One Night - Livro 1
54 Capítulo LIV
Notas iniciais
Assim que coloquei os pés na editora naquela manhã, o meu intuito era de logo ligar para casa do Gil em New Jersey e falar com Hellen, mas tive que deixar isso para depois, já que meu chefe me encarregou de fazer um serviço urgente a ele.
Uma hora depois de finalizar meu serviço, eu ia ligar, só que enquanto discava o número da casa do Gil meu celular tocou. Era uma chamada de Owen. Sorri e atendi a ligação na hora.
— Oi, Owen! Como vai?
— Oi, Sara. Vou bem. Ocupada?
— Agora não.
— E aí, como você está?
— Mais ou menos.
Só ia ficar bem mesmo quando eu conseguisse falar com Gil e me acertar com ele, se isso ainda fosse possível.
— Por quê? O que houve?
— Acabei descobrindo que o Gil não me traiu. Aquela história que a tal Heather contou foi tudo uma mentira dela pra se vingar do Grissom.
— Puxa! Mas você e ele se acertaram depois disso ser esclarecido, né?
Quem dera!
— Na verdade não! Ele ficou muito magoado por eu não ter acreditado nele, que agora não fala comigo, nem atende as minhas chamadas e sequer responde minhas mensagens de texto. Eu estraguei tudo Owen.
— Dê tempo ao tempo, Sara. Deixa a poeira baixar e tenho certeza que você e o tal Grissom vão acabar se acertando.
— Tomara que você esteja certo. E valeu pela força. Eu estava precisando disso.
— Que isso! Parece que eu adivinhei que você estava precisando conversar.
— Queria poder conversar mais com você e pessoalmente.
— Eu também! E foi justamente por isso que liguei. Eu tenho um compromisso aí para as bandas do Brooklyn em uma hora. É uma reunião rápida com um agente literário. Depois eu tô livre. Aí, pensei de a gente almoçar juntos. Você aproveita e me conta melhor sobre essa situação toda entre você e o Grissom. O que me diz, topa?
— Claro que eu topo! Mas posso levar uma amiga junto?
Seria a oportunidade perfeita para apresentar Dayse à Owen.
— Pode sim.
Combinamos o horário certo e qual o restaurante que nos encontraríamos. Depois nos despedimos, pois escutei alguém solicitando falar com Owen.
Assim que encerrei a ligação com meu amigo, eu disquei de novo os números da casa de Gil. Só que mais uma vez o meu celular tocou quando eu já ia pressionar o botão de chamar.
"Mas que coisa! Até parece que não é para eu ligar para a casa do Gil!"
O número eu não reconheci, mas atendi mesmo assim, na remota esperança de talvez ser o Grissom, que me ligava de outro número.
— Alô!
— Irmãzinha!
Não acredito!
— O que quer, Maryane?
Tudo o que eu não queria e nem precisava, era falar agora com a mala sem alça da minha prima.
— Primeiro te dar os parabéns por ter adiantado o meu lado e terminado com o Gil antes que eu tivesse que fazer algo pra acabar com esse seu casinho de vocês.
— Vai se ferrar!
Finalizei a chamada na cara dela. Mas não se passaram nem dois segundos e o celular tocou de novo. Era ela mais uma vez!
Que inferno!
— Me deixa em paz! — vociferei ao atender a chamada e já ia finalizá-la novamente na cara de Maryane, mas antes que eu fizesse isso ela disse algo que me impediu.
— Meu casamento com o Gil será dia 15.
Eu que já havia afastado um pouco o celular da orelha, voltei o aparelho novamente ao lugar.
— Que disse? — sussurrei quase não acreditando naquilo.
Do outro lado da linha ouvi Maryane soltar um sorrisinho debochado.
— Surpresa? Pois é, Gil e eu já escolhemos a data do nosso casamento. Será dia 15 de outubro, aqui na Alemanha mesmo.
Ela só podia estar brincando comigo. Isso não é possível! Grissom não pode ter marcado o casamento com ela.
— A propósito, eu estou passando uns dias com meu noivo aqui em Munique.
Eu podia sentir na voz dela o prazer que Maryane tinha em dizer aquilo. Ela estava adorando me provocar.
— Vai ficar muda, Sara? Te liguei porque queria tanto que você, minha irmãzinha querida fosse a primeira a saber que a data do casamento já foi escolhida.
— Quanta consideração! — ironizei e ela riu do outro lado da linha. — Aproveite enquanto pode, Maryane. Você não vai casar com ele.
