Notas iniciais
"A esperança é um alimento da nossa alma, ao qual se mistura sempre o veneno do medo." Voltaire

*Caroline*

Aquela manhã estava sendo estranha. Depois que Stefan saiu, logo após sua visita inusitada exigindo explicações sobre onde Elena estava — o que eu já estava esperando -, decidi ficar em casa para evitar todo o alvoroço que ele devia estar fazendo na cidade.

Deitei-me no sofá da sala de estar e peguei um cobertor e um livro qualquer, folheando sem realmente ler nada. Acho que devo ter caído no sono, pois quando a campainha tocou, acordei assustada, ficando sentada num segundo. Tentei abaixar um pouco meu cabelo e ajeitar minha roupa, e fui atender a porta.

— Olá, Caroline. — ele sorriu, após pronunciar lentamente meu nome com aquele sotaque que me trazia arrepios na espinha. Tentei manter a pose.

— Klaus, oi. O que está fazendo aqui? — cruzei os braços.

— Bem, fiquei sabendo por um dos meus híbridos que Stefan passou aqui mais cedo. Posso entrar? — Hesitei um pouco, mas assenti. Ele passou por mim e ficou de costas, sem me olhar, encarando minha sala.

— Você estava dormindo, querida? — ele perguntou, ao ver meu sofá bagunçado e meu cobertor no chão. Ele então se virou, percebendo meu olhar — Desculpe, não quis atrapalhá-la.

— Não, tudo bem, eu só estava lendo e caí no sono. — Ele sorriu e se sentou, pegando meu livro e olhando a capa — Posso saber por que você está aqui? Sem ofensas.

— Para te ver. — Levantei as sobrancelhas e cruzei os braços novamente, indagando — Ok, ok, só estou brincando. Preciso saber o que você falou para Stefan.

— Eu só contei para ele os motivos da Elena ter ido para Little Rock.

— E ele?

— De primeira, ele queria ir atrás dela. Mas acho que o convenci a ficar quando expliquei que todos seus híbridos estavam de olho nele. — Ele se acomodou mais no sofá, parecendo mais relaxado.

— Ah. Menos um problema para mim.

— E como vai a busca por Connor?

— Indo. Você sabe, é difícil encontrar uma pessoa que não quer ser encontrada. Mas estão procurando, e deverão me ligar assim que tiverem notícias.

— Ah, bom saber. — Peguei meu cobertor no chão e me sentei no sofá, um pouco afastada dele. Ele me encarou por um tempo e eu perguntei — O que foi?

— Você é deslumbrante até com cara de sono. — Fiquei sem graça, e apenas dei uma risadinha baixa.

— Pare com isso.

— O que? É verdade.

Apoiei minha cabeça nas costas do sofá e liguei a TV, num canal que passava um reality show bobo.

— Você gosta dessas coisas? — Ele perguntou, deitando a cabeça também.

— É uma distração.

Depois ficamos em silêncio, apenas assistindo aquelas várias pessoas não fazerem nada de mais e brigarem por coisas mínimas. Logo depois começou um musical dos anos 60, e logo Klaus começou a comentar e contar suas histórias dessa década. Fiquei entretida, e ele realmente parecia gostar de conversar, mas quando percebi, meus olhos estavam fechando lentamente, e minha cabeça caiu um pouco para o lado, pousando em seu ombro. Na hora não me importei, e até me aconcheguei um pouco mais no peito dele, apenas subconsciente de minhas ações. A última coisa que ouvi foi um suspiro seguido de uma risadinha abafada, e depois ele colocou os braços ao meu redor e encostou sua cabeça na minha.

*Elena*

Eu havia apagado. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas algum tempo depois, me senti sendo carregada. Ao tentar abrir a boca parar protestar, percebi que ela estava tampada. Não abri meus olhos, com medo do que poderia ver, e apenas fiquei imóvel, fingindo ainda estar desmaiada.

Uma pontada de dor na minha nuca me apontava que haviam quebrado minha coluna mais cedo. Tentei não me mexer, mas fui colocada no chão bruscamente, e acabei abrindo os olhos.

Eu estava num galpão enorme, com algumas poucas estantes de metal com caixas e poucas janelas. Analisei o local, sem saber onde estava. Um estrondo me assustou e eu logo olhei para trás para ver o que era. Um portão enorme vermelho se fechava, e eu havia visto alguém sair por ele.

— Ei! — Tiirei o pano de minha boca e gritei. — Volte aqui! Quem é você? O que você quer? — Corri até o portão, tentando abri-lo, mas ao tocá-lo, minha mão queimou e eu gritei. O ferro estava banhado em verbena. — Droga! — Xinguei, voltando para o lugar onde eu havia sido deixada.

