One Night - Livro 1
19 Capítulo XIX
Notas iniciais
Fiquei contente e senti um tremendo alívio, por ouvir aquela voz conhecida reverberar autoritária atrás de mim.
Jay se virou e me soltou. Eu também me virei para encontrar um Grissom com expressão furiosa e amedrontadora.
— E quem é você por acaso, cara? O segurança da boate? — debochou Jay.
Céus! Onde foi parar o cara bom com quem dancei? Porque aquele sujeito não era mais.
— Não sou o segurança. Mas serei o sujeito que partirá sua cara se não se mandar de perto dessa moça em cinco segundos.
— Ah, é?! Estou pagando pra vê.
Diante da afronta, Gil na mesma hora deu um passo a frente com a clara intenção de cumprir a ameaça que Jay duvidava, que ele realmente fosse cumpri-la.
Imediatamente me meti na frente de Gil para evitar aquela briga.
— Não, Grissom. Por favor! — pedi e ele me encarou.
Não é que eu estivesse com pena daquele idiota do Jay, por mim Grissom podia arrebentá-lo inteiro na porrada, mas ali não. Eu não queria o Sr.Gostoso se metendo em confusão naquele lugar e por minha causa.
Seus olhos se desviaram de mim e ele voltou a encarar o outro sujeito.
— Se manda, cara. E não chega mais perto dela. — Grissom ordenou, apontando o dedo indicador por cima do meu ombro na direção do outro homem.
— Quer saber? Eu vou mesmo. E fica aí com essa vadia pra você.
Quando ele disse isso, Grissom se desvencilhou de mim e foi pra cima de Jay lhe acertando um belo soco, que fez aquele imbecil ir se acabando no chão. E eu gostei daquilo! Bem feito para aquele idiota. Vadia é a madrinha dele!
As pessoas no em torno de nós, pararam de dançar e ouvi quando alguém gritou para chamarem os seguranças, porque estava rolando briga na pista de dança.
Vi Jay levantar do chão e vir para cima do Gil para revidar o soco recebido, mas o Sr.Gostoso conseguiu aplicar uma gravata no sujeito, brecando assim sua intenção de agredi-lo.
— Me solta, cara. — Jay pedia enquanto Gil o mantinha preso.
Dois seguranças apareceram e mandaram Gil soltar Jay. Ele o soltou e eu puxei o Sr.Gostoso para perto de mim.
— O que aconteceu? — um dos seguranças indagou olhando de Jay para Grissom e eu.
— Esse cara me bateu do nada. — o cara de pau do Jay foi quem tomou a dianteira da resposta.
— Não foi do nada. Bati nesse cara, porque ele estava querendo levar a moça aqui a força pra outro lugar.
— Isso é verdade, senhorita?
— Sim!
Jay riu ironicamente e ainda teve o descaramento de usar um argumento nada a ver.
— Ela que me deu o maior mole. Aceitou minhas investidas facilmente. Aí, na hora que chamei para sairmos daqui, ficou de doce. Qual é a dela também?!
— Eu não sou obrigada a transar com você só porque trocamos uns beijos, seu imbecil.
— Se ela já tinha dito "não", então qual era a sua? Aceitar a resposta dela e não obrigá-la a ir com você.
— Chega de discussão. — interviu o mesmo segurança, que outrora havia questionado o que estava acontecendo ali. — Você... — o mesmo segurança apontou para o idiota de Jay. — ... Se manda para o outro lado da boate! E não quero te ver perto dessa moça de novo, ou do contrário, será convidado a se retirar da boate. Anda, vai! Kurt se certifique de onde ele vai ficar.
— Pode deixar. Anda cara. — o tal Kurt empurrou Jay e este foi nada contente à frente do segurança.
— E quanto a vocês podem voltar a dançar. A briga acabou. — ordenou o segurança que ficou as demais pessoas ainda paradas perto da gente. Depois o sujeito se voltou a mim e Grissom. — Se aquele sujeito por acaso se aproximar de você é só avisar.
Assenti e o segurança se foi. Nisso Dayse e o amigo do meu ex-parceiro de dança chegaram ali perguntando o que tinha acontecido. Resumi a história para eles. Lucca, amigo de Jay, na mesma hora pediu mil desculpas a mim pelo péssimo comportamento de seu amigo. Em seguida nos pediu licença para ir ver para onde seu amigo tinha ido.
— Nossa que bom que você apareceu na hora né, Grissom?
— Pois é, Dayse! — ele se pronunciou. Até antes da pergunta Gil permaneceu calado e quase sempre que o olhei enquanto contava a Dayse e Lucca o ocorrido de ainda pouco, o Sr.Gostoso estava com seus olhos me espreitava com uma velada repreensão irradiando deles. — E era exatamente isso que eu temia que acontecesse quando te vi nessa roupa, Sara. — Gil disse essa última parte com sua atenção voltada completamente a mim. — Vamos, embora agora daqui! Já chega dessa boate! Vem!
Ele segurou no meu pulso, mas com rapidez e agilidade me livrei do contato.
— Eu não vou com você pra canto algum, Grissom!
