One Last Chance
24 Speaking My Mind
Notas iniciais
*Elena*
— Ei, Jer! O que você está fazendo aqui? — Olhei para ele, exasperada, mas tentando controlar minhas reações. Katherine me olhou, com uma cara de que achava graça, mas ignorei. — Só um minutinho!
Entrei de novo no banheiro, e fiz um sinal com o dedo para Damon fazer silêncio. Tirei a toalha e me enrolei num roupão e peguei uma escova de cabelo, saindo do banheiro e fechando a porta atrás de mim. Jeremy já estava dentro do quarto e sentado na cama me esperando, parecendo desconfortável. Katherine estava mexendo em sua mala e colheu algumas roupas.
— Vou tomar um banho. — Ela falou com um tom de voz comum, mas ao passar por mim ela deu um sorrisinho que me irritou. Ela estava brincando, não é? Ela não iria de jeito nenhum tomar banho com Damon lá dentro.
Controlei minhas emoções explosivas e tentei parecer normal. Me virei para Jeremy e me foquei em falar com ele o mais rápido possível para depois tirá-lo dali.
— Aconteceu alguma coisa?
— Hm, o que? — Ele parece distraído, mas num segundo voltou à consciência — Ah, não. Só queria falar com você.
— Estou toda à ouvidos, então. — Sorri. Mas ao invés dele falar algo, ele veio com uma pergunta primeiro.
— Como ela está agora? — Ele questionou, apontando com o queixo para o banheiro.
— Ah, parece um pouco melhor que antes. Ela vai tomar umas ervas que Damon conseguiu.
— Por falar nisso, onde ele está? — Engoli em seco.
— Foi no lobby, acho que pedir um novo quarto para Katherine. — Achei a oportunidade perfeita para dar o troco nela, e fiz questão de falar alto o bastante para que seus ouvidos de vampira conseguissem ouvir. Mas acho que piorei um pouco as coisas, pois Jeremy ficou com uma expressão incomodada.
— Você e Damon vão ficar no quarto sozinhos? — Eu o encarei, primeiro sem falar nada, e ouvi Katherine exclamar um "HA!" para que eu ouvisse. Depois o chuveiro foi ligado e eu me voltei para Jer.
— É... an, algum problema por você? — Ele ficou quieto por alguns segundos, ponderando, e eu caminhei para a mala de Katherine, pegando uma blusinha rosa e um short jeans claro, tentando evitar seu olhar. — Preciso buscar minha mala. — Murmurei, tentando distraí-lo um pouco.
— Não, nenhum problema. Quero dizer, só quero saber se tem certeza do que está fazendo.
— O que eu estou fazendo? — Perguntei, tentando parecer descontraída e sem interesse. Depois fiz sinal para que ele fechasse o olho. Coloquei as roupas em menos de três segundos e logo tirei as mãos dele dos olhos.
— Não sei. Esse é o problema. Como está entre vocês dois?
— Já te disse, Jer. Está ótimo.
— Você sabe que não é isso que eu quero dizer.
Suspirei, derrotada. Sentei-me na cama junto à ele enquanto ele apenas me encarava, então comecei a desembaraçar meu cabelo rapidamente. Quanto terminei, enrolei-o na toalha, prendendo-o, e finalmente encarei de volta.
— Olha, não sei definir, Jeremy. — Eu podia sentir o silêncio no banheiro, e também apostar que Damon estava escutando atentamente à cada palavra minha — Você sabe como eu me sinto em relação à ele, só não sei se... se ele também sente o mesmo agora. Sei lá, tanto tempo se passou, às vezes me pergunto se ele ainda continua o mesmo. Me pergunto se não mergulhei de cabeça e rápido demais sem testar a água primeiro.
Mesmo falando com Jeremy, minhas palavras se dirigiam mais a Damon. Era tudo o que eu estava com vontade de desabafar para ele havia algum tempo. Eu tinha medo de que, depois desses meses, ele não sentisse o mesmo. Que tivesse seguido em frente, encontrado alguém novo... E acho que uma das razões pela qual eu pulei nos braços dele na primeira vez que havíamos nos visto foi porque percebi que ele estava acompanhado por Katherine. Não que eu não teria feito de novo, não mesmo. Mas a possibilidade de eu estar sendo substituída ou esquecida por ele me sufocou naquele segundo, e por mais que eu quisesse ficar brava com ele, eu queria muito mais era que ele percebesse que eu ainda era dele, e que ele ainda era meu.
O que, na verdade, era verdade. Porque por mais que nós nunca tivéssemos tido algum tipo de relacionamento ou assumido algo, e o máximo que tínhamos feito era nos beijado algumas vezes, eu nunca havia me sentido mais dele do que de ninguém. E, se eu fosse sincera comigo mesma, nem mesmo com Stefan quando nós namorávamos. Eu o amava muito, era verdade. Mas eu nos via como duas pessoas independentes, andando juntas. Stefan e Elena, Elena e Stefan. Totalmente diferentes e separados, que por se amarem, haviam se juntado. Mas não era assim com Damon.
