One Last Chance

28 Some More Time


Notas iniciais
Citação: "Talvez haja alguma coisa que você tem medo de dizer, ou alguém que você tem medo de amar, ou algum lugar que você tem medo de ir. Vai doer. Vai doer porque importa." John Green

*Damon*

— Elena, espera! — Exclamei, mesmo sabendo que o elevador já tinha fechado e ela provavelmente não queria me ouvir mais.

— Espera... Elena? Aquela não era a Katherine? — Alicia disse. Suspirei, sabendo que teria que explicar toda aquela história do Klaus, das doppelgangers, etc. — Não me diga que aquela é a doppelganger! Não acredito. — Seu rosto estava super animado e curioso ao mesmo tempo. — Mas como vocês a conhecem?!

— Longa história. Temos que ir logo levá-la até Katherine, pois tenho também que encontrar Elena.

O elevador do lado chegou e entramos rapidamente. Chegando ao andar, guiei-a até o novo quarto de Katherine e bati na porta duas vezes.

— Katherine? É o Salvatore número 2, abra aqui. Você tem visita.

— O que você quer? — Ela gritou, parecendo estressada.

— Abra aqui logo, deixe de ser teimosa.

Ouvi ela suspirar e o barulho da cama rangendo sob ela se levantando. Alguns segundos depois, a tranca foi girada e ela abriu uma pequena fresta, deixando apenas seu rosto e parte do seu corpo à vista.

O quarto estava muito escuro, mas o que mais me surpreendeu era Katherine. Ela usava um robe de seda prata, pantufas, e seu rosto parecia muito fundo e pálido, com olheiras abaixo dos olhos e o cabelo despenteado.

— Oh meu Deus, gracinha! O que aconteceu com você?! — Alicia exclamou atrás de mim.

— Katherine, tudo bem? — Perguntei, cauteloso. Quando ela viu quem era, respirou fundo e nos deu espaço para passar, fechando rapidamente a porta depois.

— Eu sei, estou horrível, não precisa me avisar porque eu sei. — Ela caminhou até a cama e se sentou na beirada, encarando a parede.

— Por que você fechou tudo? — Perguntei, reparando todas as janelas e cortinas fechadas, deixando o quarto muito escuro e com ar de noite.

Katherine suspirou, hesitando em falar o que quer que fosse a resposta da minha pergunta. Depois de alguns segundos, ela abaixou a cabeça e murmurou:

— Para que eu não tente me matar.

Eu e Alicia ficamos em silêncio, absorvendo suas palavras. Por que Katherine tentaria se matar? Ela sempre deixou muito claro o quanto prezava por sua vida, pondo muitas vezes outras em risco para salvar a sua. Aquilo não fazia sentido.

— Minhas alucinações estão me deixando maluca.

— Você têm tomado as ervas que eu mandei?

— Sim. Elas melhoraram um pouco no começo, mas agora estão parando de fazer efeito.

— Por isso eu estou aqui, querida. Vou deixar você novinha em folha. — Alicia foi em direção à Katherine e pousou sua bolsa ao lado dela, abrindo-a e despejando várias bugigangas que eu imagino que bruxas carregariam consigo. Então ela se virou para mim, como se lembrasse de alguma coisa. — Damon, você não tinha algo a fazer...?

— Sim, tenho sim. Você vai ficar bem? — Perguntei à Katherine, e ela apenas assentiu. — Volto daqui a pouco, então.

Saí do quarto, ainda meio passado com a aparência de Katherine e como ela parecia acabada. Mas então lembrei da última vez que havia visto Elena e como o rosto dela parecia mais assustador que o de Katherine. Ela estava com raiva, e eu a conhecia quando ela ficava desse jeito e o furacão com o qual eu teria que lidar.

Cheguei à porta do nosso quarto e bati algumas vezes, já esperando que ela não abrisse. Depois bati mais uma vez e exclamei:

— Elena... Lena, vamos conversar, ok? Abra aqui.

— Não. Vai embora.

— Elena, por favor. Aquela mulher não era ninguém, eu juro.

— Damon, não me importa, já disse para você ir embora. — Ela gritou do outro lado da porta.

Então suspirei, porque já estava preparado para isso, e peguei o cartão no meu bolso, enfiando-o no leitor e entrando no quarto. Caminhei mais um pouco até ver Elena deitada de barriga para baixo na cama, com o rosto afundado no travesseiro e colocando outro por cima de sua cabeça.

— O que você quer? — Ela perguntou, em meio à todo aquele pano, de modo que sua voz saiu abafada.

— Conversar. Olha para mim, por favor?

— Estou ouvindo. — Ela falou, sem se mexer.

Suspirei e fui até a cama, sentando-me e colocando uma mão nas costas dela. Senti ela se retrair um pouco ao meu toque, e sorri.

— Aquela era Alicia. A bruxa que eu te falei que viria ajudar Katherine. Não era ninguém de mais, eu juro. — Elena não falou nada, então eu continuei. — Ela só está aqui para ajudar. Eu sei que ela não parece uma típica bruxa e que provavelmente passa uma imagem totalmente diferente, mas é só isso. — tentei retirar o travesseiro de sua cabeça, mas suas mãos estavam firmes à ele. — Elena? Por favor.

Tentei puxar mais algumas vezes então ela acabou cedendo, mas ainda assim estava deitada com o rosto tampado no outro travesseiro.

