Notas iniciais
Boa noite, meninas! Quero dar as boas-vindas e agradecer a Drikaquintela por ter favoritado a fic. E também não posso deixar de agradecer a: Tinkerhell, Ana, Bruh e Cris pelos comentários no capítulo anterior. É sempre bom ler as impressões de vocês sobre o capítulo. E preparem-se pra futuras reviravoltas e umas ideias bem loucas que nado tendo sobre essa fic. Esperem pra ler. Agora fiquem com mais um capítulo. PS: Ana, você comentou sobre a Maryane tá sumida. Pois bem, ela vai dar o breve e desagradável ar de sua graça aqui.

Era por volta das seis e pouco da manhã, quando eu saía do banheiro na ponta do pé e enrolada na toalha após o banho. Me dirigi ao grande guarda-roupas tomando o devido cuidado para não fazer qualquer ruído, que acordasse Gil a quem deixei dormindo minutos atrás, antes de ir tomar banho. Uma olhada no homem em minha cama e constatei que ele continuava dormindo.

Abri uma das portas do guarda-roupas à procura de uma roupa para ir trabalhar daqui a pouco. Vestidos, macacões, calças e acabei optando mesmo por uma saia social preta e uma blusa branca de linho sem mangas. Peguei as cruzetas com as duas peças de roupa e as pendurei no puxador da porta. De uma gaveta apanhei um conjunto de lingerie escura e uma meia 3/4 preta. Lancei mais uma vez outro olhar na direção de Gil e o mesmo continuava dormindo tranquilo. Só o despertaria quando estivesse pronta. Ia me dar pena de fazer isso, pois ele parecia tão lindo dormindo. Mas eu não podia ir embora sem avisá-lo. Sorri ao lembrar que por duas vezes no passado, eu já havia o "abandonado" sozinho em uma cama. Mas a diferença daquelas vezes para agora é que o Sr.Gostoso e eu somos namorados. Sem contar ainda que ele está na minha casa e não em um quarto de hotel.

Me virei de costas para Grissom por uns instantes e tirando a toalha, vesti devagar e sem pressa a calcinha. Apanhei o sutiã sem alça e coloquei-o também sem a menor pressa. Ao terminar de prendê-lo, me virei para apanhar a toalha e levá-la para o banheiro, mas levei um susto danado ao me deparar com aquele cretino gostoso devidamente acordado e sentado na cama com as costas apoiadas a cabeceira do móvel, os braços cruzados na altura do peito e exibindo-me um sorriso estonteante.

— Nossa, Gil! Agorinha te olhei e você estava dormindo.

Ele sorriu mais largamente.

— Só que já estou acordado há minutos.

— Ah, então estava fingindo que dormia, seu cretino? — o sem vergonha apenas confirmou com a cabeça. — Há quanto tempo exatamente está acordado me espiando? — me aproximei da cama segurando a toalha enrolada em meus braços que estavam cruzados abaixo do peito.

— Não sei ao certo. Mas acordei quando você estava no banho.

— Gilbert! — eu o encarava num misto de chocada e surpresa.

Ele riu e ainda revelou que ao ouvir o chuveiro sua ideia logo foi de se juntar a mim no banho, só que mal teve tempo de tirar a coberta de si e levantar da cama, e eu já desligava o chuveiro. Foi então que teve a ideia de fingir que estava dormindo para assim que eu entrasse no quarto me dá um susto. Mas aí desistiu disto e resolveu esperar, ao imaginar que eu poderia acabar me vestindo ali por acha que ele estivesse dormindo, como foi exatamente o que aconteceu para o seu total deleite.

— Você é um descarado total Gilbert Grissom!

Ele gargalhou alto e logo já me puxava pela toalha para me sentar em seu colo.

— Ei! Alguém está bem "animadinho", né? — comentei assim que me sentei e senti em minha bunda seu membro rígido escondido pelo lençol que cobria Gil da cintura para baixo.

— Isso é sua culpa e do seu "show" erótico ao vestir devagar sua lingerie.

Foi a minha vez de gargalhar ao ouvir sua resposta.

— Essa é boa! — eu ainda ria ao falar isso.

Gil riu daquele seu modo cafajeste.

— Na verdade, sabe o que seria uma boa? — ele tocou meu rosto enquanto sua outra mão acariciava minha cintura com o polegar.

Por que tenho a sensação de que ele vai vir com alguma proposta indecente? O sorriso malicioso em seus lábios dava essa impressão.

