One Last Chance
19 The Damsel In Distress
Notas iniciais
*Elena*
Acordei suando frio e tremendo. O chão e o ar estavam gelados, e como eu ainda usava o pijama de Katherine, estava congelando.
Minha fraqueza não ajudava. Me encolhi e passei meus braços em volta de minhas pernas, uma, por sinal, cheia de sangue já seco. Tentei mais uma vez puxar a estaca, e ela escorregou apenas um pouco, mesmo eu colocando toda minha "força".
— Você sabe que isso só está piorando sua situação, não é? — Ouvi Connor falar e levantei meu olhar para ele. Ele olhou o relógio, e sorriu para mim. — Seu vampiro está demorando. Talvez ele tenha desistido e decidido que você não vale a pena o risco.
— Por que você está fazendo isso? — Falei, entrecortada.
— Diversão, não sei. Mas sequestrar você parece ser o jeito mais fácil de atrair os Salvatore. Então estou matando três coelhos com uma pedra só.
Bufei, e tentei me colocar sentada no chão, falhando e desabando de novo. Eu precisava de sangue. E, considerando minha situação, muito sangue. Havia tanta verbena em meu organismo que eu sentia cada veia do meu corpo gritar em ardência. Ele riu.
— Se quiser morrer mais rápido, eu tenho veneno de lobisomem aqui apra complementar. A escolha é sua... — Ele disse, cínico.
— Não, obrigada. — Tentei soar rude, mas minha voz sem entonação saiu quase como se eu realmente estivesse o agradecendo.
Apesar de meu subconsciente querer que Damon viesse me salvar, meu consciente queria que ele ficasse onde quer que ele estivesse. A imagem dele entrando por aquelas portas me desesperava, sabendo que Connor iria tentar matá-lo. E tudo que ele fazia parecia muito bem planejado.
Eu queria poder gritar para ele ir embora. Ligar de novo para ele e dizer "Não venha! Me deixe aqui, vá embora!", mas o pensamento de não vê-lo mais me torturava, e eu sabia que isso aconteceria se ele não viesse. Porque eu sentia, dentro de mim. Sentia a moleza, o cansaço, a falta de vida. Sentia que estava morrendo lentamente.
*Damon*
Descemos imediatamente para o lobby. Sem tempo para explicar para Jeremy e Matt o que havia acontecido, apenas os empurrei para fora do hotel e depois para um carro que Katherine havia roubado enquanto eu os encontrava, ignorando suas perguntas.
Dirigi o mais rápido que pude na BMW preta que ela havia arrumado, sem prestar atenção em sinais de trânsito e apenas seguindo o GPS, enquanto ela explicava rapidamente para eles, que estavam no banco de atrás, sobre a ligação de Connor. Quando parei num sinal vermelho, mexi inquieto minha mão pelo volante, ouvindo a voz irritante de uma mulher robô me dizendo para onde ir.
— Eu sei! — Gritei, estressado, dando um murro no GPS. — Todos me olharam, assustados com minha reação. — Que merda! — Exclamei, novamente colocando o pé no acelerador e ultrapassando todos os outros carros que me apareciam na frente.
Antes que eu pudesse perceber, Katherine colocou sua mão em meu joelho, afagando calmamente, e eu olhei de relance para ela.
— Se acalme, nada vai acontecer à ela, ok? Vai ficar tudo bem. — Apenas ignorei seu gesto. Não tinha energia para refletir se era sincero ou irônico.
Nos dirigíamos para uma parte mais deserta da cidade, mais isolada, na periferia. Quando li numa placa azul "Rua Sonnegan" virei bruscamente, quase dando um cavalo de pau. A primeira coisa que avistei foi um portão enorme vermelho, ao longe. Acelerei e parei bem em frente, freiando repentinamente, e fazendo todos, menos eu, irem para frente.
Desci rapidamente do carro, ignorando as exclamações de Matt e Jeremy.
— Ei, calma! Você não pode entrar assim...
— Espera! O que você pensa...
Empurrei fortemente o portão, retirando minha mão na hora, xingando comigo mesmo. Havia uma queimadura enorme nas palmas, que logo ia curando.
