lado o guardador fez o mesmo para Dayse.
— Sara sexta que vem é a festa de lançamento da minha coleção de jóias. Vou pegar seu endereço com o Gil e mandar os convites pra vocês duas irem lá. Quero vê-las na minha festa. Se não forem vou ficar muito chateado.
— Pode deixar que nós vamos. — confirmei para ele.
— Festa é comigo mesma, Lewis. E pode esperar que estaremos lá. — Dayse fez questão de reforçar do jeito dela o que eu havia dito.
— Vou esperar mesmo. Vão com cuidado!
— Pode deixar. Tchau, Lewis! — eu e Dayse dissemos juntas antes da minha amiga dar partida no carro e nós sairmos dali.
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