One Night - Livro 1
59 Capítulo LIX
Notas iniciais
[...]Seu coração me dá adrenalina que nunca senti antes
Seu coração faz eu me sentir tão bem...
(Still Falling For You — Ellie Goulding)
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Só precisei de uma mísera fração de segundos para reagir e retribuir ao beijo. Meus braços antes estirados ao lado do corpo, foram circundar o pescoço de Gil e os dele abraçaram minha cintura, colando mais ainda nossos corpos um ao outro. Sua língua foi pedindo passagem e eu logo concedi sem quaisquer hesitação.
Céus!
Que saudade absurda que eu sentia do gosto daquela boca, da firmeza com a qual aquele homem sempre me beijava e principalmente, saudade daquele sujeito apelidado de Sr.Gostoso. Não houve um dia em que não desejei estar de volta em seus braços e aos seus lábios como acontecia naquele exato momento.
Senti o coração acelerar feito um trem sem freio à medida que nosso beijo ia avançando. Só aquele cara conseguia isso de mim. Só ele tinha um poder absurdo sobre mim que nenhum jamais teve. Aquilo era amor! Só podia ser amor. Eu o amava e era tanto.
O nosso beijo só ganhava intensidade e profundidade a cada segundo. Deixei que escapasse um leve gemido durante o beijo e Gil fez o mesmo logo na sequência. Sua língua explorava cada canto da minha boca com urgência enquanto seus braços se apertavam em torno de mim proporcionando-me aquela altura sentir a excitação de Gil "acessa" sob sua calça.
Tudo o que eu pensava e desejava, era cair em uma cama com Grissom e matar toda a saudade acumulada que sentia daquele cretino gostoso. E adoraria também que nosso beijo não tivesse fim tão cedo. Estava sendo a melhor coisa voltar a beijar aquele homem gostoso depois sei lá quantas semanas, que não tivemos contatos.
Mas, infelizmente, para minha completa e inteira insatisfação, contrariando o que eu mais queria e desejava no momento, meu beijo tão maravilhoso com Gil teve seu fim quando escutarmos atrás de mim alguém pigarrear alto para chamar nossa atenção. Nos afastamos com relutância e "adeus" beijo maravilhoso.
— Me desculpem, mas... Seu carro senhor! — todo sem jeito o manobrista estendeu a chave do veículo à Gil.
— Obrigado! — Grissom apanhou a chave da mão do jovem manobrista. — Vamos, Sara.
Com uma das mãos em minhas costas, o Sr.Gostoso me conduziu até o veículo. Abriu a porta para mim e ao fechá-la após eu já ter me acomodado no banco do carona, Grissom piscou e sorriu para mim.
"Ele já te perdoou!" — uma voz soprou tais palavras em meu ouvido.
Sorri enquanto colocava o cinto e acompanhava com o olhar Gil passar em frente ao carro para vir se dirigir ao lado do motorista. Em silêncio, ele entrou no veículo, colocou o cinto e deu a partida.
O mesmo silêncio nos acompanhou por alguns breve minutos até que eu fui a responsável em quebrá-lo.
— O que foi aquele beijo? — olhei para ele ainda tentando me restabelecer do "ataque" que foi seu beijo inesperado.
Juro que o fato dele vir se mantendo calado e não ter mencionado nada a respeito do ocorrido de ainda pouco, me fez temer que Gil tivesse me beijado por puro impulso e agora havia se arrependido.
Pude ver o canto de seus lábios esticando-se num sorriso discreto após minha pergunta. Só por isso meu temor de que ele havia se arrependido se dissipou na hora.
— Saudade! — ele me fitou por um breve segundo e então vi com clareza seu sorriso que não mostrava os dentes. Voltando sua atenção novamente para pista, Gil emendou: — Saudade da sua boca, do gosto dos seus lábios... E, principalmente, saudade de você, Sara!
Foi inevitável não sorrir abobalhada e feliz por tal confissão. Se havia saudade é porque ele ainda gostava de mim. Ninguém sente saudade de alguém que não gosta!
— Eu também estava com saudades da sua boca, do gosto dos seus lábios e de você. — admití e vi novamente os lábios de Gil esticarem-se em um novo sorriso. — Me perdoa por ter acreditado na mentira que a tal Heather inventou a seu respeito. — pedi.
Tudo bem que ele me beijou e que isso pode indicar um forte indício de seu perdão. Mas eu precisava ter a certeza de que realmente ele me perdoou, por isso do meu pedido.
