Notas iniciais
Tentando se explicar e... Provocando.

Filho da pu...

Eu vou matar aquele cretino...

Eu vou matar aquele cretino...

EU VOU MATAR AQUELE CRETINO QUE ESTÁ ESCONDIDO LÁ DENTRO DO MEU BANHEIRO!

— Grávida?? — balbuciei ainda em estado de choque por dentro.

Aquele cara era pior do que eu pensava. Traiu a noiva que espera um filho dele.

— Exatamente! Sete semanas. Contei ao Gil quando nos reencontramos dois dias depois dele ter retornado pra New Jersey após a festa que você o viu. Não vai me felicitar pelo baby, irmãzinha.

Ela tinha um sorriso enorme nos lábios. Parecia feliz e acredito que não era fingimento.

— Meus parabéns! — forcei o meu melhor sorriso para demonstrar alegria por Maryane. Mas por dentro, sem saber por qual razão, eu estava péssima com a inesperada revelação que ela me fez.

— Sara... Maryane!

Minha mãe apareceu pelo vão da porta e espiou para dentro do quarto.

— Queridas o almoço já vai ser servido. Vamos descer?

— Ah, claro! Vamos, Sara?

— Vai indo na frente com a mamãe, Maryane, que eu já alcanço vocês. Vou só fazer uma ligação.

Achei que ela ia insistir para eu descer logo com elas, mas não o fez. Seguiu até a porta e saiu do quarto com minha mãe no instante seguinte. Sozinha no quarto outra vez, fui até a porta e tranquei-a, dois segundos depois de Maryane ter saído dali.

Observei de braços cruzados, séria e com raiva àquele cretino do Grissom sair bem devagar de dentro do banheiro, com uma das mãos erguidas e cara de sonso. Mais raiva ainda senti ao olhar para ele.

— Eu posso explicar! — ele pronunciou, caminhando lentamente para perto de mim.

Se ele se aproximar e me tocar, vai levar na cara!

— Você gosta de dar explicações demais. Some da minha frente! E dê graças a Deus, por Maryane está grávida, porque eu juro que foi só por isso que não te desmascarei pra ela e contei sobre o cretino que você é.

— Sara...

— Cala a boca e sai daqui! — em três passos eu cheguei nele, o peguei pela manga do casaco e saí puxando-o em direção a porta para tirá-lo do meu quarto.

Não queria mais aquele sujeito ali. E adoraria não ter que olhar mais para a cara dele, só que infelizmente, ainda terei que vê-lo por esses dois dias que ficarei na casa dos meus pais.

— Espera, Sara! Deixa eu te dizer uma coisa... — ele pediu em meio ao caminho que fazíamos até a porta.

— Não quero ouvir mais nada que venha de você. O que eu ouvi já foi até demais!

— O filho da sua prima não é meu, Sara!

A porta que aquela altura, eu já estava prestes a bater na cara de Grissom, estancou no meio do caminho.

— O quê disse?

— A criança que ela carrega não é minha!

Eu fiquei chocada com tamanha ousadia dele.

— Que espécie de homem é você?

Como ele ousa dizer aquilo?

— Sara... Acredita em mim. Estou falando a verdade sobre esse bebê.

— Aposto que não esta falando a verdade, porcaria nenhuma!

Fui bater a porta na cara dele, mas seu pé no batente impediu-me disso.

— Tira o pé daí.

— Me deixa te contar a história direito. As coisas não são como parecem ou como esteja pensando.

— Por acaso está dentro da minha cabeça para saber o que estou pensando?

— Não, mas posso imaginar o que está se passando nela. E te garanto tem explicação. Só que não dá para falar agora, porque certamente sua mãe e Maryane vão voltar a qualquer momento pra te buscar ao notarem sua demora. Mas a noite, quando todo mundo tiver se recolhido, eu vou estar no quintal te esperando pra te explicar essa questão da...

— Por que faz tanta questão de ficar me dando explicações? — o interrompi.

Eu não era nada para ele ficar me dando satisfação alguma. Fui apenas um caso de uma noite e nada mais. Assim como, ele também foi um caso de uma noite para mim.

