One Last Chance
37 Triple Date
*Elena*
As últimas semanas haviam passado voando e a formatura se aproximava. Meus dias fora à procura de Damon haviam feito bastante bem para mim, porém aparentemente não tão bem para meu boletim. A formatura se aproximava, e tudo que eu sabia é que eu precisava de nota em três matérias que eu não fazia ideia de como seriam as provas.
A matéria era do ano todo e com o meu número de faltas um tanto alto, eu nem preciso falar que eu estava fodida. Peguei uma cópia de todas anotações, resumos e fichas de Caroline, e ao olhar aquela pilha enorme em cima da mesa, eu só tive vontade de chorar. Malditas emoções intensificadas.
— Não aguento mais Isso tudo é inútil! — Gritei exasperada, jogando o livro de química do outro lado da sala, o que fez com que ele atingisse a estante e muitos livros caíram.
Era pleno sábado a noite, todos estavam saindo e eu estava trancada em casa tentando aprender química orgânica. Damon, que ficou me fazendo companhia, estava sentado no sofá lendo escondido um dos diários de Stefan. De vez em quando ele ria de alguma coisa e eu sempre me distraía olhando para ele, ele que precisava me falar para eu me focar e parar de encará-lo. Ele virou-se para mim, assustado com minha reação.
Levantei, nervosa e angustiada, com lágrimas de raiva escorrendo meu rosto, e fui até em direção à ele, que abriu os braços para me receber. Afundei-me em seu peito, sentada em seu colo e ele me abraçou, tentando me acalmar fazendo carinho em meu cabelo.
— Isso é tudo inútil. Pelo amor de Deus, eu sou uma vampira, quando eu vou precisar disso na vida?! — Falei entre soluços. Ele abriu a boca para falar alguma coisa, mas eu logo o interrompi. — E eu já sei o que você vai dizer. Que eu não preciso estudar, que eu nem mesmo preciso fazer a prova, que é só compelir os professores e tudo fica bem. Mas eu não quero isso. É a primeira vez que estou formando no ensino médio e quero fazer isso direito.
— Primeira? Já está pensando em fazer outra vez? — Ele falou brincando, tentando me animar.
— Você me entendeu. Mas é que é tudo tão... besta. Até parece que algum dia vou precisar saber quantas ligações um carbono faz ou as equações de reação dele. Quando na vida vou ter que calcular a área de um triângulo, ou resolver uma equação trigonométrica?! Nunca! São todas situações totalmente hipotéticas que nunca vão acontecer!
— Eu sei, meu bem, é horrível mesmo. É tudo muito inútil e você nunca vai precisar de nada disso. — Me levantei de seu colo, virando-me para encará-lo.
— Não! Não é isso que você que me dizer. — Falei, jogando os braços exasperada.
— Então o que eu tenho que te dizer? — Ele me perguntou, confuso.
— Você tem que me incentivar, dizer que eu vou me sair bem, que agora essas coisas podem parecer inúteis, mas vão me ajudar no meu futuro acadêmico, e que isso é só uma fase da minha vida e quando eu olhar pra trás daqui uns anos, eu vou rir e perceber o quanto isso tudo era bobo.
— Ok. — Ele disse, se levantando e parando na minha frente. Seus lábios davam uma sugestão de que ele estava segurando um riso, mas eu tentei ignorar isso. Ele segurou meus braços e me encarou nos olhos. — Você tem razão. Pode parecer chato Elena, mas é para o seu futuro. E você vai aprender num instante, porque você é inteligente e esperta, e aqueles professores não são nada comparados à você, e a matéria deles subestima sua capacidade de inteligência.
— Não precisava falar isso tudo também. — Falei, mas sorri e apesar de meu rosto estar molhado, as lágrimas haviam parado de cair. Ele sorriu também, me puxando pelo braço em direção à mesa.
— Vem, eu vou te ajudar.
— Sério? — Perguntei, surpresa.
— Aham.
Falar que Damon era inteligente era subestimar a palavra. Ele era um gênio. Mais uma descoberta sobre ele que me fascinava. A cada dia ele me surpreendia mais.