— O quê? — deixei a toalha descansar sobre minhas coxas e passei os braços em torno do pescoço de Gil.

— Nós fazermos uma rapidinha pra você sanar a minha "animação" da qual você é a única culpa.

Pela segunda vez em um curto espaço de tempo, eu caí na gargalhada alta. Aquele cara não presta mesmo! Sabia que ele viria com alguma proposta indecente! E, eu até adoraria ceder a esta sua tentadora proposta, mas infelizmente nós não tínhamos tempo para isso, eu principalmente.

— Sinto muito, senhor tarado, só que me verei obrigada a recusar sua proposta, porque não posso chegar atrasada no trabalho hoje. — biquei seus lábios rapidamente e saí de seu colo num pulo antes que aquele ser gostoso tivesse tempo de me deter nisso.

— Espera aí... Está me dispensando por causa de trabalho?

— Infelizmente! — respondi alto já do banheiro onde tinha ido deixar a toalha.

— Por isso que dizem que na vida tudo que vai, volta pra você.

— Por que está dizendo isso? — quis saber de volta ao quarto e lançando um rápido e curioso olhar a Gil enquanto segui na direção das meias que deixei penduradas junto com a roupa que separei para vestir agora.

— Bem é que já usei essa justificativa de trabalho para dispensar algumas mulheres logo na manhã seguinte a primeira noite em que passamos juntos.

Eu não gosto nada quando ele menciona sobre as outras mulheres com as quais se envolveu no passado. Sei que ele teve uma vida antes de me conhecer — uma vida que diga-se de passagem, era BEM agitada — mas ainda assim me incomoda quando ele traz esse tipo de comentário para as nossas conversas, como desconfio que a ele também incomode quando falo dos meus ex's.

— Eu acho melhor você se levantar logo e tomar banho. — mudei de assunto. — Não posso chegar tarde no trabalho.

— O que faço com "essa 'animação' toda" que ainda persiste?

Por cima dos ombros observei que Gil apontava para o volume em sua cueca, que por sinal era bem evidente.

Eu juro que não queria, mas foi inevitável não rir da careta de angustiado de Gil.

— Você ri é? — com os olhos espremidos, Gil me encarava e mais ainda que eu ri. — Vocês, mulheres, não sabem como é incômodo ficar excitado assim.

Bateu dó dele, aí fui parando de rir.

— Desculpa. — pedi, ficando de frente para a direção dele na cama.

— Desculpo se vier pra cama. — ele abriu um sorriso safado.

— Não joga baixo comigo, seu cretino. E eu tenho uma sugestão para o que você deve fazer com essa "animação" toda.

— Qual seria sua sugestão?

Só para provocá-lo eu lhe sugeri:

— Uma ducha fria.

— Não quero ducha fria! Quero você, Sara! Volta pra cama, honey.

Eu já ia contra-argumentar quando ouvi Dayse bater na porta do quarto e me dizer que faltavam quinze minutos para sairmos

— Eu levo a Sara ao trabalho, Dayse. Pode deixar! — Grissom se adiantou em dizer.

Eu adorei o fato de ir com ele para o trabalho. E era bom ver que ele parecia ter deixado o "atrito" de ontem, no ontem mesmo. Vendo-o assim cheio de sorrisos e 'animado' desse jeito, nem parecia que era o mesmo homem aborrecido e tenso de ontem. Em parte foi minha culpa ele ter ficado daquela forma. Quem manda ter lhe dito merda! Mas pretendo não repetir mais a bobagem de ontem. Por pouco não "azedo" feio as coisas entre nós.

Ah, então já vou nessa. Assim aproveito pra dar uma passada na cafeteria antes de ir para a editora. Tchauzinho pra vocês!

— Tchau! — Gil e eu dissemos juntos.

— Ainda dá pra você repensar sua decisão. — Gil piscou com malícia para mim.

Ele não desiste fácil.

— Gil não dá. E se vai me levar como disse, então levanta logo e cuida de tomar seu banho, vai! Eu não posso me atrasar. — apressei-o enquanto apoiava um dos pés no colchão para colocar as meias. Hoje era reunião geral com editores e assistentes e não eram admitidos atrasos de ninguém nessas ocasiões.

— Já vi que não vai rolar mesmo rapidinha alguma né?

— Não. — infelizmente, porque eu adoraria isso. — Vai logo tomar banho, querido.

