One Last Chance

20 Not So "Second-Lover" Anymore


Notas iniciais
"A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande." Roger Bussy-Rabutin

*Damon*

Ela fechou os olhos novamente, parecendo exausta, mas com um pequeno sorriso nos lábios. Ali estavam. As três palavras que torturavam toda minha existência por nunca terem sido ditas. Ou por nunca terem sido o suficiente. Eu esperava alguma reação física àquilo, mas não houve nada. Parecia que meu corpo também não havia processado aquela informação enquanto minha mente rodeava e revivia aqueles segundos de novo e de novo.

Não parecia que ela esperava uma resposta. Era apenas uma declaração — sem cobranças, sem silêncios estranhos e sem esperança de uma resposta. Apenas uma declaração de algo que ela sentiu vontade de falar.

Passei meu outro braço ao seu redor, fazendo carinho em seus cabelos ainda úmidos, e depois em seu rosto. Seu sorriso abriu-se um pouco mais, e eu senti a necessidade de falar também.

— Eu também te amo.

Ela não parecia consciente. Já devia estar sonhando, ou já desacordada. Mas ela continuou sorrindo e eu sorri também, observando-a. Fiquei assim por um bom tempo, até que Katherine quebrou o silêncio.

— Vou deixar vocês a sós. — Ela falou sem um pingo de ironia — o que era uma raridade para ela -, levantando-se da poltrona e jogando sua revista em um canto. — Tenho que terminar de resolver umas coisas com Alicia mesmo.

— É mesmo. Tinha me esquecido completamente disso. Como foi lá?

— Não deu muito certo até agora. Tem algo que não está funcionando...

— Boa sorte dessa vez.

— Tchau. — Ela passou pela porta, deixando o quarto silencioso.

Olhei novamente para Elena, dormindo profundamente em meus braços, ainda parecendo fraca e doentia, mas bem melhor do que antes. Fechei meus olhos também, me deixando levar pelos devaneios.

Deviam ter se passado cerca de 4 horas, quando acordei com um barulho estranho vindo do banheiro. Abri os olhos e olhei em volta, procurando Elena, que não estava em nenhum lugar à minha vista. Num segundo, parei na porta do banheiro, que estava fechada. Bati duas vezes.

— Elena, está tudo bem ai?

— Não entre! Está tudo bem. — E mais um barulho estranho. Ignorei seu pedido e abri uma fresta. Elena estava sentada ao lado do vaso, com as costas apoiadas na parede, olhando para o teto. Ela viu a porta se abrindo e me encarou por um segundo, depois virando-se rapidamente para o vaso e vomitando sangue violentemente.

— Elena! — Corri para o seu lado, segurando seu cabelo.

— Não quero que veja isso. — Ela choramingou.

— Ei, não me importo com isso. Me importo com você. O que aconteceu?

— Eu... — Ela soluçava, chorando baixinho. — Só estou colocando o resto de verbena para fora, aparentemente.

— Está tudo bem, já deve ter acabado agora. — Eu sorri e Elena riu um pouquinho. — Vem, vamos. — Estendi a mão para ela, colocando-a de pé e apoiando-a até a pia, onde lavei seu rosto e depois coloquei pasta dental numa escova, entregando-a. — Só um minutinho.

Voltei ao quarto e peguei uma bolsa de sangue escondido no closet. Abri-a e bebi quase metade de uma vez só, depois ofereci à Elena, que já estava sentada na cama, com as pernas cruzadas e se abraçando, como se estivesse com frio. Ela recusou, balançando a cabeça, e fez sinal para eu me aproximar. Sentei-me ao seu lado e ela deitou-se no meu ombro. Passei meu braços ao redor dela, esfregando minhas mãos em seus braços tentando controlar os calafrios que a faziam tremer um pouco.

— Obrigada. — Ela disse, depois de um tempo, e depois riu um pouquinho — De novo.

— Sempre que precisar. — Ela abriu um sorriso de canto a canto que me fez perder um pouco os sentidos. Depois seu rosto foi assumindo uma expressão mais séria aos poucos, e ela se afastou, colocando suas mechas de cabelo atrás da orelha. — O que foi?

