One Night - Livro 1
82 Capítulo LXXXII
Notas iniciais
"Sabe, nunca fui muito lá religioso, mas... vou rezar para esses dias passarem rápido para te ver logo trabalhando na BoB."
Tais palavras de Owen ao nos despedirmos na frente do Juliette, me arrancaram um sorriso enquanto eu já dirigia de volta para casa.
Era bem nítida a empolgação do meu amigo quanto a minha aceitação à sua proposta. Não digo que eu também não estava empolgada com isso, porque eu estava (apesar do medo ainda). Quem não ficaria empolgada com uma proposta de emprego boa como a que recebi? Mas a minha empolgação era menor do que a de Owen. A dele ganhava da minha anos luz!
E depois de estipular o prazo que eu tinha para resolver minha situação no meu atual emprego, Owen desatou a falar resumidamente sobre meu novo local de trabalho e meus futuros colegas para eu já ir tendo uma ideia do que encontraria quando começasse na BoB.
Tamborilando de maneira lenta os dedos no volante do carro, ao compasso de Slow it Down da banda The Lumineers, que tocava baixo no aparelho de som, eu me vi admitindo naquele momento que estava ansiosa para conhecer meus novos companheiros de trabalho e começar logo no meu novo cargo. Só que em contrapartida, bateu também certa tristeza por me dar conta que com a mudança de emprego, eu deixaria Brooke e os meus amigos da NP.
Nossa eu sentiria falta deles! Ainda não tinha sequer anunciado a ninguém a minha decisão, muito menos saído da NP e, já podia sentir o peso da saudade de tudo na editora em que por mais de cinco anos, eu trabalhei. Mas suspeito que meus amigos e Brooke ficarão felizes por mim. Assim espero!
Fazendo a curva para entrar na avenida que levava para onde eu morava, me peguei pensando em Gil e em como eu queria naquele instante compartilhar com ele essa boa nova. Adoraria que ele fosse a primeira pessoa a saber disso.
Que Dayse não me ouça!, pensei sorrindo.
Mas meu noivo sumiu e eu não tinha como lhe contar que recebi uma proposta para trabalhar em Nova York, a qual aceitei. Só esperava que ele aparecesse logo para saber dessa notícia boa.
— Quem sabe com esse emprego em Nova York, a gente não possa antecipar nosso casamento e assim, possamos morar para lá como Gil disse no nosso passeio de barco? — falei como se alguém estivesse ao meu lado no banco do carona e pudesse responder-me com um "sim".
Tudo bem que ainda era BEM cedo para eventos comemorativos para Gil, já que era recente a morte de Joseph. Mas adoraria logo casar com ele. Não precisava ter festa grandiosa ou sequer uma festa pequena mesmo nesse momento. Podíamos simplesmente casar só no civil deixando o casamento religioso e a festa para quando tivesse passado um tempinho do falecimento de Joseph. Mas para acertar isso, eu precisava que meu noivo desse as caras, algo que desejava que fosse logo, porque devo admitir que a saudade dele começava a apertar.
Cheguei no meu prédio e ao passar pelo portão acenei para seu Joel, que retribuiu o aceno estampando um sorriso. Segui com o carro para a garagem e logo já estava estacionando-o na vaga de Dayse. Saí do veículo, acionei o alarme e sorrindo por conta da proposta de emprego que ainda ecoava em minha cabeça, eu segui para pegar o elevador.
Enfim eu ia trabalhar no cargo que galgava chegar. Anos aprendendo tudo que devia como assistente para chegar nesse dia e ele chegou. Cargo de Editora de ficção! Não era romance, mas tudo bem.
Quanta responsabilidade viria com esse cargo! Mas eu daria o meu melhor, meu 100% para me sair bem e ser competente.
O elevador veio e eu embarquei nele. Queria ver só a cara de Dayse quando lhe contasse o que Owen queria comigo. Se bem conheço minha amiga curiosa, decerto, ela devia estar empolvorosa na sala me aguardando chegar para me sabatinar de perguntas sobre como foi o jantar.
Abri um sorriso do pensamento.
Sem a mínima demora já chegava em meu andar. Poucos passos pelo corredor que ia do elevador até a porta do apê e em alguns segundos, eu já estava abrindo a porta com minha chave.