— Eu vou sim. É você que não vai. E nem se atreva a se meter com o meu noivo de novo ou pode ter certeza que as coisas não ficarão boas pra você.
— Não tenho medo de você e nem das suas ameaças, já te disse isso quando foi à minha casa.
— E eu te repito que você deve ter medo sim. Tenta fazer alguma coisa pra você ver, Sara!... Te mando o convite do casamento em breve, irmãzinha.
Ela encerrou a ligação na minha cara.
— Desgraçada! — xinguei com raiva. — Você não vai casar com ele! Ah, não vai mesmo!
Mais uma vez me pus a discar os números da casa de Gil. Não deu nem três toque e eu ouvia a voz calma e paciente de Hellen atendendo a ligação.
— Casa do senhor Gilbert Grissom!
— Oi, Hellen. Sou eu Sara. Lembra de mim?
— Oi, Sara! Mas é claro que lembro. Como vai?
Péssima!
— Gostaria de dizer que estou bem, mas a verdade é que não estou, Hellen.
— É por causa do patrão, não é? Soube que vocês terminaram. Ele contou anteontem quando ligou pra cá e perguntei de você a ele.
— Uma mulher inventou uma história a respeito do Grissom e eu acabei acreditando. Mas no fim das contas era tudo mentira dessa mulher.
— Essa mulher foi a sua prima?
— Não. Foi uma outra aí por vingança, pois Grissom a rejeitou.
— Puxa vida! Sinto muito, Sara!... Quando falei com ele sente em sua voz o quão triste o patrão estava.
— Eu queria consertar as coisas com ele, Hellen, mas Grissom não me dá chance disso. Ele está bem magoado comigo e com razão.
— Você quer que eu fale com ele?
— Não! Na verdade preciso de uma informação sua que vai me ajudar muito pra conseguir falar com ele, já que como eu te disse antes, ele não me atende e nem responde minhas mensagens.
— Em que informação eu posso te dar?
— Por acaso, você sabe se Grissom vai ao casamento de Camille Shawn. Eu sei que a família dele é muito amiga da família da Camille. Então imagino que o convite para o casamento chegou aí, não?
— Olha, Sara de fato, o convite chegou aqui há uns dias. Inclusive informei ao senhor Grissom do mesmo, mas ele não confirmou e nem negou se vinha pra esse casamento.
Suspirei. E se ele não viesse, como eu ia conseguir falar com ele?
A única saída que eu começava a ver, era de ir até Alemanha para, quem sabe assim, conseguir por fim conversar com ele. Mas antes de fazer isso, eu primeiro tinha que saber se daria para falar antes do casamento. Caso não desse ainda havia o lançamento da coleção de jóias do Lewis. Não é possível que o Grissom não viria prestigiar o irmão.
Aí, se eu não conseguisse falar com o Gil em nenhuma dessas duas ocasiões, então sim, eu teria que ir até ele lá na Alemanha.
— Se por acaso ele confirmar que vem, você me liga pra avisar? Eu vou até aí falar com ele.
— Com certeza, eu te aviso sim. Esse número do qual está ligando é o do seu celular?
— É, sim. Você pode me ligar a hora que for.
— Pode deixar que assim que eu tiver alguma novidade a esse respeito, eu entro em contato com você. E vou torcer para se acertarem, Sara.
— Obrigada, Hellen.
***
— Estou bem apresentável, Sara?
Revirei os olhos e ri da preocupação de Dayse. Se não né engano era a terceira ou quarta vez em dez minutos que ela me questionava isso.
— Por que toda essa preocupação pra estar apresentável para conhecer o Owen?
— Ah, porque quero causar uma boa impressão ora.
— Sei!... Você já quer fisgar o Owen, não é?
Dayse não perdia uma chance de um bom flerte. Quando contei a ela poucas horas atrás, que Owen me convidou para almoçar com ele e que ela podia vir junto, minha amiga quase pirou. Ela estava numa ansiedade louca para conhecê-lo.
— E se eu quiser? Você disse que não tinha interesse nele além de amizade.
— E não tenho mesmo. — o único homem que me interessava, era aquele cretino que estava lá na Alemanha. — Por mim você pode ir pra cima dele. Mas não vai com tudo pra não assustar o cara, Dayse.
— Quanta gracinha!
Nós duas entramos no restaurante e na recepção já íamos pedir informação a moça que ali estava, quando eu enxerguei Owen acomodado numa mesa mais ao canto do restaurante.
Dayse e eu seguimos até ele. Chegamos em poucos segundos e pondo-se de pé Owen me cumprimentou com um abraço seguido de um beijo no rosto.