Ela me encarou por alguns segundos, e depois disse:

— Tenho que ligar para Stefan. Prometi que faria isso assim que chegasse aqui.

— Ele não sabe que você está aqui? — Perguntei, incrédulo, mas fingindo que não estava afetado pela mudança de assunto.

— Ele sabe que eu estou aqui, só não sabe o porquê. Apesar de que a uma hora dessas ele já deve ter descoberto. — Ela viajou até aqui sem Stefan saber por quê? Ele nunca a deixaria fazer isso. A não ser que... — Alguma das meninas deve ter contado para ele já. — Ela entendeu a expressão confusa em meu rosto, e hesitou um pouco antes de começar a explicar. — Não estamos nos falando muito nesses últimos tempos.

— Vocês terminaram? — Indaguei depois de um tempo silencioso, tentando controlar minha voz e reações.

— Na teoria, não. Mas na prática... — Ela suspirou, frustrada, deixando seu corpo tombar para trás na cama. Não queria especular para não ouvir nada que me tirasse desse transe de felicidade que me encontrava com Elena por perto. Eu apenas continuei fitando-a. — Tivemos uma briga. Algum tempo depois que você foi embora. E desde então, nada tem sido o mesmo.

— Que tipo de briga?

— Não importa agora. A questão é que acho que não estamos mais juntos.

— Você acha? — Ela ergueu um pouco a cabeça, apoiando-se nos cotovelos.

— Não. Tenho certeza. Só não estou certa de que ele tem. — Oh-oh. Ela continou: — Mas de qualquer jeito, tenho que ligar para ele, dar satisfações, deixar tudo claro e avisar que estou bem. — Assenti, sério, agora encarando as paredes. Senti ela puxar meu braço, fracamente, e deixei-me levar, caindo deitado ao seu lado. Ela me olhou, deitando-se de lado virada para mim enquanto eu encarava o teto. — Não fique assim. Odeio te ver pensativo desse jeito, como se estivesse cogitando ir embora de novo. Por favor, não vá mais embora.

Não consegui reagir de outro jeito. Sua voz parecia tão triste ao falar isso que era doloroso de ouvir. Me virei, ficando em cima dela, me apoiando nos braços para que ela não sentisse meu peso, e juntei meus lábios aos dela, beijando-a calmamente, sabendo de suas limitações na hora. Ela, porém, reagiu instantaneamente e pareceu ignorá-las. Elena agarrou minha nuca e passou suas pernas ao redor de meu quadril, me puxando para mais perto — se é que era possível. Tentei correspondê-la com calma, apesar de seu corpo parecer prestes a entrar em combustão. Sabia que ela estava muito fraca e aquela não era uma hora muito adequada para aquilo tudo. Ela estava defletindo do assunto que não queria encarar.

Sua empolgação aumentou. Ela se virou, ficando por cima de mim dessa vez, e eu não ofereci nenhuma resistência. Suas mãos percorriam por todos lugares do meu corpo, sem se decidirem por onde ficar. Querendo ser gentil, eu tentava controlá-la e afastá-la aos poucos, sem querer machucar seus sentimentos. Eu deveria receber um prêmio Nobel por mostrar tanto autocontrole no momento. Ela ignorava todas minhas tentativas, e, alguns segundos depois, quando eu estava quase pensando em desistir, fui salvo pelo gongo. Um celular começou a tocar no criado-mudo, e nós dois paramos na hora. Ela travou, levantando-se e apenas sentando-se em meu colo, mas sem tirar suas pernas enganchadas em meu quadril. Me levantei também, alcançando o celular dela e olhando o nome no visor. E era exatamente quem eu esperava que fosse.

Ela continuou paralizada, encarando-me bem perto do meu rosto.

— Elena, você precisa atender. — Falei, tentando tirá-la do transe.

— Não sei o que dizer.

— Mas você tem pelo menos que dar um sinal de vida para ele. Atenda logo. — Coloquei o celular em sua mão, mas não a afastei, deixando-a em meu colo.

— A-alô? — Ela gaguejou.

Elena! — Ouvi do outro lado da linha.

— Stefan. — Ela falou, sem disfarçar sua não-animação.

O que você está pensando?!

— E-eu...