Era só o que me faltava! Esse sujeito se achar no direito de querer mandar em mim e dizer quando a minha diversão acaba.
— Vou dar um giro por aí, porque não estou a fim de ficar vendo DR de ninguém. Fui!
Dayse se mandou rápido e me deixou sozinha com Gil, sem me dar a chance de impedi-la de tal ação.
— Vamos embora daqui, nós dois juntos?
Não me deixei levar por seu tom amável e muito menos, seu olhar pedinte. E me mantive firme em minha decisão. Ele não ia me dobrar dessa vez, nem com todo seu charme.
— Nem morta eu saio daqui com você!
Dê as costas para ele e segui reto em direção ao bar. Precisava de uma bebida urgente, porque a garganta estava seca. Cheguei no bar e pedi a Armand o mesmo drinque que ele estava me servindo desde que cheguei, só que dessa vez pedi para ele caprichar na vodka. Eu necessitava de algo forte para aliviar a tensão que ainda sentia em virtude do ocorrido de momentos atrás. Armand tratou de prontamente ir preparar meu drinque.
— Vai querer ficar bêbada pra ser presa ainda mais fácil para outros abusados como aquele sujeito, é?
Gil resmungou atrás de mim num tom recriminatório como se eu fosse uma garotinha querendo me divertir e ele meu pai chato querendo me boicotar.
— Olha aqui, Grissom... — me virei para ele e foi uma péssima ideia, pois acabei ficando com o rosto à milímetros do dele e deixando nossos corpos muito próximos.
Jesus!
Esse homem é um imã que me atraí de uma forma que eu não consigo explicar.
— Estou olhando. O que quer me dizer, querida? — seu braço direito envolveu minha cintura e Gil me puxou para si com delicadeza, tornando nula qualquer distância que há dois segundos existia entre nós.
Cristo amado!
Aquela voz grave... Aquele corpo colado ao meu... Fez com que eu perdesse por segundos o rumo.
— Sua bebida!
Este anúncio de Armand foi o bote de salvação para o retorno dos meus sentidos e principalmente, do meu juízo. Agradeci ao barman e com as mãos afastei Gil de mim, desfazendo com isso o nosso contato.
Me reservei o direito de ficar calada e com a atenção voltada para a taça do meu drinque.
— Não vai responder, Sara?
Suspirei e bebi uma generosa quantia do drinque, para só então me dirigi ao sujeito do meu lado, apoiado no balcão do bar.
— Grissom muito obrigada por ter me livrado daquele imbecil. — eu tinha que lhe agradecer por isso. Se não fosse sua intervenção aquele estúpido teria me levado mesmo contra minha vontade. Só que além de lhe agradecer, também tratei de lhe deixar muito bem claro um ponto ali. — Mas este fato não te dá o direito de achar que manda em mim. Ditando ordens e... Aliás, como foi que descobriu em qual boate eu estava?
Agora que fui me atinar para esse detalhe. Antes de vir eu não disse lá na sala de casa para o pessoal qual boate iria. Então como esse cara sabia, exatamente, onde eu estava?
Quando ele explicou tal fato, eu só faltei cair para trás com a resposta.
— Assim que você desligou na minha cara momentos atrás. Eu liguei à um empregado meu na Alemanha, que é da minha inteira confiança e pedi à ele para rastrear a chamada que fiz à você anteriormente.
— Você o quê?
Acho que faltou bem pouco para os meus olhos caírem no chão de tanto que os arregalei, pasma com a resposta de Grissom. Ele foi capaz de ligar para alguém lá em outro país e mandar que essa pessoa rastreasse a minha chamada? Isso é coisa de louco!
— Isso mesmo que ouvi. Em segundos meu empregado achou sua localização e me passou o endereço.
— Você é algum psicopata só pode.
Quem faz isso não é normal!
— Sara, eu estava preocupado com você. E minha preocupação só se comprovou. Se não interfiro esse cara ia te arrastar pra um lugar e abusar de você.
— Eu sei me defender.
— É, eu vi bem como sabe se defender.
Não gostei nenhum pouco do seu tom irônico e debochado.
— Escuta aqui... — com a ponta do dedo indicador cutuquei seu peito. — Não é comigo que você tem que se preocupar, é com a Maryane, a sua NOIVA. — frisei muito bem a última palavra e afastei o dedo dele.
— Vamos deixar a sua prima fora dessa conversa.
— Por que ? — indaguei antes de dar um gole em meu drinque.
Ele não respondeu a minha pergunta. Ignorou-a por completo e tratou foi de me revelar algo que eu não imaginava.
— Sabia que eu estava te observando com aquele cara há um bom tempo já?
Parei com meu drinque ao ouvir essa sua pergunta.
Ele tinha me visto dando uns pega no Jay? Será que ele viu TUDINHO? Ah, pouco me importa!
— Estava? — fiz pouco caso ao questionar.
Ele confirmou com a cabeça.
— Não gostei nada do que vi, Sara.
Opa! Detectei alguém com ciúmes? Ele está com ciúmes de mim. Aquela vaca da Dayse tinha razão quanto a esse lance de ciúmes!