— Tá bom. Já vou!

Ele se levantou da cama e só de provocação tirou a cueca ali no quarto mesmo para ficar exibindo seu membro excitado. E ainda teve a audácia de dizer-me: "Olha o que você está perdendo?!", antes de seguir desfilando de maneira engraçada com aquela ereção majestosa em direção ao banheiro.

— Cretino! Você joga baixo, viu?! Mas não vai me persuadir. — falei alto para ele.

De dentro do banheiro apenas ouvi Gil rir alto.

*****

— Se importa de eu ligar o rádio Gil?

Gosto de ir ouvindo música, me relaxa e faz o caminho para o trabalho passar mais rápido.

— Sinta-se à vontade, querida.

Liguei o aparelho de som do carro e fui mudando as estações até parar em uma que tocava o comecinho de With Or Without You do U2. Resolvi deixar naquela música mesma porque a adoro. E sem perceber, já cantarolava a canção.

— Você canta bem.

Olhei para Grissom e ele sorriu-me, voltando sua atenção a rodovia.

— Canto tão bem quanto um pato rouco, né?

Ele riu alto e balançou a cabeça de maneira negativa.

— Não acho isso. Inclusive gostei da sua voz cantando.

Ele piscou para mim ao desviar rapidamente sua atenção da rodovia para olhar mais uma vez na minha direção.

Já que ele havia gostado, eu prossegui a cantoria e recebia vez ou outra olhares seguidos de sorrisos de Gil. Em determinada parte da música, eu apontei para aquele ser gostoso e ele apenas sorriu.

A música chegou ao seu fim e By My Side da banda INXS tocou logo na sequência. Grissom aumentou um pouco mais o volume do som, pois disse que gostava daquela música.

— Então sua vez de cantar.

Ele me olhou assustado.

— Não!

— Ah, canta essa música pra mim, vai. Eu cantei a anterior pra você. Agora sua vez de retribuir a gentileza.

— Nem pensar. Sou péssimo cantando, querida.

— Então acabo de descobrir algo além de contar piadas em que você não é... Excelente? — ele apenas sorriu. — Mas aposto que você não deve ser tão pior assim que eu cantando. Vai, canta! Estamos só nós dois. Mais ninguém além de mim vai te ouvir. E eu prometo não te zoar muito depois.

Satisfazendo a minha vontade, ele começou a cantarolar o trecho que tocava.

In the dark of night... Those small hours... I drift away... When I'm with you

Sorri surpreendida positivamente, pois ele não cantava ruim como disse. Sua voz rouca era bem agradável e seguia no compasso exato da canção.

In the dark of night... By my side... In the dark of night... By my side... I wish you were... I wish you were

Seus dedos batiam no volante do carro enquanto Gil cantava. Ele ainda cantou mais um pedaço e depois parou, alegando que já estava de bom tamanho.

— Você canta melhor que eu.

— Gentileza sua. — Gil diminuiu um pouco o volume do som e um instante de silêncio nos envolveu. Notei a expressão do meu amor ficar séria.

— Que foi? — toquei em seu braço.

— Estou pensando aqui seriamente se devo passar na casa do meu velho depois que te deixar no trabalho ou apenas ligar pra saber como ele está.

— Posso te dar uma sugestão sincera? — ele assentiu. — Vá lá. Certifique-se pessoalmente do estado dele.

Percebi que minha resposta o surpreendeu. Talvez ele achasse que por conta do pai dele não gostar de mim, eu fosse o convencê-lo a apenas ligar. Mas eu jamais faria isso.

— Apesar dos problemas que vocês têm e do fato dele não aceitar sua relação comigo, ele é seu pai. Isso nunca vai mudar.

— Minha mãe sempre dizia coisas desse tipo. Tenho mais certeza ainda de que se ela fosse viva, ia gostar de você.

Sorri, tocando seus cabelos e ouvindo Grissom me confirmar logo em seguida que ia ver o pai ao invés de só ligar.

— Bom garoto.

— Nem sempre!

Aproveitando que o pai dele estava sendo o nosso assunto, eu resolvi partilhar com Grissom sobre a minha ideia de procurar o tal senhor Joseph sozinha para conversar com ele. Óbvio, que não pretendia fazer isso agora, já que o sujeito ainda está se recuperando do susto ontem. Minha intenção era de procurá-lo na semana que vem. Porém ao me ouvir dizer tal coisa, o Sr.Gostoso me encarou na mesma hora e foi categórico em me 'pedir' para "descartar essa ideia".