— Vamos conversar sobre isso quando chegarmos na sua casa e eu não estiver mais dirigindo? — ele me olhou de relance. — Quero estar com a minha atenção toda voltada pra você durante nossa conversa e não tê-la dividida com a pista. Pode ser? — tal pedido foi feito de maneira calma e gentil. Então só me restou concordar com o que ele pediu.
— Pode, claro!
Óbvio que eu queria logo resolver essa situação entre a gente e me acertar de uma vez com Gil. Só que mais uma vez teria que esperar. Todavia, a espera seria de apenas minutos e não de dias como já vinha sendo.
Em silêncio nós voltamos a ficar que nem como no começo daquela pequena viagem. Mas não demorou nada para isso me incomodar. Ficar calada tendo o Gil bem do meu lado, era algo humanamente difícil para mim.
— Dispensou seu motorista hoje? — puxei o assunto só para acabar com o silêncio que imperava no carro.
— Ele ficou em Munique cuidando da filha adolescente que está em recuperação de uma cirurgia a qual foi submetida.
— Filha? Cirurgia?
Não imaginava que Luke tivesse filha, ainda mais adolescente. Ele não tinha qualquer cara de pai. Parecia mais um sério e solitário.
— Sim. De uns meses pra cá Abby, filha do Luke, vinha sofrendo de fortíssimas dores de cabeça, segundo a avó da garota passou a relatar ao pai.
— Por que a avó e não a mãe da garota?
— É que a esposa do Luke faleceu no parto da Abby, então quem cria a menina para o Luke trabalhar é a mãe dele, avó da Abby.
— Nossa que triste isso da morte dela.
Só agora me dou conta do quanto eu não conheço nada da vida daquele sujeito que é praticamente a sombra do Gil.
— Sim.
— Você chegou a conhecer a esposa dele?
— Não. Quando Luke começou a trabalhar comigo fazia poucos meses do falecimento da Ana.
— Ah, sim. E voltando a filha dele. Qual foi a cirurgia que ela fez?
— Então... Segundo Luke me contou, a mãe dele lhe disse na última ligação que trocaram na semana passada, que as dores da Abby só aumentaram mais e se tornavam mais fortes ainda. Aí, na nossa volta à Alemanha recomendei ao Luke que levasse a filha num excelente neurologista que conheço. O médico pediu vários exames e o diagnóstico foi um tumor benigno na cabeça.
— Céus!
— Há dois dias Abby fez o procedimento cirúrgico pra retirada do tumor. E obviamente, eu disse ao Luke pra ficar com a filha esses dias em que ela ainda permanecerá internada. Semana que vem, ele volta ao trabalho, pois a garota já estará em casa aos cuidados da avó.
— Nossa que barra! Felizmente o tumor era benigno.
— Sim. Mas o médico disse que podia evoluir pra maligno caso demorasse mais um pouco pra procurarem saber a razão das dores de cabeça da Abby.
— Graça a Deus, não foi o caso.
Pelo resto do caminho até a minha casa nós ainda falamos mais um pouco sobre a filha de Luke e quando não havia mais nada a ser dito a respeito desse assunto, Gil e eu ficamos calados. Segundos mais tarde o Sr.Gostoso já estacionava seu carro do outro lado da rua que passava bem diante do meu prédio.
— Chegamos!
Ele desligou o motor do carro e eu tirei o cinto de segurança. Grissom fez o mesmo e desceu do carro rápido para vir abrir a porta do carona para mim.
Atravessamos a rua pouca movimentada e seguimos até a entrada do prédio. Meu porteiro nos cumprimentou com um aceno antes de destravar o portão.
Gil e eu fomos em direção ao elevador. Confesso que estava achando bem estranho o comportamento calado do Sr.Gostoso. Nem parecia que um tempo atrás ele tinha me beijado com tanta paixão e desejo.
Entramos no elevador junto com outro morador. Segundos ali dentro daquela "caixa de ferro" e Gil e eu já saímos, deixando o outro morador seguir seu rumo sozinho.
Diante da porta do apê, revirei minha bolsa a procura da chave e não custei muito para encontrá-la. Felizmente! Entrei primeiro em casa sendo seguida logo atrás por Grissom que se incumbiu de fechar a porta para mim.
— Você quer beber alguma coisa? — me virei para ele após depositar a minha bolsa sobre o aparador.
— Não, obrigado. Só quero ouvir o que você tem pra me dizer.
— Se é assim vamos sentar.
