One Last Chance
4 Don't You Worry Child
Notas iniciais
*Caroline*
Eu não havia entendido muito bem o que tinha acontecido. Num segundo, eu estava na cama de Tyler, e no outro, estava atendendo uma ligação de Bonnie dizendo para eu ir para a casa de Elena. Ela havia dito que não daria conta de chegar muito rápido por estar na Whitmore College com o Prof. Shane, e que era pra eu ir esperá-la lá. E quando eu perguntei o que tinha acontecido, ela não respondeu, simplesmente falou que Jeremy havia ligado dizendo que Elena precisava de nós.
Tudo bem até ai. Havia mil e uma razões para Elena estar mal nesse momento. Crise existencial, problemas com sangue, unha quebrada. Ultimamente ela chorava por tudo — e eu não a culpo. Mas o problema foi que, ao entrar em sua casa, tudo parecia muito normal. Era por volta das 5 da tarde, e encontrei Elena fazendo um suco de laranja na cozinha.
— Oi, Care! — ela me cumprimentou animada. — O que está fazendo aqui?
— Ahn, passei para uma visita? — Minha resposta parecia mais uma pergunta. Eu não fazia ideia do que eu estava fazendo lá.
— Ainda bem que você apareceu, estava pensando em assistir um filme, sei lá. Acho que estou no clima para uma noite de garotas.
— Parece uma boa ideia. — Tá bom, eu estava definitivamente confusa agora. — Cadê o Jeremy?
— No quarto ele, por quê?
— Tenho algumas coisas dele que estavam com o Tyler pra entregar. Vou lá em cima.
Subi as escadas e fui direto para o quarto escuro e que retratava bem a fase emo de Jeremy. Bati na porta duas vezes, e não foi preciso uma terceira, porque ele abriu na hora.
— Oi. Ué, cadê a Bonnie?
— Ela ia demorar um pouco e me mandou. — Eu entrei no quarto e ele fechou a porta. Sussurrei para que ela não ouvisse com sua nova audição aguçada. — O que está acontecendo?
— Alguma coisa aconteceu ontem a noite com a Elena, tenho quase certeza. Eu acordei no meio da madrugada e ela chorava com a cara no travesseiro. E aí eu achei melhor deixar para perguntá-la hoje de manhã, mas ela acordou... animada. — Eu levantei as sobrancelhas, como se falasse "E...?" — E esse é o problema. Ela não parou quieta um segundo, mas também não saiu de casa. Uma hora, ela estava fazendo um chilli pro almoço, e aí resolveu que não estava com fome. Guardou o chilli. Foi assistir TV, mas não parava em nenhum canal. Trocou de roupa umas cinco vezes e tomou uns três banhos. Fez quatrocentas receitas diferentes mas não provou nenhuma, a geladeira está até transbordando, e ela nunca foi de cozinhar. Quando comentei isso com ela, ela riu. Histericamente. Por uns cinco minutos.
— Oh-oh.
— É. Ela está em negação.
— O problema é: do quê? — Ouvi alguém chegando na varanda da casa. — Bonnie chegou.
Descemos as escadas, eu pronta para atender a porta, mas Elena foi mais rápida e abriu-a com o maior sorriso do mundo, abraçando Bonnie como se elas não se vissem há anos.
— Bonnie! Que surpresa!
— É... — disse Bonnie sufocada — Elena... eu não... consigo... respirar.
— Vamos lá pro meu quarto, meninas! — Elena disse rindo. — Não, esperem. Podem ir indo, vou fazer pipoca! — E desapareceu da sala.
Eu, Jeremy e Bonnie nos entreolhamos. Bonnie levantou as sobrancelhas com uma cara de "o que aconteceu com ela?", e ele simplesmente levantou os ombros.
— A gente vai dar um jeito nisso. — Eu falei.
Então ele subiu, e nós duas nos dirigimos para a cozinha. Elena estava lá, toda inquieta, batendo as unhas ordenadamente no granito e olhando para o microondas como se sua vida dependesse disso. Quando ela viu que havíamos entrado, ela logo se endireitou e disse:
— Ué gente, eu já estava indo, não precisavam me esperar!
Sentamos no balcão calmamente. Bonnie a olhava, analisando-a, enquanto eu cruzava uma mão na outra sobre a mesa.
— O que está acontecendo, Elena? — perguntei.
— O que você quer dizer?
— Isso. — Falei, apontando para a cozinha, que estava uma bagunça e cheia de coisas espalhadas, assim como o resto da casa.
— O que tem? Acordei com vontade de expandir meus dons culinários — Ela disse, rindo de si mesma.
— Elena, você não tem dons culinários. — Bonnie respondeu enquanto ela revirava os olhos.
— A partir de hoje tenho.
O microondas apitou, apontando que a pipoca estava pronta. Elena colocou ela numa bacia e falou:
— Vocês vêm ou não? — Quando não nos mexemos, ela remungou e subiu pro seu quarto.
Bonnie e eu entreolhamos. Que alguma coisa estava acontecendo, era claro. Elena sempre ficava em negação e agia como se nada tivesse acontecido quando algo a machucava, ou algo acontecia e ela não queria comentar.
— Acho que deveríamos ligar pro Stefan. Ver se ele sabe de alguma coisa, ou se eles brigaram ontem à noite.
Como se ele tivesse nos ouvido, meu celular tocou e seu nome apareceu na tela. Respondi prontamente.