Mesmo sendo apenas amigos, eu me sentia completamente dependente dele, e eu sentia que ele também se sentia assim, como se fôssemos um só. Havia uma parte gigante dele em mim — uma parte da qual eu não conseguiria viver sem. Ele era o único que eu não tinha o menor medo ou vergonha de mostrar meu lado obscuro. Eu não me importava de expôr minhas fraquezas à ele. Eu não me sentia nem um pouco incomodada por ligá-lo para pedir ajuda com meu desejo por sangue, por ter enfiado uma estaca em Rebekah e precisar de ajuda com o corpo, ou por ter colocado para fora todo sangue de animal que eu havia tomado num banheiro de uma igreja. Ele não me julgava, pois desde o começo ele via bem mais em mim do que eu deixava mostrar. E era exatamente o que acontecia com ele, também. Desde sempre, eu via e entendia o motivo por cada ação sua, mesmo que eu não concordasse. Eu percebia que tudo que ele fazia, ele acreditava ser por amor. Eu conseguia confiá-lo e ver a bondade nele quando ninguém mais via, e aceitá-lo quando ninguém mais aceitaria. Eu o amava incondicionalmente.
Minha conclusão então era esta. Eu amava os dois, mas havia apenas um que eu não conseguiria viver sem.
Meu medo era que depois de todos esses meses afastados, ele não se sentisse mais assim. Que tinha conseguido simplesmente seguir em frente e deixado todas nossas lembranças para trás. Eu tinha medo de que ele não quisesse mais voltar para Mystic Falls comigo.
Desde antes de fazer a viagem, eu não fazia ideia do que iria acontecer quando eu o visse. Eu não sabia se iríamos ficar juntos ou se simplesmente iríamos nos tratar como amigos. Mas se a primeira opção acontecesse, eu tinha algo subconscientemente e mais ou menos planejado: que não seria na primeira noite. Que eu iria deixar ver como as coisas se desenrolavam primeiro e como ele se sentia — e se sentia o mesmo que antes. Mas no segundo em que vi Katherine no corredor do hotel e percebi que ela estava com Damon, uma fúria ardeu em mim. Me senti ameaçada, como se ela fosse tirar algo que era meu. Eu me sentia tão possessiva em relação à ele, que tinha medo de apenas pensar em perdê-lo para outra. Sim, meu. Ele era meu Damon, eu pensei, como uma criança emburrada porque outra queria pegar seu brinquedo.
— Elena? — Jeremy abanou a mão em frente ao meu rosto, e só então percebi que ele já havia me chamado algumas vezes.
— An, desculpe. — Murmurei, um pouco desorientada. — Me desculpe, Jer. Ainda não sei como respondê-lo sobre isso. Eu ainda tenho que descobrir algumas coisas. Olha, eu não quero prender você e Matt aqui, então se quiserem voltar, eu juro que não vou me importar.
— Não se importe com isso, Elena. Não temos problema algum em ficar aqui e esperar. Leve o tempo que precisar, ok? — Ele se levantou e me deu um beijo na testa, caminhando em direção à porta e saindo.
Fiquei ali parada, sentada na cama e encarando o chão. Ouvi o chuveiro ser desligado e Damon sair do banheiro e, alguns segundos depois, Katherine, com as mesmas roupas — percebi distraidamente que ela só estava fingindo tomar banho. Eu não olhei para nenhum dos dois. Ela passou por mim como se não tivesse ouvido nem visto nada e foi direto para sua mala, começando a mexer nela. Tirei a toalha de meu cabelo e joguei-o para frente uma vez. Coloquei-a em meu colo e fiquei puxando alguns de seus fios, tentando evitar seu olhar, que eu sentia cravado em mim.
Não consegui ignorá-lo por muito mais tempo, e finalmente levantei meus olhos para os dele. Não consegui decifrar sua expressão — ele parecia calmo, mas uma pequena ruga aparecia em sua testa e ele parecia estar me analisando. Ficamos apenas nos encarando por um tempo, e acho que meu semblante transparecia um pouco da culpa e vergonha pelo que ele havia ouvido e que não tinha sido para ele. Nós dois saímos de um transe quando Katherine passou por ele, indo direto para a porta. Ele rapidamente se virou para ela.
— Ei, onde acha que está indo?
— Pedir um novo quarto. — Eu quase tive o impulso natural de impedi-la, falar que eu só estava brincando, mas por algum motivo continuei calada.
— Nesse estado? Por falar nisso, e suas alucinações?
— Estão acontecendo ainda, até mesmo nesse segundo. Mas eu estou capaz de já distingui-las e controlá-las um pouco. Olha, eu não vou dividir o quarto com vocês dois. Se vocês acham que eu não os ouvi no banheiro, estão muito enganados. — Senti meu rosto corar um pouco e Damon voltou-se para a pequena sacola que ele tinha colocado na cômoda, que pelo que eu percebi, estava com várias garrafas de água contendo um líquido esverdeado que não parecia muito convidativo.
— Vou com você no lobby, então. — Ele falou, e entregou-a as sacolas — Isso é para você beber. Vai te ajudar a se controlar enquanto Alicia não aparece.
Damon foi até sua mala, pegou algumas roupas e trocou-se de roupa rapidamente no banheiro. Katherine abriu a porta e ele seguiu atrás dela. Suspirei, sentindo lágrimas brotarem em meus olhos. Mas então, percebi que ele me fitava através da porta, que estava entreaberta, e apenas seu rosto estava para dentro.
— Vamos conversar quando eu chegar, ok? — Eu assenti rapidamente, limpando as estúpidas e silenciosas lágrimas que escorriam por meu rosto. — Não fique assim... Odeio vê-la assim.
Percebi que seu rosto estava um pouco mais relaxado, e ele me deu um pequeno sorriso antes de fechar a porta atrás de si e caminhar até o elevador. Deixei meu corpo cair para trás na cama, e agarrei um travesseiro, colocando-o em minha cara e abafando um grito agudo de raiva. "Eu me odeio, me odeio, me odeio! Como você pôde ser tão estúpida, Elena?!", murmurei para mim mesma.
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