Não vou ser hipócrita de dizer que não estava gostando de vê-lo com ciúmes, porque eu estava. Mas não ia dar essa moral a ele. Resolvi irritá-lo e deixá-lo com mais ciúmes.
— Você não tem que gostar mesmo e sim, eu. E a propósito, estava me divertindo muito dando uns pegas nele.
Sua expressão endureceu quando eu disse isso.
— Não tem noção do quanto me controlei muito pra não ir até vocês e arrancar aquele cara de mãos inquietas de perto de você. — eu quase me traí deixando que escapasse um sorriso diante daquela sua declaração ciumenta. Mas, felizmente, consegui conter o riso a tempo. — E quando vi que ele estava te levando a força, não hesitei duas vezes em ir te livrar dele.
Definitivamente, ele estava com ciúmes de mim! Ele agiu tanto por ciúmes quanto também por preocupação. E com isso, a louca dentro de mim entrou em festa.
— Grissom... Mais uma vez te agradeço. Se não fosse sua intervenção...
Ele me calou pondo dois dedos sobre meus lábios.
— Não precisa agradecer duas vezes, querida. Agora, por favor, venha embora comigo. Podemos passar a noite juntos num hotel e...
— Não, Grissom! — disse após afastar seus dedos da minha boca. Ele pode pedir quantas vezes fosse, mas eu não iria embora com ele e muito menos, passaria a noite ao seu lado. — Eu vim curtir a noite nessa boate e pretendo seguir com isso até mais algumas horas. E para o seu governo, não pretendo mais transar com você. A transa de hoje no banheiro do meu quarto, foi a última que rolou entre nós.
De verdade, eu estava decidida a não ceder mais. Mesmo ciente de que o meu real desejo não fosse aquele. Mas não seria justo aprontar com Maryane o mesmo que Camille aprontou comigo. Sei bem como ser feita de corna é a pior coisa. E não vou fazer minha prima passar por isso, ainda que até ela mereça por ter sido algumas vezes uma sacana comigo.
— Vai embora, Grissom. Por favor! — pedi lhe dando as costas. O papo para mim estava encerrado, mas para Gil parece que não. Após um suspiro seu, lhe ouvi se dirigir a mim.
— Ok! Eu vou. — voltei os olhos a ele surpresa por ele se render e não seguir insistindo. — Mas antes dança uma música comigo. Aí, depois, juro que vou embora. Caso não aceite, ficarei aqui no seu pé te importunando.
Suspirei e me vi obrigada a aceitar, porque não queria aquele cara no meu pé, estragando o resto da minha noitada.
— Uma dança e você me deixa em paz, seu cretino. — soquei seu peito.
Um sorriso vitorioso e completamente safado se formou na boca tentadora de Grissom.
Seguimos até a pista comigo na frente e ele me acompanhando logo atrás.
Chegando lá começou a tocar Oh my my — Onerepublic. Com um dos braços Grissom enlaçou minha cintura e escondeu o rosto em meu pescoço. Eu segurei em seus braços e então começamos a nos mover no ritmo dançante da música.
Não demorou quase nada para a batida da música somado ao fato do meu corpo mexendo no mesmo compasso que o de Gil, fazer-me perder no homem com quem eu dançava.
O cheiro dele e a nossa dança minaram minhas defesas. Estar dançando com Grissom me fez lembrar a nossa primeira dança juntos, na noite em que nos conhecemos. A dança de agora estava sendo tão boa e envolvente, e altamente provocante quanto a primeira.
Aquela peste de homem sabe dançar como ninguém. Mexe com os quadris de um jeito que me atiça e aí, eu fico a sua mercê. É bom e excitante demais dançar com ele. A letra do refrão resumia bem o que Grissom era:
Exatamente o que eu queria, você é exatamente o que eu queria
Exatamente o que eu queria, caramba (caramba)
Olhe ao redor, você é exatamente o que eu queria (exatamente o que eu queria)...
No meio da música Gil me fez virar de costas para ele e prosseguimos dançando com ele colado atrás de mim e me atiçando ao ficar esfregando seu membro aquela altura já excitado em minha bunda, ao mesmo tempo em que beijava meu pescoço. Quase desfaleci em seus braços por conta daquelas coisas todas.
— Grissom... Pára! Não faz essas coisas!
Pedi num tom lânguido. Mas na verdade, eu queria que ele não me obedecesse. E para meu alento ele não me obedeceu mesmo. Se duvidar nem me ouviu por conta da música alta. Ou até possa ter ouvido, porem ignorou meu pedido. E assim continuou com o roçar de seu quadril excitado atrás de mim e passou a alternar-se entre beijar meu pescoço e brincar com a língua em minha orelha. Estas suas ações todas só contribuíam para me deixar cada vez mais arrepiada, excitada e entregue nos braços daquele homem durante nossa dança.
E quando a música já estava em seus versos quase finais, Gil me sussurrou, naquele seu tom de voz altamente sedutor:
— Quero você, Sara!... Vamos embora daqui pra um hotel, querida, por favor.
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