One Night - Livro 1
29 Capítulo XXIX
Notas iniciais
— Já é o nosso jantar que chegou, Dayse?
— Não! — Dayse respondeu de volta da cozinha e se acomodando no sofá de novo. Estávamos vendo um filme enquanto a comida que pedimos num restaurante delivery não chegava.
— Então por que o porteiro interfonou? — olhei com desconfiança e curiosidade para minha amiga.
— Pra avisar que um tal de Brooke estava perguntando por você e autorizei a subida do seu chefe.
Me espantei com aquilo. Meu chefe não avisou e muito menos, comentou no trabalho nada sobre vir à minha casa.
— Mas o que o Brooke veio fazer aqui?
— Vamos saber em breve.
Segundos depois a campainha soava e eu ia atender a porta.
— Oi, Brooke! Que surpresa.
— Vim trazer os seus quadros. — meu chefe apontou os mesmos, embalados e escorados a parede ao lado da porta.
Os quadros!!
Como pude esquecer?!
Ele comentou que os traria na minha casa, quando Tamara lhe entregasse.
— Ah, entra Brooke.
Eu quis ajudá-lo com os quadros, mas ele disse que não era preciso.
— Tamara me avisou deles quando você já tinha ido embora da editora enquanto eu ainda estava por lá. Aí, encerrei o trabalho, passei na galeria dela para apanhar seus quatros e fiz questão de trazê-los hoje mesmo.
Coitado, ele saiu do trabalho cansado, foi na galeria e depois ainda veio aqui na minha casa trazer os quadros.
— Não precisava se incomodar trazendo essa hora.
— Que nada! Não foi incômodo algum. Oi, Dayse!
— E aí, Brooke!
O interfone tocou na cozinha e Dayse pediu lincença para ir atendê-lo. Agora devia ser o entregador do restaurante que pedimos o jantar.
— Podia ter deixado pra me entregar amanhã.
— Eu quis logo te entregar. Tamara te mandou lembranças.
— Quando você a ver de novo diga que mandei lembranças a ela e o marido também.
— Eu digo sim.
— Sara o nosso jantar chegou e tá subindo. — Dayse avisou de volta da cozinha.
Resolvi retribuir a gentileza de Brooke de ter vindo a minha casa às nove da noite trazer os quadros, convidando-o para jantar comigo e Dayse.
— Brooke quer jantar com a gente? Aposto que ainda não jantou, né?
— Pior que não jantei mesmo.
— Então fica e janta conosco, não é Dayse?
Minha amiga assentiu em concordância.
— Eu não vou incomodar vocês?
— Imagina.
— Então aceito o convite.
****
— Eu não acredito que você era assim como descreveu!
— Mas pior que eu era! — Brooke afirmou, tomando um gole do suco dele. Eu tinha oferecido à ele uma cerveja, mas meu chefe não aceitou, alegando que ia dirigir depois.
— Ah, conta outra Brooke?! Você com essa pinta de galã de novela, tá querendo nos convencer que na sua juventude era feio?
Abri um sorriso divertido por conta da insatisfação de Dayse enquanto dava outro gole na minha cerveja.
— Mas é a pura verdade! Eu era feio mesmo. Um dia vou mostrar a única foto que tenho minha dessa época e aí, vocês vão ver que é verdade que eu era magricelo, com uma porção de espinhas na cara, usava óculos de grau fundo de garrafa, aparelho nos dentes e tinha um cabelo horroroso.
Caímos na risada e escutamos a campainha tocar. Estranhei que o porteiro não interfonou, avisando que tinha alguém subindo ao apê. Mas mesmo assim me levantei do chão onde estávamos acomodados já que foi ali que jantamos, e caminhei até a porta rindo. Antes, porem, de atender quem tocou a campainha, falei para meu chefe:
— Eu quero mesmo ver essa foto!
— Pode deixar que eu te mostro. Não sei quando, mas eu mostro.
Abri a porta e dei de cara com Gil estampando um sorriso largo.
— Oi! — ele me cumprimentou antes de roubar-me um beijo rápido.
— Oi! — respondi surpresa com sua chegada. — Achei que nem viesse mais essa noite. — passava das dez e meia já.
— Lewis me pediu pra ir jantar com ele e Edgar, o namorado dele e por isso não vim mais cedo. — ele explicou me abraçando pela cintura para logo depois me tascar outro beijo.
Mantendo sua boca na minha, Gil entrou no apê e com o pé ele bateu a porta. Depois disso me encostou na parede ao lado da porta e continuou seu "ataque" delicioso à minha boca. Eu queria interromper o nosso beijo para avisá-lo de que não estávamos sozinhos na sala, mas estava tão bom o beijo, que eu não tinha coragem de interrompê-lo.
Foi então que ouvimos um pigarro e Gil interrompeu nosso beijo.
Eu não sei qual era a cara mais engraçada ali. A de constrangimento de Brooke. Ou a de estranheza de Gil pela presença do meu chefe.
— Achei por bem chamar a atenção de vocês ou nós dois aqui, íamos ver uma sessão de sexo ao vivo de vocês.