Passei por uma fresta da janela e senti minha pele tão quente que parecia em chamas, e logo percebi que estava sem meu anel. Rapidamente me joguei na parede oposta, que estava numa vasta sombra. O que estava acontecendo? O que eu estava fazendo ali? E, o pior de tudo, quem era aquela pessoa?

Ouvi um barulho estrondoso, como se várias máquinas fossem ligadas ao mesmo tempo, e vi que muitos dutos de ventilação haviam sido abertos. Senti uma moleza atingir meu corpo, e eu logo tive que apoiar na parede e ir me sentando aos poucos. Eu suava frio e mal tinha forças para levantar. Verbena estava sendo espalhada em todo o ar do galpão fechado. A porta se abriu novamente, e eu tentei levantar meu rosto para olhar.

A figura do homem se aproximava calmamente, enquanto minha visão que havia ficado turva tentava identificá-lo. Apenas quando ele parou abaixado bem na minha frente que eu pude perceber quem era. Connor. Quis xingá-lo de tudo, mas ao abrir minha boca, ele logo colocou o dedo em meus lábios.

— Shhh. Não faça muito esforço ou vai ficar mais fraca mais rápido. — Ele sorriu, sarcástico. Apenas encarei-o, com o olhar mais forte que pude fazer, mas logo me senti exausta, e acabei desabando deitada no chão. Eu o via pelo canto do olho, apenas, pegando algo retangular e fino em seu bolso, que depois identifiquei como um celular. Meu celular. — Devemos ligar para o seu vampiro agora, ou mais tarde?

— Na... Não. — Consegui colocar as palavras para fora, mas sem qualquer entonação.

— É, agora mesmo. Ou você prefere morrer antes de ter a chance de vê-lo fracassando tentando salvá-la? — Ele riu. — Não responda.

Ele me endireitou, me colocando meio sentada, apoiada com as costas na parede, e depois começou a discar os números e colocou no viva-voz. Damon atendeu no segundo toque.

— Elena?! Onde você está? Estamos preoc... — Ouvir sua voz me trouxe uma calma interior enorme, e meu coração na mesma hora se sentiu acalentado apesar do contexto. Depois de tanto tempo sem ouvi-lo, até isso me trazia alívio. Minha respiração ficou um pouco ofegante com o esforço para respondê-lo.

— Damon. Damon, por favor. — O interrompi, com uma voz fraca e entrecortada, que logo sumiu, assim que Connor, de repente, enfiou uma estaca em meu estômago. Eu gritei de agonia, sem saber onde havia arrumado forças para colocar minha voz para fora. Ele logo a tirou, e eu senti um alívio imediato, mas ao mesmo tempo exaustão, caindo de novo no chão. Eu apertava meu ferimento com força, e pela sua profundidade percebi que ele não curaria tão rapidamente quanto o normal.

— Ei, Elena! O que está acontecendo? — Ouvi Damon exasperado perguntar, com uma voz preocupada. Eu queria respondê-lo, mas não conseguia fazer nada a não ser arfar de dor.

— Acho que você me confundiu. Não é a Elena aqui mais. Não te vejo a muito tempo, Sr. Salvatore. — Connor falou, cínico. — Se você a quiser de volta, me encontre na rua Sonnegan, número 43, um portão vermelho. Você tem cinco horas. Se não, você sabe o que acontece.

Antes de desligar a ligação, ele pegou a estaca e a enfiou em minha perna dessa vez, me fazendo soltar um grito agudo e depois cair no choro. Todo o meu corpo doía, e, dessa vez, ele havia deixado a estaca no lugar, e levantou-se se afastando de mim.

Eu me retorcia no chão, tentando tirar o pedaço afiado de madeira de minha perna, mas não conseguia encontrar forças.

— Isso mesmo, faça isso. Vai ficar mais fraca ainda desse jeito. Continue assim que eu não vou nem ter que fazer esforços para te matar em frente ao seu vampiro.

Olhei profundamente em seus olhos, com os meus brilhando de fúria. Nem fiz esforços para respondê-lo, mas ele percebeu minha raiva e riu. Ele se afastou um pouco mais e pegou uma cadeira de metal, colocando-a na minha frente a alguns metros de mim, bem onde os raios do sol batiam no chão. Ele cruzou os braços e ficou me observando, com uma expressão de quem se divertia.

Parei de me mexer, decidindo tentar ignorar a dor e apenas ficar quieta. Senti um torpor me atingir imediatamente, e então ouvi sua risada fatal e apaguei de novo.