— Que merda! Vocês vão ter que abrir. — Falei, olhando para os dois.
Jeremy foi o primeiro a se manifestar, indo em direção à maçaneta gigante. Ele fez um esforço e conseguiu abrir uma fresta, empurrando para frente. Coloquei minha mão em seu ombro, afastando-o, e dei um chute que fez a porta se escancarar imediatamente. Somente eu e Katherine fomos rápidos o suficiente para entrar, pois o portão logo se voltou para trás mais forte. Entrei naquele espaço fechado, ignorando as exclamações de "Abra!" dos outros dois e olhei em volta, procurando. A primeira coisa que ouvi foi um sussurro muito fraco.
— Damon... Cuid... — Olhei para Elena do outro lado do galpão, deitada no chão, mas na mesmo hora que ia correr para ela, me senti sendo jogado contra uma estante, que foi toda derrubada em cima de mim.
Me levantei rapidamente, me livrando de várias caixas que tampavam meu caminho. Tempo suficiente para ver Katherine pular no pescoço de Connor, que rapidamente enfiou uma estaca em suas costas, segurando-a por trás. Ela caiu no chão com um estrondo, e eu fui para cima dele, chutando seu esterno e vendo ele voar em direção à outra parede, caindo deitado no chão. Tirei a estaca das costas de Katherine e fiz sinal para ela ir atrás dele. Assim que ela se levantou e parou em um segundo em cima de Connor, corri para Elena.
— Elena! Ei, estou aqui, está tudo bem agora. — Levantei seu tronco, retirando uma estaca de madeira de sua perna encharcada de sangue. Tirando o cabelo de seu rosto, percebi que ela estava desacordada. — Elena! Acorde. Vou te tirar daqui, você vai ficar bem.
— Isso eu duvido. — Ouvi Connor falar, sem forças. Ele olhou para Katherine pela primeira vez, que estava abaixada em cima dele, segurando um de seus braços e prendendo o outro com seu pé. — Vocês são iguais. — ele disse, surpreso. — Será que aquela ali que eu machuquei foi sua querida irmã? — Ele sorriu sarcasticamente.
— Não. — Ela sorriu de volta. Só minha tatara-tatara-tataraneta. — Então enfiou a mão em seu peito e jogou seu coração do outro lado do galpão. E então, como se achasse seu corpo desprezível, chutou-o de lado, levantando-se lambendo a ponta dos dedos sujos de sangue.
Logo voltei minha atenção à Elena. Ela parecia extremamente frágil, apesar de agora ter conseguido abrir levemente os olhos.
— Damon. — Ela pronunciou, com dificuldade. Meu coração encheu-se de calor ao ouvi-la.
— Eu vou cuidar de você, eu prometo, não se preocupe.
Vê-la naquele estado me doía. Ela estava muito pálida e suando frio. Seu corpo parecia vegetativo, como se não conseguisse mexer um dedo sequer. Apoiando-a com uma mão, levantei minha outra à boca, cravando meus dentes em meu pulso. Levei-o até a sua boca, mas ela protestou um pouco.
— Não posso.
— Pode sim. Enquanto não arrumarmos outra coisa. Tudo bem, é só um pouco.
Ela desistiu, mordendo suavemente e sugando quanto mais sangue ela conseguisse. O que ainda assim não foi o suficiente. Ela ganhou um pouco de cor no rosto, mas não tinha forças.
— Damon, temos que sair daqui. — Me virei, vendo Katherine em pé atrás de mim, parecendo meio fora do ar. — Verbena.
Assim que ela falou, percebi a diferença no ar, sentindo um pouco de tontura. Logo prendi minha respiração, e levantei Elena em meus braços, carregando-a e andando com o máximo cuidado possível para que ela não sentisse. Katherine foi na frente, pegando impulso e chutando o portão com tanta força que ele sua trava quebrou, e ele ficou aberto para passarmos.
Assim que Jeremy nos avistou, logo correu em minha direção, exasperado por ver Elena.
