One Night - Livro 1

48 Capítulo XLVIII


— O Grissom não entrou mais em contato com você?

— Não! — contei dando um suspiro. — Dayse, você acha que ele é inocente nessa história toda como ele diz?

— Olha, amiga... Sinceramente, eu acho que não.

— Por que acha que não? — largando os talheres em meu prato olhei para Dayse esperando sua resposta.

— Veja bem... Essa mulher não te conhece e acho que ela sequer sabia sobre você e Grissom estarem envolvidos, então com quê finalidade ela diria a você o que disse?

— É exatamente esse o meu pensamento também. Mas Grissom me pareceu tão...

— Seguro?

— É!

— Pra te enrolar, amiga.

— Talvez tenha razão.

Ou pelo menos eu quero acreditar que ela e eu tenhamos, pois do contrário, teremos cometido uma injústiça, eu principalmente!

— Deixando o Grissom de lado... E esse Owen, hein? Você pretende manter contato com ele?

Com certeza! Owen tinha sido um ótimo amigo com quem eu pretendia alongar a amizade por um tempo indeterminado.

— Sim. — confirmei antes de bebericar um pouco do meu suco. — Nós trocamos telefone e tudo. Ele é um cara divertido. Você vai gostar de conhecê-lo.

— Ah, não tenho dúvidas. E já que você não têm qualquer tipo de interesse nele além do que só amizade, então eu posso... Cair em cima do sósia do vampiro?

Eu não resisti e ri de Dayse. Sentia falta das loucuras da minha amiga. Só ela para levantar o meu astral e me fazer rir, quando estou me sentindo ruim e triste, porque por dentro eu estava triste por ter sido mais uma vez enganada por um cara com quem tinha um relacionamente. E dessa vez, a dor dessa decepção era maior que a anterior sofrida.

— Você é terrívelmente louca! — Dayse gargalhou escandalosamente. — E por mim pode ir e se joga pra cima dele.

— Eba! Então trate de nos apresentar logo.

Assenti.

Na primeira oportunidade que tivesse eu realmente os apresentaria. Acho que eles dariam certo juntos.

Um breve instante de silêncio a mesa enquanto jantávamos e, Dayse e eu ouvimos o interfone tocar.

— Deixa que eu atendo! — anunciei já levantando da cadeira. Estava mais próxima do interfone que minha amiga e sem contar, que havia terminado minha refeição naquele exato instante.

Caminhei poucos passos e logo já havia alcançado o interfone.

— Alô!

Do outro lado o porteiro do prédio me avisou que um rapaz estava querendo subir para entregar à mim e Dayse uma encomenda. Estranhei isso. Entrega de encomenda quase nove da noite?

Mas apesar da estranhar esse fato autorizei que o porteiro deixasse o tal rapaz subir. Em questãos de minutos, eu e Dayse estávamos diante do sujeito. Ele nos disse que veio a mando de Camille nos trazer os convites de casamento dela com Elliot, que ocorreria em duas semanas.

— Mas é muita cara de pau mesmo dela, ou melhor, dos dois! — Dayse externou com insatisfação após ter fechado a porta.

— ELA quer me provocar, Dayse! Porque não acredito que Elliot faça questão da minha presença nisso. — joguei os convites sobre a mesinha de centro da sala.

— Ah, Sara, qual é? Vai defendê-lo agora?

Olhei com horror para Dayse que se jogava no sofá após apanhar os convites da mesa e abri os envelopes contendo os mesmos.

— Eu não estou defendendo aquele bastardo! Mas creio que ele não esteja concordando com isso.

— Ah, não sei, não.

— Dayse, eu aposto que ele me quer bem longe para evitar barraco.

Meu ex odiava escândalos. Fugia disso como o diabo foge da cruz. E ele deu sorte que eu não fiz um escândalo da peste quando o flagrei com Camille, somente disse apenas umas poucas e boas, e bati neles sem alardear para não chamar a atenção dos vizinhos.

— Elliot é um canalha banana!

Com um balançar positivo de cabeça concordei e ri dessas palavras de Dayse.

— Me dá essa merda que eu vou jogar isso no lixo. — pronunciei me sentando ao lado de Dayse no sofá.

— Nem pensar! — minha amiga deu um pulo do sofá quando fui pegar os envelopes prateados das mãos dela. — Camille nos mandou isso como afronta, então agora nós vamos nisso lindas e poderosas!