Ele não lembrava muito de matérias como química e biologia, mas foi só ele ler os resumos de Caroline que ele conseguiu me explicar tudo perfeitamente bem. Em história, ele me contava a maioria das coisas em detalhes sem nem pegar nos livros — muitos dos acontecimentos ocorreram quando ele ainda estava vivo. Eu sorri com aquilo. Quando se lê todas aquelas histórias em livros e artigos, tudo parece muito distante e abstrato. Mas tendo alguém que estava presente na época, ali, te contando tudo exatamente como era, fazia a matéria quase parecer interessante. Ele se lembrava de cada detalhe e eu só me afundava mais em seus olhos azuis.
— Elena, foco. Você está babando. — Ele disse, convencido. Dei um tapa de leve em seu peito.
— Idiota! Pode continuar.
Por volta das quatro da manhã, Damon tentava me explicar um exercício de física que de jeito nenhum entrava na minha cabeça. Aquela baboseira toda não fazia sentido e toda aquela interpretação era demais para o meu cérebro que já estava me pedindo descanso depois de tantas horas de estudo.
— Damon, acho que já deu. Sinceramente não consigo mais. E duvido que essa questão vá cair. E se cair, vai ser só uma, todas as outras vou dar conta de fazer.
— Tem certeza? Olha só Elena, é bem simples, é só... — Ele ia começar a tentar me explicar de novo, mas meu cérebro já estava rejeitando qualquer número ou fórmula na minha frente.
— Não, está bom. Você é um ótimo professor, eu que sou uma aluna terrível. E estou morta, preciso dormir antes que eu caia bem aqui mesmo.
— Ok, então. Vamos dormir. — Sem nenhum aviso prévio, ele me levanta da cadeira e eu solto um gritinho de surpresa, mas logo me aconchego em seu ombro largo e o abraço fortemente, já fechando os olhos.
Ele ia caminhando em direção à escada quando a porta principal abriu e Stefan entrou. Ele parou assim que nos viu, acho que meio que assustado com meu estado, sem falar que eu devia estar com olheiras enormes.
— Uou. Então ela não conseguiu estudar.
— Ela estava estudando até agora. — Damon respondeu. — Vou colocá-la para dormir antes que o cérebro dela dê um tilt.
— Boa noite. — Murmurei sorrindo fracamente por cima do ombro de Damon.
— Boa noite. — Ele respondeu, rindo um pouco. É, definitivamente minha cara não devia estar das melhoras.
Adormeci tão rápido que a última coisa que senti foi meu corpo sendo colocado no colchão, e ouvi Damon murmurando algumas coisas que eu não conseguia decifrar pois o peso de minhas pálpebras era enorme e eu finalmente cedi.
Na segunda de manhã, acordei para fazer as provas confiante e até um pouco animada. Damon havia preparado um café da manhã reforçado para mim e o trouxe na cama, o que já fazia eu começar meu dia de bom humor.
— Bom dia. — Ele disse, colocando a bandeja à minha frente e me dando um beijo leve nos lábios.
— Uau, quanta coisa. — Havia ovos, pão, geléia de morango, uvas, algumas rosquinhas de doce e, claro, um copo bem cheio de sangue.
— Você vai precisar hoje. Como você está?
— Nervosa, um pouco. Mas com o professor que eu tive, tenho certeza de que vou me sair bem.
— Que bom que pensa assim. — Ele disse, e contornou a cama, sentando-se do meu lado. — E por falar nisso... — Ele falou, colocando a mão no bolso e retirando dois pedaços de papel. O olhei sem entender, até que ele me mostrou o que estava escrito. Eram dois convites para o baile de formatura. — Elena Gilbert, você gostaria de ir ao baile comigo? — Ele perguntou, revirando os olhos para si mesmo, num tom formal um tanto debochado, sorrindo de lado.
— Mas é claro que sim, Sr. Salvatore! — Exclamei, pegando os convites de sua mão e jogando meus braços ao seu redor. Depois me afastei, olhando-o com desconfiança. — Tem certeza? Quero dizer, nós dois sabemos como você adora essas coisas fúteis de humano.
