One Last Chance

31 We're So Screwed


Notas iniciais
"A verdade sempre vem à tona, é uma das regras mais fundamentais do tempo. E quando ela se revela, ela pode te libertar, ou acabar com tudo pelo qual você lutou tanto." Gossip Girl

*Jeremy*

— Você está parecendo que está de TPM, Jer.

Era verdade. Eu estava com sono, fome e super cansado, o que não ajudava o voo ter atrasado e só termos chegado em Mystic Falls cinco da tarde quando a previsão era meio dia. Eu e Matt pegamos as malas no compartimento superior do ônibus e descemos na única estação que havia na cidade. Como preferimos deixar o carro no aeroporto para quando eles voltassem, foi o único jeito que tivemos para voltar de Charlottesville.

Descemos as escadas, e assim que pisei no chão, senti dois braços ao meu redor. Abracei a pessoa de volta por reflexo, e só depois fui perceber que era Bonnie. Nos beijamos por alguns segundos até eu ouvir um constrangido Matt pigarreando. Nós dois rimos e depois Bonnie virou-se para ele.

— Oi, para você também. — Ela disse, abraçando-o rapidamente, e depois olhou atrás de nós, observando as outras pessoas saírem do ônibus como se esperasse ver alguém conhecido.

— Algum problema? — Perguntei.

— Cadê a Elena? — Eu e Matt trocamos um olhar apreensivo.

— Ela não te contou?

— Contou o que?

— Ela ficou por lá. — Ele respondeu.

Ela levantou as sobrancelhas, surpresa, e revezou os olhares entre eu e Matt. Depois, suspeita, perguntou:

— Ela ficou lá sozinha com Damon?

— Katherine também ficou lá. — Matt apressou-se em dizer.

— Ah, é. Tinha me esquecido que a doida estava por lá.

— Argh, qual é o problema em dizer, Matt? Eles estão juntos, e daí? — Eu disse, já irritado com a enrolação disso tudo.

Um silêncio pairou no ar depois que meus nervos me atacaram e eu praticamente vomitei as palavras. Ajeitei minha mochila nas costas e segurei minha mala direito, pronto para seguir para o carro.

— Podemos ir? — Falei, já sem paciência.

Entramos no carro de Bonnie e ela dirigiu pelas ruas em direção à minha casa. Ninguém falou nada no trajeto, com medo de falar qualquer coisa que pudesse me irritar mais. Eu estava precisando de várias horas de sono.

Entramos na casa e eu rapidamente subi e coloquei minhas malas no quarto, dando espaço para Matt colocar as dele também, como ele estava ficando por aqui esses dias. Desci para a cozinha e encontrei Bonnie esquentando algo no microondas.

— Eu sabia que vocês chegariam cansados, então já deixei um jantar pronto para vocês.

Sorri e fui em direção à ela, dando um beijo em sua testa.

— Obrigado, não precisava fazer isso. — Ela sorriu. — E me desculpe por mais cedo, eu sei que fui grosso.

— Não precisa se desculpar.

O microondas apitou e Bonnie retirou de lá uma travessa com uma macarronada que parecia a deliciosa que sua avó fazia. Sentei-me no balcão e deixei ela me servir, e também outro prato para Matt, que ainda não havia descido.

— Receita da Sheila?

— Sim. — Ela deu uma risadinha.

Comi em silêncio por alguns minutos, enquanto Bonnie mexia em seu celular ao meu lado. Ouvi a campainha tocar e eu já estava à ponto de jogar alguma coisa na porta quando Matt gritou que atenderia.

Bonnie largou o celular e me encarou por um tempo, com uma expressão incomodada, como se tivesse algo a dizer. Não demorou muito para eu adivinhar o que era.

— É, eles estão juntos. — Ela me olhou. — Se é isso que você está com vontade de me perguntar.

— É, acho que eu já esperava por isso. Fico imaginando como Stefan vai reagir.

— Acho que você vai descobrir agora. — Nos viramos para trás e vimos Matt entrar na sala e no nosso campo de visão, e vindo atrás dele ninguém mais, ninguém menos, que Stefan Salvatore.

—-------

*Elena*

Depois que tomamos café voltamos para o hotel e ficamos praticamente o dia todo sem fazer nada no quarto. Quando eu tive a ideia de descer para a área de lazer, Damon pareceu um pouco animado. O fato de não estar sol ou calor o suficiente para muitas pessoas estarem na piscina só melhorava as coisas. Como não tínhamos nenhuma roupa de banho, passamos na lojinha do hotel e compramos um biquíni e uma sunga.

A tarde passou rápido. Não fizemos muitas coisas além de nadar, ou ficar deitados nas espreguiçadeiras. Enquanto eu lia um livro qualquer, Damon ficava me olhando, até eu ficar vermelha e jogar alguma coisa nele.

