One Last Chance

3 The Last Breath Of A Dead Weight


Notas iniciais
"Eu tenho sido um ser egoísta, toda a minha vida, na prática, embora não em princípio." Orgulho e Preconceito

*Damon*

Dirigi por quase 10 horas seguidas, e precisava parar para descansar. Já sentia minha garganta em chamas pedindo por sangue. Quando cheguei à periferia de Atlanta, estacionei o carro e já desci para procurar uma vítima.

Era por volta das 4 da tarde, e seria difícil ser discreto à luz do dia, por isso, precisava de um lugar deserto. Andei por volta de quatro quadras até achar um bar relativamente cheio, com paredes pichadas e cadeiras altas de madeira prestes a quebrarem. Entrei e me sentei junto o balcão.

— Um whisky sem gelo, por favor.

Um velho calvo e barbudo me atendeu. Se eu não houvesse o encontrado num lugar como este, teria jurado que ele se passava de papai noel em shoppings na época do natal. Ele segurava um palito entre os dentes e um pano no ombro.

— Você não é daqui, é?

— Não mesmo. — Ri. — Só estou de passagem.

— Viajando sem rumo, não é? A maioria das pessoas que passam por aqui estão nessa mesma situação. — Eu ri. Eu sabia disso e era exatamente por isso que estava lá. Seria difícil alguém sentir falta de qualquer uma daquelas pessoas naquele estabelecimento se algo desse errado e elas “desaparecessem”, por assim dizer. Ri com a ironia de que eu talvez estivesse incluso nesse grupo de agora em diante.

— É, mas eu não sou como a maioria das pessoas.

— Ah, então você é um daqueles serial killers psicopatas fugitivos? Ou meio que um suicida em potencial procurando o “lugar ideal”? — Ele brincou. Pena que só eu percebi uma ironia gigantesca em sua fala.

— Um pouco dos dois. — Sorri maliciosamente.

— Tão jovem e já tão perdido? — Ele suspirou parecendo desiludido.

— Não sou tão jovem quanto pareço, acredite.

Ele me deu minha bebida e eu quase acabei com ela em um gole. Girei minha cadeira para trás para dar uma olhada nas minhas opções. Havia um casal com duas menininhas no canto esquerdo, um grupo de cinquentões jogando baralho numa mesa mais extensa, e um casal, que deviam ter por volta de 16 anos, jogando sinuca numa parte mais escura do bar. Não conseguia achar uma vítima em nenhuma dessas pessoas. Há muito tempo atrás, eu teria escolhido o casalzinho jovem, só para ver a menina ou o menino gritando de desespero enquanto eu sugava o sangue do outro em sua frente. Mas eu não era mais assim. Não mesmo.

E então, vi um cara em uma moto estacionando em frente ao bar. Tomei meu último gole e deixei uma nota debaixo do copo. Quando abri a porta, ele já descia da moto. Sem hesitar, já penetrei em seus olhos no segundo em que ele me olhou. Você, vem comigo.

Ele me seguiu até eu encontrar um beco numa rua totalmente deserta. Me virei para ele novamente. O que você está fazendo aqui?

— Não sei. — Ele respondeu automaticamente.

— Viajando sem rumo?

— É.

— Alguém te conhece por aqui? Alguém te viu?

— Não.

— Alguém vai vir procurar por você?

— Não acredito que vão.

— Como assim?

— Não acho que alguém vá sentir minha falta.

Parei por um segundo. Por que eu estava preocupado com a vida desse cara? Ele era só um humano, só mais um deles. Mas fiquei intrigado.

— Por quê não?

— Eu tenho uma esposa e dois filhos, uma menininha e um menino. Mas resolvi sair de casa. A vida deles vai ser mais fácil sem mim. — Ele parou de falar por um tempo, sua expressão sem vida pela compulsão. Eu bebo muito, sabe. Estou desempregado, e minha esposa passa o dia todo por conta das crianças e da casa. A gente briga demais, grita demais. E eu não faço nada a não ser atrapalhar a vida dela. Não acho que ela vá sentir minha falta... Talvez ela até se sinta aliviada.

Refleti por um tempo, fitando o chão sem realmente reparar em nada específico. Suas palavras ficaram ecoando em minha mente por alguns segundos. "Não acho que ela vá sentir minha falta... Talvez ela até se sinta aliviada". Esse desgraçado era quase tão desgraçado quanto eu. Não se mexa — falei olhando em seus olhos, quando vi que ele dava sinais de querer sair dali.

Considerei deixá-lo ir embora — eu poderia achar outra vítima em outra cidade perto. Mas o desejo de sangue falou mais alto. De qualquer jeito, a existência dele em si própria já era inútil. Não grite, isso não vai doer. Cravei meus dentes em seu pescoço, provando seu sangue e assisti enquanto seus olhos reviravam e seu corpo caía, vegetativo e sem vida.

Eu não precisava tê-lo drenado completamente. Mas eu não tinha nada nem ninguém a postos para tocar minha consciência. E ele estava certo. Ela não sentiria falta dele.

Notas finais
TRAILER DA FIC: http://www.youtube.com/watch?v=gcMjtp8a7SY