— Eu sei que é idiota. Para falar a verdade, acho uma total perda de tempo. Mas eu estou namorando uma garota do ensino médio— ele pronunciou as palavras como se fossem inacreditáveis até para ele -, e se é importante pra você, então é importante pra mim. — Sorri largamente, admirada com como Damon cada vez mais me surpreendia. E ele continuou: — Você disse que queria fazer tudo certo, então assim será. Primeiro diploma de ensino médio, e agora primeiro baile de formatura.
Terminei de tomar meu café da manhã e logo fui me aprontar. Como o verão estava quase chegando, pude estreiar minhas roupas um pouco mais abertas. Primeiro, um short, coisa que quase nunca se usava em Mystic Falls. Coloquei apenas uma blusinha de linha, pois ainda estava ventando.
Dirigi até a escola, relembrando e repassando tudo em minha cabeça, esperando que nada sumisse dela na hora das provas. Andei pelos corredores da escola, um pouco envergonhada por estar aqui na semana de recuperação. Sempre fui uma aluna nota A, e de repente, estou à caminho da sala de provas quando todos já estão de férias e a única coisa que eu deveria estar preocupada era com meu vestido para o baile.
Sentei-me à carteira que continha meu nome e abaixei, encarando a mesa esperando que ninguém me visse. Alguns minutos depois, a Sra. Bendelfield, a bibliotecária, entrou na sala com os envelopes das provas.
— Bom dia, alunos. Hoje como você sabem, é a prova de recuperação. Cada aluno precisa de nota em alguma matéria específica, mas todas as matérias estão incluídas, porém tentem se focar na que vocês precisam. Vou entregar as provas e peço que vocês façam silêncio enquanto isso.
Ela saiu distribuindo as folhas, carteira por carteira, e assim que chegou na minha, tentei não olhá-la para ela não perceber quem eu era. Não deu muito certo.
— Srta. Gilbert? — Ela falou baixo, mas como estava silêncio, todos se viraram para olhar. — Nunca pensei que a veria aqui. — Ela falou num tom surpreso e de reprovação. Isso era mesmo necessário? Trinquei os dentes de raiva.
— Nem eu, Sra. Bendelfield, nem eu. — Murmurei para mim mesma.
Comecei exatamente pelas partes que eu precisava, como ela havia nos dado a dica. Física, química e história. Passei um bom tempo nessas, mas as informações estavam fluindo bem na minha mente e eu conseguia me lembrar perfeitamente de tudo que Damon havia me ensinado. Era fácil aprender quando não se conseguia desviar o olhar do professor. Eu lia as questões e lembrava exatamente como ele havia me falado para fazer, como era fácil, como o cabelo dele estava lindo e aquele olhar... Foco, Elena.
Terminei essas primeiras depois de uma hora e alguns minutos, e agora só me restavam... todas as outras matérias. Respirei fundo, e continuei. O resto foi bem fácil.
Assim que terminei tudo, me levantei e entreguei a prova para a Sra. Bendelfield, e fiz questão de nem olhá-la ao me despedir. Velha mau-amada. Minhas costas doíam um pouco e os calos que haviam se formado em minhas mãos estavam se curando rapidamente, e eu andava nos corredores com uma pressa um tanto desesperada, louca para sair daquela escola de uma vez por todas. Assim que cheguei ao estacionamento, sorri instantaneamente.
Damon me esperava encostado na porta de meu carro, com sua jaqueta de couro, seu óculos escuro e seu sorriso sexy que matava qualquer um com um ataque cardíaco. Essa era uma das horas que se eu fosse humana, meu coração estaria quase saindo pela boca. Sem hesitar, corri para os seus braços e ele me pegou bem na hora, me levantando no ar e beijando meu rosto.
— E aí, como foi?
— Muito bem. Graças à você. — Falei, sem conter o sorriso.