— Dayse cheguei! — anunciei de costas enquanto fechava a porta e a trancava. Eu podia apostar que minha amiga estaria ali na sala me esperando.
Quando me virei e lancei um olhar na direção do sofá após ter jogado o molho de chaves no aparador, deparei-me não só com Dayse, mas também com Grissom sentado ao lado dela no sofá.
Ora, ora se não é o Sr.Desaparecido que resolveu dar o ar de sua graça!, pensei quando nossos olhares se encontraram e permaneceram conectados breves instantes antes de Gil se levantar do sofá.
Quanto a mim não ousei me mexer, permanecendo por alguns segundos estancada próxima à porta e sentindo um misto louco de sensações e sentimentos adversos.
Praticamente quatro dias sem nos vermos e a impressão era de que estranhamente foram bem mais do que somente esse curto período sem qualquer tipo de contato entre nós. E olha, que já passamos bem mais do que apenas essa pouca quantidade de dias sem nos vermos. Houveram ocasiões em que chegamos a ficar mais de uma semana até, mas pelo menos nos falávamos por telefone. Diferentemente do que foi dessa vez, já que não houve qualquer ligação ou mensagem de texto trocadas entre nós. Algo bem semelhante a vez em que nos separamos por culpa de uma 'amiga' dele. E devo admitir, que assim como naquela ocasião, os dias de agora em que não vi ou falei com Grissom foram tão agoniantes, quantos os que vivenciei lá atrás após nosso término, e bem menos dos que os das demais ocasiões em que Grissom ficou ausente por causa (em sua grande maioria) do trabalho, o que não era a razão desta vez. Seu sumiço de agora tinha um motivo tão bem justificável quanto os outros, mas a diferença é que nas situações anteriores, ele se preocupou em me avisar, o que não foi o caso desta e isso tinha me aborrecido e ressentido até.
Passaram-se segundos até que eu resolvi me mexer e caminhar vagarosamente da porta para próximo (não tanto assim também) do sofá. Meus olhos críticos buscaram especionar Gil minuciosamente de cima a baixo, num gesto até então não feito antes, porque eu apenas fitava seus olhos e mais nada além disto. Pude notar que meu noivo estava bonito e tentador (como sempre) em um terno escuro combinado com a camisa azul da tonalidade exata de seus lindos olhos, e ele havia dispensado a gravata.
Concluí que ele parecia bem, bonito (como já havia dito antes) e... espera aí... Bronzeado?!... Franzi a testa. Pois era isso mesmo... Brozeado! Sua pele corada deixava bem evidente que ele tomou sol recentemente.
Mas eu não acredito que ele estava curtindo praia por aí, enquanto eu estava aqui louca de preocupação com ele?!
— Oi, Sara! — com certa hesitação e em tom comedido, ele me saudou, sendo o primeiro a se pronunciar de nós dois, depois de termos passado mais de sei lá quantos minutos em silêncio naquela sala.
— Resolveu aparecer, sumido? — me abstive de cumprimentá-lo. Largando desleixadamente a bolsa no sofá menor e vazio, e cruzando os braços à altura dos seios, não escondi minha insatisfação e ressentimento na postura e no falar.
O leve arquear de suas sobrancelhas seguido de um esticar de lábios para o lado esquerdo, deixaram claro que ele não esperava por tamanha fala hostil. Mas também o que ele esperava? Flores e confetes depois de sumir sem ao menos ter a consideração de me avisar?
— Me desculpe o sumiço. Eu viajei. — se justificou.
— É, eu soube hoje pelo seu irmão, já que você não se prestou a me avisar. — alfinetei sem conter a irritação por isso. — E a julgar pelo seu bronzeado, eu até posso imaginar o seu destino de viagem. — fiz um gesto com a mão apontando a tonalidade avermelhada em seu rosto.
Apesar de estar feliz de vê-lo e descobrir que aparentemente ele estava MUITO bem obrigado, eu também estava furiosa pelos mesmos motivos e mais ainda agora, por ter a vaga noção do possível destino dele durante esse período em que esteve ausente.
— Não fui curtir uma praia, se for isso que deva está pensando, Sara.
Deu para ler mentes, meu bem?
