One Last Chance
25 You Are Worthy Of These Words
Notas iniciais
*Elena*
Aproveitei que Damon havia saído e passei no quarto de Jeremy e Matt apenas para buscar minha mala. Ainda mais agora que Katherine mudaria de quarto, eu estaria sem roupas para usar. Tirei o short e a blusa dela que eu estava usando e dobrei, colocando um short jeans e uma camiseta preta de mangas compridas de Damon.
Afundei meu rosto novamente no travesseiro, me preparando psicologicamente para a conversa que eu iria ter. Bufei e comecei a murmurar coisas ininteligíveis que ficavam abafadas no meio da fronha. De repente, ouvi algo vibrando e logo olhei para o celular, pegando-o e lendo o nome que apareceu no visor.
— Oi, Care! — Atendi prontamente, mas minha voz saiu rouca devido à todo o choro, então logo limpei a garganta.
— Elena, amiga! Como está ai?
— Bem, ótimo. E aí?
— Ah, você sabe. Híbridos rodeando a cidade, novo professor estranho, caçador de vampiros à solta... O de sempre.
De primeira não havia prestado atenção nas suas palavras, mas quando elas fizeram sentido em minha cabeça, percebi o quanto havia sido distraída.
— Caroline!
— O que?
— Como eu sou estúpida! Esqueci de contar algo à vocês.
— O que é? — Ela soou preocupada.
— Connor... ele estava aqui em Little Rock.
— O Caçador?! Mas, como? Por quê?
— Não sei, ele deve ter me seguido.
— Mas e aí? O que vocês fizeram?
— Não precisa mais se preocupar, demos um jeito nele.
Como eu pude esquecer de mencionar isso?! Não conseguia acreditar que não havia me lembrado desse "pequeno" detalhe. Eu sabia como Stefan estava preocupado e Klaus o tinha colocado louco atrás de Connor, então não sei como nem me lembrei de avisá-lo sobre ele. E eu tinha certeza que Caroline não deixaria isso passar em branco.
— Elena, como você se esquece de falar uma coisa dessas?!
— Não sei, Care. Parece que ando meio distraída. Nem tinha parado para pensar que vocês estavam atrás dele.
— Mas como foi isso?
— Ele me sequestrou. E depois Damon e Katherine foram ao meu resgate, e no meio disso tudo, ela o matou.
À medida que eu ouvia as palavras saindo da minha boca, percebi o quanto eu havia deixado de contar.
— Katherine? Ela está aí com vocês? — Ela parecia surpreendida e ao mesmo tempo, com uma pontinha de raiva. Eu sabia o quanto Caroline a odiava.
— É, também tem esse outro detalhe.
— O que ela está fazendo aí? — Respirei fundo antes de responder, sabendo que ela ficaria bem mais surpresa do que eu.
— Ela estava com Damon. Eles estavam viajando juntos. — Ouvi um silêncio do outro lado, que tomei como Caroline digerindo a notícia.
— Por que ele faria isso? Eles não estavam tipo... juntos, né?
— Não! Claro que não! — Dessa vez, eu que havia me surpreendido com suas conclusões.
— Mas e você e ele?
— O que tem?
— Vocês estão? Sabe, juntos.
No mesmo segundo ouvi passos no corredor se aproximando, e identifiquei como Damon e Katherine. A maçaneta estava quase girando, e então eu rapidamente falei:
— Caroline, não dá pra falar agora, te ligo depois. — Desliguei.
Ela foi a primeira a entrar, indo direto à sua mala e jogando tudo para dentro, ficando toda desorganizada. Ela se dirigiu ao banheiro e pegou suas necessaires, colocando tudo dentro também. Quando ela estava prestes a fechar, a interrompi.
— Aqui estão suas roupas. — Estendi-as em sua direção, dobradas. Ela veio até perto de onde eu estava e pegou, me olhando em seguida. — Obrigada. — Murmurei. E então, ela me deu um sorriso fraco — O que era aquilo? Um sorriso? Parecia quase como se ela quisesse me reconfortar, ou algo do tipo. Então deduzi que meu rosto deveria estar inchado de chorar. A encarei, sorrindo de volta também. E então, outra surpresa. Ela mexeu os lábios, falando um "boa sorte" sem som.
Katherine juntou todas suas coisas e saiu do quarto, me deixando atônita com seu gesto. Ao passar perto da porta, ela colocou rapidamente a mão no ombro de Damon, e murmurou um "tchau". E só então eu olhei para ele, encostado no batente de braços cruzados, numa posição descontraída.