Você simplesmente desaparece, deixa uma carta maluca e depois descubro por Caroline que você viajou para procurar Damon, sendo que ele já foi embora tem meses?!— Ela continuou calada, me encarando. — E, como se não fosse o suficiente, que você estava procurando-o fazia tempo?

Essa era nova. Elena estava me procurando fazia tempo? Quero dizer, quando ela me falou que me encontrou e que me rastreava, achei que era algo recente. Não consegui controlar o pequeno sorriso que brotou em meu rosto. Voltei à expressão normal rapidamente, para me comportar devidamente à situação.

— Stefan, eu... — Elena parecia envergonhada e sem palavras. Mas não havia muito o que dizer mesmo, havia? — Me desculpe. Eu devia ter te falado e... — Tomei o celular da mão dela.

— Olá, irmão. — Ela socou de leve meu peito, fazendo "não" com as mãos seguidas vezes. E, depois, ela pareceu desistir, colocando sua testa em meu ombro e batendo-a seguidamente. Ele ficou calado por um tempo, e eu ouvia apenas sua respiração.

Damon. Então ela te encontrou.

— "Oi para você também, senti saudades Damon, é bom falar com você" — Imitei ironicamente — É, pode-se dizer que meio que nos esbarramos.

"Esbarramos" é um termo muito subjetivo levando em conta de que ela estava tentando de achar.

— Use o termo que quiser, Stefan. Qual o seu problema com isso tudo?

O meu problema é que eu não gosto da ideia dela fugindo para outra cidade sem avisar. Muito menos sem avisar o porquê de sair.

— Acho que Elena está bem crescidinha para ter que ficar dando satisfações, não acha? Relaxa, ela está a salvo, nada aconteceu com ela. — Menti.

Eu não gosto disso de jeito nenhum. — Ele falou mesmo assim.

— Então isso já é um problema seu, irmão. Vá fazer uma hidratação, passar um gel nesse seu cabelo de herói para relaxar. Se está preocupado que algo possa acontecer à ela, pode ir se acalmando. Não vou deixar ninguém chegar perto dela, ok? Ela vai ser entregue sã e salva de volta à Mystic Falls. — Desliguei a ligação, sem nem esperar para ouvir sua resposta.

Ela levantou o rosto novamente, me encarando com uma cara de indagação, mas ao mesmo tempo uma pontinha de raiva controlada.

— O que? — Falei. — Não provoquei ele nem nada. A coisa do cabelo foi só uma brincadeira.

— Não é isso.

— Então o que é?

— O que quis dizer com "ela vai ser entregue sã e salva de volta à Mystic Falls"? — Estranhei a pergunta. Não fazia sentido.

— Como assim?

— Está achando que eu estou indo embora? Está me mandando ir embora?

— Não! De jeito algum! — Exclamei, segurando seu rosto entre minhas mãos. — Claro que eu não quero que você vá embora.

— Mas o que jeito que você falou... Fez soar como se você não fosse mais.

— Não fosse mais o que?

— Voltar à Mystic Falls. — Ela falou, receosa, com a voz falhando.

Eu não sabia o que responder. Que ela havia vindo me ver, eu havia entendido. Que estava com saudades, que me precisava por perto um tempo, que simplesmente sentiu vontade de me ver. As peças se encaixaram lentamente.

O fato dela estar me procurando há tempos, e também pelo que ela havia acabado de me falar. Ela esperava que eu voltasse com ela. Para minha vida anterior em Mystic Falls, meu irmão... Ela. Tentei parecer o mais convicto possível, sem deixar transparecer a confusão que ela havia plantado em minha mente naquela hora.

— Ei, não precisa se preocupar, viu? Eu estou aqui, sempre vou estar...

— Mas você prometeu que nunca me deixaria, e... — Ela me interrompeu, mas eu logo a cortei.

— Elena, não fique assim. Eu estou aqui, não estou? — Ela balançou a cabeça, deixando uma lágrima escorrer por seu olho. Ela parecia uma criancinha em meu colo. Limpei-a com a ponta do dedo e fiz carinho em suas bochechas. — Não quero que se preocupe com isso mais. Não quero te ver assim. — Ela abaixou o queixo, tentando não me olhar nos olhos, mas eu logo o ergui de volta. — Ei, eu te amo, não se esqueça disso.