— Olha, Gil... Tanto faz se foi ou não curtir uma praia. Mas você podia pelo menos ter me avisado que ia sumir. Entendo que você precisava se afastar, ter um tempo sozinho após a perda do seu pai, só que não te custava nada ter me avisado.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, Dayse se pronunciou pela primeira vez avisando enquanto ficava de pé, que ia se retirar, porque Grissom e eu precisávamos de privacidade para conversa e segundo ela, o teor do nosso papo seria longo, sério e tenso.
— Dayse não há necessidade que se vá. — Grissom a deteve quando minha amiga tinha acabado de enrolar o lençol em um dos braços e se preparava para dar o primeiro passo com a intenção de deixar a sala para que ficássemos sozinhos. — Sara será que podemos conversar no seu quarto, por favor. — seu olhar suplicava tanto por isso, quanto suas palavras haviam acabado de deixar explícito.
Talvez fosse até melhor mesmo conversarmos na privacidade do meu quarto.
— Vamos! — me limitei em dizer, descruzando os braços e apontando com a mão direita o corredor que levava para os quartos. Antes de seguir Gil, eu lancei um rápido olhar à Dayse. Minha amiga estava séria e havia algo mais em sua expressão que eu não consegui decifrar de imediato. Infelizmente, no momento não havia tempo para questioná-la a esse respeito.
Em total silêncio fui atrás de Gil rumo ao quarto. Tantas perguntas com Q de cobranças dançavam à ponta da minha língua, enquanto encarava seus ombros e costas largas, ambos escondidos sob as camadas de tecidos do blazer e da camisa. O blazer por sinal, parecia caber como uma luva perfeita no Sr.Gostoso. E imagino que com a camisa aconteça o mesmo.
Sem que eu tivesse a intenção meus olhos desceram alguns centímetros para dar aquela espiada marota em seu traseiro. Juro que isso foi mais forte que eu, quando me dei conta já estava lá, encarando sua bunda escondida pela calça e um pouco do comprimento do blazer.
Se contenha! Você primeiro precisa conversar com ele antes de bancar a safada e querer matar as saudades. — meu subconsciente me recriminou.
Foco, Sara!, repeti à mim mesma. Ele tem que te dar explicações antes!
Mas tivemos um pequeno problema nisso, porque nem ao menos pude fazer quaisquer questionamentos ou cobranças que fossem depois de entrarmos no quarto.
O motivo?
Simples... Assim que tranquei a porta do quarto e me virei para Gil, ele me imprensou contra a mesma e sua boca avançou na minha em milésimos de segundos enquanto ambas as mãos dele seguraram cada lado da minha face.
Sem pedir consentimento sua língua com gosto de bala de menta já mergulhava sem qualquer pudor algum para dentro da minha boca e instantaneamente, eu ofeguei, vacilei nos saltos do meu escarpin azul e me derreti nos braços daquele homem feito manteiga na frigideira quente.
Não foram necessários mais do que três ou quatro segundos apenas para eu já estar retribuindo àquele beijo dele. Agarrada a lapela de seu blazer, eu o beijava como alguém sedento, que há dias não bebe água. Da mesma forma, ele fazia comigo. O efeito dessa beijação foi que em questão de segundos, eu já me sentia quente feito um vulcão preste a entrar em erupção. Além, é claro de molhada! Minha calcinha que o diga. Podia sentir úmido o tecido da micro peça que eu usava sob a calça.
Diabo de homem que me faz ficar assim apenas com um beijo. Só que não se tratava de qualquer beijinho, era "o beijo", aquele estilo "molhador de calcinha", literalmente.
Qualquer senso lógico, raiva, ressentimento que o Sr.Gostoso me provocou ao sumir sem avisar, bem como o pensamento de conversar com ele para lhe cobrar justificativas e satisfações a esse respeito, caíram por terra e foram abandonados por mim, mediante aquele beijo, que eu já trocava há segundos com Gil ao mesmo tempo em seu corpo seguia me pressionando mais contra à porta do quarto. Meus pobres seios eram comprimidos contra seu peito firme e forte, e havia outra coisa também muito firme que se prensava ao triângulo no centro do meu quadril.