— Nossa parece que já faz tempo que não te vejo.
— Acho que tem duas semanas apenas. — comentei após nos soltarmos.
— Só isso? Tem certeza que não é mais, não?
— Tenho sim certeza. — confirmei com um sorriso. Logo depois me virei para apresentar Dayse. — Owen essa é minha melhor amiga Dayse.
— Olá, Dayse.
Apenas fiquei observando os dois apertarem as mãos e trocarem dois beijos no rosto. Olhando bem para eles até que faziam um belo par. Quem sabe, eu não banque a cupido e junte eles dois.
— Olá, Owen! Nossa, pessoalmente você parece mais ainda com aquele ator da série dos vampiros.
Ela já o conhecia por fotos que lhe mostrei no meu celular, as quais tiramos em Chicago, quando Owen, Brooke e eu passeamos pela cidade. Dayse tinha ficado impressionada com a semelhança. E olhando para ela agora, minha amiga parecia mais impressionada ainda.
— Sara comentou algo parecido quando nos conhecemos.
Sorri do comentário dele.
— Mas ele diz que não se acha parecido. — falei para Dayse.
— Não mesmo.
— Só que parece muito.
Olhei para minha amiga e notei sua cara de abobalhada enquanto falava com Owen.
Parece que alguém ficou encantada com o sósia do ator da série dos vampiros.
Owen gentilmente puxou a cadeira para cada uma de nós nos acomodarmos à mesa. Sinalizou para o garçom e nós fizemos nossos pedidos.
— E aí, me conta direito essa história com o Grissom? — Owen pediu após o garçom se retirar de nossa mesa.
— Ai, Owen se arrependimento matasse, eu estaria morta faz tempo.
— Não exagera vai.
— É sério. Bem que você falou que poderia ser invenção daquela mulher. Mas eu estava tão cega de raiva que não vi ou sequer cogitei essa possibilidade.
— Acho que no seu lugar nem eu cogitaria isso, amiga.
— Vocês já ouviram falar que "nem tudo que reluz é ouro"? Isso é um ditado muito sábio.
— Pelo visto é mesmo.
— Como você soube que era mentira que ele não te traiu?
— Grissom trouxe a tal Heather da Alemanha e levou-a até a minha casa. E lá essa mulher contou que inventou essa história toda pra se vingar dele, porque Grissom a rejeitou na noite anterior por minha causa.
— Nossa! Parece aquelas tramas arquitetada por vilã de novela ou de livro.
— Pior que parece mesmo. — concordei dando uma provada no suco que o garçom acabava de nos trazer.
Enquanto aguardávamos o almoço chegar, eu ainda contei a Owen e também a Dayse sobre minha ideia de tentar conseguir falar com Grissom. Eles aprovaram a ideia.
Ainda falamos mais um pouco sobre Grissom e eu, depois mudamos de assunto e começamos a conversar sobre outras coisas. Na verdade, eu fui a que menos falou já que Dayse e Owen eram os que mais falavam. Eu apenas fiquei observando a interação deles. Não é que eles parecem ter se dado bem?! Acho que vou bancar a cupido desses dois.
***
— Bom, meninas... Foi um prazer almoçar com vocês. Nós podíamos marcar outro dia pra sair os três juntos. O que acham?
— Uma excelente ideia!
Olhei para Dayse que tinha se apressado em responder.
— Ótimo! Então nós marcaremos. Agora preciso ir ainda tenho uma reunião geral com os editores. Tchau.
Owen me deu um abraço e um beijo. Depois se despediu da Dayse com um abraço e DOIS beijos no rosto.
Rapaz acho que não será preciso eu fazer nada para tentar juntar esses dois. Ao que parece, esses dois se juntarão sem precisar de qualquer ajudar minha.
Na frente do restaurante Dayse e eu ficamos observando Owen seguir para o carro dele. Antes de entrar no veículo, ele ainda acenou para nós duas uma última vez. Nós retribuímos e vimos Owen entrar no carro para segundos depois partir dali.
— Nossa que cara tudo de bom!
— Alguém aqui ficou a fim de certo sósia do Ian Somerhalder. — cantarolei, aproximando do ouvido da minha amiga.
— Não fiquei afim. Só... Fiquei... Encantada. Ele é bonito e inteligente!
— Dayse, você engana os outros, mas a mim? Never!... Vamos pra editora.
Saí puxando minha amiga em direção ao carro dela estacionado há poucos metros da gente.
