One Night - Livro 1
28 Capítulo XXVIII
Notas iniciais
De banho tomado e deitada na minha cama já de pijamas, eu ainda estava inconformada e com raiva pela minha prima ter atendido o celular de Gil.
Onde será que eles estavam?
O que faziam juntos?
Por que ela atendeu seu celular?
Eram tantas perguntas espocando na cabeça, que eu já estava pirando.
— Que droga, Grissom! — resmunguei baixo e socando o colchão. No instante seguinte escuto duas batidas na porta do quarto. — O que foi Dayse?
Meu olhar foi para a porta do quarto e vi a mesma se abrir. Para minha total surpresa não foi a minha amiga quem apareceu, foi Gil.
— Grissom?? — me sentei rapidamente na cama e fitei-o com espanto e desconfiança por sua inesperada presença ali.
— Posso entrar? — ele me pareceu cauteloso e meio sem jeito demais para o sujeito sempre tão firme e confiante, que costuma ser.
Com um balançar positivo de cabeça, eu lhe autorizei que entrasse. Gil o fez e trancou a porta logo em seguida, para depois vir até mim com as mãos enfiadas nos bolsos laterais da calça de linho preta. E preta também era a cor do blazer, do colete e da gravata que ele usava por cima da camisa branca.
Grissom estava um charme só naquele vestuário e parou em pé perto da cama, bem diante de mim.
— O que você faz aqui?
— Você me ligou, por isso eu vim.
Como ele soube que fui eu que liguei para ele?
Dayse!
Eu mato aquela vaca!
— Eu não te liguei nada. — resolvi mentir descaradamente.
Notei um discreto e charmoso sorriso se formar no canto dos lábios daquele cretino. Ele sabia que eu estava mentindo. Infeliz!
— Ah, não ligou? Hum... Então a Dayse bancou a mentirosa quando me respondeu ao SMS dizendo que foi você quem tinha me ligado do número dela?
Sabia! Só podia ser mesmo! Eu acabo com ela depois. Essa vaca não tinha nada que responder mensagem dele dizendo que eu lhe liguei. Pedi para ela não fazer isso, mas parece que falei japonês para ela não entender.
— Tá, ela não bancou a mentirosa. Realmente, eu te liguei! — admiti já que ele sabia a verdade mesmo. Portanto era inútil sustentar a mentira que inventei. — Mas tive a desagradável surpresa de escutar a voz da sua noiva atendendo ao seu celular.
Ele fez uma careta e coçou o queixo.
— Eu tenho uma explicação pra isso, Sara.
Claro que ele tem! Estranho seria se não tivesse.
Resolvi ouvir o que ele teria em sua defesa com relação aquela situação toda.
— Estou esperando a sua explicação, Gilbert. — cruzei os braços enquanto lhe fitava incisivamente, aguardando por sua explicação.
Sem sequer pedir autorização, ele se sentou na cama, próximo às minhas pernas cobertas pelo lençol e com o corpo virado para mim.
Em sua explicação, Gil contou que toda aquela situação foi uma grande coincidência, pois segundo ele estava num restaurante jantando com o pessoal da reunião de ontem que não teve, quando minha prima apareceu no mesmo restaurante acompanhada de uma amiga. Ao notar que Gil também estava no restaurante, Maryane foi cumprimentá-lo e acabou tomando a liberdade de se apresentar aos presentes como noiva dele.
— Ela fez isso? — interrompi sua explicação.
— Fez. E me pegou desprevenido, porque eu não pretendia apresentá-la como noiva. Mas ela o fez. E o pessoal ao saber do nosso compromisso, imediatamente, fizeram questão dela se sentar conosco à mesa.
— Mas não era um jantar de negócios? — perguntei séria.
— Era, mas havia duas mulheres que vieram acompanhar seus maridos. E elas foram as que mais insistiram pra Maryane ficar conosco. Aí, não tive escolha. Pedi a sua prima e também a amiga dela que ficassem conosco.
— E por que Maryane atendeu seu celular, Grissom?
Eu não podia negar que isso me deixou bem enciumada, e continuava deixando.
Ele relatou que foi ao banheiro em determinado momento do jantar e esqueceu o bendito celular sobre a mesa. E calhou de justamente, nesse momento, eu ligar e Maryane atender.