Jesus!, pensei quando sua mão direita abandonou um lado do meu rosto e ergueu minha perna pela coxa, deixou-a encaixada em seu quadril largo e pressionou mais seu excitado membro escondido pelo tecido de linho de sua calça, contra minha intimidade sensível e ainda protegida pelo jeans. Gemi dentro de sua boca e Grissom me acompanhou.
Mais cinco segundos naquilo e eu forcei as mãos em seu peito, afastando sua boca da minha para respirar. O ar já estava quase me faltando. Fazia sei lá quantos segundos, talvez minutos que nos beijávamos.
Enquanto eu recuperava o fôlego, seus lábios estavam em meu pescoço chupando, mordendo e provando aquela minha área sensível a sua boca mágica. Sente a pele ao redor da minha boca ardendo devido a fricção da barba de Gil durante o tempo em que passamos nos beijando. Com toda a certeza, também devia haver uma marca vermelha por aquela região, mas nem me importava com isso agora.
— Me desculpa! — seu pedido saiu abafado, após Gil ter chupado meu ombro ao afastar um pouco o blazer que eu usava.
Eu somente fui capaz de concordar com um movimento positivo de cabeça, já que falar não dava devido ao meu estado demasiado ofegante e sem palavras em que eu ainda jazia. Seu beijo não somente me roubou o ar como também sugou-me as palavras.
É, claro que eu o desculpava apesar da raiva e da preocupação que ele me causou, era óbvio que eu o desculparia. Imaginava que ele precisasse desse tempo sozinho, só que ele podia ter me avisado, apenas isso. Essa era a minha bronca com ele. E ainda pretendia falar isso para Gil, só que depois. Em outro momento em que coubesse uma conversa entre a gente a respeito desse seu sumiço sem avisar, porque nesse eu não via cabimento. Conversar com Grissom numa hora dessas estava fora de cogitação e humanamente impossível.
— Ich werde dich für immer lieben, meine liebe! — ele declarou em tom grave e carregado de paixão, encarando-me olho no olho.
Franzi a testa desconhecendo totalmente o significado daquela fala em outro idioma. Arrisco dizer que parecia muito alemão o que ele disse, levando em conta que meu noivo é bastante fluente naquela língua. E se fosse, aquela estava sendo a primeira vez que ele falava algo à mim nesse idioma. E quer saber? Soou tão sexy e sedutor aos meus ouvidos. Cheguei até arrepiar diante de sua voz grave proferindo sabe-se lá o quê aquilo queria dizer. E não houve oportunidade para tentar descobrir o significado de sua fala, porque sua boca colou-se a minha pela segunda vez.
Passando os braços por seus ombros, eu retribuí o beijo agarrando-me ao seu pescoço e puxando de leve os cabelos da base de sua nuca. Gil gemeu. Seus lábios devoravam os meus com verdadeira paixão e eu retribuía a altura também devorando os seus.
Beijar Grissom era sempre uma viagem para um lugar qualquer fora da órbita. E àquela altura do nosso segundo beijo que estava sendo tão intenso quanto o anterior, eu já me sentia mais quente, com a calcinha mais molhada (encharcada, na verdade) e louca para me atirar na cama com aquele homem e ser dele agora, já!
Aquele cretino tinha um poder sobre mim, que definitivamente, eu era incapaz de explicar. E isso ganhava ainda mais proporção quando passávamos alguns dias sem nos ver. Aí, quando nos reencontrávamos era algo assim: quase sempre explosivo. Sua simples presença, suas carícias e seus beijos tipo esse que está me dando, me fazem esquecer tudo a nossa volta.
Ele diminuiu a velocidade e a intesidade do beijo para sugar meu lábio superior, depois prendeu o inferior entre os dentes. A mão em minha coxa apertou-a com vontade enquanto ele pressionava outra vez sua ereção contra mim, adicionando ao gesto movimentos circulares com o quadril só para me enlouquecer.
— Hum... — deixei escapar dentro de sua boca com nossas línguas sedentas se tocando em desespero e meus dedos agarrados por completo as suas madeixas encaracoladas.
Cama...
A gente nús...
Ele dentro de mim...
Vai e vem...