— Eu sinto necessidade de te explicar essa situação. Além do mais... Eu gostei de você. Não te tirei da cabeça desde a nossa noite juntos.

Por um mísero segundo eu balancei diante de sua declaração. Confesso que adorei ouvir o que ele disse, porém logo em seguida recobrei o juízo e lembrei o quão cretino era aquele cara, aí a raiva por ele voltou.

— Você mentem tão bem, sabia? Que quase me convenceu agora dessa sua fala mentirosa.

Eu só conseguia entender sua declaração como uma mentira para me envolver e ludibriar com o propósito de talvez, quem sabe, levar para a cama uma segunda vez. Mas não vai, não!

— Não é mentira o que eu disse. Estou sendo sincero com você como não fui com outra. Vou te esperar no quintal pra gente conversar.

— Eu não vou aparecer pra conversar nada.

Deus me livre ficar sozinha de papo com ele, altas horas da noite no quintal, correndo o risco de alguém nos ver e acabar entendendo errado.

Nem pensar!

Mas sendo bem sincera, a curiosidade era grande em saber que raios de explicação ele queria me dar, qual invenção ele diria. Só que não vou cair nessa. Curiosidade dá e passa.

Não vou ouvir esse sujeito mais tarde. Nem a pau!

— Se você não aparecer lá, eu venho atrás de você aqui no seu quarto de novo.

Arregalei os olhos diante de sua ousadia. Ele não teria essa coragem ou teria?

— Não se atreva a fazer isso!

— Ah, eu me atrevo sim! Sou insistente, lembra? Não desisto fácil de algo que quero.

Bufei ao ver seu sorriso presunçoso após a fala.

— Vai para o inferno!

— Se você vier comigo, eu topo!

— Cretino!

Empurrei seu pé com o meu e consegui fechar a porta. Ouvi do outro lado da porta a risada do infeliz. Depois ele murmurou que ia esperar ansioso para noite a gente conversar.

Que cara cretino!

****

O almoço de comemoração pelo feriado de 4 de Julho foi para lá de indigesto para mim consegui comer direito, porque estava tendo que ficar olhando para cara de Grissom que se acomodou diante de mim na mesa. Algo me diz que ele foi ficar ali propositadamente.

Durante a refeição e as conversas que rolavam a mesa, eu tentei evitar contrato visual com Grissom. Mas era quase impossível se o sujeito estava acomodado bem diante de mim

Cada vez que eu olhava (sem querer) para Gil tomando, é claro, a devida discrição de não ser notada pelos demais fazendo isso, eu o flagrava com os olhos em mim. E o pior é que ao me ver lhe olhando, o ordinário me dirigia de maneira disfarçada um sorrisinho sem vergonha e isso me enfurecia.

Peste de homem!

Ele parecia estar se divertindo com aquela situação. Enquanto eu não partilhava do mesmo. Na verdade eu estava em pânico, temendo que a qualquer momento Maryane ou meus pais notassem algo, ou pior, descobrissem o caso de uma noite do noivo da minha prima e eu.

Sean me cutucou e olhei para ele. Meu irmão comentou algo sobre o cordeiro que comia e mesmo com atenção em Sean, de canto de olho notei minha prima cochichar algo para seu noivo e este sorriu, depois quando ela retornou a atenção para seu prato, Grissom me olhou e espichou os lábios num sorriso, que fingi nem ver.

Sujeito ordinário!

Mas altamente tentador e gostoso!

Por que ele tinha que ser assim?

Por que tinha que mexer tanto comigo e com minha líbido?

Por que ele tinha que ser noivo da Maryane?

E por que ela tinha que tá grávida dele? Merda!

Eram tantos "por que's" que me cercavam, que eu estava enlouquecendo já.

O almoço terminou um tempo depois para meu total alívio. Já não aguentava mais ser alvo dos olhares daquele safado que atende pelo no de Grissom.

Todos se dirigiram para sala por sugestão de minha mãe. Eu resolvi que não ficaria na companhia deles e sendo constate alvo dos olhares de Grissom. Nem pensar!