Eu quis me enterrar com aquela fala da minha amiga. Senti as bochechas arderem de vergonha.
— Dayse! — recriminei-a e ela pouco se importou, pois sorriu e Brooke a acompanhou nisso.
— Peço desculpas a você e seu namorado pelo pequeno show, Dayse.
— Brooke aqui não é meu namorado, não Grissom. Ele é o chefe da Sara.
Gil apenas me lançou um olhar, mas não disse nada. Depois ele voltou sua atenção à Dayse e Brooke.
— Vem, Gil. Deixa eu te apresentar meu chefe. — segurei na mão dele e vim trazendo-o junto comigo até Brooke. Meu chefe por sinal ficou de pé para cumprimentar Gil. — Grissom este é o Brooke Colleman, meu chefe na editora. Brooke este é Gil Grissom...
— O namorado da Sara! — Gil falou me interrompendo e enlaçando minha cintura de maneira possessiva, enquanto encarava com cara de poucos amigos o meu chefe.
Dayse e eu disfarçadamente trocamos um olhar cúmplice, querendo rir da situação e do visível ciúmes de Gil. Aquele homem não tem jeito!
— Você por acaso não é o Grissom das Indústrias Care, é?
— Sou filho dele!
— Puxa, muito prazer em conhecê-lo, Grissom.
Brooke estendeu a mão para Gil e o mesmo aceitou o cumprimento sem qualquer entusiasmo. Logo após isso, meu chefe anunciou que já ia, pois estava tarde.
Ele se despediu da Dayse, disse "tchau" à Grissom e eu o acompanhei até a porta.
— Pelo visto seu pretendente passou no processo de análise.
— Pois é.
— Acho que ele não curtiu muito a minha presença aqui na sua casa.
— Que nada. Esse é o jeito dele. — tentei amenizar.
— Sei não. Mas enfim... Obrigada pelo jantar.
— Eu é que te agradeço por ter trazido os quadros pra mim.
— Que nada. A gente se vê amanhã na editora, Sara. Tchau!
— Tchau, Brooke!
Tão logo fechei a porta e me virei, encontrei Grissom me olhando incisivamente e, certamente, devia estar fazendo isso durante todo o instante em que eu me despedia de Brooke.
— Bom, gente linda... Vou para o meu quarto dormir. Boa noite!
— Boa noite, Dayse! — Gil e eu dissemos juntamente.
Esperei Dayse sair e sumir das nossas vistas para me dirigir ao meu namorado ciumento.
— Quer dizer que você é meu namorado? — caminhei até Gil tentando conter o sorriso.
Confesso que fiquei surpresa e também toda boba por ele ter se apresentado assim para o meu chefe. Eu ia dizer que ele era um conhecido, mas Gil tomou a dianteira.
— Sou! Ou não sou?
— Não sei. — dei de ombros. — Achei que era o noivo da minha prima, não?!
Sua cara se retorceu em careta.
— Por que sempre tem que lembrar disso?
— Não dá pra esquecer, Gil.
Era impossível esquecer disso na verdade!
— O que o seu chefe fazia aqui?
— Já vai começar com os ciúmes e as desconfianças?
— É só uma pergunta por pura curiosidade, sem qualquer desconfiança. Mas sim, com ciúmes sim, porque eu gosto de você e não consigo evitar sentir ciúmes de qualquer cara perto de você.
Ai, meu Deus! O que eu faço com esse homem?
Impossível ficar brava com ele por seus ciúmes, se ele vem e fala uma coisa dessas.
Passei os braços por seu pescoço e Gil fez o mesmo em minha cintura.
— Acho que vou trocar seu apelido de "Sr.Gostoso" para "Sr.Ciumento", o que acha? — brinquei.
Gil apertou os lábios numa tentativa inútil de conter o sorriso, que escapava de sua boca.
— Prefiro "Sr.Gostoso" mesmo!
— Eu também! Mas o outro apelido também te cai como uma luva. — afirmei antes de dar um beijo demorado em Gil.
— O que o seu chefe veio mesmo fazer aqui Sara?
Gil insistiu em saber tão logo nosso beijo terminou.
— Ai meu Deus! Que homem mais curioso ou seria ciumento?
— Um pouco dos dois!
Eu não diria um pouco, mas sim um bocado de ambos.
— Brooke veio me entregar dois quadros que comprei na exposição da amiga dele que eu o acompanhei.
— Quer dizer que ele dá extra trabalhando como entregador é?
— Deixa de ser chato? Ele apenas só foi gentil trazendo pessoalmente os quadros pra mim.
— Gentil até demais. Não sei não, pra mim esse seu chefe tá interessado em você.
— Não vê coisa onde não existe, vai! — lhe dei um selinho. — E me ajuda a arrumar essa bagunça. Dayse se mandou de propósito pra não fazer isso. — saí dos braços de Gil e comecei a juntar a louça suja da mesa de centro.
— Vou ganhar alguma coisa em troca por ajudar?