Damon me encarou por um tempo, pensativo, mas eu logo abaixei o olhar, envergonhada. Respirei fundo, cruzando minhas pernas e puxando um travesseiro para o meu colo. Ele então caminhou até onde eu estava e se sentou, sem me olhar ainda.
— Por que você não falou nada? — Ele perguntou, olhando para a parede.
— Me desculpe, eu não queria que tivesse saído daquele jeito. E muito menos que você ouvisse por uma conversa minha com Jeremy.
— Mas por que você não falou nada? — Ele repetiu, dessa vez me encarando.
— Eu não sei. — Respirei fundo.
Ele ficou em silêncio, e dessa vez ao invés de só me fitar, ele sentou-se virado para mim. Levantei meu olhar para encontrar o dele, mas me arrependi quase imediatamente. Seus olhos estavam um pouco tristes, mas parecendo tentar esconder raiva controlada. Quando Damon me olhava assim eu tinha certeza que tinha feito algo ruim, pois ele sempre me poupava de tudo, até do que não devia, e não tinha o costume de me condenar ou julgar em nada que eu fazia. Então para ele demonstrar qualquer sinal de decepção, realmente devo tê-lo magoado. E então comecei a tentar organizar meu pensamento para parecer coerente o que eu dizia.
— Me desculpe. Eu não sabia o que esperar quando eu te encontrasse. Eu não sabia como você ia estar, se ia estar com alguém... E quando percebi que você estava com Katherine eu fui engolida pelo sentimento de raiva e pela desilusão de que você me esperaria, mesmo sabendo que não era justo com você, porque eu nunca te dei motivos para isso. E de repente, eu percebo que ela não é simplesmente alguém que entrou na figura agora, mas que ela já estava há tempos, então... não sei, acho que fiquei com medo de que esse tempo todo você só pensasse em mim como uma parte mínima e nem tão relevante assim. Eu era humana e você viveu séculos. Passamos menos tempo juntos do que como desconhecidos e minha parcela na sua vida é uma fração mínima de tudo que você há viveu. E de repente vejo Katherine, a quem você conhece há muito mais tempo que eu estou viva. Que você amou por muito mais tempo que meu então cérebro humano jamais foi capaz de compreender. E eu não sei mais o que pensar, porque sinceramente, eu não sei o que seria de mim sem você, mas parece que durante esse tempo todo você se virou bastante bem sem mim, enquanto eu estava em Mystic Falls a cada segundo pensando onde você estava, o que estaria fazendo... — Tentei reprimir as lágrimas que ameaçavam cair, mas elas simplesmente começaram a rolar — E você sempre foi tão importante para mim, e eu sempre pensava em você como alguém que nunca, nunca iria me abandonar. Mas então você foi embora, e eu não conseguia não pensar que talvez eu não fosse tão importante para você quanto eu pensava. E eu o amo tanto, só não tenho certeza de que você ainda se sente assim depois disso tudo. Eu era uma garota do ensino médio, sem nada de tão fascinante a não ser uma gêmea sobrenatural e você se interessou por mim. Não só você como Stefan. E então eu o escolhi, e... — Respirei fundo, tentando controlar meus soluços em meio ao meu choro entrecortado. — É isso.
Eu despejava as palavras que estavam entaladas em minha garganta desde que eu havia chegado, assim como as lágrimas — que eu achava que tinham acabado, mas quando menos esperei, percebi que ainda tinha muitas delas. Mas eu também não sabia por que eu estava chorando, exatamente. Mas é que ultimamente meus sentidos vampíricos me faziam chorar por tudo e qualquer coisa. Não que isso fosse qualquer coisa.
Eu sabia que eu não conseguiria sustentar seu olhar, por isso fiquei apenas olhando para baixo, sentindo-me envergonhada e ao mesmo tempo exposta demais a todas minhas fraquezas. Então fiquei surpresa quando ele colocou seus dedos firmes em meu queixo, tentando levantar meu rosto. Lutei contra sua mão que me forçava encará-lo, e então ele simplesmente desistiu e contornou minha bochecha, parando nela e fazendo carinho em pequenos círculos.
Numa velocidade vampírica, Damon me pôs em seu colo e minha cabeça em seu ombro. Ele afagava meu cabelo com uma mão e com a outra minhas costas. Deixei meu choro me dominar até ele acabar. Quando entrei no controle novamente e estava apenas soluçando, ele me afastou por um segundo para me olhar.