Franzi a testa diante de tal pedido feito de maneira exasperada e ríspida.

— Gil quero conversar com seu pai e desfazer o pensamento errado que ele tem de mim. — tentei argumentar sobre minhas intenções através daquele encontro com o pai dele para ver se assim o Sr.Gostoso entendia meu propósito com tal encontro.

— Nem pensar! Deixa o velho na dele, Sara. Não o procure pra conversar nada.

Novamente um silêncio de poucos segundos tomou o carro até que eu ainda não satisfeita, tornei a me pronunciar querendo saber de Gil suas razões para não querer que eu procure o pai dele. Talvez fosse mera ilusão minha, mas de verdade achei que Grissom fosse aprovar e até me incentivar a isso, mas não. Ele se mostrava inteiramente avesso a essa ideia.

— O velho já foi grosseiro com você na minha presença. Tenho certeza que se procurá-lo longe dos meus olhos, Joseph será novamente grosseiro. E se isso acontecer, eu vou esquecer que ele é meu pai e tirar sérias satisfações com ele.

Longe de mim piorar mais ainda as coisas entre ele e o pai. Só achei que aquela minha atitude pudesse quem sabe, amenizar as coisas. Era apenas uma tentativa, mas ouvindo Gil falar desse modo, acho que não seria mesmo uma boa ideia procurar o pai dele.

— Eu só ia fazer isso por você. Ele é seu pai e...

Ele nem sequer me deixou concluir a fala e foi logo dizendo que se eu queria fazer algo por ele, então que eu não procurasse seu pai para nada.

— Pode fazer isso por mim? — ele me lançou um rápido olhar antes de pegar a curva para a avenida principal.

— Posso! — respondi, virando o rosto para encarar a rua pela janela peliculada do carro.

O restante do trajeto até a editora foi feito em total silêncio por nós e embalado pelas músicas que tocavam no rádio.

— Está entregue ao seu trabalho, senhorita.

— Obrigada! Até mais. — lhe dei um rápido beijo e já ia abrir a porta para sair do carro, quando Gil me deteve e questionou-me se eu fiquei aborrecida com o fato de ele não ter concordado em eu ir conversar com o pai dele. — Sinceramente? — ele assentiu positivamente. — Um pouco, mas entendi suas razões pra isso. Além do mais, nunca ia me perdoar se você brigasse mais uma vez com seu pai por minha causa.

Tudo bem que ele já tinha me dito que a relação com o pai nunca foi das melhores, mas eu não ia me sentir bem se ele se desentendesse de novo com Joseph ou pior ainda, fosse as vias de fato com o sujeito por minha causa. Isso jamais!

— Eu conheço o pai que tenho, Sara. E vai por mim... Ele será mais uma vez de uma extrema grosseira com você se for falar com ele sem eu estar presente. Por isso que não quero que vá procurá-lo. Quero evitar confusão com ele e desgosto a você.

Se a minha ida até o pai dele ia acarretar mais confusão ainda, então melhor nem ir mesmo falar com aquele senhor.

— Tudo bem. Eu não vou procurá-lo!... Agora preciso ir.

— Antes eu preciso te falar mais uma coisa. — ele me deteve novamente. Assim eu ia chegar atrasada por culpa dele.

— Não vai demorar, né? Senão vou me atrasar. Tô quase em cima da hora.

— O que tenho pra falar vai ser rápido. — sinalizei com a mão para que ele prosseguisse sua fala e assim Gil fez: — Agora que já terminei com a sua prima e contei ao meu velho sobre nós, só me resta falar com os seus pais. — engoli a seco já imaginando que mais merda viria pela frente dessa conversa com meus pais. — Quero que ligue hoje ou amanhã pra eles e diga que nesse próximo sábado está indo lá falar com eles. Aí, nós vamos cedo no meu jatinho pra Santa Mônica. Falamos com Carl e Laura sobre nós e já faço logo pedido de casamento ao seu pai.

Ele falava aquelas coisas de uma maneira tão natural que parecia tudo tão simples e prático de ser resolvido. Mas eu sabia que não seria assim. A meu ver não seria uma boa ideia essa dele de fazer o pedido agora. Sem contar que eu preferia ir sozinha até eles para falar a sós com meus pais sobre meu relacionamento com Gil. Externei exatamente isso ao Sr.Gostoso e ele não teve a menor chance de se pronunciar, pois seu celular tocou bem na hora. Agradeci mentalmente por isso.

