One Night - Livro 1

33 Capítulo XXXIII


Notas iniciais
Como eu disse na outra FIC perdi todos os capítulos das minhas estórias e com isso estou tendo que reescrever o que perdi. Haverá um pouco de demora nas atualizações, portanto, conto com a compreensão de vocês. Vamos agora descobrir nesse capítulo o que Hellen sabe sobre Bryan e Maryane.

Cheguei à sala quase vinte minutos depois e encontrei Gil e Bryan por lá. Eles conversavam sobre negócios. Ao notarem minha chegada os dois mudaram a conversa para algo que não me deixasse de fora do papo e entediada.

— Gil me contou ainda pouco que você é prima da noiva dele.

Pelo visto Grissom não tinha segredos com aquele amigo dele. Se fosse assim acho que seria mais ainda uma baita trairagem daquele tal Bryan caso a suposição a qual cheguei no banho fosse verdadeira. Precisava o quanto antes tirar essa dúvida com Hellen e esclarecer essa história toda com ela.

— Sim, eu sou prima da Maryane. Algum problema ou algum tipo de censura quanto a isso?

— Não, longe disso. — ele ergueu as duas mãos em rendição e sorriu de uma forma que não gostei. Irônica e debochada. — As aventuras amorosas do...

— Eu não sou uma aventura. — o corrigi com firmeza, interrompendo na mesma hora a sua fala. Da forma como aquele homem se pronunciou com aquele início de comentário, me fez parecer como uma qualquer na vida do Grissom e, eu não era nenhuma qualquer com quem ele tinha aventuras. O próprio Gil já havia me deixado claro isso e fiz questão de mostrar àquele tal de Bryan isto. — Por acaso eu sou uma aventura pra você, Grissom? — olhei séria para ele que estava sentado junto à mim no sofá.

Assim que lancei a questão, ele me olhou e notei seu amigo fazer o mesmo.

— Não. De maneira alguma! — Grissom foi rápido em responder e beijou o dorso da minha mão que estava agarrada a dele. Desviando então o olhar de mim, ele se dirigiu ao tal Bryan lhe dizendo: — Me apaixonei pela Sara e nem de longe ela é uma aventura pra mim, Bryan.

Pela cara que o sujeito fez, parecia nitidamente surpreso com a resposta que ouviu do amigo dele.

— E o que aconteceu com o sujeito que não se apaixonava porque achava isso tolo demais?

— Ele pagou pela boca grande. — Gil respondeu ao amigo dele rindo e depois olhou para mim e piscou.

— E a Maryane nessa história toda? O amigo é comprometido com ela.

O fato de Bryan tocar no nome da minha prima me deixou bem atenta à ele e ao assunto, principalmente aquele sujeito.

— Pretendo desfazer meu compromisso com Mary pra ficar com Sara.

Eu não via a hora disso acontecer. Desse compromisso que Gil assumiu com Maryane ser desfeito e nós dois podermos assumir o nosso compromisso. Viver nosso relacionamento sem ficar se escondendo.

— Você fisgou o mulherengo do meu amigo mesmo, Sara!

Apenas me limitei em forçar um sorriso àquele homem que me observava. Desde seu olhar nada discreto em mim na piscina, que passei a ficar bem incomodada quando aquele sujeito me olha. A cada vez que seus olhos me encontravam, eu sinto como se ele estivesse vendo além das minhas roupas. Me despindo com seu olhar.

— E quanto ao filho que Maryane espera de você, Gil? — o sujeito se pronunciou outra vez e desviando o olhar de mim para o Sr.Gostoso.

— Vai continuar sendo meu filho, Bryan.

Apesar de serem muito amigos, Gil pelo visto preferiu não contar a Bryan sobre não ser pai do filho de minha prima.

Por que será que ele não contou a verdade para o amigo?

Sobre nós dois que se trata de um assunto mais sério e que a meu ver, devia ser mantido em sigilo absoluto, Grissom contou e não fez segredo algum com Bryan. Mas sobre a paternidade do bebê de Maryane, o Sr.Gostoso escondeu a verdade do amigo. Aquilo estava estranho para mim.

— E quando pretende terminar com sua noiva?

Aquele sujeito estava interessado demais naquele assunto e fazendo muitas perguntas para o meu gosto.

— Assim que eu falar com o meu pai.