— Elena, você não entende? Eu nunca vou deixar de te amar. Achei que tinha sido claro. Se não durante todos esses anos, pelo menos em minha carta. Eu não te deixei porque não te queria mais, e muito menos porque você não era importante para mim. Eu te deixei porque você era importante demais e porque achei que iria ser o melhor para você — e para o meu irmão. Eu sei que sempre fui egoísta com você, mas era a hora de parar com isso. Achei que seria melhor, porque como você tinha acabado de escolher Stefan, minha presença só atrapalhava. Eu não estava ajudando em nada e estava cansado de ser olhado como renegado e ficar por perto só iria te confundir mais. E antes de tudo, você acha que eu estava me virando bem antes de você chegar? — Ele riu sem humor. — Acho que não me lembro de nenhum dos dias após partir e antes de encontrar Katherine, pois passei a maioria deles bêbado. Ela me colocou um pouco de volta aos trilhos, é verdade. Mas Elena, você não se lembra do dia em que você me encontrou? — As imagens de um Damon bêbado, totalmente sujo de sangue e sem nem condições de abrir uma porta passaram em minha mente novamente, e eu ri fraco. — Viu? Era assim a maioria dos dias. Eu dificilmente tinha energia para levantar da cama de manhã. Achei que depois desse tempo todo, se tinha uma coisa que você nunca iria duvidar, era de meu amor por você, pois ele não é medido no tempo e sim na intensidade. Me desculpe por ter quebrado minha promessa, mas só estava pensando no que seria melhor para você. E até pensei que você iria ficar aliviada com minha partida...
— Agora é minha vez de te perguntar uma coisa. — Interrompi. — Você não se lembra do dia que você veio se despedir? Alguma coisa em minha expressão gritava "alívio"? Damon, você é quem não entende. Você é importante demais para que eu possa te deixar ir embora, por isso vim te buscar. E nem que eu tenha que te amarrar e te colocar dentro de uma mala, você vai voltar comigo para Mystic Falls. — Brinquei, e ele riu um pouquinho também. Mas então seu semblante ficou triste. — O que foi essa cara?
— É só que não faz sentido.
— O que não faz sentido?
— Você me... — Ele deu uma pausa. — Alguém me escolher. É que sempre fo... — Coloquei um dedo em seus lábios e logo o interrompi.
— Damon, olhe para mim. Eu escolho você.
— Só me deixe terminar... — Dessa vez o impedi de falar pregando meus lábios aos dele rapidamente, e depois me afastando.
— Shhhh. Você, Damon. — Sussurrei. — Só você, mais ninguém.
Dessa vez sua boca veio de encontro com a minha, e nosso beijo tinha uma sincronia incrível, cheia de paixão. Ele desceu por meu pescoço, mas não tirou as mãos de nosso abraço. Depois voltou rapidamente aos meus lábios, mas antes nossas testas se encostaram por alguns segundos e nos encaramos. Seus olhos azuis tinham um novo brilho que eu nunca havia visto antes. Era felicidade misturada com paixão, misturada com admiração e também desejo. Eu o fitei com a mesma intensidade e depois o beijei, com minhas mãos firmes à sua nuca e seus cabelos.
Ele me deitou na cama, tirando seus sapatos e colando seu corpo junto ao meu e fazendo cada milímetro do pelo de minha pele se arrepiar sob suas mãos frias. Grudei meus dedos em seu rosto e senti sua barba mal feita, que só o deixava mais lindo. Eu sentia meus lábios sempre se esticando em meio nossos beijos — eu não conseguia controlar os sorrisos involuntários que apareciam sempre que eu pensava em Damon. Eu sentia suas mãos fortes em minha cintura e, quando percebi, a camiseta que eu usava — que era dele — estava aos trapos, que ele rapidamente também se livrou. Seus lábios exploravam cada centímetro do meu corpo, que explodia de alegria. Passei minha mão em suas costas por baixo de sua camisa, arranhando-a lentamente de cima à baixo. Depois abri todos os botões e me livrei dela. Ele me beijou vorazmente e se livrou de minha meu short em três segundos.
— Eu te amo. — Ele sussurrou em meio aos meus lábios.
— Eu te amo.