— Quando voltei do banheiro, sua prima me disse que haviam ligado e ela atendeu achando que fosse alguma ligação importante de trabalho. Perguntei quem havia ligado já que não reconheci o número, mas ela disse que não sabia porque a chamada aparentemente caiu.
— Não caiu. Fui eu quem desligou segundos depois de ouvir a voz dela. — contei.
— Liguei de volta umas três vezes pra saber quem era, mas ninguém atendeu então desisti. Aí, quando saí do restaurante, resolvi fazer mais umas tentativas de saber quem havia ligado. Liguei mais duas vezes e não atenderam de novo. Então me ocorreu de mandar uma mensagem de texto perguntando de quem era aquele número que me ligou. Foi então, que sua amiga me respondeu segundos depois.
Aquela linguaruda! Ela não tinha nada que responder.
— Sorte sua e minha que eu não te liguei do meu número.
— Hum... E qual foi o motivo da sua ligação? As flores que mandei? Confesso que esperei ao longo do dia todo por qualquer ligação sua para falar delas.
Ele deslizou um pouco para frente no colchão e com isso, chegou mais perto de mim, numa invasão ao meu espaço pessoal. Inspirei fundo ante a sua presença mais próxima agora. Ele me afetava de um modo que era louco. O corpo ficava em chamas, a pele arrepiava e a frequência cardíaca acelerava. Eu achava incrível esse seu poder de desencadear essas reações em mim. Era só ele chegar perto para eu sentir coisas, que nem mesmo os meus ex's com quem me relacionei por tempos, foram capazes de despertar tão intensamente como Grissom despertava.
É meio louco e assustador ao mesmo tempo!
— Não vai me responder, Sara? — uma de suas mãos repousaram sobre meus braços ainda cruzados sobre o peito. Tal contato me fez "acordar" do pequeno transe, no qual fiquei por causa de sua aproximação e os pensamentos que me tomaram a cabeça.
— Sim. Eu liguei realmente pelas flores. Queria te agradecer por elas são lindas. Sua secretária escolheu bem outra vez.
— Na verdade, desta vez fui eu mesmo quem escolheu as flores pra você.
— Hum... Sua escolha foi bem apropriada.
— Que bom!
— E eu também tinha ligado pra gente conversar sobre ontem.
— Sobre ontem... — Gil fez um pequeno ruído, estalando a língua no céu da boca. Depois suspirou, ou melhor, bufou mesmo enquanto deslizava a outra mão que estava livre, pelos cabelos. — ...Sinto muito, de verdade, por aquele episódio, Sara! — ele pediu com uma visível sinceridade no olhar que me lançava. — Eu me excedi e fui um idiota, possessivo e machista!... — concordava em gênero, número e grau nisso. — Não devia ter dito o que eu disse e muito menos, falado daquela forma tão autoritária com você. Mas é que... — seu olhar se desviou do meu para o chão do quarto. — ...A simples ideia de você saindo com outro cara me deixou louco e completamente fora de mim.
— Percebi! Só que isso não te dá o direito de me dizer aqueles absurdos que disse. Grissom, você me tratou como uma propriedade sua e não como uma pessoa. Foi extremamente grosseiro, machista, possessivo e ainda por cima, mostrou total falta de confiança em mim.
— Errei e peço mil perdões pelo meu erro. Sair dos eixos daquela forma como saí ontem à noite é novidade pra mim. — seu olhar se voltou ao meu. — Nunca sentí ciúmes de nenhuma mulher antes como senti de você ontem. Até porque, como eu ia sentir ciúmes de mulheres que eu não gostava de verdade?... Com você é diferente, porque eu gosto de você e é de verdade, Sara.
Confesso que suas palavras meio que me amoleceram, mas não me fizeram esquecer o ressentimento por sua desconfiança e por ter ouvido dele o que ouvi na sala.
— Eu não sou esse cara ciumento, machista e possessivo que demonstrei ser ontem com aquele comportamento. Te garanto que aquilo jamais tornará a se repetir. Me perdoa, querida?!
Sua fala doce e o olhar pedinte, tornam impossível a tarefa de não perdoá-lo.
— Você precisa ter confiança em mim, Grissom, coisa que demonstrou não ter.