— Stefan! Estava pensando em te ligar nesse segundo.
— Caroline, você viu o Damon hoje?
— Seu gêmeo do mau? Não, não vi. — Respondi, confusa. — Por quê?
— Desde ontem à noite eu não o vejo. Ele não retorna minhas ligações, e eu não consegui achar ele em nenhum lugar. Pensei que ele poderia ter passado na casa da Elena, mas ela também não me atendeu.
— Estranho, porque eu estou na casa dela agora. E não, Damon não está aqui. — Pausei — Mas, Stefan, acho que você devia dar uma passada aqui.
— O que foi? Elena está bem?
— Tá tudo bem, eu acho. — Não precisei falar mais nada, ele prontamente me respondeu.
— Estou chegando aí.
*Stefan*
Um minuto depois que desliguei a ligação com Caroline, já estava na casa de Elena. Bonnie abriu a porta pra mim, e eu rapidamente perguntei, olhando em volta procurando-a.
— Cadê ela? Alguma coisa aconteceu?
— Não, relaxa, Stefan. Ela só está agindo meio estranha. Meio feliz demais. Deve ser depois de tudo que aconteceu ontem. Vem, ela está ali na cozinha com Caroline.
Cheguei por trás dela, colocando meus braços em sua cintura e beijando-a na bochecha.
— Ahn, ei, Stefan. Você está aqui. E aí? — Ela perguntou tentando parecer descontraída, se soltando discretamente de mim.
— E aí.
Acho que perceberam uma tensão no cômodo, porque logo Caroline mudou de assunto.
— E então, Stefan, conseguiu encontrar Damon? — Senti Elena enrigecer e toda sua animação desaparecer por um segundo.
— Não, ainda não. Ele não esteve no Grill, não vi ele em casa hoje, e também não passou aqui... Ou passou? — perguntei me virando para Elena. Ela demorou um pouco para responder, e limpou a garganta antes de falar, evitando olhares enquanto limpava o balcão já limpo.
— Não... não hoje pelo menos. — Por que eu estava com um sentimento de que ela não estava me contando alguma coisa? Mas então ela completou — Ele passou aqui ontem à noite. Ou melhor, de madrugada.
— O que ele veio fazer aqui de madrugada? — Desconfiei.
Sua expressão antes rígida, porém controlada, se tornou indiferente e sem vida, com alguma emoção irreconhecível que ela tentava esconder mas não conseguia.
— Ele veio se despedir.
A cozinha ficou muito silenciosa. Se uma agulha caísse no chão, provavelmente Bonnie ouviria. Elena limpou a garganta novamente e dirigiu-se à geladeira, pegando um copo de suco. Cada um de nós analisava seus movimentos, como se ela estivesse prestes a cair ou derrubar alguma coisa.
— Se despedir? Por quê? — Bonnie finalmente quebrou o gelo.
— Ele foi embora da cidade. — Mais silêncio. Dessa vez mortal.
E na verdade, na hora, acho que fui eu que me desliguei do ambiente. Eu sabia o que aquilo significava. Damon teria realmente deixado a cidade? Teria ele sido tão nobre de deixar Mystic Falls por causa de nossa promessa? Eu mal conseguia acreditar no que eu ouvia.
Para falar a verdade, eu não tinha levado aquela promessa muito a sério. Era só uma reafirmação de que, quem quer que fosse que Elena escolhesse, deixaríamos o caminho livre. Metaforicamente. A verdade é que, se ela tivesse escolhido ele, eu mesmo provavelmente não teria ido embora.
— Stefan? — Ouvia alguém chamar meu nome, mas estava mergulhado em meus pensamentos. — Stefan! — Caroline estralou os dedos na minha frente, e eu saí de meu estado de transe.
— Quê?! — perguntei precipitado.
— Ele não te falou nada?
— Não, não falou. — Me afundei em meus pensamentos de novo.
Por quê ele faria isso? Eu nem mesmo cobrei isso dele. Nem mesmo lembrava do pacto, para falar a verdade. E ele passou aqui de madrugada para se despedir de Elena. O que será que ele tinha dito para ela ficar atormentada assim? Confesso que a única coisa que consegui sentir, além de mil perguntas pulando no meu cérebro, foi culpa. Eu não devia ter deixado chegar a esse ponto. Eu deveria ter falado para ele que ele não precisava fazer isso — e falado sério — quando ele trazia o assunto à tona. Eu achava que ele só fazia isso para me irritar, e, portanto, nem me preocupava.
Voltei à tona, e percebi que Bonnie e Caroline me fitavam, enquanto Elena parecia tão perdida quanto eu. Mas eu não conseguia ligar pra isso no momento. Peguei minhas chaves do carro, e me virei para elas:
— Ahn, acho que eu vou pra casa. Hoje foi um dia cansativo. — elas não respoderam, só me olhavam. — Me liguem se precisarem de alguma coisa. — Antes que eu saísse, Elena também emergiu de seus pensamentos.
— Vou ver o que Jeremy quer para o jantar. — Então ela subiu as escadas, desaparecendo. Nós dois deixando Caroline e Bonnie atônitas na cozinha.
Saí e dei partida no carro, pensando em voltar para casa. Mas no meio do caminho, fiz um retorno e mudei meu trajeto. Estava indo direto para a delegacia, procurar a Xerife Forbes.
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