Pude ver a malícia estampada em sua face. Ele já estava pensando em safadeza. Meu Deus que homem mais safado!
— Sim, vai. Você vai ganhar um "muito obrigada". — provoquei e ele sorriu.
— Além disso, não vou ganhar mais alguma coisa?
— Um beijo!
Segui para a cozinha com os pratos em mãos e sendo seguida por Gil que trazia os copos, além da sacola de lixo com as embalagem da refeição do restaurante.
— E mais nada?
— Vou pensar no seu caso.
— Posso te ajudar a pensar melhor e mais rápido no "meu caso".
Ele me prensou contra a pia e me abraçou por trás, tascando um beijou seguido de uma mordidinha em meu pescoço após ter depositado dentro da pia os copos. Me arrepiei todinha com isso e acabei por deixar escapar junto o seu nome num sussurro. Aí, depois sua boca foi até minha orelha onde sua llíngua provocou.
— Já pensou?
— Tô pensando ainda.
O Sr.Gostoso me virou de frente para ele e tomou minha boca com propriedade, num beijo que fez meu sangue ferver e o corpo desejar pelo dele com urgência e desespero.
— E agora?
— Esquece as louças me leva para o quarto.
Ele sorriu todo cafajeste e pegando-me no colo, fomos aos beijos para onde eu disse. Deixamos as louças sujas na pia mesmo e fomos cuidar de fazer coisa mais interessante e melhor no meu quarto, na minha cama.
****
A semana voou e em alguns dias dela, eu vi Gil, pois ele sempre dava um jeito de vir aqui me ver ou passar a noite comigo. E quando não dava, ele ligava a noite para nos falarmos antes de dormir.
Quando estamos juntos é tão maravilhoso. Gil tem se mostrado cada vez mais um cara especial e apaixonante. O único problema nele é que ainda continua noivo de Maryane, mas segundo ele isso será só até segunda que é quando seu pai chega de viagem e Gil vai falar sobre nós para o coroa dele.
Eu não vejo a hora dessa situação toda se resolver e o compromisso de Grissom com Maryane ser desfeito. Eu tanto disse que não queria ser a outra, mas acabou que eu estava exercendo, infelizmente, esse papel. E para mim ficar enfeitando a testa da minha prima não estava sendo nada agradável, muito pelo contrário, tem sido bem desconfortável e desagradável. Inclusive, eu já estava ficando bem incomodada com isso.
Mas Gil me prometeu que segunda isso vai ser resolvido. E assim espero mesmo! Pois só desse modo, eu e o Sr.Gostoso poderemos viver nosso relacionamento sem se esconder mais.
— Sara seu namorado está lá na sala!
— Ele não é meu namorado ainda, Dayse.
— Mas ele já se intitulou assim naquele dia para o Brooke.
— Porque ficou com ciúmes. Nós não somos namorados, de fato, ainda.
— Ah, então são o quê?
— Nós somos apenas... Ah, esquece! Não temos rótulos por enquanto.
— Hum... Então vai lá na sala que o seu "sem rótulo" chegou pra te ver.
Sai do quarto e fui até a sala. Gil não me avisou nada que vinha em pleno sábado a tarde me ver. Fazia apenas uma hora que Dayse e eu chegamos da editora, pois hoje o expediente termina as duas, e ainda pouco mesmo falei com Gil por telefone para agora ele aparecer aqui em casa.
— Ei! — fui até Gil e lhe dei um beijo. — O que faz aqui?
— Vim te buscar pra passar hoje e amanhã comigo em minha casa em Nova Jersey. Vamos?
— Grissom e a minha prima? Ela mora nessa cidade. E se ela, de repente, for ao seu apartamento e...
— Sua prima viajou hoje mais cedo pra ir atender uns clientes em outras duas cidades e só volta na segunda bem cedo. Ela mesma me ligou avisando. Então esquece a Maryane e vem comigo, vai.
— Gil...
— Por favor, Sara. Quero que conheça minha casa e durma comigo lá.
Ai, já começo a perceber que toda vez que ele faz essa cara pidona com fala doce, fica impossível negar um pedido a ele.
— Tá bom, eu vou com você. Só me dá uns minutos pra arrumar uma muda de roupa.
— Coloca biquíni, porque eu tenho uma piscina.
— Okay! Já volto.
— Te espero aqui!
Corri ao meu quarto para providenciar algumas poucas roupas para levar. No meio do caminho esbarro com Dayse que vinha pelo corredor.
— Vem comigo. — saí puxando minha amiga pela mão em direção ao meu quarto.
Enquanto abria o guarda-roupa e apanhava algumas roupas e meu biquíni, contei a Dayse sobre o convite de Gil. Minha amiga chiou e não achou uma boa ideia isso por receio de eu esbarrar com minha prima por lá e esta descobrir do pior jeito o meu rolo com o noivo dela. Mas contei o que Gil disse sobre Maryane. Todavia, Dayse ainda não achou uma boa eu ir, mas alegou que se era o que eu queria, então "lavava as mãos" e me desejou um ótimo fim de semana lá com Gil.
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