— Ótimo, então vamos comemorar. — Ele falou, abrindo a porta do carona para que eu entrasse. Ele claramente queria dirigir, mas eu não discuti naquele dia. Entrei e ele rodeou o carro, entrando e colocando a chave na ignição. — Mas, primeiro, vamos comprar um presente de formatura, certo?
— Damon, não... — Comecei a relutar. — Não precisa fazer nada disso...
— Shhh! — Ele me interrompeu. — Preciso e quero. Vamos, não é nada demais.
Ele dirigiu até o centro comercial, onde havia o único shopping da cidade. Era pequeno, mas dava para o gasto. Ele me puxou pela mão, e parecia saber exatamente onde queria ir. Paramos em frente uma loja enorme, muito sofisticada e com um lustre enorme de cristal dependurado no teto que eu reconhecia muito bem. Minha mãe havia me trazido aqui para escolher meu vestido de 15 anos.
— Damon, eu não posso. Não posso aceitar isso.
— Claro que pode, Elena, deixa de ser boba. — Antes que eu pudesse questionar, ele praticamente me empurrou para dentro da loja e fomos recebidos por uma atendente, com seu uniforme preto muito bem passado e seu cabelo e maquiagem impecáveis. Ela era impecável.
— Olá, meu nome é Lydia, como posso ajudá-los? — Ela sorriu gentilmente, muito mais para Damon que para mim.
— Estamos olhando um vestido para essa linda moça aqui. — Damon apontou para mim. O rosto de Lydia se desfigurou um pouco, mas ela parecia continuar com a farsa.
— Por aqui, então. O que você tinha em mente? — Ela me perguntou.
— Eu não sei, eu... Não tenho a mínima ideia. — Falei, fuzilando Damon por ter me obrigado a entrar aqui.
— Ok, então. Vou trazer algumas opções e você vê o que parece mais com você. — Ela sorriu, mas depois murmurou, acredito que um tanto irônica: — Você é bem pequenininha, vou ver o que temos aqui. — E saiu. Segui ela com os olhos, irritada. Damon riu.
— Ela só está com inveja, Elena. Sei reconhecer quando vejo uma invejosa. É porque ela não chega nem aos seus pés. — Ele me abraçou por trás, afundando seu rosto em meus cabelos e depois beijando meu pescoço. Rapidamente meu humor mudou, e eu ri baixinho.
— Damon, pare com isso, estamos no meio de uma loja.
— E daí? — Ele murmurou contra minha pele.
— E daí que você sabe como estão meus hormônios e não quero começar uma coisa que não vou terminar.
— Ah, mas por que não... — Ele começou a falar, mas Lydia chegou, se assustando um pouco com nós dois, mas logo se recompondo. Damon tirou os lábios de mim mas continuou me abraçando, apoiando a cabeça em meu ombro. Sorri vitoriosa para ela. Ela fingiu não notar e colocou alguns vestidos na mesa à nossa frente.
— Bem, temos esses estilos, veja o que você gosta mais.
Olhei um a um, todos eram maravilhosos. Não cheguei nem perto de olhar a etiqueta, não me permitiria nunca receber um presente daquele se soubesse o preço. Por fim, escolhi dois para experimentar e Damon escolheu mais um para que eu tentasse. Ela nos levou até os provadores e Damon ficou me esperando nos sofás do lado de fora.
— Desejam mais alguma coisa? Uma água, champagne? — Ela falou, se aproximando de Damon enquanto eu entrava para dentro da cabine.
— Não, obrigada, estamos muito bem. — Respondi bruscamente, mas com um sorriso. Ela rapidamente entendeu o recado e saiu.
— Tudo bem, fiquem à vontade. Qualquer coisa é só me cham...
— Nós iremos. — Falei de novo, ríspida dessa vez. Damon tentava controlar o riso.
Experimentei o primeiro que eu havia escolhido. Ele era vermelho tomara-que-caia, bem colado ao corpo e abria em babados partir do quadril. Era bonito, mas tinha algo que simplesmente não encaixava. Não estava dando certo.
— Tudo bem aí, Elena? — Damon perguntou.
— Sim. Só acho que esse não.
— Deixe-me ver.