Ao chegarmos na sala avisei que ia me recolher um pouco. Dei a clássica desculpa de que estava com dor de cabeça e ia dormir um pouco para vê se passava. Pretendia me refugiar no meu quarto, porque queria sossego e distância de Gil. Evitaria qualquer proximidade com ele durante nosso convívio na casa dos meus pais.

— Então foi por isso que minha garota estava tão calada no almoço e não comeu quase nada, não é? — meu pai abraçou-me pelos ombros e beijou minha têmpora.

Ai, papai se você soubesse a verdade ficaria de cabelos em pé!

Apenas sorri para ele.

— Quer um remédio para a dor, filha? Peço para a Li pegar em meu quarto e levar para você.

— Pode ser.

Resolvi aceitar para não desconfiarem que eu mentia.

— Suba que vou lá com a Li na cozinha.

Pedi licença aos presentes e notei Grissom me olhar com algo que parecia preocupação, quando passei por ele rumo as escadas.

Em segundos já estava em meu quarto, deitada em minha cama. Não tardou nada para Li estar cruzando a porta empunhando um copo de água numa mão e um comprimido na outra.

Pedi que ela deixasse ambos sobre a mesinha ao lado da cama que já, já faria uso deles.

— Você me parece angustiada. Está acontecendo algo, minha menina? — Li sentou-se ao meu lado na cama e tocou o topo da minha cabeça.

Engraçado como ela me conhecia bem. Sabia ler-me como poucos! Eu pensei em lhe abrir o jogo, mas refutei desta ideia por temer seu julgamento.

— Não está acontecendo nada, Li. Só essa dor de cabeça chata mesmo.

Ela me enquadrou bem por alguns segundos com seus olhos carinhosos, que demonstravam não ter levado muita fé no que eu disse. Pensei que ela fosse insistir no assunto, mas não o fez. Apenas curvou-se a frente e beijou minha testa como fazia toda vez que me colocava para dormir, quando minha mãe não o fazia por estar de plantão no hospital, na época eu era apenas uma menina pequena.

— Você não me engana, menina. — ela murmurou e piscou antes de se pôr de pé. — Descanse, mas antes não esqueça do remédio.

Assenti.

— Obrigada, Li.

Ela apenas sorriu e se foi do quarto.

Suspirei quando me vi sozinha.

Em que situação eu fui cair!

Observei o poster enorme do Bon Jovi que tinha pregado na parede, e consegui esboçar um sorriso. Aquilo ali era coisa da minha época de estudante. Eu era e ainda sou um pouco — bem menos do que na época de estudante — apaixonada pelo Bon Jovi e suas canções. Tinha vários pôsteres dele pelo quarto. Mas apenas sobrou-me este que minha mãe deixou, porque era o meu preferido e eu pedi para ela não tirar, o que ela acatou. E, também tinha um no meu quarto no apê que divido com a Dayse.

Resolvi apanhar meu celular e escutar um pouco de música da minha banda preferida para ver se a música me faz esquecer ainda que temporariamente o enrosco que eu fui me meter.

Fui na playlist preferida e dei play em You Give Love A Bad Name, que era uma das suas canções que eu adorava. Com essa música tocando pelos fones e fitando o poster da minha banda preferida, acabei viajando sem querer nas lembranças daquela noite que passei com Gil.

Merda! Era para a música me fazer esquecer por um momento aquilo, mas o efeito tinha sido reverso.

E lá estava eu revivendo mentalmente as lembranças que não devia daquela noite.

Ela (a noite) foi memorável...

Magnífica e inesquecível!

Por mais que eu tentasse esquecê-la não conseguiria.

O que eu vivi naquela noite com Grissom foi muito intenso e arrisco em dizer que também foi único. Tanto que não sei se tornarei a viver ou compartilhar com outro homem algo parecido com aquela noite fodástica. Pelo menos, eu assim acho!

E tem mais, não sei também se me entregarei a outro, daquela forma tão sem reservas e louca como me entreguei ao Sr.Cretino gostoso.

Se ele pudesse não ser comprometido com minha prima, seria tão mais fácil e menos complicado!