Fomos em direção aos sofás e nos acomodamos no maior, mantendo uma distância razoável entre nós dois.
— Sou todo ouvidos, Sara!
Respirei fundo e na minha cabeça tudo já estava organizado para ser dito. Foram dias pensando no que dizer que eu até havia gravado cada palavra do meu discurso de desculpa.
— Então... Eu quero primeiro pedir desculpas a você pela minha atitude imatura. Me comportei como uma garota ingênua acreditando logo de cara na mentira de uma pessoa que eu nem conheço.
— Realmente foi muita ingenuidade sua isso.
— Mas a tal Heather falou com tanta firmeza e segurança que foi impossível não acreditar nela, Gil.
— Se você a conhecesse um pouco saberia que Heather faz mentiras parecerem verdades quando é do interesse dela.
— Só que eu não tinha como saber isso. Se põe um pouco no meu lugar, Gil. Se alguém falasse pra você o que ela me disse, você também não acreditaria?
— Eu me pus no seu lugar. Na verdade, eu passei pela mesma coisa que você, quando liguei para o seu celular e um cara atendeu a chamada dizendo que eu estava atrapalhando a transa de vocês.
Droga!
Aquela mentira que eu mandei Owen dizer. Precisava desfazer isso agora.
— Gil, eu posso...
— Ao contrário de você... — ele me interrompeu. — ...Eu não levei a sério o que ouvi. Mas não vou negar que fiquei puto de raiva e depois até me bateu certa dúvida. Por isso que resolvi ir tirar essa história a limpo com você na mesma hora. Descobri onde estava hospedada...
— Como descobriu isso? Mandou rastrear a chamada como fez na boate?
— Não! E também não vem ao caso dizer como descobri. O fato é que fui até lá pra falar com você para ouvir da sua boca a verdade. Em nenhum momento, eu me precipitei e acreditei no que aquele babaca disse. E sabe por quê, Sara?
Eu tinha até medo de perguntar e saber a resposta, mas ainda sim, lhe indaguei:
— Não. Por quê?
— Porque você disse que me amava e eu pensei: "Bem... Se ela me ama não faria isso!". — fechei os olhos e suspirei. O pensamento dele também devia ter sido o meu quando ouvi o que a tal Heather disse. Só que ninguém pensa como o outro. Cada um tem seu pensamento e sua reação. — Mas chego lá e você me confirma que transou com o sujeito. Foi uma decepção enorme pra mim. E é por essas e outras que sempre evitava romances e apenas me envolvia superficialmente com as mulheres, pra evitar decepções deste tipo.
— Eu fui uma decepção pra você? — abri meus olhos e lhe encarei com tristeza.
— Quando confirmou que transou com aquele cara, sim você foi uma decepção. Não esperava uma atitude como aquela sua. Mas também não importa mais já foi. Sem contar que esse não é o assunto principal dessa nossa conversa.
— Eu menti quando confirmei que transei com outro. — contei de uma vez. Estava torcendo para Gil acreditar em mim e para essa mentira que inventei não pesar a ponto de custar a minha reconciliação com o homem sentado diante de mim.
— Mentiu??
Gil tinha uma expressão de surpresa misturada com dúvida e descrença.
— Sim! — confirmei me aproximando mais de Gil no sofá. — Pedi ao Owen, o cara que falou com você, que na verdade foi um amigo que fez em Chicago, pra que ele dissesse a você aquela história mentirosa. Fiz isso, porque estava com raiva de você pelo o que escutei da tal Heather. Queria apenas te magoar como eu me magoei ao ouvir o que a sua amiga disse. Mas a verdade mesmo é que eu não transei com Owen e nem ninguém. Acredita em mim! — segurei sua mão.
— Não te parece um tanto incoerente que me peça pra acreditar em você quando não fez o mesmo por mim quando te pedi?
Ele tinha razão. E eu começo a achar que minha reconciliação com ele parece bem distante depois disto.
— Parece. — confirmei engolindo o nó que se formou em minha garganta e baixando a cabeça. — Você estará na sua total razão se não quiser acreditar. E eu terei que aceitar isso.
E aceitar que ele não será capaz de me perdoar por ter duvidado dele e do seu amor.
— Realmente não transou com esse cara? Não houve nada entre vocês, Sara?
Levantei a cabeça para encarar Gil. Transar com Owen, eu não transei. Isso eu podia confirmar sem qualquer hesitação. Agora, quanto a não ter ocorrido nada entre nós, aí, seria mentira minha se afirmasse isso, porque rolaram beijos entre nós dois. E por mais que contar isso provavelmente, custe a minha reconciliação com Gil, eu não podia esconder tal falta. Até poderia, mas não me sentiria bem carregando essa mentira, caso a gente se acerte.