— Eu tenho confiança em você. É nos outros homens que não confio!... O que aconteceu na boate lá em Santa Mônica exemplifica muito bem isso. E se esse seu chefe tem uma atitude que nem a daquele idiota que queria te levar à força com ele?
— Brooke nunca faria isso. Eu o conheço, trabalho há cinco anos com ele e sei que o meu chefe não é um canalha como aquele da boate.
— Às vezes achamos que conhecemos bem alguém, mas determinadas situações acontecem para nos mostrar o contrário.
— Mas o Brooke não está inserido nesse caso. Ele é uma pessoa boa e eu o conheço bem, Gilbert.
Poria as minhas mãos no fogo quanto ao caráter do meu chefe. Ele é um gentleman que jamais se portaria como um canalha desrespeitoso comigo.
— Okay! — Gil ergueu as mãos e notei que parecia já aborrecido por eu ficar defendendo meu chefe. Mas eu defenderia mesmo Brooke, porque conheço-o o bastante para isso. — Vamos deixar seu chefe pra lá e voltar ao nosso assunto sobre ontem. Você vai me perdoa, querida? Eu estou arrependido de verdade por meu péssimo comportamento.
A mão dele buscou a minha e Gil a puxou até sua boca, depositando um beijo nela. Seu olhar era suplicante e resolvi, perdoá-lo.
— Eu vou te perdoar. — um sorriso surgiu em seus lábios no mesmo instante que disse tais palavras. — Mas não ouse mais agir daquela maneira comigo! — adverti-o séria. E eu não estava brincando quando disse essa última parte.
Ele pareceu entender isso e assentiu, mantendo aquele seu sorriso tipo cafajeste que só ele tem. Depois se aproximou mais ainda de mim e me beijou.
Envolvi seu pescoço com meus braços e senti uma de suas mãos em minha cintura enquanto a outra foi parar em minha nuca. Sua língua mergulhou em minha boca e eu me deixei levar pelo beijo quente de Gil. Um beijo tão quente quanto aquele homem conseguia me deixar em questão de segundos.
— Eu nem dormi direito por conta da nossa briga de ontem, sabia? — ele me contou após nosso beijo terminar.
— Não?
Ele negou com a cabeça.
— Posso te fazer uma pergunta?
— Pode!
— Mais não quero que se aborreça com a pergunta, é só uma curiosidade minha.
— Pergunta logo, Grissom!
— Por que você tinha que sair com seu chefe usando aquele vestido tão justo?... Você por acaso costuma ir trabalhar com roupas justas daquele jeito?
Eu bem podia me aborrecer com o que ele disse, mas não foi o caso. Na verdade, eu fiz foi rir daquilo.
— Qual é a graça pra eu rir também?
— Você e essa sua pergunta. — contei ainda rindo. — Por acaso vai querer ficar regulando o que eu visto, é?
— Não! É só que... Aquele vestido... Ele...
— Olha... — interrompi sua embolada explicação. — Eu fui trabalhar com aquele vestido, porque nós dois íamos jantar juntos depois do meu trabalho, só por isso. E eu não costumo usar roupa justa para trabalhar.
— E esse seu chefe não tentou nada com você durante a saída que deram?
Meu Deus, mas ele pegou com cisma do meu chefe que eu hein!
— Brooke me conhece há anos, Grissom. Você acha que se ele tivesse que tentar algo já não teria feito muito antes?
— E alguma vez ele tentou?
Quantas perguntas!
— Não. Ele sempre me respeitou, Gil.
— Para o bem dele é melhor que continue assim então!
Eu não queria nem rir, mas foi inevitável diante desse seu comentário. Inclusive, Gil mesmo riu junto comigo do que disse.
— A minha prima que deve ter tirado uma casquinha de você, assim todo gato nesse jantar de negócios. — comentei despretensiosamente deslizando uma das mãos pelo colete dele.
Gil sorriu.
— Gato é? — ele tinha as sobrancelhas arqueadas e um sorriso todo presunçoso.
— É. Você sempre vai para esses jantares de negócios, assim todo gato? — brinquei, usando quase a sua fala de ainda pouco.
Gil gargalhou e veio me dar um beijo.
— Eu me arrumei assim, porque sabia que viria te ver hoje.
