One Last Chance

26 I Can Never Lose You


Notas iniciais
Citação: "Dizem que no inferno existe um lugar onde seus piores pesadelos se repetem sem parar, mas muitos não precisam morrer para chegarem lá." Wolverine

*Elena*

"Minhas mãos estavam amarradas em uma espécie de poste de madeira, com cordas mergulhadas em verbena. Eu podia sentir as queimaduras se formando em meus pulsos continuamente, sem terem tempo de se cicatrizarem. Mordi meu lábio inferior tentando controlar a dor e me foquei em identificar que lugar era aquele, mesmo com a escuridão da noite atrapalhando.

Olhei em volta, percebendo que estava na floresta, perto de onde ficava a antiga tumba dos vampiros. Minha dor começou a aumentar a medida que alguém atrás de mim apertava as cordas. Me desesperei, mas não conseguia enxergar quem era.

Quando tentei me virar para identificar a pessoa, senti algo puxar meu pescoço para trás e também ser amarrado contra o poste. Dessa vez, as cordas eram bem mais grossas e pingavam verbena. Abri minha boca, tentando gritar, mas nenhum som saía. Eu apertava minhas unhas contra a palma de minha mão em agonia.

— Te faz fraco, sabia disso? — ouvi uma voz desconhecida se aproximando. — Você não tem medo de morrer. Você acha que isso te faz forte, mas é bem ao contrário.

O que ele estava falando? Eu tinha sim medo da morte. Eu tinha medo de deixar Jeremy sozinho. Eu tinha medo de deixar todas pessoas que eu amo. Caroline, Bonnie, Matt, Stefan... Damon. Eu nunca poderia deixá-lo. Mas então percebi que a voz masculina não se dirigia à mim.

— A única coisa mais forte que o medo, é o instinto de sobrevivência. E você não o tem. Você não teme a morte. — ele repetiu. — Mas eu sei algo que você teme.

Agora percebi que as vozes estavam muito perto de mim, e três figuras entraram em meu campo de visão. Dois homens cujo o rosto eu não conseguia ver, pois estava desfocado, usavam roupas pretas e tinham um andar firme e pesado. Um deles segurava — arrastava — um outro, que estava com a cabeça abaixada e sua camisa estava aberta. Meu desespero me corrompeu quando percebi quem era: Damon.

Eles o jogaram em minha frente, e ele caiu de cara no chão, suas mãos amarradas atrás de seu corpo. Ele gemeu de dor, e ao se virar de costas, percebi que todo seu corpo estava machucado, repleto de sangue como se tivesse sido torturado.

— Damon! — minha voz finalmente saiu, clara e com meu medo estampado.

— Uma pequena surpresa para você. — Um dos homens falou para ele. — Nós vamos sim, te matar. Mas como sabemos que isso não vai te irritar nem um pouco, pensamos em fazer uma pequena tortura emocional antes.

Em dois segundos, ele estava em minha frente, mas ainda assim não consegui familiarizar seu rosto embaçado à minha visão. Ele acariciou meu queixo e, ao falar, senti hálito de menta e sangue humano misturado.

— Querida Elena... é um prazer finalmente te conhecer. Pena que não vamos ter muito tempo.

Damon rosnou, com raiva, mas não conseguiu se mexer. O homem riu e virou-se para ele, olhando para seu corpo praticamente estraçalhado no chão.

— Veja pelo lado bom, Damon, pelo menos você vai ter uma chance de vê-la pela última vez. — Ele sorriu, voltando-se para mim. — Não do melhor jeito, é claro. Mas não vamos ser pessimistas, não é?

Senti meu pescoço ser solto e depois minhas mãos, e suspirei, aliviada, sentindo meus machucados cicatrizando. Não tive nem tempo para tentar ajudar Damon, fui empurrada pelas costas e caí ao seu lado, deitada na terra. As risadas dos homens ecoaram, mas eu as ignorei, olhando de lado para ver o olhar torturado de Damon, que murmurou:

— Eu sinto muito. — Sua voz era falha e ele mal conseguia falar.

— Por que?

Ele não teve tempo de responder, e foi puxado para o lugar onde antes eu estava. Mas antes eu agarrei sua mão, tentando prendê-lo à mim, mas falhando. Ele foi amarrado ao poste, e sua cabeça caía para frente. Eu sentia que suas forças se esvaíam a cada segundo, e tinha que fazer algo sobre isso.

Me levantei rapidamente, parando em frente à um dos homens de preto, segurando-lhe o pescoço com força e jogando-o contra uma árvore a uns cinco metros. Sem chance de reagir, senti meus braços sendo agarrados por trás pelo outro e fui tacada novamente ao chão.

— Vamos começar, antes que você tente fazer uma bagunça aqui? — Ele disse, sorrindo, mas ao mesmo tempo já nervoso.

Senti verbena ser injetada em meu pescoço e minhas forças lentamente diminuindo, sendo tomada por um torpor irritante. Eu queria reagir, queria lutar, queria tirar Damon dali. Mas mal conseguia mover um braço.

Uma forte pressão foi feita em meu joelho esquerdo e senti dois ossos se quebrando. Gritei em agonia e me contorci no chão, tentando aliviar a dor. Quando senti que o veneno ia começar a fazer efeito e curar minha perna, o homem me pisou de novo. Senti lágrimas escorrendo em meu rosto e um choro de desespero crescia subindo por minha garganta. Mas os gritos mais agoniados dessa vez não eram meus.

— Para! PARA! Não precisa machucá-la! Você já me tem aqui, o que querem com ela?! — Não sei como Damon encontrou forças para ter sua voz de volta, mas ele teve.

— Com ela, nada. — Ele apontou para mim. — Mas eu sei que a cada fio de cabelo que eu arrancar dessa garota, vai ser como arrancar cinquenta dos seus. Chega de papo, vamos continuar, certo?