Saí do provador, tentando ajeitar o vestido no busto, mas ele estava caindo. Damon encarou, mas depois fez uma careta risonha e fez que não.
— Eu sei. — Entrei de novo e tentei o segundo. Ele era de um tom coral, um pouco puxado para o nude, tinha um grande decote nas costas, e eu havia amado no cabide, mas assim que coloquei no corpo, ele de repente não parecia tão atraente. Minha cor fazia com ele não se destacasse. Era bonito, mas sem graça.
— O que acha? — Perguntei à Damon, saindo de novo.
— Bonito.
— Mas... — Esperei.
— Mas... não combinou com você. E esse decote atrás é demais. — Ele brincou e eu revirei os olhos, entrando de novo, começando a tirá-lo. — Experimente o que eu escolhi.
Suspirei e peguei o vestido preto que Damon havia pegado. Eu não sabia que problema ele havia encontrado com o decote do outro, porque o desse era bem maior, só que na frente. Vesti e me encarei no espelho.
Não havia muito o que dizer. Era espetacular, Damon tinha um bom gosto. Ele ficou ajustado na medida certa à minha cintura, e se abria a partir dela em camadas finas de tule até o chão, porém o decote era constrangedoramente grande. Fiquei com vergonha até de sair para ver o que Damon iria falar. Ele destacava meus seios de uma maneira não muito confortável.
— Elena? — Ele chamou. — E então? — Respirei fundo e saí.
— E então? — Devolvi sua pergunta.
Ele não falou nada. De primeira, apenas abriu a boca como se fosse falar alguma coisa, mas nada saiu e então ele a fechou. Ele me encarou de cima à baixo lentamente, me fazendo corar ao demorar um pouco mais em meu busto. Quando eu já estava ficando tímida, limpei a garganta, interrompendo-o.
— O que achou? — Falei, colocando as mãos na cintura e virando-me de costas para que ele visse atrás.
Ouvi ele se levantar e caminhar em minha direção.
— Eu acho que está perfeito. — Murmurou, e sua proximidade era evidente. Meus pelos se eriçaram com sua voz um tanto rouca e próxima. Me virei para encará-lo.
— Sério?
— Sim. Ele vai ficar mais bonito ainda no chão do quarto depois do baile. — Ele então olhou para baixo, colocando as mãos no tecido fino e puxando-o um pouco tentando fechar um pouco mais o decote. Seus dedos quentes arrastaram-se em minha pele gelada e minhas respiração se desregularizou, e ele claramente percebeu. — Vamos só que ter que dar um jeito nisso. Fechar um pouco, se não vai atrair muitos olhares. — Bufei e revirei os olhos e ele pareceu se divertir com a minha reação. — Brincadeira. Mas eu vou ficar de olho em você a noite toda.
— Estou contando com isso, Sr. Salvatore. — Respondi, levantando as sobrancelhas e deixando de lado minha carranca.
— Agora... — Ele colocou uma mão no bolso. — Uma coisa para completar. — Ele puxou minha mão e a abriu, depositando uma caixa de veludo azul quadrada e um tanto plana na minha mão.
— O que é isso? — Perguntei, e minha voz falhou, com medo do que eu poderia encontrar.
— É só um presente, Elena, relaxe.
Vendo que eu demoraria a abrir, ele a pegou de novo, abrindo a caixa e rapidamente rodeando meu pulso com alguma coisa. Assim que ele retirou a mão, fiquei boquiaberta. Era uma pulseira linda, toda decorada com pequenos cristais de diamante que abordavam toda extensão da corrente, e um pingente um pouco maior, também de diamante, em formato de coração repousava nas costas da minha mão. Era perfeita. Totalmente delicada e com ostentação e ao mesmo tempo simplicidade das jóias antigas. Aquilo deveria ter custado uma fortuna. Meu Deus. Damon tinha que parar com isso.
— Damon... — Comecei a falar, mas tudo saía da minha boca muito baixo.
— Elena, nem comece a reclamar. Por favor. Eu estou te dando isso porque eu quero. Aceite como um presente de formatura.