— Mentiroso! — lhe golpeei de leve no peito e o descarado riu.
Não houve réplica dele ao que eu disse, porque Gil tomou minha boca em outro beijo arrebatador enquanto me fazia deitar na cama e se acomodava por cima de mim. Instantes depois, nós estávamos sem nossas roupas, tendo uma deliciosa sessão de sexo, que tentamos a muito custo que não fosse "barulhenta" para não sermos ouvidos por Dayse do quarto dela.
Momentos mais tarde...
— Você e a Maryane transaram alguma vez depois que nós dois tivemos aquela nossa primeira noite juntos Gil?
Essa questão vinha me atormentando. Pedi em silêncio que ele me dissesse "não", porque se fosse o contrário seria decepcionante.
Assim que lhe lancei aquela questão senti Gil cessar, imediatamente os beijos que dava em minhas costas nuas, enquanto eu me encontrava de bruços na cama, com o lençol me cobrindo apenas da cintura para baixo após nossa transa de tempos atrás.
— Sara que espécie de homem você acha que eu sou?
Virei o rosto para o lado encontrando Grissom deitado de frente para mim na cama.
— Eu quero acreditar que você não seja tão canalha a ponto de está transando comigo e a minha prima ao mesmo tempo.
Se eu sonhasse que isso estava acontecendo pelas minhas costas, eu ia querer esse cara morto. Nunca mais na vida, iria olhar nas fuçadas dele. Sem contar, que ainda ia desmascarar esse cretino para Maryane e meus pais, sem me importar se isso iria me expor por tabela. Dane-se!
— Sara sua prima e eu não transamos há um mês quase. Nossa última transa foi duas semanas antes de eu te conhecer. Depois dessa não houve mais nenhuma. Acredite!
Se ele estava sendo sincero e verdadeiro eu não sei. Mas eu resolvi lhe dar o benefício da dúvida e acreditar nele, pois quando achei que ele estava mentindo no lance da paternidade do filho da Maryane, Gil não estava. Então, quero pensar que agora seja a mesma coisa.
— Eu vou acreditar em você. Mas se eu souber por ela que vocês continuam tendo ou tiveram relações enquanto nós dois estamos juntos, você pode esquecer de mim, porque eu não vou querer mais nada com você.
E eu estava falando muito sério quando dizia aquilo. Espero, sinceramente, que ele tenha entendido a seriedade nas minhas palavras.
— Sara escuta... quando eu disse que gostava de você e que me apaixonei por você, eu falei sério. Ou por acaso acha que eu disse aquelas coisas da boca pra fora?
— Eu espero que não tenha sido da boca pra fora!
— E não foi. Todas aquelas coisas que eu te disse, não tinha dito a mulher nenhuma antes. E você pode ter certeza, que na sua prima eu não toquei mais depois que nós dois... — Gil gesticulou com o dedo indicador apontando de mim para ele. — ...Passamos aquela noite juntos! E nem pretendo tocar mais.
— E em outra(s), você tocou e se envolveu durante esse meio tempo?
— Vamos mudar o rumo dessa conversa, hum?
Por esse corte dele, eu já podia imaginar a resposta: Gil se envolveu com alguém durante os dias que passamos sem nos ver depois daquela noite. Mas também o que eu queria? Ele antes não tinha compromisso comigo para eu lhe exigir exclusividade ou fidelidade. Agora era diferente!
— Sabe, ás vezes eu fico pensando se não vou quebrar a cara feio com você. — me virei na cama, ficando com as costas apoiadas no colchão.
Um sujeito como ele que passou a vida fugindo de relacionamentos e se envolvendo com uma mulher hoje e outra amanhã, não muda ou abandona rapidamente esse seu jeito cafajeste. E o meu temor, é que tão rápido quanto ele diz que se apaixonou por mim, possa se desapaixonar.
— Por que diz isso?
— Porque é o que eu acho. — desviei o olhar que mantinha preso ao teto do quarto e fitei Gil deitado com a cabeça apoiada no próprio braço. Não ousei contar-lhe a verdade, externar meu temor.
— Pois saiba que está achando errado. — ele deslizou a mão suavemente pelo meu rosto. — Se depender de mim, você não vai quebrar a cara comigo. Prometo!
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