A minha vontade era pedir a Gil para parar de ficar dando satisfação ao amigo dele, porque tenho a sensação de estar compartilhando com o inimigo informações que não devia. Mas, infelizmente, eu não podia fazer isso e nem tinha como fazê-lo, ainda mais, na frente do tal Bryan.

Graças a Deus, Hellen apareceu naquele instante avisando que o almoço estava pronto e nós podíamos nos dirigir para a sala de estar. Desse modo, o papo que rolava foi encerrado para o meu alívio.

A comida estava deliciosa outra vez. Tinha que tirar o chapéu para Hellen e seus dotes culinários. Ela era boa de cozinha. Nas três oportunidades em que tive o prazer de degustar os pratos que ela preparou, eles estamos maravilhosos. A comida dela era de comer rezando de tão boa que era. Pena que para mim o almoço daquele dia foi bem indigesto. E a razão disto se devia ao fato da presença intragável daquele sujeito sentado diante de mim, mas do outro lado da mesa.

Eu olhava discretamente para Bryan e sentia uma raiva absurda dele e também da minha prima. Seria muita sacanagem daqueles dois se de fato eles tivessem um caso como eu suspeitava.

Quieta no meu canto, eu comi me abstendo de trocar conversas à mesa com os dois homens presentes comigo.

— Você é sempre tão calada assim durante as refeições?

Ergui meus olhos do prato de comida para Bryan que havia me interpelado quando já estávamos no fim do almoço.

Na verdade eu era bem falante, mas com a presença dele, eu me reservei o direito de não abrir a boca e ficar na minha. Já fazia demais em aturar a presença desgostosa dele e ficar de papo com esse homem já seria demais.

— Sim! — me limitei em responder e levar uma garfada de comida a boca para evitar que ele me fizesse qualquer outra pergunta.

Felizmente, ele não fez e voltou a falar com Gil, me deixando quieta na minha.

Instantes mais tarde assim que o tal Bryan foi embora, o que agradeci enormemente, pois já não aguentava mais olhar para a cara daquele sujeito, Gil me interpelou algo que me deixou momentaneamente sem ação.

— Posso saber por que da sua tensão e hostilidade com o Bryan? Eu senti durante o tempo todo que você não me parecia confortável com a presença dele, querida.

Eu podia e DEVIA lhe contar sobre o modo como o "amigo" dele se portou comigo antes de Gil chegar, sobre como ele foi grosseiro com Hellen e mais, sobre a minha desconfiança, mas resolvi me calar por enquanto sobre aquelas coisas principalmente, a terceira já que não tinha certeza se aquilo era verdade. Embora, eu desconfie que seja, só que preciso ter certeza antes de contar qualquer coisa àquele respeito a Gil.

— É que eu não gostei muito dele. — não era de total mentira.

— E por qual razão isso? — Gil me abraçou pela cintura. Estávamos de pé diante do sofá onde poucos minutos atrás nos encontrávamos sentados antes de Bryan anunciar que precisava ir embora.

— Ele me passou a ideia de ser um sujeito arrogante e com ar de superioridade. Não gosto de gente assim.

— Bryan tem mesmo esse jeito meio arrogante e algumas vezes costuma ser um pouco arrogante, mas na maior parte das vezes é um cara legal.

Tinha minhas dúvidas quanto a isso, mas guardei tal opinião apenas para mim.

— Bryan te achou muito bonita. Ficou te elogiando bastante enquanto estávamos só os dois no escritório. Já estava até começando a ficar com ciúmes de tantos elogios que ele te fez. — ele sorriu e ajeitou uma mexa do meu cabelo castanho atrás da orelha.

Se Grissom já ficou enciumado com os elogios, imagina se revelo a forma despudorada com a qual o sujeito me olhou quando saí da piscina e os galanteios nada discretos que seu amigo me lançou pouco antes do Sr.Gostoso chegar?

Melhor nem experimentar para saber!

— Há quanto tempo vocês são amigos? — resolvi sondá-lo despretenciosamente.

— Mais de duas décadas.

Meu Deus era muito tempo de amizade, que aquele sujeito estava jogando no ralo por conta de um caso com minha prima — se esta minha suposição for verdade mesmo.

— Nos conhecemos na faculdade, através do Wilson, namorado de uma amiga minha. De cara nos demos bem e logo ele e eu já tínhamos virado amigos e parceiros de festa. Quando ele se formou dois anos depois de mim, eu o chamei pra advogar para mim. Nisso lá se vão mais de vinte anos.