E assim embalada pelas músicas que segui ouvindo pelos fones do meu celular e também pelas lembranças daquela noite que tive com Gil, eu acabei pegando no sono.

****

Não fazia ideia ao certo que horas eram quando acordei, mas o que eu sei é que levei um baita susto e quase caí da cama ao abrir os olhos e me deparar com o Sr.Gostoso deitado diante de mim na minha cama, vestido apenas com uma boxer branca muito bem recheada.

— Meu Deus!

Só não fui ao chão porque Gil foi ágil e me segurou a tempo.

— Ufa! Foi por pouco hein? — seu sorriso me fez engolir a seco.

— O que você acha que está fazendo?

Ele tinha seus braços em torno de mim e com isso, nós estávamos perigosamente perto, muito perto. Tão perto que eu conseguia sentir sua respiração bater em meu rosto e o volume de seu quadril pressionar meu ventre.

— Não te parece óbvio? Estou te segurando, porque acabei de impedir que caía no chão.

— Já me impediu de ir ao chão. Agora, me solta.

— Está melhor da dor de cabeça?

Sua fala mansa não me amoleceu e nem me faria ignorar o descaramento dele em estar na minha cama, ainda por cima, semi nú.

— Sim!... Me solta!

Eu tentei sair dos seus braços empurrando Gil de perto de mim, mas ele me tinha segura de maneira firme, que tornou impossível de eu consegui sair.

— Pra quê quer sair daqui se assim está tão bom?

Ele retrucou de maneira divertida e descarada.

— Grissom me solta! Vai vestir a sua roupa e saí do meu quarto. Alguém da minha família pode aparecer e te pegar aqui, e vai ser terrível isso.

Só de imaginar a confusão e tragédia que tal flagrante ia gerar, já ficou apavorada.

— Toda sua família saiu para ir na casa de um parente de vocês. Portanto, estamos somente você, eu e os empregados na casa. — ele escondeu o rosto em meu pescoço e eu me vi em desepero.

— Pára, Grissom! Saí daqui, vai!

— Não!

Sem querer deixei que um gemido me escapasse, devido a mordida de leve que aquele cachorro deu em meu ombro.

— Grissom por Deus! — supliquei. — Me diz por que raios não foi junto com os demais? Devia ter ido acompanhando a sua noiva.

Noiva! Toda vez que eu lembro o que ele é para minha prima, eu quero me bater e bater mais ainda nele.

Grissom ergueu a cabeça do meu pescoço e com um sorriso cínico, disse:

— Eu preferi ficar pertinho de você com o bônus de estarmos sozinhos aqui para aproveitar a companhia um do outro da melhor forma possível. — com as duas sobrancelhas ele fez um gesto sugestivo demais para o meu gosto.

— Você é muito...

— Já sei o que vai dizer... Sou um cretino!.. Este parece ter se tornado seu apelido preferido direcionado a mim, né?

Antes o apelido era outro bem diferente. Que aliás, ele nem sonha. Mas agora, depois, de tudo que eu soube, "cretino" realmente se tornou o apelido preferido por mim e que de quebra, caí como uma luva nele. Todavia, 'Sr.Gostoso' ainda escapava de mim em pensamentos vez o outro.

— Não vou pedir de novo para me soltar.

— Então não peça. Aproveite que estou aqui e curta o momento.

— Que curtir o momento, seu cretino. Vai pôr sua roupa e saí do meu quarto, pelo amor de Deus, Grissom. Algum empregado pode aparecer e te pegar comigo na cama só de cueca. E isso não vai prestar.

— Ninguém vai nos pegar aqui. Tranquei a porta. Portanto, não seremos surpreendidos com alguma invasão inesperada no quarto.

Encarei bem seu rosto bonito que ostentava neste momento um sorriso divertido e suspirei. Ele com aquela sua atitude de estar ali no meu quarto parecia mais uma adolescente inconsequente, do que um marmanjo com mais de quarenta anos.

— O que você quer de mim, hein cara, me diz?

Já até desconfiava o que fosse: Sexo!

— Você!

Não foi direto, mas a intenção era a mesma. Me queria para quê? Sexo!

