Notas iniciais
Espero que gostem ♥

Meu nome é Sook, eu tenho 18 anos e não faço a menor ideia do que está acontecendo com a minha vida. Eu nasci na Coreia e fui despachada quando era muito nova para ser criada pelos meus avós no Brasil. Eu levava uma vida muito feliz, até o tão aguardado dia do meu aniversário de 18 anos. Nesse dia minha avó me acordou cedo, e disse que havia alguém que queria falar comigo. Era minha queria mamãe, que nunca fez questão de saber de mim. Ela e o meu pai queriam que eu voltasse para a Coreia, para aprender a tocar os negócios da família. Eles agiram como se achassem que eu queria aquilo. Ninguém se importou em perguntar. Eu pensei em bater o pé e dizer que não ia, mas quando minha avó me pediu, eu simplesmente não pude negar.

E agora cá estou eu, sentada no banco traseiro de um carro luxuoso qualquer, depois de quase ter sido sequestrada, ouvindo a mulher que eu devia chamar de mãe falando sobre responsabilidade, independência e outras coisas do tipo. Ri internamente, pensando em como imaginara esse encontro. Doce ilusão.

Tive que ouvir aquele sermão até chegarmos em casa. Talvez “mansão” fosse uma palavra mais adequada. Honestamente, aquilo poderia abrigar centenas de famílias que não tinham onde morar. Aquele desperdício de espaço e conforto fazia meu coração doer. Entramos e eu dei de cara com o que possivelmente era a maior sala de estar do mundo. Parei, embasbacada com a magnitude do ambiente, mas logo fui puxada escada acima para o que, a partir de hoje, seria o meu quarto. Joguei-me na cama, exausta da viagem e pronta para dormir a qualquer momento.

— Seu trabalho começa amanhã. – ouvi minha mãe dizer.

Ah, é claro que eu não teria sossego tão cedo.

— Eu sei, estarei la, não se preocupe. – respondi o mais secamente que pude. Não estava preparada para ser carinhosa com aquela pessoa.

—Você sabe que eu e seu pai esperamos muito de você, não é? Por favor, por favor, nos deixe orgulhosos.

— Farei o possível. Eu estou cansada, será que posso dormir?

Virei-me para o outro lado e finalmente, algum tempo depois, ouvi o barulho de passos se afastando e em seguida uma porta batendo. Lar doce lar, pensei sarcasticamente. Entre devaneios e saudades, deslizei tranquilamente para um sono sem sonhos.

***

BUM BUM BUM

Puxei um travesseiro para cima da cabeça, não acreditando que mais uma vez o apartamento de cima estava em reforma.

BUM BUM BUM

O barulho se repetia insistentemente a cada poucos segundos. Nunca fui uma pessoa paciente com barulhos, e aquilo estava me tirando do sério. Finalmente crio coragem para me levantar, e sufoco um grito. Aquele não era o meu quarto, e aquela não era minha casa. Pouco a pouco as lembranças inundam minha mente. Coreia do Sul, meus pais, a empresa, tudo me passou pela cabeça. Então, finalmente percebi que o barulho era proveniente de alguém que batia incansavelmente à porta.

— Pode entrar! –Gritei.

Uma senhora de sessenta e poucos anos adentrou meu quarto, segurando uma muda de roupas horrorosas com uma expressão de solidariedade.

—Senhorita, essas são suas roupas para hoje, escolhida a dedo pela sua mãe. –A senhora me disse.

Sufoco a vontade de rir. Eu não usaria aquilo. Nunca, nunca mesmo.

— Diga à senhora minha mãe que fico muito grata pelo empenho que ela teve ao escolher essas roupas para mim, mas que prefiro me vestir de acordo com os meus próprios gostos, e isso definitivamente não inclui parecer uma Lolita.

A senhora arregalou os olhos, como se não imaginasse alguém capaz de desafiar a dona da casa. Então, fez uma reverencia respeitosa e deixou o quarto silenciosamente.

Eu não entendi muito bem porque todos aqui me tratavam como se eu fosse muito superior a eles, e também não gostei disso. Esse comportamento teria que mudar.

Arrastei-me preguiçosamente até o banheiro, desejando apenas um banho demorado que desfizesse o nó que os meus músculos tinham formado. Novamente, me surpreendi com o tamanho do cômodo. Aquele banheiro facilmente teria o tamanho da minha antiga casa.

Após o banho, vasculhei minhas malas em busca de uma roupa que me fizesse sentir normal, confortável. Encontrei jeans razoavelmente apresentáveis, um moletom quentinho e meus velhos all stars. Como se fosse em casa, pensei. Mas aquela não era a minha casa, e aquele nem ao menos era o meu país. Mais cedo ou mais tarde, eu teria que aceitar isso.

Desci correndo as escadas, ao perceber que estava morta de fome. Todos me olharam estranho, como se esperassem mais de mim. Comi tranquilamente, ignorando toda a qualquer expressão de descrença que me atingia a cada poucos minutos.

—Hum-hum. –Ok, mamãe estava chamando. Era hora de enfrentar o monstro.

—Sim?

—Posso saber que roupas são essas? –Ok, aquelas era as maiores preocupações dela.

—Minhas roupas. Não gostou? –Perguntei, erguendo o moletom ironicamente.

—Você terá que aprender a se vestir melhor, se quiser ser uma de nós.

—Eu não disse que queria ser uma de vocês.

A expressão incrédula com que ela me olhou foi mais do que suficiente para fazer meu dia valer a pena. Sorri, contente, e perguntei:

—Vamos? Ao trabalho! – E saí caminhando tranquilamente.

Ao que parece, ela tinha resolvido deixar o assunto das roupas para lá. Entramos no mesmo carro de ontem, um modelo caro que eu não fiz questão de reconhecer. Percorremos ruas cercadas por jardins bem cuidados de ambos os lados. Ao que parece, eu não estava na parte pobre da cidade.

Meus pais eram os donos e fundadores de uma empresa de entretenimento, chamada Big Hit. Eu nunca fiz questão de me informar sobre a tal empresa, já que ela nunca foi uma preocupação minha. Nesse momento, estou arrependida por isso. O motorista nos guiou até um estacionamento habilidosamente escondido na parte de trás do prédio. Eu ouvia gritos abafados vindos de algum lugar mais à frente, mas não me importei com o motivo. Apenas segui minha mãe pela pelos corredores intermináveis, um labirinto no qual eu provavelmente me perderia na primeira oportunidade.

Ao chegarmos à recepção, finalmente entendi o motivo dos gritos. Eram fãs. Fãs loucas, alucinadas, que choravam e balançavam cartazes. Fãs de um dos grupos teen idiotas que meus pais haviam criado. Sentei-me em uma das cadeiras e coloquei os fones de ouvido, fechando os olhos e fazendo o possível para ignorar o barulho. Ouvi quando os gritos se intensificaram, e aquilo me irritou. De repente, senti um dos lados do meu fone ser arrancado. Abri os olhos de chofre e mal pude acreditar no que estava vendo. Ali, na minha frente, estava o mesmo menino que havia tentado me sequestrar na tarde anterior. Eu reconheceria aqueles olhos curiosos e o cabelo esverdeado em qualquer lugar. Ele sorriu para mim, um sorriso zombeteiro de quem sabia algo e não iria contar, e disse:

—Você não vai fugir de mim de novo, não é?

Notas finais
Quem gosto levanta a mão o Estão curiosos pra saber quem é o menino de cabelos verdes? Façam suas apostas! Obrigada ♥