O sorriso em Gil denunciava seu orgulho pela amizade com o tal Bryan.

"Que eu esteja errada sobre o amigo dele estar tendo um caso com minha prima."

Acredito que será bem decepcionante para Gil isso caso eu confirme com Hellen. Em seu lugar me sentiria apunhalada pelas costas.

— Hum... Mudando de assunto você fez o que seu pai pediu? — para mim já tinha dado de ficar falando daquele tal de Bryan.

Diante da minha mudança brusca de assunto vi Grissom franzir levemente a testar. Contudo, ele não fez qualquer comentário a respeito. Apenas respondeu o que eu lhe perguntei.

— Fiz sim. Só que as três terei que fazer uma videoconferência no escritório aqui de casa, com um cara de Munique. E enquanto esse horário não chega, nós podíamos aproveitar essas duas horas livres que tenho pra fazermos algo interessante.

— Tipo?

Vi um gigantesco sorriso safado surgir em seus lábios deliciosos enquanto Grissom apertava mais seus braços em torno de mim, colando meu corpo ao seu.

— Nós dois numa cama... você nua... eu nú... E o resto você pode muito bem supor qual seja.

Não pude evitar de cair na risada sendo acompanhada por Grissom.

— Você só pensa em sexo é?

— Não! Também gosto de fazer sexo. Porque o bom mesmo é fazer, ficar só pensando nele não tem muita graça.

— Você é um safado!... E insaciável! — soquei seu peito de leve.

— Ah, eu sou mesmo! Principalmente, o segundo. — Gil mordiscou de leve meu queixo para depois passar a língua no mesmo local.

— Começo a perceber isso! — resmunguei após um suspiro.

Vi Gil sorrir.

— Quanto a minha proposta de você e eu na cama em uma sessão de sexo?

— Aceito! — sussurrei aproximando minha boca da sua.

Sorrimos por breves segundos antes de Gil unir nossas bocas em um beijo. Poucos instantes depois já estávamos no quarto, caindo na cama aos beijos.

As roupas que usávamos foram sendo tiradas muito rápido e jogadas no chão. Completamente nus, Gil apanhou uma camisinha de cima do criado-mudo, inverteu nossa posição, deixando-me por cima dele e estendeu a mim o preservativo, dizendo que queria que eu lhe colocasse aquilo, porque queria sentir minhas mãos nele.

Na mesma hora atendi seu pedido e satisfiz sua vontade. O vesti com o preservativo e assim que terminei aquele serviço não resisti em masturbá-lo, fazendo movimentos de vaivém com uma das mãos e vendo Gil pouco depois emitir uns gemidos mais agudos, quando intensifiquei mais a velocidade dos movimentos com a mão.

— Apesar de estar... adorando isso. Oh, céus!... Que mãos maravilhosas você têm! — seu quadril se elevou um pouco da cama. — ... Mas eu preciso te avisar que se você continuar por mais tempo nisso, a nossa sessão de sexo vai terminar antes do esperado, querida.

Ah, eu não queria isso!

Prontamente interrompi a masturbação que lhe fazia, pois não era a minha intenção pôr fim tão rápido assim na nossa brincadeira. Em seguida eu já estava deslizando sobre sua ereção firme até tê-la toda guardada dentro de mim.

De maneira lenta e devagar, eu comecei a cavalgada sobre Gil tendo seus olhos faiscantes de paixão sobre mim enquanto suas mãos iam vagando das minhas coxas para a cintura e subindo até alcançar os seios para massagea-los e apertar os bicos por um instantes. E logo suas mãos retornaram para a minha cintura me auxiliando no ritmo da cavalgada.

Gradativamente fui acelerando o ritmo e intercalando-a com movimentos circulares. Com meus olhos focados em Gil, eu lia em sua feição o prazer escancarado que estava lhe proporcionando mais e mais.

Em determinado momento, ele inverteu nossas posições e com suas investidas rápidas e profundas nós nos perdemos e nos abandonamos a perdição completa tão logo a alcançamos momentos depois.

— Sara... Sara... A cada instante eu te quero mais e mais, querida.

