One Night - Livro 1
14 Capítulo XIV
Dois meses!!
Foi isso mesmo que ouvi??
Olhei para Grissom e este pela primeira vez não ousou retribuir ao olhar. Ele manteve-se fitando a mesa.
Quando é para esse cachorro fazer contato visual comigo, ele não o faz. Evita.
A revelação feita por Maryane foi algo totalmente desconcertante e inesperado não só para, como para meus pais também.
— Nossa! Mas não está muito em cima não? — minha mãe questionou após trocar um rápido olhar com meu pai depois que Maryane revelou para quando seria o casório. Coube a minha prima responder a questão.
— Não, mãe. A gente quer casar logo. Até porque temos uma grande razão pra isso. Conto eu ou conta você, querido?
Juro que meu estômago se embrulhou com o tom meloso com o qual Maryane chamou Gil de "querido". De repente tudo ali passou a me incomodar. Desde a revelação de ainda pouco até o fato de Maryane está sentado lado de Grissom.
E foi naquele instante que me dei conta de que eu estava literalmente ferrada, porque podia estar gamada no noivo da minha prima. Uma noite com aquela tentação de homem e eu me via possivelmente caidinha por ele. Tendo ciúmes de Gil com Maryane. E odiando o fato de que minha prima vai casar com ele.
— Conte você. — com um forçado sorriso Gil respondeu o questionamento de Maryane nada confortável após erguer o olhar da mesa para olhar para a noiva.
Eu permanecia lhe encarando a espera do seu olhar encontrar o meu. E isso acabou acontecendo assim que Gil falou com Maryane. Por um mísero segundo, ele me olhou como se me pedisse desculpa com aquele gesto, logo depois baixou os olhos e pôs-se a fitar a mesa outra vez.
Tirando os olhos de Grissom e encarando qualquer lugar do restaurante, escutei quando Maryane contou sobre sua gravidez. Meus pais ficaram exultantes e vibraram de alegria com a notícia do futuro neto que ganhariam. Ouvi-os felicitaram minha prima e Gil. Sean também fez o mesmo, assim como Greg e Dayse fingidamente também fez. Eu me recusava a olhar para aquilo, mas me vi obrigada a fazê-lo quando ouvi meu pai chamar meu nome e questionar-me se eu não felicitaria minha irmã. Eu era a única que faltava fazer isso aos futuros papais e noivos.
Lancei um olhar aos dois a minha frente e ambos naquele momento me olharam também. Contudo, antes que eu ousasse dar minha fingindo felicitação a eles, Maryane tomou a frente da resposta dizendo que eu já havia feito isso antes, pois ela tinha me contado ontem sobre sua gravidez. Porém, me pediu segredo a respeito dessa informação. Com um assentir de cabeça confirmei aquela resposta da minha prima/irmã. E por dentro até agradeci a ela por ter intervido e me livrado de felicitá-la. Seria hipocrisia demais minha felicitar algo que não era o que eu sentia de verdade.
— Querida se o casamento é em dois meses, você já tem que começar o quanto antes a preparação do enxoval de vocês.
— Então, mãe, quero pedir sua ajuda nisso. Gil já me deu carta branca pra escolher tudo como eu quiser e do jeito que eu quiser.
Respirei fundo diante daquele papo nada agradável. Estava pedindo a Deus com toda a minha força para que aquele assunto mudasse logo, pois não estava mais aguentando ouvi-lo.
Arrisquei um novo olhar para Gil e ele agora me fitava insistentemente. Desviei o olhar dele, pois olhá-lo estava me dando raiva. Na verdade aquele papo, aquela situação, tudo ali estava começando a me dar raiva, muita raiva.
— Tá tudo bem com você? — escuto Lewis me murmurar bem perto do meu ouvido. — Ficou tão calada depois do anúncio da gravidez da sua prima.
Virei o rosto na direção de Lewis e com isso, acabei deixando nossas faces próximas, bem próximas uma da outra.
— Tá tudo bem, sim. — afirmei.
— Tem certeza?
— Absoluta! — forcei um sorriso para parecer convincente. Vi Lewis sorrir também.
Ele tinha um sorriso tão bonito e não só isso. Ele próprio era bonito... Lindo! Sem contar que era um gentleman.
Por que não foi ele quem foi a festa?
Por que não foi com ele que meu caminho se cruzou?
Alguém lá em cima podia ter facilitado a minha vida. Mas não! Comigo tem que ser o mais complicado.
Ainda encarando Lewis, que fazia o mesmo comigo, me questionei se caso eu o beijasse ali naquele momento faria alguma diferença para Grissom?
Ele se incomodaria como eu me incomodava quando via Maryane lhe sapecar rápidos beijos a boca na frente de todos como ela vire-mexe já fez?
Aliás o que importa isso também?!
Dane-se aquele cretino! Que ele fique com Maryane.