— Damon, você já está me dando um vestido. Já está passando de bom.
— Claro que estou, eu que te convidei para o baile. Então façamos assim, o presente é uma maneira de te dar parabéns pelo seu desempenho nas provas de hoje.
— Não, Damon. E eu nem mesmo recebi as notas. — Tentei insistir.
— Tenho certeza que você se saiu bem. — Ele afirmou. — Agora, só vou aceitar um "não" se você me falar que não gostou.
— Eu... — Fiquei sem fala. — Eu... achei perfeito. — Ele abriu um sorriso largo.
— Agora sim. — No segundo que ele terminou de falar, Lydia entrou na pequena salinha.
— E então, tudo bem por aqui? Vão ficar com algum ou querem experimentar outro? — Ela parou de falar assim que nos viu, e me encarou de cima embaixo, e pareceu um pouco irritada depois disso.
— Vamos ficar com esse. — Declarei.
— Ok, vou preparar tudo ali no caixa.
Tirei o vestido e o levei até o caixa, onde Damon já passava seu cartão de crédito. Eu não quis me aproximar para ver o preço, então enquanto isso folheava um catálogo da loja. Assim que ele terminou tudo, a atendente nos acompanhou até a porta, com uma expressão não tão mais gentil como antes, e murmurou um "voltem sempre" num tom que nos sugeria para nunca mais voltarmos lá. Entramos no carro e Damon falou:
— E agora, o que mais? Almoço no Grill?
— Parece ótimo.
Chegamos ao Grill e aquelas músicas indie típicas de lá estavam tocando. Avistei Matt de longe atendendo uma mesa e acenei, ele apenas sorriu e sussurrou um "oi" mudo e voltou a falar com os clientes. Damon andou na direção oposta a que eu ia tomar — para o bar. Eu já ia começar a reclamar quando vi o que ele estava vendo. Stefan estava bebendo um whisky, e o pior, estava acompanhado.
— Caroline, o que você está fazendo aqui? — Logo cheguei falando.
— Ah, hey, Elena! — Ela pareceu surpresa. Seu olhar congelou em algo distante, atrás de Stefan e eu a segui. Rebekah e Klaus se aproximavam, e para a minha surpresa e de Damon, ela chegou colocando as mãos nos ombros de Stefan, e beijando-lhe a bochecha por trás. Ele também pareceu surpreso, mas não a afastou. Para falar a verdade, ele parecia tenso era com a presença de outros por perto, não com ela.
— Olá, todo mundo! — Ela falou animada, com seu sotaque fortíssimo.
Eu e Damon entreolhamos, e assim que eu me virei para Caroline para ver se ela me explicaria aquela confusão toda, a vejo virada para o outro lado, sentada virada para Klaus em uma conversa que parecia muito íntima, pois eles conversavam muito próximos. E então, quando eu pensei que era apenas ilusão de ótica, eles se beijam.
Era impressão minha ou eu e Damon éramos os únicos perdidos naquela situação toda?
— Uau, parece que perdemos muito enquanto estávamos longe. — Damon comentou rindo, quebrando o gelo.
— É, vocês perderam sim. — Rebekah, que estava no colo de Stefan, comenta distraída enquanto pede uma bebida no bar.
— Então, vão se juntar a nós? — Stefan fala, gestionando para as duas cadeiras que haviam entre os dois casais.
"Isso vai ser no mínimo interessante", pensei.
Passamos a tarde toda bebendo, comendo e dançando no bar. Mesmo com os planos iniciais de termos um almoço, acabou que eu e Damon nos juntamos aos quatro e enchemos a cara até quase a noite.
Cheguei à conclusão de que sou muito fraca com bebidas alcólicas. Bem, eu já deveria ter aprendido a lição depois da maneira esplendorosa como contei que amava Damon para quem quisesse ouvir meses atrás. Mas a verdade é que eu não havia aprendido. Até mesmo minha irritação habitual com a presença de Klaus e Rebekah se esvaiu, o que não diminuiu minha irritação por Caroline por não ter me contado nada. A cada segundo que eu estava lá, eu fiz questão de demonstrar o quanto estava com raiva.