— É da casa do meu pai. — ele revelou ao olhar no visor do aparelho.

— Então atenda. Eu já preciso ir mesmo. — lhe dei outro beijo e saí do carro. Mentalmente agradeci mais uma vez o fato daquela ligação ter interrompido nosso diálogo.

— Te ligo mais tarde.

Apenas assenti já do lado de fora do veículo. Acenei para Gil e segui meu caminho de poucos passos até a porta do prédio. Antes, porém, de cruzar a porta de entrada da editora lancei um último olhar a Grissom e ele estava com uma das mãos deslizando pela testa, parecia estar discutindo ao celular. Balancei a cabeça e entrei no prédio.

*****

— Dayse o que você têm? — cochichei enquanto seguíamos com nossos almoços na direção da mesa onde nossos amigos estavam a nossa espera.

Dayse estava estranha, meio triste e calada, coisas que não condizem com ela e sua personalidade alegre e falante, isso me chamou mais ainda a atenção. Desde a reunião ocorrida há horas que já notei algo de errado com minha amiga, mas na ocasião não houve qualquer oportunidade de saber de Dayse isso. E logo depois da reunião terminar não deu também, porque tive bastante trabalho com Brooke. Todavia, agora que estamos no nosso horário livre de almoço, não perdi a chance de saber a razão daquele comportamento tão avesso da minha amiga.

— Depois eu te conto! — ela me cochichou de volta. Seu sorriso forçado ao fim da fala já me deu a certeza de que algo realmente errado havia acontecido.

Chegamos no nosso grupo e durante todo nosso horário de almoço eu notava Dayse quieta. Ela pouco comeu e seu comportamento até chamou a atenção dos demais. Indagada sobre o que tinha, Dayse apenas respondeu que não tinha tido uma boa noite de sono. Mas quando ela foi me chamar no quarto, eu podia apostar pela sua voz que ela parecia bem. Algo deve ter acontecido depois que ela saiu de casa. Eu precisava falar com a minha amiga e tentar descobrir o que houve com ela.

Esperei o fim do almoço e quando este veio, e o pessoal se despediu para voltarem aos seus respectivos postos de trabalho, eu puxei Dayse até o banheiro com a desculpa de nós retocarmos a maquiagem. Mas tão logo chegamos lá e ficamos sozinha após duas outras funcionárias saírem do banheiro, eu indaguei Dayse sobre o que ela tinha.

Após dar um longo suspiro e ficar em silêncio com cara de choro, minha amiga me contou que após sair de casa deu uma passada na cafeteria que nós vez ou outra passávamos no caminho para a editora e ao entrar no lugar, se deparou com a cena de Damien aos beijos com uma garota numa das mesas do local.

— Ai, amiga, sinto muito. — abracei Dayse.

— E eu já estava gostando dele, sabe?

Queria saber qual o prazer de alguns homens em nos enganar? Se não gosta da mulher porquê não termina, ao invés, de ficar nos traindo com outra?

— Eu sei bem o que você deve está sentindo agora.

Ah e como eu sabia!

— Fui até ele e acredita que o safado ainda tentou dizer que não era o que eu estava pensando? — Dayse se afastou, desfazendo nosso abraço.

— Que cara de pau! Essa frase só piora mais ainda a situação. Quando Elliot disse isso na vez que eu o flagrei com Camille, a minha raiva triplicou.

— A minha também. Eu quis bater nele e na mulher, mas me dei conta que só seria perda de tempo. Avisei pra ele não ousar me procurar nunca mais.

— Se ele botar os pés lá em casa eu acabou com ele. — ameacei com raiva por aquele cara fazer aquilo com a minha amiga.

— Acredito que ele não fará isso. Agora é bola pra frente e vida que segue. Damien não é o único homem na face da terra. Vou arranjar outro muito melhor e mais gostoso que ele.

Dayse sorriu forçadamente e vi que aquilo era só um gesto para evitar que seu choro viesse. Era nítido que ela estava fazendo um esforço para não ceder aquilo. Eu ia comentar sobre tal fato, porém não houve tempo já que Dayse anunciou que precisávamos voltar ao trabalho. E assim nós fizemos.