— Vamos, por favor, deixa eu ver esse rosto lindo. — Falei com uma voz calma e baixa.

Eu quase podia ver ela lutando contra os cantos de sua boca para não dar um pequeno sorriso. Coloquei uma mecha de seu cabelo atrás da orelha, e então ela desistiu e acabou deitando-se de lado, com o rosto virado para mim. Eu podia ver que ela tentava o máximo para manter sua cara emburrada.

— Viu? Não foi tão difícil assim, foi? — Comecei a fazer carinhos leves e circulares em suas bochechas e ela relutantemente fechou os olhos apreciando.

Deitei-me também, de barriga para cima e coloquei uma mão embaixo da minha cabeça enquanto a outra continuava em seu rosto. Elena então abriu os olhos e limpou a garganta.

— Me desculpe, então. Se isso tudo for verdade, então minha reação foi um pouco exagerada. Mas é que ela apareceu e era muito... sei lá. Tinha imaginado-a diferente.

— Eu sei. — Ri. — Não é muito meu tipo. Gosto exclusivamente de doppelgängers.

Elena deu uma risada leve, se dando por vencida. Puxei-a para meus braços e ela aninhou a cabeça em meu peito. Beijei levemente seus cabelos e depois afundei um pouco meu nariz neles, sentindo aquele cheiro maravilhoso característico de Elena que eu tanto amava.

— Acho que tenho boas notícias.

— O que é? — Ela perguntou.

— Acho que poderemos voltar para Mystic Falls amanhã. — Elena me olhou, seus olhos um pouco apavorados. — Ei, não se preocupe, eu vou também. — Sorri, achando que era isso que a preocupava.

— Não, não é isso... — Seu rosto havia desmoronado um pouco. — É que, sei lá... já? Não está um pouco cedo para isso, não?

— Por que você fala isso? — Ela ficou um tempo calada antes de responder.

— É que eu não sei se estou pronta para lidar com o que vamos encontrar lá. — Meus neurônios juntaram as peças rapidamente, e logo percebi do que ela estava falando.

— Você quer dizer Stefan? — Ela me encarou, hesitante.

— Não só ele. Tudo, todo mundo. — Elena se afundou no meu peito novamente, e esperou alguns segundos para falar novamente. — Você sabe que tudo vai mudar, não é?

— É, eu sei.

— Mas você está pronto para isso?

Pensei em Stefan, e tentei imaginar sua reação, se ele ficaria furioso ou desapontado, ou qualquer outra coisa. Para mim era mais fácil, admito. Eu teria que lidar apenas com ele. Opiniões de outras pessoas não me importavam muito, porque a maioria delas nem iria tratar diretamente comigo. A maioria delas cairia sobre Elena. E então entendi o que ela estava falando.

— Elena, eu estou pronto para isso desde o segundo que te conheci e percebi que você já era do Stefan. — Ela riu baixinho, beijando meu peito leve e rapidamente. — A pergunta é se você está pronta para isso. Porque eu sei que vai ser bem mais difícil para você do que para mim. Você tem que ter a aceitação de muitas mais pessoas do que eu.

Ela suspirou, levantando-se e ficando sentada, mas de modo que ainda ficasse virada para mim.

— Damon, minha única preocupação é você. A não ser Jeremy, eu acho que não ligo para a opinião de ninguém sobre isso tudo. Eu só quero ter você ao meu lado, só isso. Não preciso da aprovação de ninguém.

— Então por que você pareceu assustada com a possibilidade de voltar amanhã? — Ela me encarou, pensando. Ela mordeu o lábio de baixo, o que significava que ela estava ponderando se falava ou não algo. Então arqueei as sobrancelhas e ela falou:

— Bem, para falar a verdade, é só que eu queria mais tempo com você à sós. Porque você sabe, quando chegarmos lá, não vamos ter mais muita privacidade.

Então, soltei um riso aliviado e puxei-a de novo para mim.

— Vamos ter o tempo que quiser, Lena.

— Mas então vou falar para Matt e Jeremy irem embora amanhã. Nós dois podemos ficar aqui mais uns dois dias, certo?

— Claro, você é quem manda. Podemos ficar o tempo que você quiser. — Então sentei-me na cama também e fiz sinal para que nos levantássemos.

— O que foi?

— Nós devíamos ir lá no quarto de Katherine para ver se está tudo dando certo. Ela não estava muito bem mais cedo.

— Ok. — Fiquei surpreso que Elena não havia feito nenhuma careta nem nada. Ela apenas se levantou e calçou sapatos, me acompanhando até a porta.

Guiei-a até o outro corredor, mas antes que chegássemos à porta, parei-a e ela me olhou confusa.

— Por que parou?

— Só quero falar uma coisa. — Encarei-a nos olhos e ela arqueou as sobrancelhas, como uma pergunta. — Eu te amo, Elena Gilbert. — Seu rosto ficou bem mais iluminado e seu sorriso bem maior. Eu mal conseguia acreditar que simples palavras como essas vindas de mim, poderiam causar esses efeitos nela. Nem em meus sonhos isso aconteceria de verdade. É isso, eu devia estar sonhando. — Lembre-se disso toda vez que começar a dar a louca por causa de ciúmes de uma outra qualquer, porque é você quem eu amo.

— Eu também te amo, Damon Salvatore. — Ela disse rindo um pouco, e depois juntando nossos lábios.