Se ajeitando sobre mim e me fazendo sentir seu peso gostoso e também mais ainda sua excitação, Grissom continuou sua fala:

— Quero repetir àquela noite que tivemos.

Sabia!

Aí está a prova de que é sexo que ele quer.

Homens!

Argh!

Só pensam nisso.

Alguns só nos querem para sexo. E acho que o Sr.Gostoso está incluso neste grupo de homens.

É muito sem noção e nem respeito mesmo!

Mas eu não sou.

— Você só pode ser louco, né? Eu não vou transar com você de novo. E saí de cima de mim.

Meu Deus! Tira esse homem só de cueca de cima de mim logo ou eu não sei se continuarei resistindo por muito tempo, não.

— Por que não vai transar? Você gostou de transar comigo, que eu sei.

Mais é muito convencido e presunçoso. Tão presunçoso quanto o sorriso que me exibia ao falar a última parte.

— Ok!... Admito que até gostei um pouquinho. — falei com um falso desdém que fez Gil sorrir nada convencido da minha resposta.

De alguma forma, aquele sujeito sabia que eu estava mentindo. E eu estava mesmo! Na cara dura!

Eu não havia gostado só "um pouquinho" de transar com ele. Eu havia gostado muito além disso. Demais! Só que não ia lhe dar o gostinho de saber disto. Ele ia se achar o máximo se soubesse.

— Mas... Figurinha repetida não completa álbum, benzinho. Portanto, eu não vou transar com você e repetir àquela nossa noite. Pode implorar por isso, que não vai rolar.

Por mais que eu sinta secretamente desejo de repetir, eu sabia que não devia. Ele era comprometido. E pior, com Maryane.

— Ah, eu gosto de repetir algumas figurinhas de vez em quando. Ainda mais se elas são boas demais como foi o seu caso.

Indecente! Safado!

Como ele tem o cinismo de me dizer isso?

Abri a boca para contestá-lo, mas Gil se mexeu sobre mim me provocando e fazendo-me brecar na hora o que quer que ia lhe dizer.

As minhas defesas estavam sendo postas à dura prova. E que dura prova!

E o pior é que elas (minhas defesas) estavam a ponto de me deixarem na mão. Uma coisinha a mais e babau. Eu mandaria tudo a merda depois do que Grissom fez sobre mim.

Esse homem só podia ser louco!

— Eu não consigo te tirar da cabeça. E eu sei que você também não me tira da sua, Sara. — sua voz ressoava baixa e grave na medida exata para me arrepiar e enfeitiçar. — A gente tem uma conexão muito forte. Eu sinto. Você não sente também, querida?

Seus lábios roçaram os meus e meu corpo formigou, com isso e o novo movimento que Gil fez mais uma vez sobre mim.

Céus! Assim fica difícil.

Eu me via querendo-o. E não era pouco, não. Entretanto não podia por Maryane e aquele bebê.

— Não, Gil! Pára!

Virei o rosto quando ele veio aproximando seu rosto do meu com a clara intenção de me beijar.

— Por que você resisti?

— E você por que insisti?

— Porque eu te quero demais. E te desejo com loucura. Nunca senti por mulher alguma antes coisas tão intensas como estas que estou sentindo por você neste momento, Sara!

Por alguma estranha razão eu consegui sentir um resquício de verdade no que ele acabou de dizer. Pareceu sincero.

— Uma noite apenas e você me enfeitiçou de um jeito intenso e louco, garota.

Essa foi a coisa mais doida e até bonita, que ouvi de um homem com o qual me envolvo depois do término com Elliot. Se bem que Grissom estava sendo o primeiro nisso. Mas pena que ele é um perfeito canalha! Senão até podia rolar.

— Te enfeiticei tanto que você acabou dois dias depois da nossa noite... Ficando noivo da Maryane. Que legal! — debochei com um sorriso.

— Tenho meus motivos pra isso, querida.

— Claro que tem! O filho que ela carrega. É um motivo e tanto.

— Não é meu, Sara. Já te disse. Acredita em mim.

— Por que eu deveria acreditar? A gente mal se conhece. Só tivemos uma transinha.