Céus! Eu precisava ser dele logo. E foi quase o mesmo que Grissom sussurrou-me após separar nossas bocas novamente e antes de esconder outra vez o rosto em meu pescoço, pondo-se a deixar mais beijos e mordiscões aquela região sensível em mim.
Eu quis gritar para ele então me levar logo para cama, mas ao invés disso, o que saiu pela minha boca foi seu nome pronunciado num gemido quase choroso, quando o senti sugar-me uma nova vez o ombro com demasiada intensidade. Acho que amanhã terei várias marcas horrorosas e escandalosas naquele lugar. Nada que uma bela blusa de gola alta não esconda.
— Vem!
Ele pronunciou, largando minha perna e me desencostando da porta. Fui sendo guiada de costas por ele em direção à cama onde já caíamos de maneira atravessados sobre o colchão macio e com Grissom em cima de mim deixando seu peso gostoso me apertar de leve contra o colchão. Seu cheiro delicioso me inebriou e seu olhar de paixão me atingiu feito uma bala de canhão.
Meu Deus! Como eu o amava e o sentimento era recíproco em larga escala e estava estampado em seus olhos coloridos. Olhos esses que por sinal, normalmente tão claros como lagoas cristalinas, nesse momento estavam escuros pelo desejo louco de me fazer sua. Por um breve instante seu olhar se pousou ao meu. O desejo estava lá escancarado e doido para ser matado da forma mais deliciosa que nós dois somos bons em proporcionar ao outro.
Nossas bocas tornaram a se juntar com a mesma intensidade das vezes anteriores. Línguas se tocando outra vez. Mãos tateando sobre nossas vestes. Logo um farfalhar de tecidos sendo tirados se misturavam aos sons característicos de beijo. Cada peça de roupa que usávamos, foi tirada com demasiada pressa e urgência, ganhando todas o mesmo destino: o chão.
Então, logo, já nos encontrávamos nús, com Gil já me penetrando devagar e proporcionando-me sentir cada centímetro seu ir me invadindo até estar inteiro abrigado em meu interior. As intensas sensações de quando ele me preenche dessa forma total, tomaram-me como sempre acontecia, desde a nossa primeira experiência juntos meses atrás.
Inclinando-se em mim e mordendo meu queixo, Grissom iniciou seus movimentos pélvicos imprimindo à princípio um ritmo calmo e lento. Agarrei seus braços enquanto os antebraços se mantinham apoiados no colchão, bem próximo de cada lado do meu rosto.
A intensidade do entre e saí foi ganhando um ritmo mais acelerado a cada nova investida que Gil fazia para dentro de mim. Por um milésimo de segundos fechei os olhos sentindo a mente e o corpo vaguearem em ondas de prazer a cada vez que Grissom me alcançava bem fundo e se retirava quase que por inteiro logo em seguida.
— Abra os olhos, Sara, por favor. Quero seu olhar no meu o tempo inteiro em que fazemos amor.
Atendi seu pedido de pronto.
Olhos nos olhos.
Castanhos focados nos azuis como ele pediu.
— Isso... Não tire seus olhos dos meus e nem os desvie de mim, meine liebe.
Mesmo achando um tanto curioso isso, já que ele nunca foi de me fazer (exigir) tal pedido, eu acatei. Olhar em seus olhos turvos pelo prazer de estar me possuindo, era sempre uma visão erótica e excitante. Na verdade a visão dele todo era isso.
Admirá-lo, olhá-lo era bom, mais que bom.... Era o paraíso. E paraíso era para onde ele começa a me levar e levava ao fim de nossas sessões de amor!
Mais cinco investidas sua e ele inverteu nossas posições. Agora era eu quem estava por cima, montada nele, subindo e descendo pela extensão de seu membro, com as mãos espalmadas em seu peito, enquanto as dele estavam cravadas em minha cintura me auxiliando no ritmo exato da cavalgada. Sempre mantendo os olhos presos um ao outro. E quando eu esquecia desse detalhe e fechava os meus por um mísero instante, Gil pedia que os abrisse e olhasse para ele.
A cada subida e descida nele, eu me estilhaçava um pouco mais que a vez anterior e menos que a posterior. Já tencionava em todos os lugares e me movia como um trem em alta velocidade.
Puta merda!