— Como é?

— Isso aí que ouviu. Nós vamos pra esse casório e iremos arrasar.

— Deus me livre pôr os pés nisso! Eu não vou nessa porra de casamento, Dayse.

— E passar a impressão a Camille de que você ainda gosta do Elliot e por isso não foi?

— Você sabe que eu não gosto mais dele.

— Só que Camille não sabe e pode achar o contrário.

— Estou pouco me lixando para o que minha ausência nesse casamento vai fazer Camille achar, Dayse. — me levantei do sofá. — Eu não vou nessa merda! Se você quiser ir... Vai sozinha! Eu tô fora! — decretei indo para o meu quarto e dizendo em alto e bom som que não era para Dayse vir atrás de mim.

Entrei no cômodo, tranquei a porta e me deitei na cama.

Suspirei encarando o teto do cômodo onde eu dormia.

Só se for no pensamento desmiolado da Dayse que eu vou me sujeitar a ir no casamento do meu ex-namorado com minha ex melhor amiga. Não piso nesse casamento nem sob tortura! Sem contar que ainda corro o risco de topar com o cretino do Grissom nessa festa, posto que sua família é amiga da família da vaca de Camille. E quero evitar a todo custo encontrar esse cretino de uma figa.

Ele que fique com a tal Heather e todas as outras "amigas" que possa ter e que eram do meu desconhecimento. Tudo o que eu quero daqui para frente é seguir minha vida e esquecer esse cretino.

— Será que eu vou conseguir te esquecer, Grissom?

Fácil não seria, porque esse canalha se entranhou em mim, em meus pensamentos e sentimentos que acredito que vá demorar um pouco para me livrar dele e das marcas que ele me deixou. Mas tenho esperanças de conseguir isso. O tempo vai se incumbir de me ajudar a cicatrizar as feridas que Grissom me deixou e apagar suas lembranças de mim.

É o que espero!

***

Acordei naquela manhã sentindo umas conhecidas e irritantes dores pélvicas, no baixo ventre. Eu sabia o que elas significavam e pela primeira vez na vida não reclamei de senti-las, pelo contrário, agradeci por elas "darem o ar de sua graça".

Levantei da cama as pressas e segui até o banheiro. Abri um sorriso de alívio e felicidade quando vi uma mancha vermelha marcando a minha calcinha branca.

A bendita da menstruação enfim veio! Só faltei pular de alegria.

Enfim eu podia desencanar de vez que não estava mesmo grávida daquele cretino do Grissom!

Feliz da vida com o fato de minha menstruação ter vindo, eu tomei meu banho e me arrumei para ir trabalhar. Saí do quarto quase vinte minutos depois. Segui para cozinha onde encontrei Dayse já pronta e tomando seu café.

— Nossa! Que cara de feliz é essa?

— Minha menstruação desceu e eu posso enfim respirar 100% aliviada por ter a certeza de que não estou grávida do Grissom. — contei com um enorme sorriso.

De verdade eu estava feliz por aquilo. Nada de baby e nem de qualquer laço me unindo aquele cretino. Melhor assim!

— Mas o resultado do teste já tinha mostrado que não havia possibilidade de você estar grávida.

— Eu sei, mas ainda havia em mim uma dúvida e incerteza quanto a verocimidade desse resultado. E, agora, com a vinda da minha menstruação, a dúvida e a incerteza se foram totalmente.

— Bom pra você que agora pode desencanar de vez desse assunto.

— Com certeza! E depois desta nervosa experiência, eu vou voltar a tomar minhas pílulas anticoncepcionais mesmo não tendo namorado nenhum. Quero evitar preocupação!

— É o melhor que faz mesmo!

— Me passa o leite, Dayse.

Ela apanhou a garrafa com o líquido e me estendeu.

— Mudando de assunto... Sara sobre o lance de irmos ao casamento...

— Eu já falei que não vou, Dayse!

— Nem eu óbvio!

— Mas você disse...

— Eu estava te pilhando, nervosinha. Hoje mesmo a gente devolve esses convites e manda a Camille enfiá-los no...

— Dayse!! — usei um tom de censura ao probunciar seu nome.

— Relaxa que eu ia dizer que era para ela enfiar no buraco do ouvido!

— Sei! — sorri com desconfiança para Dayse.