E quanto a mim, talvez eu devesse investir no irmão dele. Lewis é bonito, se mostra alto astral, gentil, atencioso e o mais importante de tudo, é... SOLTEIRO. Porque se fosse o contrário, acredito que ele já teria dito e não lembro dele ter mencionado um momento que fosse que tinha...
— Parece que logo o senhor vai ganhar outro genro, meu pai. Olha como a Sara e o Lewis estão.
As palavras de Sean não só me arrancaram dos pensamentos que vinha tendo, como fizeram com que eu tirasse minha atenção de Lewis e encanrasse os demais a mesa.
Descobri que os olhos de todos estavam em mim e em Lewis. A grande maioria exibia certo divertimento no olhar. Já outros como Maryane e principalmente, Gil não compartilhavam do mesmo que os outros. O segundo menos ainda.
Grissom estava com um semblante fechado e eu conseguia notar sua mandíbula trancada e sendo apertada com força excessiva.
— Se for assim podemos fazer logo um casamento apenas, que dará menos gastos.
Meu pai brincou, arrancando risadas à mesa.
Não houve tempo para eu dizer algo em relação a brincadeira iniciada por meu irmão, porque os pedidos chegaram naquele momento. E enquanto desfrutávamos daquelas maravilhas postas a mesa, a brincadeira sobre Lewis e eu foi esquecida, enquanto que o assunto sobre o casamento de Maryane e Grissom voltou a ser a pauta da mesa.
Me arrependi de ter colocado Lewis entre Dayse e eu, porque nesse momento eu queria tanto estar sentada ao lado da minha amiga para poder falar com ela, mas com Lewis entre nós era impossível. E eu não tinha qualquer coragem pedir a ele para trocar de lugar com ela. Então, resolvi conversar com Dayse por SMS.
Com o celular meio escondido pela mesa, mandei uma mensagem de texto para minha amiga sem que ninguém visse.
De: Sara
Para: Dayse pervertida
Queria ir embora desse lugar!
Ouvi o celular de Dayse apitar dois segundos depois do envio da mensagem. Fiquei observando discretamente minha amiga, que batia papo com Greg, puxar o celular do bolso de trás da calça e ao ver que era uma mensagem minha, Dayse me olhou de testa franzida e sorriu. Depois voltando a encarar a tela do celular seus dedos trabalharem agíeis em digitar algo. Logo eu já recebia sua resposta.
De: Dayse
Para: Sara safada
Posso imaginar o por quê disso!... Reparou que o seu Sr.Gostoso não tira os olhos de você e Lewis?
Ergui os olhos do celular um segundo e flagrei Gil encarando a mim e seu irmão que parecia alheio a esse fato enquanto respondia uma pergunta que Sean lhe fazia algo que eu não soube precisar.
De: Sara
Para: Dayse pervertida
Reparei. Mas ele não é o MEU Sr.Gostoso. Ele foi por uma noite só. E em dois meses será da Maryane. Que raiva!
De: Dayse
Para: Sara safada
Raiva de quem?
De: Sara
Para: Dayse pervertida
Dele!... E de mim!
De: Dayse
Para: Sara safada
Sara Sidle, você tá GAMADA nele. Não adianta mais tentar negar!
Olhei séria para Dayse e resolvi não mandar mais mensagem para ela.
Minha amiga não precisa mais ficar repetindo aquilo, porque eu mesma já estava acreditando nisto.
— Teclando com algum namorado?
Quem me dera!
— Não. É só uma amiga do trabalho. — menti para Lewis. — Ela quer saber como estou.
Pelo resto do café, eu resolvi ficar de papo com Lewis, somente porque via que isso incomodava Grissom. O Sr.Gostoso por sinal passou meio carrancudo durante a refeição quase toda. Mas sempre que era interpelado ou por meu pai, minha mãe ou Sean, ele suavizava a expressão e respondia com gentileza a eles. Maryane ao seu lado vire-mexe lhe dizia algo baixo ao ouvido que eu não sabia o que era. E também nem queria saber.
— Se me dão licença, vou ao toalete rápido. — anunciei após terminar meu café e já me pondo de pé. Lancei um rápido olhar para Dayse, porque eu queria que ela me seguisse. Mas minha amiga parecia empolgada de conversa com Greg e lá fui eu sozinha mesmo.
Segui para o toalete que ficava no andar de baixo do restaurante, bem ao fundo do local, porque queria demorar para chegar nele e para voltar até minha família.
Precisava de um pouco de tempo longe daquela mesa. Longe dele e seu olhar incisivo. Ao entrar no banheiro senti que conseguia respirar melhor e mais aliviada por estar longe de Grissom... Longe daquele diabo em forma de homem gostoso que me tenta apenas com seu olhar quando o vejo em mim.
Que inferno!
Por que eu fui conhecer esse sujeito e ter uma noite fantástica com ele?!, Questionei-me enquanto encarava o meu reflexo no enorme espelho localizado pouco acima da pia comprida com balcão de mármore escuro.
Tanto cara gato e que devia ser solteiro naquela festa, e eu fui justo me engraçar com um que era comprometido. Fui onde não devia e não podia!