Ficamos sentados na parte rasa das piscinas um bom tempo, e até brincamos com algumas crianças que estavam por lá. Damon era incrível e surpreendentemente bom com elas — sabia exatamente como diverti-las e quando ele brincava de jogá-las para cima e deixá-las cairem na água, era possível ouvir o coro de "agora comigo!" e "de novo, de novo!". Eu ficava olhando-o tempo todo, contemplando esse novo lado dele que eu nem sabia que existia.

Até que uma das mães das crianças que estava sentada por perto também, virou-se para ele, e falou:

— Você vai ser um ótimo pai, sabia disso?

Enrijeci quase imediatamente, deixando de lado minha posição relaxada de quem estava apenas tomando um sol. Aquele era um assunto delicado para mim, pois se tinha uma coisa que eu lamentava ter perdido ao me tornar vampira era a escolha de poder ser mãe, ter uma família e uma vida normal. Damon percebeu minha reação, mas agiu normalmente.

— É, acho que isso não está nos meus planos. — Ele riu suavemente, tentando parecer descontraído enquanto eu tentava controlar minhas expressões. Ao ouvir sua resposta, a mulher ficou um tanto surpresa.

— Mas por quê?! — Sua voz tomou um tom de desapontamento que fez parecer como se ela tivesse sido seu próprio filho a dizendo que ela nunca seria avó. — Vocês são um casal tão lindo. Iam fazer filhos lindos, e vocês com certeza tem jeito para a coisa.

— É... — Damon pareceu tentar achar as palavras, mas eu nem me importei em parecer rude ou impaciente.

— Nós não podemos. — Falei, abaixando meus óculos escuros, tentando fechar a conversa de uma vez por todas. Felizmente, a mulher entendeu o recado.

— Oh. Me desculpe... Eu não queria..

— Está tudo bem. — Fiz um sorriso falso em sua direção, e ela, constrangida, foi aos poucos se afastando.

Damon me encarou por alguns segundos enquanto eu tentava controlar minhas emoções intensificadas. Algumas crianças ainda insistiam que ele brincasse com elas, mas depois dele respondê-las já desanimadamente e algumas vezes falando que estava cansado, elas desistiram.

— Podemos subir? — Falei então.

— Claro.

Assim que cheguei no quarto, entrei no chuveiro quente e, esperando que Damon não estivesse me ouvindo ou espiando, chorei baixinho. Há algum tempo eu precisava de tirar isso de mim, e colocar para fora. Eu não havia perdido apenas minha humanidade, eu havia perdido milhares de opções e escolhas que eu poderia fazer.

Eu não estava mais tão triste, e estava conformada com essa nova realidade, mas em alguns momentos como esse, eu simplesmente me pegava pensando em como tudo poderia ter sido diferente. Se Stefan tivesse me salvado naquele dia ao invés de Matt, talvez minha vida seria bem mais normal. Eu poderia ir para a faculdade, e talvez até me casar e ter filhos. Ser mãe sempre foi meu sonho. Mas eu não o culpo — Stefan fez o que tinha que ser feito. Não me arrependo de ter escolhido Matt naquele dia, mas agora eu teria que lidar com as consequências da decisão.

Me pergunto como seria se Damon e eu tivéssemos nos encontrado em sua vida humana, ou se ele não fosse um vampiro, como tudo isso ia ser. Elena, tire esses pensamentos da cabeça, isso nunca vai acontecer.

Respirei fundo e desliguei o chuveiro, puxando a toalha e me enrolando nela. Pensei ter visto pelo espelho cabelos negros passando rapidamente atrás do batente da porta, mas provavelmente tinha sido só uma ilusão. Limpei meu rosto e fui para o quarto, encontrando Damon deitado relaxadamente na cama.

— E então? — Ele perguntou.

— E então o que?

— Pronta para o lugar onde eu vou te levar?

Para falar a verdade, tinha me esquecido completamente disso. Damon queria me mostrar algo hoje à noite. Eu não estava muito animada, mas tentei parecer o mais curiosa e feliz possível, abrindo um sorriso para ele.

— Claro. E o que eu deveria vestir?

— Pode se vestir normalmente, tudo que você vai precisar eu já estou levando. — Ele sentou-se na cama e esticou o pé, apontando com ele para um canto onde havia uma bolsa preta que parecia cheia de coisas.

Tenho que admitir que dessa vez fiquei mesmo com curiosidade. Para onde ele poderia me levar que precisaríamos de levar uma bolsa assim?

— Vou tomar um banho. — Ele disse, se levantando, e depois apontando um dedo para mim. — E nada de espiar, mocinha.

Dei uma risada fraca e fui até minha mala, pegando as primeiras roupas que vi na frente e colocando-as. Só havia tirado meu relicário para nadar, então peguei-o e coloquei novamente, desta vez por cima da blusa. Eu não tinha nada a esconder mais.