Inverti de posições e fiquei por cima e, por um tempo, fiquei sentada apenas admirando seu peitoral e passando as mãos por ele. Ele me olhou malicioso e eu me abaixei, beijando seu pescoço, seu peito, até me livrar de suas calças. Ao me afastar dele um pouco, percebi que ele sorria, mas sua expressão era vampírica. Para agradá-lo, passei todo meu cabelo para um ombro só e deixei que ele mordesse meu pescoço — e a sensação não poderia ser melhor. Quando ele terminou, sua língua ficava fazendo pequenos círculos em minha pele, descendo para meu colo e depois o vão de meus seios.
Nossas respirações já estavam ofegantes e meu corpo já estava se arqueando em espasmos. Desci minha mão para seu membro e dei uma leve apertada, sorrindo satisfeita quando o ouvi perder o ar e gemer em meu ouvido. Ele rapidamente se livrou de minha calcinha e de sua cueca, mas como eu era quem estava em cima, prendi suas mãos uma em cada lado de sua cabeça e o beijei ferozmente, fazendo movimentos rápidos de vai-e-vem com meu quadril que nos faziam gemer em sincronia.
— Elena...
— Shhh.
Damon revirou as posições num momento meu de distração e me sorriu triunfante. Ele desceu uma de suas mãos e apertou minha coxa, enquanto mordia meu lábio. Meus olhos reviraram e meu corpo tremeu de prazer, quando ele passou a mão para minha virilha e depois mais abaixo, fazendo movimentos fortes mas devagares, me torturando. Eu me sentia tão excitada que não conseguia me focar em nosso beijo, e constantemente me perdia e tinha que me afastar para respirar — e ele parecia gostar mais ainda. Então, sem aviso, ele me enfiou três dedos, e eu quase gritei. Seus movimentos ordenados dentro de mim estavam espalhando espasmos por todo meu corpo.
— Damon, eu vou... eu... — Me faltava o fôlego, e entre meus gemidos, não consegui terminar a frase.
— Shh... deixa vir.
Ele penetrou bem mais fundo e eu arfei, sentindo o líquido quente escorrer por entre minhas pernas, e depois, ele retirar seus dedos. Quase reclamei, mas então tive uma ideia melhor.
— Eu quero. Agora. — Murmurei, e ele riu. Como ele conseguia rir?! Eu me sentia totalmente sem ar.
— Pronta?
Ele não me esperou confirmar e me penetrou com força, e dessa vez arfou junto comigo. Ele ia lentamente, torturando à nós dois. Eu me agarrava à ele e à minha sanidade, com uma mão em sua nuca e outra cravando as unhas em suas costas, à medida que o prazer me atingia. Sua velocidade aumentou e eu gemia repetitiva e descontroladamente, minhas pernas firmes ao redor de seu quadril.
Suas mãos subiram para meus seios e os apertaram com força, roçando em meus mamilos várias vezes, e eu gemia sem controle da altura mais. Ele fazia tantas coisas de uma vez só que eu mal conseguia acompanhar. Seus movimentos continuavam fortes e rápidos, e ao mesmo tempo, ele abocanhou e chupou meu seio direito enquanto massageava o esquerdo, e eu não sabia como eu conseguiria controlar tanto prazer vindo de todos os lados, então eu cheguei ao ápice novamente, junto com ele. Era como se meus pulmões não trabalhassem rápidos o suficiente para a quantidade de ar que eu precisava. Eu sabia que Damon estava fazendo de tudo para ser o melhor possível para mim — e ele estava conseguindo.
Depois de algumas horas, paramos para descansar. Eu estava deitada em seu peito, Damon fazia carinho em meu cabelo, e nós não conversávamos há algum tempo, apesar de estarmos acordados. O silêncio não era nem um pouco constrangedor. Eu apreciava cada segundo que eu estava com ele, apenas por ser ele. Ergui meu olhar para o dele, e ele me fitou de volta. E ficamos apenas nisso por longos minutos.
Parecia exatamente como um sonho antigo meu, que eu estava tendo na noite que ele havia partido. Lembro-me de acordar no meio dele por causa dos barulhos, e depois de me encontrar com Damon na varanda para um dois piores momentos que já tive. A única diferença era que no sonho, estávamos em um campo. Tenho que admitir que a versão e o contexto reais era ainda melhor.
— Você é tão linda. — Ele sussurrou, parecendo perdido em seus próprios pensamentos.
— Mais que Katherine? — Murmurei brincando.
— Sim, mais que ela. — Ele beijou minha testa e voltou a me encarar, sério. — Você não é linda porque é igual à ela, você é linda porque é você.