— Agora não, pequeno Gilbert, depois. Vá abrindo a porta do carro.
Fui direto para o banco de trás, me sentando e colocando Elena no meu colo, deitando sua cabeça em meu ombro, e sussurrando apenas para ela "está tudo bem, você vai ficar bem". Matt foi digirindo de volta, com Katherine ao seu lado.
— Ela vai ficar bem? — Jeremy perguntou ao meu lado, apreensivo.
— Vai, ela só está um pouco fraca. — Respondi, fazendo carinho em seu rosto e em algumas mechas de seu cabelo. Quando percebi que ela tremia, principalmente por causa do pijama que ela usava que não cobria quase nada, tirei minha jaqueta, sem fazer movimentos muito bruscos, e a cobri.
Ao chegar no hotel, convenci Matt e Jeremy de irem para o quarto descansarem um pouco e depois comerem alguma coisa, que eu iria cuidar de Elena. Eles relutaram um pouco, mas acabaram aceitando.
Cheguei no quarto, colocando-a na cama até que ela se estabilizasse um pouco. Ela abriu os olhos, mas ainda assim não conseguia falar direito, então decidi lhe dar um banho. Sem me importar, entrei de roupa e sapatos na banheira, ligando o chuveiro e apoiando totalmente seu corpo e ensaboando-a ao mesmo tempo. Lavei seu rosto, e a coloquei de um jeito que ela era forçada a me olhar. Seus olhos me localizavam, mas não conseguiam me focar. Como eu era estúpido! Claro que eu sabia do que ela precisava.
Enrolei-a na toalha e carreguei-a até a cama de novo, onde Katherine estava.
— Me ajude aqui, por favor? — Olhei para ela impaciente, mas sem precisar tentar convencê-la, pois ela se levantou prontamente.
Ela se endireitou, indo para sua mala e pegando algumas roupas que eu nunca imaginaria encontrar lá. Um conjunto de moletom preto que parecia bem quente e um par de meias rosa. Coloquei a roupa em Elena, deitando-a de volta, e indo em direção ao closet, onde eu havia escondido no meio de algumas toalhas, bolsas de sangue. Quando Matt chegasse, ele a ofereceria de bom grado, mas enquanto isso não acontecia, ela precisava de pelo menos um pouco de sangue.
— Ei, tome um pouco, vai te ajudar a melhorar. — Ela me olhou não convencida, mas abriu a boca. À medida que o sangue entrava, eu conseguia senti-la mais forte. Ela foi capaz de pegar a bolsa da minha mão e tomar sozinha depois de um tempo. Depois da quinta, ela virou-se para mim, sorrindo:
— Obrigada. — Ela passou a mão gelada em minha nuca, fazendo carinho no meu cabelo, e depois me puxando para um beijo tranquilo e acalentado. Assim que nos afastamos, não consegui conter meu sorriso.
O que eu mais sentia naquele momento era alívio. Tudo que eu queria agora era tomá-la em meus braços, escondendo-a de tudo para que nada mal acontecesse à ela.
Elena se mexeu desconfortável, tentando se levantar. Eu a ajudei, confuso, pois ela desviava o olhar. De repente, ela se virou para Katherine, que lia uma revista distraídamente, atravessada na poltrona.
— Obrigada a você, também. — Katherine a olhou, quase não acreditando que ela estava dirigindo aquelas palavras à ela. — Quero dizer, você ajudou. — Elena continuou, provavelmente se sentindo estranha. — E obrigada pelas roupas.
— Não é nada. — Katherine respondeu, hesitante e com um sorriso meio incrédulo, voltando-se depois para sua leitura.
Então Elena olhou para mim, batendo no colchão ao seu lado, fazendo sinal para eu me deitar. Me aconcheguei no travesseiro e ela em meu peito, me abraçando fortemente e respirando em minha camisa. Ela fechou os olhos sorrindo e, depois, como se se lembrasse de alguma coisa, levantou seu olhar para mim. Ela se puxou um pouco para cima, sussurrando para que apenas eu ouvisse, encostando seus lábios frios em meu ouvido:
— Eu te amo.
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