No caminho de volta para o trabalho, eu fui implicando e zoando um pouco com a Dayse por conta do "encantamento" dela pelo Owen. Adoro fazer isso, já que quando é comigo, ela também adora fazer o mesmo.
— Vai se apaixonar pelo Owen que nem eu pelo Grissom.
— Vira essa boca pra lá, Sara. Eu ainda quero curtir mais a vida antes de cair de amores por um cara.
Apenas sorri desviando o olhar da minha amiga para fitar pela janela do carro o movimento na rua.
***
Os dias passaram e eu via a proximidade do casamento chegar e nada de Hellen ligar para me dar notícias a respeito de Grissom vir ou não ao evento. Eu já estava agoniada para saber disso. Por algumas vezes sente ímpetos de ligar, mas Dayse me aconselhou a não fazer isso.
"Essa Hellen não disse que ia ligar? Então aguarda a ligação dela.", Foi o conselho de Dayse quando lhe disse pela quarta vez que ia ligar para Hellen.
Mais alguns dias passaram e o casamento seria depois de amanhã. Não aguentando mais, eu disse a Dayse que ia ligar.
— Mais quanta agoniação, hein?!
— O casamento já está aí, Dayse. — aleguei apanhando o telefone de cima da mesa ao lado do sofá onde eu me encontrava junto com Dayse comendo pipoca e vendo TV.
Só que antes que eu começasse a discar os números, meu celular reverberou sobre a mesinha de centro. Me estiquei e apanhei o aparelho. Na tela vi que era da casa do Gil e comentei com Dayse antes de atender prontamente a chamada.
– Oi, Sara. É Hellen.
— Oi, Hellen. Nossa! Achei que você tinha me esquecido.
— Desculpa. Mas é que o senhor Grissom deixou para decidir se vinha ou não em cima da hora.
— E o que ele decidiu?
— Amanhã cedo ele está vindo da Alemanha para o casamento. Parece que seu Joseph, o pai dele exigiu que o senhor Grissom viesse.
Fiquei mega contente com aquilo. Ele viria e eu teria minha chance de procurá-lo e conversar com Grissom.
— Ai, que bom! Então amanhã vou falar com meu chefe para ele me liberar mais cedo do trabalho pra que eu possa ir aí falar...
— É melhor você não vir aqui Sara. — Hellen disse me interrompendo.
— Por quê?
Sente do outro lado da linha que Hellen parecia hesitar em dizer a razão pela qual eu não devia aparecer lá na casa do Gil.
— Hellen por que eu não posso ir aí? — insisti já que ela não se pronunciava.
— Sara... É que... Sua prima tá passando uns dias aqui.
— Como é? — segurei o celular com mais força e olhei para Dayse que me perguntou o que houve. Gesticulei para ela esperar que depois eu explicava.
— Parece que houve um problema no apartamento dela e a sua prima ligou para o senhor Grissom pedindo pra ficar hospedada aqui no apartamento dele enquanto o dela está em obra.
— Ela está morando aí?
— Sim. E o pai do senhor Grissom também está hospedado aqui. Creio que não seja uma boa você aparecer aqui para conversar com o patrão.
Realmente não parecia uma boa com o pai dele lá. Se fosse somente a Maryane, eu não hesitaria em aparecer. Seria a oportunidade perfeita para desmascarar minha priminha diante de Gil. Todavia, com o pai do meu Sr.Gostoso por lá ficava difícil. Não queria causar uma situação desagradável com o pai do Gil, que eu sequer conhecia.
Teria que arranjar outro lugar para procurar Grissom e conversar com ele. Mas qual?
Foi então que me ocorreu a ideia de ir ao casamento. Lá eu veria Grissom e poderia com sorte me aproximar e falar com ele. É isso! Eu vou nesse casamento!
— Só não vou por causa do pai dele estar aí.
— E como vai fazer para falar com o senhor Grissom?
— Vou ao casamento também. — lancei um olhar a Dayse que abriu a boca e depois sorriu incrédula. — Fui convidada também, já que conheço muito bem os noivos. Lá terei a oportunidade de me aproximar e falar com o Grissom.
— Ah, que bom. Espero que consiga mesmo falar com ele.
— Eu também. E muito obrigada por me avisar Hellen.
— Não precisa agradecer nada, Sara. Torço por vocês ficarem juntos de novo. Formam um casal tão bonito.
Nos despedimos logo em seguida e encerrei a ligação. Na mesma hora Dayse me questiona:
— Eu ouvi bem e você disse que vai ao casamento?
— Nós duas vamos nesse casamento!
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