— Sério!

— Vou fingir que acredito. — Dayse apenas sorriu. É óbvio que boca "suja" como ela só, não ia dizer aquilo que disse. Se duvidar, ia sair coisa bem pior do que eu cogitei. — E sobre devolver os convites, não vamos fazer isso. Deixa a Camille ficar achando que vamos aparecer na festa do casamento dela.

— Gostei disso!

Poucos instantes depois, nós saíamos de casa para editora.

Aquele dia todo eu passei péssima me vendo as voltas com cólicas, mas ao invés de reclamar e protestar como sempre faço quando estou nesse período, dessa vez, não fiz nenhuma coisa e nem outra. Apenas tomei um remédio e não ousei reclamar de dores ou incômodos.

Três dias depois eu já me via livre das cólicas e da menstruação. Agora só mês que vem!

***

Munique, Alemanha

Sentado em sua cadeira virada para a parede de vidro de sua sala, de onde tinha uma vista privilegia da cidade lá fora, Grissom se pegava relembrando de Sara e os momentos que compartilhou com a morena.

Em pouco tempo que passaram juntos eles acumularam vários momentos e todos de uma intensidade absurda, que agora recordando de alguns deles, Grissom até se surpreendia.

Sara e ele tinham uma química formidável em todos os sentidos, que daria inveja em muitos casais que estavam juntos há anos. Com a morena, Grissom foi quem jamais havia sido antes com outra mulher e acabou sendo fisgado pela tal Samantha, que na verdade se chamava Sara.

De verdade, ele se entregou para ela, de verdade ele se apaixonou por ela e para quê? Para no fim das contas constatar o que sempre desconfiou: se apaixonar só traz problemas!

Foi por esse pensamento que ele sempre evitou se envolver mais do que superficialmente com as mulheres que se relacionou. Mas acabou caindo na cilada de se apaixonar. E, justamente, quando isso aconteceu, ele acaba por descobrir na prática o que na teoria já desconfiava desde sua juventude.

— Estava tão bem sem saber o que é se apaixonar.

Se apaixonou e pode ver que a mulher por quem pela primeira vez na vida nutriu sentimentos fortes como ele nutria, ser incapaz de acreditar que ele não lhe traiu com Heather como a mesma inventou. Sara não quis acreditar nele e caiu facilmente na mentira de Heather.

— Você podia ter acreditado em mim, querida!

Mas ela não fez isso e esse fato ressentia Grissom.

— Com licença... Doutor Grissom. — a secretária Elfriede, uma mulher morena de estatura mediana, que se encontrava na casa dos quarenta seis anos, chamou em alemão por Gil da porta da sala do mesmo.

— Diga, Elfriede! — sem se virar e ainda mantendo-se de frente para a parede de vidro, Grissom respondeu ao chamado de maneira lacônica e no mesmo idioma da secretária que já trabalha para ele desde que o gestor assumiu a frente da sede alemã das Indústrias Care Inc.

— A senhorita Kessler está aí pra vê-lo.

Aquela informação fez Grissom girar na hora sua cadeira na direção de sua secretária.

Até que foi mais rápido do que ele esperava a vinda de Heather.

Há mais de cinco dias Grissom vinha insistentemente tentando contactar a executiva, mas nada. Deixou inúmeros recados na caixa postal do celular da ruiva e mandou dezenas de mensagens de texto para Heather, porém a mulher não fez a mínima questão de lhe responder.

Então sem mais paciência alguma de esperar que a executiva se dignificasse a entrar em contato com ele por livre e espontânea vontade. Grissom resolveu recorrer a um dos chefes de Heather. Contactando Joachim em Moscou ontem à noite, o gestor inventou uma desculpa qualquer para o outro homem na intenção de conseguir fazê-lo mandar a executiva vir até ele. E conseguiu o que queria! Sempre conseguia!

— Mande-a entrar, Elfriede. E não quero que minha conversa com ela seja interrompida em hipótese alguma, entendido?

— Sim, senhor. — Elfriede se retirou para chamar Heather.

Grissom só precisou esperar por frações de segundos até ver Heather Kessler adentrar em sua sala e vir desfilando em firmes e sedutoras passadas até por fim parar diante da mesa dele.

— Achou que ia ficar me evitando pra todo sempre, Heather?

Notas finais
Até o próximo.