— Não foi só uma transinha. Foram várias TRANSAS numa noite, Sara. Transas que eu não esqueço. Se fecho os olhos... — ele fechou os olhos e aproveitei isso para passear com o olhar por seu rosto. Estudando cada pedacinho perfeito de sua face, que na nossa noite juntos não me prestei a fazer direito porque estava mais ocupada recebendo e dando prazer àquele homem.

Grissom tinha sobrancelhas bem esculpidas, o nariz pequeno e altamente bonito. Lábios convidativos emoldurados por uma aparada barba de pêlos sedosos. Aquele homem só pode ter sido esculpido. Seus detalhes eram perfeitos, se bem que perfeição dizem que não existe. Mas se existisse, facilmente, atenderia pelo nome de Gil Grissom.

— ...Eu sou capaz de escutar seus gemidos naquela noite... — o retorno de sua fala me tirou do estudo detalhado que fazia de sua face. — ... Capaz de sentir seu cheiro, o seu gosto nos meus lábios e seu corpo vibrando com o meu a cada movimento de entrar e sair...

— Pára! Chega, por favor! — pedi, fazendo-o abrir os olhos e me encarar.

Já estava no meu limite de perder o juízo e se ele continuasse a falar aquelas coisas, recordando-me da nossa única noite juntos, eu ia ceder a ele.

— Quero te beijar! — ele disse de súbito após uns quatro segundos de silêncio que nos abateu.

— Mas não vai! — eu o encarei.

Aquela altura minhas mãos estavam no rosto de Grissom, segurando-o na intenção de evitar que o Sr.Gostoso me beijasse de surpresa.

Porém fazer isso acabou por ser um erro no fim. Sentir sua barba sob a palma da minha mão desencadeou uma onda de prazer e trouxe lembranças excitantes a mente, que se intensificaram mais quando aquele cretino se mexeu uma terceira vez sobre mim fazendo nossos sexos se esfregarem com mais força um no outro.

Eu não consegui mais me conter diante dessa terceira provocação. Puxei o rosto de Gil de encontro ao meu e beijei-o no instante seguinte.

Foi de uma intensidade sem tamanho... De uma profundidade indescritível.

Foi uma completa e deliciosa explosão de sensações. A mesma explosão de dez dias atrás. Sem retirar nem pôr.

Nossas línguas brigavam loucamente dentro da minha boca, buscando sempre manterem o contato.

Nossas mãos sedentas se esgueiraram por nossos corpos desejosos pelo toque um do outro. As minhas deslizaram por suas costas e foram se esconder dentro da cueca dele onde me permiti apalpar e apertar sua bunda. Já uma das mãos dele deslizaram pela minha perna até invadirem meu short para apertar um lado da minha bunda

Gil tinha razão quando disse que tínhamos uma conexão. Dava para sentir isso. Era uma conexão louca que eu não sabia explicar como era possível existir. Só sabia que existia. Que eu sentia! Forte! Como jamais até então senti.

— Desejei tanto te beijar assim de novo.

Gil me murmurou com a respiração aos solavancos logo após o término do nosso beijo.

— A gente já tinha se beijado mais cedo. — o lembrei.

Ele sorriu de maneira leve e descontraída.

— Mas não desse jeito como eu te beijei agora.

— Fui eu quem te beijou primeiro, cretino.

— O torna as coisas melhores ainda!

Ele juntou nossas testas após beijar a ponta do meu nariz, num gesto que achei até fofo. Era o primeiro gesto fofo e sem malícia que via Grissom ter.

— Esse beijo foi a última coisa que você teve de mim. — comuniquei.

Por mais que tenha sido bom e eu sentisse vontade de repetir de novo e de novo, e de novo seu beijo, eu não tinha a menor intenção de prosseguir com isso. Era muita sacanagem da minha parte me prestar a essa situação de ficar de beijos com o noivo da minha prima. Eu não sou uma piranha e nem quero ficar me prestando a papel de 'amante' na vida daquele homem e de qualquer outro que seja.

— Não foi, não Sara. A gente vai transar de novo e quer saber? Vai ser agora.