Sua confissão que veio tão logo fomos tomados pelo torpor do momento, me arrancou um sorriso bobo. Eu também a cada instante compartilhado com ele, passava a querê-lo mais e mais, e a me apaixonar muito mais ainda por esse homem espetacular.

***

Entrei na cozinha e encontrei Hellen colocando algo no forno. Assim que ela se virou e deparou-se com a minha presença ali, eu pude ver certa tensão pairar sobre sua expressão. Hellen, de certo, sabia que se eu estava ali era para termos a conversa que ficou inacabada horas atrás. Eu queria saber o que a secretária de Gil escondia e não ia sossegar enquanto não tirasse a verdade dela.

— E o patrão?

— No escritório. Ele tinha uma vídeoconferência marcada agora com alguém de Munique e vai demorar nisso.

— Hum... Eu acabei de colocar no forno uma torta de maçã pra assar para o lanche de vocês depois. O patrão adora a minha torta. Você gosta de torta de maçã?

Ela parecia estar querendo me entreter com aquele assunto, bem para que eu não tocasse no assunto ao qual ela sabia que eu queria tocar. Mas Hellen não ia me enrolar.

— Eu adoro torta de maçã, Hellen. Mas quero aproveitar que seu patrão está ocupado e nós duas estamos aqui sozinhas pra você me contar aquele assunto que ficou pendente entre a gente.

— Sara, eu acho melhor deixar isso pra lá. Eu nem sei de quê assunto você está falando.

Ela me deu as costas e foi em direção a pia lavar as louças que havia sujado no preparo da torta.

— Hellen confia em mim. Sei que acabamos de nos conhecer, mas você pode me contar sem medo o que sabe sobre Bryan que envolve a minha prima.

— Eu não sei do que a senhorita está falando.

Pelo visto eu vou ter que expor a minha desconfiança e esperar que Hellen confirme o que concluí sozinha.

— Hellen... isso que sabe e não quer me contar é que Bryan e Maryane são amantes ou foram, e que muito provavelmente o filho que ela espera é dele, não é isso?

Ela se virou bruscamente para mim e pela sua expressão assustada, não era mais preciso que ela me confirmasse nada. Eu tinha descoberto a verdade. Estava certa nas conclusões que cheguei. Minha prima tinha ou teve um caso com o amigo de Grissom, e o filho com certeza era desse Bryan.

Bem que Maryane falou que o pai do filho dela não prestava. Porém, minha prima só esqueceu de dizer que a mãe da criança também prestava tão pouco quanto o pai.

Deus!

Mais era muita canalhice daqueles dois aprontarem isso pelas costas de Gil. Fico me perguntando o que ele fará quando souber disso.

— A senhorita vai contar a ele isso?

— Ele tem que saber. Ou você acha certo que ele fique sendo enganado desse jeito?

— Não acho certo, não. — ela respondeu de cabeça baixa. — Por inúmeras vezes eu senti ímpetos de contar a verdade pra ele, porque justamente não acho certo o patrão ser enganado assim. Mas eu sou só uma empregada, Sara. — Hellen ergueu a cabeça e me olhou. — Bryan é o melhor amigo do senhor Grissom e Maryane a noiva dele. Em quem acha que ele vai acreditar, em mim ou neles?

Talvez no começo ele até duvidasse mesmo dela, o que era até compreensível. Mas tenho quase certeza de que depois, Grissom ia ficar com a pulga atrás da orelha e ia procurar averiguar essa história.

— Pelo pouco que já conheço o Gil, eu já percebi que ele é um homem justo e ia buscar saber a verdade se você contasse.

— Eu não quero perder o meu emprego, Sara. Mas também não aguento mais ver o patrão fazendo papel de bobo.

Ela estava sendo bem generosa em chamar de bobo. Na verdade Gil estava fazendo papel de idiota mesmo. E aqueles dois canalhas pensam que vou deixar isso continuar? Nem pensar! O quanto antes vou desmarcará-los à Grissom.

— Como você descobriu sobre Maryane e Bryan?

Hellen se aproximou de mim e acomodou-se na banqueta vazia que havia ao meu lado para só aí começar a me relatar, que há quase dois meses flagrou sem querer Bryan e minha prima se agarrando próximo a piscina enquanto Gil tinha subido para tomar um banho.

Segundo as palavras de Hellen "os dois sem vergonhas" não a viram e sequer imaginavam ou desconfiavam que ela sabia deles.