— Merda de dedo pobre que você anda tendo, hein? — falei ao meu reflexo no espelho. — Se não bastasse o namorado cachorro que arrumou, aí você vai e acha de se envolver com outro cachorro, sem vergonha. Parabéns, garota! Muito bem. — ironizei, sorrindo para minha imagem refletida.
Baixando o olhar do espelho, eu liguei a torneira de aço e após molhar uma das mãos, levei-a até a nuca sob os cabelos soltos. Repeti tais gestos por mais duas vezes seguidas sentindo certo alívio. Fechei os olhos e suspirei só de imaginar que teria que voltar lá para aquela mesa e ficar escutando minha prima conversando com minha mãe sobre os preparativos de seu casamento com Grissom.
Ouvi a porta do banheiro ser aberta e permaneci de olhos fechados tentando criar coragem para sair dali e voltar para onde estava antes.
— Você está se sentindo mal?
Abri os olhos no mesmo instante da pergunta. Olhei para esquerda e encontrei Grissom parado me encarando com certa preocupação.
— Mas o que você pensa que tá fazendo vindo aqui? Isso é um banheiro feminino.
Ele veio até mim rápido feito um raio. Fiquei presa entre ele e o balcão da pia.
Esse homem definitivamente é louco e não tem escrúpulos.
Vir atrás de mim no banheiro, correndo o risco de minha mãe ou Maryane aparecerem inesperadamente e pegarem-no ali comigo. É muito ser cretino e descarado.
— O que você tem, Sara?
— Não te interessa.
— Interessa sim. Tudo o que diz respeito a você passou a me interessar desde ontem.
Suas mãos agarraram meus ombros com delicadeza, mas tratei logo de afastá-las de mim.
— Não me toca, seu cretino!... Devia se importar com sua noiva com quem vai casar em dois meses, não é?
— Sobre isso...
— Não venha me dar explicações que não me deve. Você e eu não temos absolutamente nada para isso. Com quem você tem algo é com minha prima. E eu acho que vou investir no seu irmão. Assim fica tudo em família mesmo, né? O que acha?
A expressão dele endureceu e em um passo apenas eu tinha Grissom com seu corpo colado no meu.
— O que você pensa que vai ganhar se insinuando pro meu irmão?
— Uns beijos, amassos e quem sabe até, uma noite de sexo melhor do que a que eu tive dez dias atrás, com um cara que fiquei numa festa.
Sua respiração ficou pesada e o maxilar travou. Suas mãos seguraram-me pelos braços. Seus olhos azuis estavam raivosos e sua expressão era dura.
— Você ficou louca por acaso?
Quem ele pensa que é para falar desse jeito comigo?
Ele não é ninguém na fila do pão!
— Você dobra a sua língua para falar comigo.
— Lewis não é pra você.
— Isso sou eu quem decide. Vou flertar com ele e...
— Você só quer me provocar dizendo isso, não é? Quer jogar comigo.
— Se enxerga cara.
— Pode parar de flerte com ele. Não quero você de gracinha com Lewis, Sara.
Ah, essa era boa!
— Escuta aqui sujeito... Você não é nada meu pra ficar me ditando ordem, tá sabendo? E aliás, qual é o problema em eu flertar ou ficar de gracinha com um cara bonito, que é livre e DESEMPEDIDO? — dei ênfase o bastante na última palavra para ele se mancar.
— O problema é que o cara bonito é...
O barulho da porta sendo aberta de novo me deu um frio e fez Gil rapidamente se afastar de mim. Felizmente não era alguém conhecido para nós.
— Mas o que este homem faz aqui? Esse é um banheiro de senhoras.
Uma mulher de meia idade reclamou da presença de Gil ali.
— Me desculpe, senhora. Eu errei o banheiro. Sou cego e não sabia que este era o toalete feminino. A moça aqui que me avisou.
Olhei passada para ele. Mas é um cretino mentiroso mesmo! Inventou essa de ser cego só para se safar da possível bronca que aquela mulher lhe daria ou do escândalo mesmo que ela faria.
A senhorinha acabou caindo naquela historia furada do cretino do Grissom.
— Oh, me desculpe. Não sabia que era cego.
— Tudo bem!
— Mas onde está sua bengala?
— Eu esqueci na mesa. Não se preocupe que já estou de saída. A senhorita aqui que me disse que eu estava no banheiro errado, vai me guiar até a porta do toalete masculino. Por favor, senhorita Sara, podemos ir?
Era muito ordinário esse cara.
— Vamos! — respondi por entre os dentes. Segurei no braço dele como as pessoas fazendo para guiar outra quando ela cega.
— Com licença. E me desculpe, senhora pelo transtorno.
Gil pediu educadamente a mulher antes de nos dirigirmos para a porta. Quando já estávamos distantes um pouco dela, eu murmurei para ele:
— Você é muito cretino, sabia?!
Ele apenas sorriu e piscou para mim.
Fale com o autor