Ele se ajoelhou ao meu lado e colocou as mãos em minha blusa, puxando-a e rasgando-a, me deixando somente com minha calça jeans e meu sutiã no frio da noite. Tremi e tentei reagir, mas logo senti outra leva de verbena ser injetada em meu ombro. Meus olhos foram se fechando lentamente, e eu conseguia enxergar apenas por uma fresta de minhas pálpebras.

Gritei em agonia quando senti esfregarem algo em minha barriga, queimando-a e deixando-a molhada com água misturada com verbena. O vampiro que passava o pano encharcado em meu corpo usava luvas, e apesar de não ver seu rosto, seu sorriso de quem estava gostando era bem claro.

— Pare! Já pedi para parar, por favor! — Damon gritou, impotente e agoniado, enquanto uma garrafa toda foi despejada sobre mim e eu chorava desesperadamente. — Eu tenho sim, medo da morte! Eu tenho medo de que eu morra, enquanto ela queima. Eu tenho medo de não poder fazer nada.

Sem piedade, meus dois braços foram retorcidos para trás e quebrados, e eu fui jogada num canto, começando a ser ignorada. O outro homem se aproximou de mim e me amarrou pelas mãos, impossilitando que meus ossos se curassem. Mais lágrimas desciam meu rosto encharcado, mas eu tentava me segurar dos gritos e gemidos de dor quando percebi o quanto aquilo deveria estar machucando Damon.

— Vamos acabar com isso logo. — O outro falou, de repente, entediado. — Não está mais tão legal.

Vi os dois se aproximarem de um Damon totalmente machucado e fraco, tampando minha visão dele. Antes que eu pudesse implorá-los para não fazer nada, senti a verbena fazendo efeito e minhas pálpebras caírem, deixando tudo preto. Ouvi um último gemido de dor, que logo foi abafado. E depois um silêncio absoluto, antes que minha cabeça caísse para o lado.

O que eu faria? Damon não poderia estar morto! Por que eu não conseguia me mover? Por que eu não enxergava ou falava nada?

De repente, só dois barulhos eram reconhecíveis. Um, era de uma ambulância ao longe. E o outro era meu nome.

— Elena! — Sua voz me fez sorrir. — Elena, vamos, acorde!"

Pulei na cama, em desespero. Damon estava apoiando em um de seus cotovelos, e com a outra mão, ele acariciava minha bochecha, tentando me acalmar. O barulho da ambulância vinha de algum lugar distante, na rua.

— Ei, se acalma. — Ele murmurou.

Tentei me sintonizar, e reconhecer onde eu estava e o que estava acontecendo. Havia sido tudo um sonho. Ok. Entendido. Eu me sentia suando frio e meu rosto estava molhado, e quando passei a mão para ver o que era, percebi que eu estava chorando.

— Foi só um sonho. Eu sei que foi ruim, mas foi só um sonho. Eu estou bem, você também.

— O que? — Sussurrei, ainda perdida. — Espera, como você sabe o que aconteceu?

Ele abaixou a cabeça, envergonhado.

— Me desculpe, mas é que eu percebi o quanto você estava chorando e desesperada, e eu entrei na sua mente para ver o que estava acontecendo. — Ele falou, com uma voz arrependida. — Por favor, não fique brava.

— Não estou brava. Só foi... Ah, Damon, foi horrível! — Me apertei contra o corpo dele, e ele me abraçou mais forte, beijando minha cabeça.

— Eu sei, eu sei. Mas está tudo bem agora. Foi só um sonho idiota. — Ele esfregava suas mãos em minhas costas, tentando controlar a tremura que passava pelo meu corpo.

Deitei em seu peito e me acomodei mais perto dele, que não se afastou nem um centímetro.

— Estou com fome. — Murmurei.

— Eu também. — Ele respondeu. — Que tal descermos para o restaurante?

Peguei o celular e olhei as horas, estranhando como estávamos desregulados e perdidos no tempo.

— Damon, são três da manhã.

— Ah... — Ele respondeu, também confuso. — Mais tarde, então?

— Sim. Mas eu não estava falando nesse tipo de comida.

— Ah, eu sei. Mas restaurantes tem comida, e onde tem comida tem gente. — Eu ri com sua analogia estranha. — Mas ainda assim, se não quiser esperar, acho que ainda tem algumas bolsas de sangue no closet.

— Não. Já estou cansada, estou precisando de sangue quente, direto da veia. — Ele riu por um tempo, depois parou para me encarar. — O que foi? Por que está rindo de mim?

— Nada... — Ele continuou. — Só é engraçado te ver assim. Elena Gilbert, falando sem vergonha ou culpa que quer sangue humano direto da fonte. Está aí algo que eu não achei que iria viver pra ver.

Dei um leve tapa em seu peito, rindo junto. Era estranhamente confortável e familiar estar em seus braços, sendo uma vampira e tudo mais. Damon era uma parte de mim da qual eu nunca poderia ficar sem. Eu não sei como viveria num mundo sem ele. Ele me aceitava por quem eu era, sem julgamentos, e ficava do meu lado quando tudo e todos estavam contra mim. Como eu algum dia poderia abandoná-lo? Eu não conseguia imaginar.

Me aconcheguei mais debaixo do seu braço e respirei fundo para sentir seu cheiro de canela, madeira e meio de almíscar que eu tanto adorava. Fechei os olhos, sem medo de qualquer coisa. Com os braços daquele homem ao meu redor, eu conseguia encarar tudo.

— Me acorde se tiver outro pesadelo, tudo bem?

Assenti, feliz, e o beijei lentamente nos lábios, depois me deitando em seu peito e deixando-me levar pela inconsciência.