Hellen me confidenciou que ficou sem ação com a cena deles aos beijos. Também pudera! Eu que nem vi já fiquei assim, imagina se visse. E ela ainda me revelou que ouviu quando Bryan após o beijo questionou Maryane a respeito de quando iam se encontrar à sós. Enojada com aquilo que presenciou Hellen disse que correu de volta para cozinha empunhando a bandeja com o suco que tinha ido levar aos dois à pedido de Grissom.

— Eu não sei quem é mais canalha nessa história toda se é minha prima ou esse sujeito. — me indignei.

— Acredito que ele seja mais, pois além de trair o amigo de longa data, ainda engana a mulher dele, porque Bryan é casado e pai de dois filhos.

Eu fiquei mais passada ainda com essa informação e toda aquela história que Hellen me contou. Grissom tinha que saber daquela situação envolvendo Maryane e Bryan.

— Essa foi a única vez que flagrou os dois nesse tipo de situação comprometedora?

— Sim!... Sara, você acha que o filho da sua prima pode ser do senhor Bryan?

— Tem toda a cara de ser.

A não ser que minha prima tenha outro amante. Mas acho que não. Então só pode ser esse tal Bryan mesmo.

— Desde o dia que dei esse flagra neles que passei a detestar mais ainda esse amigo do doutor Grissom. Eu já não gostava desse tal de Bryan antes por achá-lo esnobe demais e depois desse dia passei a gostar menos ainda. Ele não vale nada!

— Nem ele e nem minha prima!

Maryane paga de tão boazinha e politicamente correta na frente dos meus pais, que fico me perguntando o que eles vão achar dela quando souberem dessa safadeza da minha priminha?

Hellen e eu ainda ficamos de papo sobre aqueles dois por mais algum tempo. Depois mudamos de assunto para não sermos pegas por Gil falando daquilo.

Eu queria que ele soubesse daquela história toda, mas não assim inesperadamente. Teria que conversar com ele e lhe abri o jogo da melhor maneira possível e ainda pensaria em qual seria esta maneira, já que por hora eu ainda não sabia. Contudo não podia me demorar em contar aquilo que sabia, porque estaria sendo conivente com aqueles dois e de modo algum, queria aquilo.

Com o assunto Bryan e Maryane encerrado, Hellen e eu ficamos falando sobre outras coisas mais agradáveis enquanto a secretária do Sr.Gostoso ia lavando a louça e eu a ajudava — sobre muitos protestos dela de que não era preciso — enxugando e guardando a louça que ela lavava.

Assim que terminamos, nos acomodamos a mesa e batemos mais papo. Ela era boa de conversa e uma companhia agradável. Me contou um pouco sobre sua vida. Hellen é viúva há mais de um ano. Seu marido morreu em decorrência de um câncer no estômago. Segundo ela o marido vinha há meses lutando contra a doença, mas acabou perdendo a batalha e deixando órfão o filho deles que na época tinha acabado de completar cinco anos.

Helen me confidenciou com lágrimas nos olhos que foi um duro golpe para ela a perda do marido já que além de seu companheiro e amor de sua vida, Raymond era o esteio da casa e único que trabalhava para sustentar a família. Com a morte dele, Hellen teve que começar a buscar emprego, mas nada de encontrar. Estava ficando desesperada e quase perdendo as esperança, quando uma amiga sua lhe recomendou a Matilde para vir trabalhar ali no apartamento de Grissom. Ela teceu elogios rasgados a Gil dizendo que ele era um ótimo patrão e que mesmo com sua falta de experiência em trabalhar fora, ainda assim, Grissom a contratou.

Em determinado momento do nosso papo, quando Hellen já me falava de seu filho e do quão peralta e arteiro o menino era, a torta ficou pronta e a mulher foi tirá-la do forno.

— Nossa o cheiro tá delicioso. — comentei quando ela depositou a travessa de vidro à mesa, sobre um suporte de inox.

— Modestia a parte o sabor deve estar também.

— Não duvido mesmo!

Nós duas nos viramos ao ouvir a voz de Grissom reverberar na cozinha enquanto ele adentrava ao cômodo.

— Ei! Achei que ia demorar mais essa vídeoconferência.

Acho que não fazia nem muito tempo que ele passou lá para o escritório. Ou será que foi o contrário e eu nem percebi devido ao papo com Hellen?