Já em minha mesa momentos mais tarde, eu redigia um documento para o meu chefe, mas vire-mexe pensava no que minha amiga me contou e sentia uma tremenda raiva. Damien se mostrava um sujeito tão gente boa e parecia estar gostando da Dayse, mas no fim das contas ele mostrou ser tão canalha como Elliot foi comigo. Que ódio desse tipo de homem! Se pudesse exterminar todos esse tipos da terra, eu exterminava! Infelizmente isso era impossível.

"Mas se você cruzar o meu caminho Damien vai ouvir poucas e boas. Ah, vai!", Pensei apertando com força o mouse do computador antes de dar um clique no botão para abrir outro documento semelhante ao que eu redigia.

O meu celular tocou na bolsa e eu interrompi o trabalho para atender a chamada. Na tela vi o nome do Grissom. Atendi prontamente sua ligação. Nela, ele me contou um tanto aborrecido que estava indo viajar as pressas daqui a pouco para Alemanha por conta do funcionário que roubou a fórmula do medicamento e posteriormente tentou matar Gil — seria o julgamento do cara e o Sr.Gostoso queria estar presente nisso — e depois do julgamento ele ainda iria a Rússia tratar de assuntos de trabalho com um sujeito.

Eu pretendo voltar na sexta a noite, pois sábado iremos viajar pra falar com seus pais, okay?

— Eu posso fazer isso sozinha Gil.

Não! Quero ir junto com você. Estar com você quando contar. E não quero discussão quanto a isso, querida.

"Mandão!", Pensei comigo.

Resolvi não contestar sua fala para não haver discussão entre nós. Mas eu ainda ia tentar persuadi-lo dessa ideia de estar junto comigo quando contar aos meus pais sobre nós. Ainda teria uns dias pela frente para isso.

Espero que ligue para Carl e Laura logo.

— Eu vou ligar, Grissom.

Ele não precisa ficar me lembrando o que tenho que fazer, porque eu sei.

Agora preciso desligar. Tenho que ajeitar umas coisas aqui em casa, pois saio já já.

— Boa viagem e cuidado.

Pode deixar!... Vou sentir sua falta.

Sorri toda boba.

— Eu também vou sentir a sua, cretino.

Gil sorriu do outro lado da linha e se despediu de mim logo depois disso.

Suspirei após guardar o celular na bolsa. Já estava sentindo sua falta antes mesmo dele ter partido.

"Droga esqueci de perguntar como estava o pai dele. Mas quando ele ligar de novo eu pergunto."

Novamente o celular tocou. 'Ou posso perguntar agora mesmo, já que deve ser ele.'

Apanhei o celular mais uma vez e franzi a testa ao ver um número que eu não conhecia, mas que tinha a impressão de já ter visto antes.

— Alô! — atendi porque poderia ser importante ou referente ao trabalho.

Você pode ter ganho a batalha, mas não a guerra... Irmãzinha!

Eu não tive tempo nem de rebater aquela afronta, pois a ligação foi encerrada tão logo Maryane acabou de falar.

Na mesma hora liguei de volta. Não ia deixar aquilo por isso mesmo. Ela não ia me ligar ameaçando e ficaria assim. No terceiro toque a voz antipática de Maryane falava ironicamente meu nome.

— Escuta aqui, você não me ameaça não, que eu já te disse que não tenho medo de você, Maryane.

Não pense que vai ficar com Grissom, porque não vai. Ele vai casar comigo, maninha!

— Pára de me chamar de "maninha", "irmãzinha" ou algo parecido. Nós somos PRIMAS!... E vai sonhando que o Grissom ainda vai casar com você. Pelo que sei, ele já terminou o compromisso de vocês.

Mas eu vou reverer isso. Tenho uma grande vantagem sobre você, Sara. Sou bem quista pelo pai do Gil ao contrário de você.

— Claro, você o envenenou contra mim.

E não fui a única. Sua ex amiga também fez o mesmo e ela foi bem mais convincente, sabia?

Filha da mãe! Essa Camille me paga. Vaca!

— Você e ela são duas...

Ela nem me deixou concluir e mais uma vez ratificou sua ameaça sobre contar aos nossos pais sobre meu caso com o noivo dela.

— Ex noivo. — a corrigi prontamente. — E quer saber do que mais? Pega essa sua ameaça e engole a seco.

Bati o telefone na cara dela.

Notas finais
Maryane parece convicta de que vai reverter a situação e ainda casar com o Sr. Gostoso. Façam suas apostas.