— Transar com ele, eu não transei, juro pra você. Mas... A gente trocou uns beijos numa festa que fomos. — contei numa só tacada.
Gil retirou sua mão que até aquele momento ainda se encontrava sob a minha e levou-a até os olhos, apertando os cantos dos mesmos com os dedos polegar e indicador.
— Mas foram beijos sem importância alguma pra mim, Gil. — me apressei em explicar. — Além do mais, enquanto eu beijava o Owen só pensava em você, imaginava que era você.
— Eu não quero saber ou ouvir mais nada sobre esse assunto. — ele pediu ao retirar as mãos dos olhos e me encarar. — Se aconteceu ou não aconteceu algo, tanto faz. Eu não posso e nem tenho o direito de te cobrar nada por ter ficado com alguém.
Não gostei nenhum pouco dessa sua última frase.
— Por que diz isso?
Ele desviou o olhar de mim e fitou suas próprias mãos que agora se encontravam cruzadas.
— Você ficou com alguém, não foi? Por isso disse que não pode me cobrar nada.
— Sim! — Gil admitiu.
Obviamente um nome só povoou minha mente, mas ainda assim, quis ter certeza daquilo.
— Por acaso foi com a Maryane?
— Foi. — Sabia! — Nós transamos. — Merda! Merda! Merda! — Mas foi só uma vez.
Por mais que eu não tenha gostado nenhum pouco sequer de saber que ele e minha prima tinham transado, isso aconteceu quando Gil e eu não estávamos juntos, então eu também não podia cobrar nada dele a esse respeito, assim como ele mesmo disse instantes atrás que não podia me cobrar nada.
— Acho que nós só tomamos essas atitudes todas por conta da minha ingenuidade em ter acreditado na tal Heather.
Todo aquele "caos" que nos assolou e fez das nossas vidas um pequeno inferno, tinha uma única culpada: eu! Era culpa minha aquilo. Eu era ciente o bastante para admitir isso e não me orgulhava nada de tal fato.
— Me perdoa, Gil. Eu devia ter acreditado em você quando disse que aquela mulher mentiu e inventou mentiras a seu respeito. Reafirmo que fui imatura e ingênua na ocasião. Mas eu estou arrependida do meu comportamento. Me perdoa e volta pra mim! — pedi.
Ele me olhava incisivamente com uma expressão impassível, que não me deixava qualquer margem para saber o que estaria pensando. Segundos se passaram até que ele resolveu se pronunciar e acabar com a minha angústia.
— Sabe qual é a sua vantagem nisso tudo, Sara? — balancei a cabeça em negação. Não via qualquer vantagem na situação que passávamos. Gil então prosseguiu: — É que estou com os quatro pneus arriados por você, garota! — ele sorriu e tocou o meu rosto com carinho. Diante dessa declaração e suas ações, toda minha angústia de receber uma negativa da parte dele, se esvaiu. — E por isso vou te perdoar e virar a página do que houve.
Meus lábios se esticaram num sorriso de alegria, alívio, felicidade e mais outros tantos sentimentos que explodiram dentro de mim. Juntei minha testa a de Gil, depois já eram os meus lábios que haviam se juntado aos dele num beijo longo, demorado e mais intenso do que trocamos um tempo atrás.
— Que espécie de feitiço você jogou em mim, hein garota?
Ofegante Gil sussurrou-me após nossas bocas se separarem, pondo fim ao beijo quase interminável que já trocávamos.
— Acho que... Foi o mesmo que você jogou em mim!
Nós sorrimos e juntamos nossas testas.
— Estava com tanta saudade!
— Você disse no carro.
— Mas tem uma coisa da qual senti saudades e que eu não te disse no carro.
Pela cara nada inocente que ele exibia ao falar, não era tão difícil assim imaginar a quê Gil estava se referindo.
— Ah, não?! E que coisa é essa? — minha mão deslizava por sua evidente barba.
— Fazer amor com você!
Abri um enorme sorriso. Eu também sentia saudades disso. Cada célula do meu corpo ansiava sentir de novo o toque carinhoso e ao mesmo tempo firme e urgente de suas mãos grandes e hábeis.
— Nós podemos acabar com essa saudade agora. — meus lábios roçaram nos de Gil.
— Oferta mais que aceita!
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