Meu corpo já pulsava de tamanho desejo por libertação, que eu me via à beira de perder o controle em segundos. Mais quatro investidas nele e avise:
— Vou gozar...
Sem que eu esperasse, Gil rapidamente inverteu outra vez as posições. Segurando em minha cabeça e mantendo os olhos cravados aos meus, ele mandou ver na intensidade dos movimentos de vai e vem. Sem qualquer gentileza, forte e selvagem, como ele próprio me disse que gostava de transar, quando lá atrás tivemos nossa primeira transa de algumas que sucederam naquela noite.
E bastaram mais poucas investidas suas para eu me contorcer sob ele e alcançar minha libertação, chamando por seu nome em meio ao um gemido agudo. Pontos brilhantes espocavam diante dos meus olhos, minha respiração ofegava e meu coração batia acelerado, enquanto Gil ainda se movia sobre mim em busca de sua própria libertação também. E esta veio cinco segundos depois da minha.
Seu corpo afundou em mim enquanto o sentia me inundar com seu líquido quente. Minhas mãos deslizaram por seu rosto corado e suado. Nossas bocas se encontraram num beijo delicado e cheio de amor. Quando este acabou, Gil caiu sobre mim escondendo o rosto em meu pescoço, deixando que sua respiração que saía em golpes quentes, batesse contra aquela região do meu corpo ainda anestesiado pelo prazer que o Sr.Gostoso acabou de me proporcionar.
Dois corpos inertes.
Silêncio no quarto.
Cacetada! O que uma saudade é capaz de fazer!, pensei.
Essa transa foi intensa como a da primeira vez e ao mesmo tempo, apaixonada como todas as demais que vieram depois dela.
****
— Sentia sua falta. — confessei, desenhando círculos em seu peito.
A fala rompeu o longo silêncio que já vinha se mantendo entre nós desde que Gil e eu ajeitamos melhor nossas posturas na cama (posto que ainda nos mantínhamos atravessados nela). Estávamos agora com as cabeças e os pés direcionados de modo "correto" no colchão, e cobertos pelo lençol, que escondia a nudez de nossos corpos.
Eu me encontrava, repousando a cabeça no ombro de Gil, enquanto que meu noivo estava numa posição entre meio deitado e sentado.
— E também já estava um tanto preocupada com o seu sumiço, cretino. — bati de leve em seu peito para depois beijá-lo com carinho enquanto deixava um sorriso relaxado escapar ao chamar Gil pelo apelido que havia lhe dado.
Esperei que ele dissesse algo em resposta, mas como isso não aconteceu, ergui a cabeça para encontrar meu noivo gostoso de olhos fechados e cenho franzido. Seus dedos acariciavam minha cintura por cima do tecido macio e fino do lençol salmão, o que me dizia que dormindo Gil não estava.
Chamei por seu nome tocando em seu rosto com a mão em concha. Quando ele abriu os olhos três segundos após meu chamado e me fitou, parecia triste.
— O que foi, Gil?
Era para ele está aparentando uma expressão bem diferente daquela, levando em conta a transa que tivemos momentos atrás para matar as saudades.
— Também sentia sua falta, meine liebe. — confessou, deslizando as costas da outra mão pelo meu rosto.
Sorri, apreciando o fato de que ele também sentiu minha falta. E aproveitando que ele mencionou aquela palavra desconhecida, resolvi descobrir a tradução dela e também do que ele havia dito antes de fazermos amor.
— O que significa isso que você disse no final? — acho que devia se tratar de coisa boa, porque ele não me chamaria disto de maneira tão carinhosa como acabava de fazer agora.
— "Meu amor" em alemão!
Meus lábios se esticaram em um sorriso bobo. Era a mesma expressão carinhosa pela qual ele já vinha me chamando antes, porem, agora era em outro idioma: alemão, como eu havia suposto antes.
— Acho que vou preferir daqui pra frente que me chame de "meu amor" em alemão. — comentei me inclinado para perto de sua boca e lhe roubando um beijo rápido. — Além de ser diferente por ser em outra língua, também soa tão lindo e sexy na sua voz!... Na verdade, você falando em alemão é bem sexy, sabia?