— Eu demorei sim, Sara. — nossa então nem notei essa demora. O papo com Hellen foi tão bom que nem senti o tempo passar. — E se eu fizesse gosto do Zimmermann, com certeza, demoraria muito mais. Mas como eu não estava nenhum pouco a fim de ficar esticando papo com ele então tratei rapidamente do que era necessário e terminei sem grandes delongas o assunto, não dando margem aquele alemão de ficar de papo furado comigo. — Gil tinha um sorriso divertido enquanto me olhava e se acomodava numa cadeira ao meu lado. — E eu quero provar essa torta. Pode me servir um pedaço dela, Hellen?

— Agora mesmo!

Ela se dirigiu até um armário enorme onde estavam as louças.

— Você vai queimar a língua, Gil. Hellen acabou de tirar do forno a torta. — lhe informei.

— Ih, mas é assim mesmo que o patrão gosta, Sara, não é doutor Grissom?

— É assim mesmo, Hellen. Eu só gosto das coisas: Quentes. Bem quentes de preferência, Sara!

Ele piscou e sorriu para mim todo safado. Não era só à torta que ele estava se referindo. Aquela cara safada deixava bem claro isso. Agradeci que Hellen estava de costas para gente e não viu aquele sorriso cheio de más intenções de Gil, senão eu ficaria morrendo de vergonha, pois ela, certamente, entenderia também que não era só da torta que aquele pervertido estava falando.

— Seu safado! — golpeando de leve a sua coxa, eu lhe murmurei baixo tal insulto só para Gil ouvir. E ele ouviu e riu descaradamente alisando minha perna.

Hellen se voltou para perto da gente empunhando dois pratinhos e talheres. Eu a informei que ela ainda não me servisse, pois eu ia esperar esfriar um pouco mais a torta para só depois experimentá-la. Desse modo, Hellen só serviu Grissom que no instante seguinte já provava a torta quente mesmo.

— Deliciosa como sempre a sua torta, Hellen.

Pela cara de satisfação e aprovação dele enquanto degustava o pedaço de torta, Gil estava sendo sincero.

— Obrigada, senhor. — ela agradeceu, depositando a jarra de suco que havia feito.

— Você devia comer quente que é muito bom, Sara.

— E correr o risco de queimar a língua? Nem pensar. Prefiro esperar esfriar um pouco para aí sim, experimentar. Assim quente como está não dá nem pra sentir o sabor direito.

— Claro que dá!

Hellen nos pediu licença e informou que ia passar umas roupas. Assim ficamos Gil e eu sozinhos na cozinha.

— Hum... Tá muito boa a torta mesmo. — Gil comentou antes levar outro pedaço generoso a boca.

— Deve estar mesmo, pois você já está quase terminando de comer todo o pedaço que a Hellen pôs pra você. — revelo com um sorriso.

Ele estava devorando a torta rapidamente, mesmo esta quente.

— Porque está muito boa mesmo!... Hum... Que horas quer que eu te leve pra casa?

— A hora que você quiser. — deslizei uma das mãos por seus cabelos.

Vi Gil sorrir enquanto mastigava e me olhava. Só depois que terminou sua mastigação que ele se pronunciou.

— Se é assim... Então não vou te levar pra casa nunca, porque não quero mais que vá embora daqui.

— Não?

Ele balançou a cabeça negativamente já mastigando outro pedaço da torta que havia acabado de levar a boca.

— Você é diferente do que eu pensava, sabia?

Nos nossos primeiros contatos que tivemos, eu fazia uma visão um tanto deturpada dele, muito em conta por causa das informações que ele mesmo me deu a seu respeito. Mas agora que já o conheço mais, eu descobri que ele não era nada do que eu pensava. Ele era muito melhor!

— E como você pensava que eu era?

— Em resumo um sujeito sério e muito frio.

Eu podia ainda acrescentar também um mulherengo incorrigível, mas não ousei e nem tive coragem de dizer aquilo.

— Sério eu sou no trabalho e muito. Além de bastante exigente com o meu pessoal. Não gosto de falhas e nem incompetências. Agora, quanto a ser frio, você já deve ter percebido que isso está bem longe de eu ser.

— Bota longe nisso mesmo!

Ele era um homem quente... Muito QUENTE!

Notas finais
Ficamos por aqui. Até o próximo capítulo.