Peguei uma bolsa de sangue na mala de Damon e sentei-me na poltrona, enquanto lia um livro qualquer. Ouvi ele ligar o chuveiro e comecei a passar os olhos pelas palavras, sem realmente prestar atenção. A história tinha algo a ver com uma adolescente que tinha um câncer no pulmão e falava sobre como a vida humana é frágil. Revirei os olhos para o quão perfeito foi esse timing.

Ouvi um celular vibrando em algum lugar e rapidamente me pus de pé para procurá-lo. Assim que Damon desligou o chuveiro, ficou mais fácil identificar de onde o som estava vindo. Rapidamente peguei-o e olhei o nome estampado na tela.

— Jer! E aí, como estão as coisas?

— Hey, Elena. Estão indo, e aí?

— Tudo ótimo.

— Err.. Elena, tenho que te falar uma coisa. — A voz de Jeremy parecia nervosa, então eu já fiquei apreensiva, com as piores possibilidades do mundo passando em minha mente em segundos.

— O que foi? O que aconteceu?

— Não, relaxa. Não é nada de mais. É que... — Ele pausou por um tempo. — Stefan sabe sobre você e o Damon.

Engoli em seco e esperei alguma reação do meu corpo — que não veio. Mas como? Quem poderia ter contado à ele? Isso deveria ter sido feito da maneira certa, do jeito certo. Eu deveria esclarecer as coisas e contar como eu me sentia, e teria que ser pessoalmente. Agora estávamos a milhares de quilômetros e não havia nada que eu pudesse fazer.

Isso só me fez ter uma vontade enorme de nunca mais voltar e ficar aqui para sempre, para nunca ter que lidar com isso.

— Quem contou à ele? — Perguntei, nervosa.

— É... ninguém contou, Elena. Ele ouviu que tínhamos voltado para a cidade e veio até nossa casa. Eu e Bonnie estávamos conversando e ele ouviu.

— E como ele reagiu? — Fiz a pergunta que eu mais temia a resposta.

— De primeira, ele ficou bravo. Começou a jogar algumas coisas no chão e dizer que você não deveria ter feito isso, que você não deveria ter ido atrás dele. — Passei minha mão em minha testa, em um sinal de desespero. O que eu faria quando chegasse? Ouvi Damon entrar no quarto e dirigi à ele uma expressão de "socorro" ou "estamos muito ferrados", e ele fez um sinal com as mãos, como se perguntasse o que tinha acontecido. Então Jeremy continuou: — Depois, falamos para ele se acalmar, e ele se sentou, começando a pensar direito. Tentei explicar para ele mais ou menos o que estava acontecendo, falando que você conversaria com ele quando chegasse, mas ele ignorava tudo e só se contrapunha, dizendo que era errado e que você estava pirando. Mas então, eu já estava estava estressado e falei algumas coisas para ele, e acho que ele caiu na real. — Suspirei, um pouco mais aliviada. Mas nem tanto. — Não vou dizer que ele parecia gostar da ideia, ou que já aceitou, mas ele parecia um pouco mais conformado quando saiu. Ou pelo menos ficou assustado com minha reação. — Jeremy acrescentou essa última frase, um pouco mais baixinho, como se falasse consigo mesmo.

— O que você disse para ele? — Questionei, me perguntando o que no mundo Jeremy poderia ter falado para deixar Stefan mais controlado.

— Anh, coisas. É melhor você não saber, acredite. A coisa já vai estar feia o suficiente para o seu lado quando você chegar, não quero piorar tudo.

— E isso era para me fazer me sentir mais calma? — Perguntei, exasperada.

— Não, Elena. É para você saber o que te espera. E achei melhor você saber por mim que por ele quando vocês chegassem. — Respirei fundo e tentei me acalmar.

— Ok, é verdade. Obrigada, Jer.

— Disponha.

Desligamos o telefone, e eu imediatamente me virei para Damon, que estava com uma toalha amarrada no quadril e me olhava com um olhar preocupado.

— Elena... O que aconteceu?

Avaliei sua expressão, e sem querer enrolar muito, falei.

— Stefan sabe sobre nós.

Notas finais
Oi, gente! Lembra que eu havia falado sobre escrever uma outra fic? Então! O primeiro capítulo está pronto, e eu queria muito que vocês me dessem a opinião de vocês! Vai ser uma fic bem pequena, de provavelmente uns 5 capítulos, então não custa nada dar uma lida e me deixar saber o que você acha, né? ;) Por favor, leiam: http://fanfiction.com.br/historia/342123/Remembering Ah, e não esqueçam de comentar esse capítulo! O que acharam? Também não vou achar ruim se quiserem recomendar hehehe Xo, Gi.