Ele agarrou a barra da minha blusa para ergue-la com a intenção clara de tirá-la de mim. Mas o brequei.

— Pode parar aí. Não vamos transar coisa nenhuma! Eu não quero transar com você.

— Quer sim. Seu corpo está dizendo que quer.

Gil veio e me beijou. Eu tentei resistir e me sair dele como havia feito pela manhã, mas novamente fracassei e acabei cedendo a sua investida. E mais uma vez, como a pouco, outro beijo intenso rolou.

Ele tirou minha blusa com rapidez e desespero, levantou meu sutiã e caiu de boca em meus seios.

— Não sei quem é mais... Louco!... Se é você... Ou eu! — resmunguei sentindo as carícias maravilhosas que a boca dele fazia em meus seios alternadamente.

— Os dois. Nós dois somos dois loucos sedentos um pelo outro.

Ele retrucou antes de me livrar agora da bermuda jeans junto com a calcinha que usava. Sem demora já havia se livrado da cueca, e retornado para se cima de mim, acomodando-se entre minhas pernas.

Gil já estava guiando seu membro para minha entrada, quando escutamos um celular tocar no quarto. Era o meu celular. Isso fez o "encanto" acabar ali mesmo para mim. Meu juízo perfeito voltou e eu me dei conta da merda que eu estava prestes a cometer.

— Saí do meu quarto agora. — eu o empurrei de cima de mim.

— Quê?

Ele me olhava sem entender nada.

— Mandei sair. Se veste e vai, agora.

— Como assim? A gente estava...

— Pra fazer uma besteira, mas felizmente o celular me despertou a tempo de evitar de irmos adiante. Agora, se manda. — apanhei o celular. Era uma chamada da Dayse. Ia atendê-la, mas parou de tocar.

— Mas me mandar assim? Neste estado?

Gil mostrou com cara de desespero seu membro em riste, prontinho para se abrigar em mim.

Deu até vontade de voltar atrás na minha decisão, ir me encaixar nele e me perder nos movimentos de sobe e desce sobre aquela ereção magnífica que eu via nele.

Mas não!

— Sugiro que se vista antes de sair exibindo porta fora isso aí.

— Não dá pra sair assim. Me diz o que eu faço com ele, Sara?

— Não sei. O problema é seu. Se veste e saí. — eu mandei de pé já me vestindo.

— Isso é uma tremenda sacanagem sua, sabia? Não se faz isso com um homem.

— Ah, coitadinho dele. Só que não!... Sacanagem é você vir no meu quarto e querer transar comigo aqui, na casa dos meus pais e onde também é a casa da minha prima, sua noiva. Degenerado! E se apressa!

— Calma! Pensa que é fácil se vestir com uma ereção como essa?

Terminei de me vestir e no mesmo tempo o celular tocou de novo.

Dayse parece que adivinhou em ligar. Agora mais do que tudo eu precisava falar com a minha amiga. Ia me ocupar ficar de papo com ele.

— Oi!

— Nossa demorou por quê hein, safada?

— Só um minuto e já te respondo. Fica na linha. — tapei o bocal do celular e me dirigi à Grissom que já colocava a calça de maneira engraçada: — Anda cretino. Eu quero falar a sós com a pessoa na linha.

— Quem é a pessoa na linha?

— Não te interessa! Sai!

Ele terminou de se vestir nada contente. E quando terminou se encaminhou até a porta andando de um jeito bem gozado, que me fez rir sem que ele visse.

— Ainda não terminamos. — ele avisou sério antes de fechar a porta após cruzá-la.

No mesmo instante gelei e corri até a porta, trancando-a. Só então retomei a fala com Dayse.

Notas finais
O filho da Maryane não é do Gil? Será verdade ou invenção do Sr. Gostoso pra enrolar, Sara? E esse telefonema de Dayse, hein? Se não fosse por ele, Gil teria conseguido repetir a dose de ficar com Sara. Mas nosso Sr. Gostoso ainda terá outras oportunidades de tentar conseguir isso. Se ele vai conseguir vocês saberão em breve. Beijos e até o próximo capítulo.