Eu havia me aberto com ela, contado tudo que havia acontecido e tudo que sentia por Damon e ela não havia aberto a boca para falar um detalhezinho sequer sobre ela e Klaus. Ou até mesmo sobre Stefan e Rebekah. Eu teria me poupado de uma culpa enorme se ficasse sabendo logo que onde Stefan passava as noites quando não estava na Mansão era na verdade na casa de Rebekah. Apesar de não gostar muito dela, fiquei feliz por ele finalmente ter a chance de seguir em frente.
Por volta das oito da noite, Damon começou a me chamar para ir embora.
— Elena, nós devíamos ir embora, já tem quase oito horas que estamos aqui e se você beber mais um go...
— Ah, que isso Damon. Estou ótima! — Interrompi ele, levantando uma shot de tequila ao ar antes de enterrá-la em minha boca. Ou quase. Antes mesmo de sentir uma gota, vi o copinho se espatifar no chão em câmera lenta. Eu havia o derrubado? Por que tinha um zumbido tão irritante naquela música? A qualidade daquele som estava horrível. Tudo estava girando. Tudo. Até que...
— É, definitivamente estamos indo embora agora. — Damon falou, e só então percebi que eu havia caído deitada em seu ombro e ele me apoiava tentando me manter de pé. Por que eu não conseguia ficar de pé? Por que todos estavam rindo olhando para mim? Comecei a rir junto para não parecer que eu havia perdido a piada e eles só riram mais.
Senti meus pés saindo do chão e meu corpo sendo levantado. Meu interior estremeceu e eu senti uma ânsia enorme enquanto sentia Damon andando abaixo de mim.
— Por favor, não vomite. — Ele suplicou engraçado. — Essa camisa é nova. Espere a gente chegar em casa.
Não deu para mais. Assim que chegamos, sentei ao chão em frente o vaso e coloquei tudo para fora, enquanto Damon segurava meu cabelo e passava uma toalha molhada em meu rosto que ajudava a passar um pouco a ânsia que eu sentia.
— Melhor agora? — Ele perguntou.
— Bem melhor. — Respondi, já bem mais sóbria. — Vou só tomar um banho.
— Eu te dou o banho. — Ele falou, e eu percebi as olheiras profundas abaixo de seus olhos, e logo respondi:
— Não, deixa que eu dou conta. — Ele parecia que ia relutar, e então eu continuei. — Estou bem melhor, prometo. Eu até prefiro. — Depois de um tempo, ele cedeu.
— Ok, então. Vou te esperar na cama para depois eu tomar.
— Ok.
Entrei no chuveiro e deixei a água gelada correr pelos meus músculos, fazendo todo aquele mal-estar ir embora e minha cabeça voltar a funcionar mais claramente. Nunca mais bebo desse jeito. Nunca. A sensação irritante de que minha visão e reflexos vampíricos estavam quase como os de um humano era difícil de me acostumar, então eu logo terminei o banho e coloquei meu pijama.
Chegando ao quarto, encontrei Damon como ele havia avisado que estaria, na cama. Porém, ele estava apagado, havia deitado com suas roupas que havia passado o dia todo e seus sapatos. Sorri observando a cena.
Me aproximei e tirei suas botas, desabotoando sua calça jeans e tirando sua jaqueta de couro de um jeito que não iria acordá-lo — apesar de que acho que ele não iria acordar de qualquer jeito. Como eu não conseguiria tirar sua blusa sem levantá-lo, achei melhor deixar. Assim que tirei tudo, ele ficou apenas com sua boxer e sua camiseta pretas. Aquela visão era perfeita, como um deus grego dos tempos modernos.
Me coloquei debaixo das cobertas, me agarrando à ele por cima delas, e ele gemeu alguma coisa ininteligível, depois passou seus braços ao meu redor mais forte. Apaguei a luz e fiquei um bom tempo apenas admirando seu semblante calmo ao dormir. Depois de alguns minutos, também me deixei levar pelos meus devaneios.
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