Eu já tinha tido algumas oportunidades de ouvi-lo falando ao celular em alemão e era uma coisa tão agradável, além de sexy como acabei de lhe dizer.
— Não, não sabia disso.
— Pois é. — afirmei com um sorriso. — E o que disse lá atrás antes de fazermos amor, o que foi?
— Eu vou te amar para sempre, meu amor!
Uau! Quão romântico ele estava. E eu adorava esse seu lado romântico apaixonado, bem como, o safado descarado que ele costuma ser na maioria das vezes.
— Que lindo, Gil! — o beijei. — Como se diz: eu também vou te amar para sempre, em alemão? — queria retribuir sua declaração de amor em alemão também.
— Ich werde dich auch für immer lieben.— ele disse pausadamente, mas eu achei a frase comprida demais para ser repetida e, ainda por cima, soava difícil também para mim. Eu não ia acertar dizer aquele emaralhado de palavras de jeito nenhum.
— Ok! Que tal reduzirmos para algo mais curto e fácil de eu dizer, algo como um: eu também? — sugeri de modo divertido.
— Ich auch!— pronunciou Gil e agora foi fácil.
Repeti e já de primeira acertei a pronuncia das duas palavras. Recebi do meu noivo um sinal de positivo seguido de um sorriso, que não era compartilhado por seus olhos melancólicos.
O que estava acontecendo com ele?
Resolvi descobri.
— Qual o problema, hum? Por que você me parece triste depois de termos feito amor? — deslizei o polegar por seus lábios, desenhando-os! Eles eram tão perfeitos. Bem esculpidos, deliciosamente saborosos e capazes de me levar a loucura.
Ele ficou me olhando e olhando em silêncio. Alguma coisa estava errada com ele, eu podia sentir e ver isso nas profundezas de seus olhos.
— Queria poder sumir com você.
Arqueei uma das sobrancelhas diante da ausência de resposta quanto ao que lhe questionei.
Fugindo pela tangente!
Pois bem. Relaxada como eu estava pelo pós-sexo decidi não comprar briga pelo vácuo recebido e comentei a respeito do que ele tinha acabado de falar, que por sinal tinha sido quase a mesma coisa que ele havia me dito na lanchonete, bem no dia em que o pai dele faleceu.
— Sumir comigo? — ele assentiu e eu roubei-lhe outro beijo. Não conseguia evitar ter seus lábios tão próximos. Sempre batia vontade de prová-los. — E para onde me levaria, hein? — afaguei suas madeixas encaracoladas que se encontravam úmidas de suor e em desalinho.
Diante do meu carinho Gil fechou os olhos por um segundo e os abriu, logo depois.
— Provavelmente alguma ilha deserta. Talvez, as Maldivas fossem um ótimo destino. — ele contou.
— Uau! Nunca fui as Maldivas só ao Caribe com um grupo de amigos após minha formatura. Cortesia de Carl Sidle. — sorri ao lembrar disso.
Meu pai tinha "patrocinado" a viagem como um presente à mim e meus amigos mais chegados pela conclusão do nosso curso acadêmico. Foram cinco dias incríveis num resort espetacular. Muito sol, praia e festas direto. Meus amigos e eu curtimos demais!
— Caribe eu nunca fui. Mas às
Maldivas já perdi as contas de quantas vezes fui para lá. É um lugar lindo e com ilhas paradisíacas.
— Parece ser semelhante ao Caribe então. Seria incrível passar um tempo com você num lugar assim.
— Mas a minha intenção era viver o resto de nossas vidas por lá. Seriamos somente você, eu e a paisagem local.
Nossa! Me surpreendi com aquilo.
— Está falando sério?
Eu não me via morando em uma ilha deserta. Talvez passar uns dias sim, mas viver o resto da vida não. Contudo, guardei essa informação só para mim, pois não queria estragar no momento os planos sonhadores de Gil.
— Estou, sim, falando sério!... Só que infelizmente a realidade de nossas vidas não nos permitiria algo assim. Principalmente com relação a minha vida agora. — havia um toque de amargor nessa última parte de sua fala.
Quanto a minha também, porque acabei de aceitar um oferta de trabalho!, pensei e já ia contar para ele sobre isso quando Gil anunciou que precisávamos conversar sobre seu sumiço e outras coisas mais.
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