Senti meu rosto corar e um de meus sorrisos involuntários saltar em meus lábios, e então dei um leve tapa em seu peito.
— Para com isso!
— O que? — Ele sorriu, fazendo cara de inocente.
— Isso! Está me deixando constrangida de novo. Você não é de falar essas coisas, e eu não sou boa em dizer coisas assim, então para.
— Eu não sou de falar essas coisas? Como você sabe? Você nunca conheceu essa parte de mim.
— Que parte? — Levantei as sobrancelhas e ele me abraçou mais apertado, colocando nossos corpos mais próximos.
— Apaixonada.
— Damon! — Me afastei dele, ficando sentada e começando a rir. — Falei para você parar! — Ele começou a rir também, colocando os braços para cima em sinal de rendição.
— Eu não falei nada!
Nós dois continuamos a rir e eu senti seus olhos percorrendo meu corpo nu, então para disfarçar meu embaraço comecei a prestar atenção no quarto.
— Desde quando fizemos toda essa bagunça? — Ele olhou em volta.
— Não sei, nem tinha percebido.
O lençol branco que antes deveria estar na cama toda estava apenas debaixo de nós dois e não era mais somente branco. Vários travesseiros se espalhavam por todo o chão.
— Uou. O que vamos falar para a camareira?
— Não tenho a mínima ideia. — Ele falou e sorriu para mim.
Me abaixei, ainda sentada, e o beijei docemente. Um clique veio em minha mente e eu me afastei, levantando-me da cama e indo em direção à minha mala.
— Onde está indo?
— Buscar algo que acabei de me lembrar.
Revirei minhas roupas, procurando minha blusa vermelha. Ao encontrá-la, desdobrei-a e lá estava, enterrado no meio do pano, meu pequeno relicário que Damon havia me dado. Antes de voltar para a cama, recolhi sua camisa preta e a vesti.
— Ahh. — Ele reclamou, seus lábios forçando os cantos para baixo como uma criança mimada.
Ri rapidamente e me sentei ao seu lado, abrindo minha mão e mostrando-o o pequeno objeto que se encontrava nela. Ele analisou, e depois sentou-se também.
— Obrigada por isso. — Murmurei. — É lindo e eu não me separei dele desde que o vi. Que nem você.
— Você sabe o que está escrito? — Damon perguntou.
— Claro. "A eternidade nunca terá tempo suficiente para eu passar com você”. Onde o encontrou?
Ele hesitou um pouco antes de falar, mas ao começar, seus olhos ficaram um pouco tristes.
— Era da minha mãe. Ela me deu antes de eu ir para a guerra que acontecia no Sul. Eu não sabia quando iria voltar, ou se iria voltar. Ela me falou para repassar para alguém assim que eu encontrasse uma pessoa que merecesse suas palavras. — Ele pegou o objeto na mão, girando-o na palma e depois passando seus dedos na escrita afundada. — Quando eu voltei, ela já havia morrido.
— Eu sinto muito. — Meu coração amoleceu ao vê-lo tão fragilizado, e tudo que eu consegui fazer foi colocar uma mão em seu ombro, e depois beijar sua bochecha. — Sente falta dela?
— Eu sentia muita quando ela morreu. Com o tempo foi melhorando, mas sim, ainda sinto falta dela. — Continuei calada, apenas acariciando-o levemente e deitando minha cabeça nele. Damon então deu uma risada fraca, e quebrou o silêncio.
— Sabia que eu nunca havia considerado dar isso para ninguém? — Levantei meu rosto para olhá-lo. Com essa eu havia ficado surpresa. Eu já tinha uma pessoa em mente que eu pensava ele já ter dado, ou pelo menos pensado em dar.
— Nem mesmo... ela?
— Nem ela. — Ele sorriu, passando suas mãos por baixo de meu cabelo e rapidamente prendendo o fecho e deixando o relicário dependurado em meu pescoço.
Ele acariciou gentilmente minha bochecha e continuou sorrindo. Naquele segundo, me senti perdida na cor de seus olhos e na intensidade com que ele me olhava. Abaixei meu olhar e segurei o objeto entre minhas mãos, depois, timidamente fitei Damon de novo.
— Tem certeza disso? — Sussurrei. Ele levantou as sobrancelhas. — Quero dizer, tem certeza de que quer que eu o tenha?
— Como nunca tive com ninguém mais. — Ele respondeu, juntando nossos lábios e me beijando calmamente.
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