One Last Chance

29 I Can Feel It Again


Notas iniciais
"Não importa quanto tempo já se passou: eu sou a mesma, o amor é o mesmo, e a esperança - essa ressucitou." Lya Luft

*Elena*

Mesmo depois que Alicia foi embora, Damon e eu ficamos no quarto de Katherine olhando-a como se ela fosse uma bomba prestes a explodir. E ela não parecia gostar muito disso.

— Eu já disse que estou bem! Não preciso de babás. — Eu e Damon nos entreolhamos e depois voltamos o olhar para ela novamente. — Pelo amor de Deus vocês dois! Vão arrumar outra coisa pra fazer, eu estou perfeitamente bem. É sério.

— Ok, então. — Damon cedeu, desencostando da parede que ele estava e eu o olhei, incrédula. Bem, não era ele que tinha sido atacado por ela durante uma de suas alucinações mesmo.

— Você ficou maluco? Vai deixá-la aqui sozinha sem nenhuma supervisão quando nem tem certeza se tudo está resolvido mesmo? E se ela der a louca, sair do quarto e acabar matando alguém?

Ele parou e pareceu ponderar, passando a mão em seu cabelo de um jeito muito sexy. Depois de um tempo, falou:

— Tá, mas eu não aguento ficar mais nesse quarto, então vamos sair daqui pelo menos.

— E para onde, posso perguntar? — Katherine perguntou, com as sobrancelhas arqueadas, cética.

— Para um bar, qualquer coisa. Só vamos sair daqui por favor, já estou tendo ataques claustrofóbicos de ficar tanto tempo trancado num lugar só.

— Tá bom. — Ela se levantou, ainda um pouco intransigente, e calçou suas sapatilhas. — Vamos, então?

Seguimos para o corredor e assim que Damon fechou a porta do quarto, agarrou minha mão e eu dei um pequeno sorriso involuntário. Paramos em frente ao elevador, esperando que o mesmo chegasse, e antes que suas portas abrissem, eu já conseguia ouvir quatro risadas, duas delas familiares.

— Jeremy, Matt, oi! — Falei, assim que ele saiu pelas duas portas, e ele me olhou meio despreparado, como se não estivesse esperando me ver lá. Só então percebi que eles estavam sem camisas e com bermudas de nadar, assim como toalhas e mais duas garotas os acompanhando.

— Elena, oi! Nós estávamos na área da piscina e... — Jeremy se perdeu no meio da frase. — O que vocês estão fazendo aqui? — Ele perguntou, mas eu ignorei.

— É melhor vocês irem indo, não quero atrapalhar nada, e nós também já estávamos de saída.

Senti Damon rir ao meu lado e dei uma leve cotovelada nele. Sorri para as duas garotas de biquíni e shorts, uma morena e outra loira que sorriram de volta envergonhadas, e entrei no elevador. Assim que as portas se fecharam, Damon e Katherine começaram a rir, mas eu não desfiz minha carranca.

— Do que vocês estão rindo? Não é nada engraçado.

— Ah, Elena. Deixa o garoto se divertir. — Damon disse ainda rindo, mas agora de mim.

— Com uma garota que ele acabou de conhecer?

— É, o que tem nisso? Há uma chance enorme de ela não ser nenhum ser sobrenatural, então ele vai ficar bem.

Bufei, frustrada, pensando que talvez ele estivesse certo. Eu só devia ficar feliz que Jeremy estava pelo menos se divertindo nessa viagem que eu o havia feito fazer. Tudo bem que ele foi quem se ofereceu, mas eu me sentia um pouco mal por deixar ele e Matt sozinhos quase o tempo todo. Mas eu havia passado tanto tempo longe de Damon que eu simplesmente não conseguia ligar o suficiente para me separar dele por muito tempo.

Chegando ao lobby, paramos perto dos sofás e Katherine se sentou, nos encarando.

— E aí, Sr. Claustrofóbico, onde é que nós vamos?

— Acho que eu tenho uma ideia. — Damon comentou, com um sorriso plantando em seu rosto, sem nos olhar.

— Onde, então?

— Se lembra do restaurante onde nos encontramos com Alicia pela primeira vez? — O rosto de Katherine se iluminou um pouco e ela rapidamente pareceu entender qualquer coisa que seja que Damon quisesse dizer.

— É, não me parece uma má ideia. — Ela se levantou, e enquanto íamos em direção à entrada do hotel, ele se virou para mim:

— Você vai adorar, acredite.

Entramos em um táxi e depois que foi dado o endereço, parecíamos estar dirigindo para o centro da cidade. Damon estava sentado no meio, entre Katherine e eu, e sorria presunçoso enquanto não largava minha mão.

O carro foi parado em frente à um restaurante-bar que tinha duas colunas de granito na entrada, e um guardinha abriu nossa porta. Desci, sem saber o que esperar, e esperei os dois para entrarem primeiro.

O salão era enorme, com mesas maravilhosas espalhadas e grandes lustres de cristal que pendiam no teto. As pessoas estavam muito bem vestidas e pareciam todas da alta sociedade. De repente, me senti estranhamente inadequada em minhas roupas.

— Damon, por que você não falou que o lugar era assim?

— Relaxa, Elena. Nós não estamos aqui para apreciar a vista, acredite. Você vai ver.

Ele nos guiou até o enorme bar no fundo e se sentou no meio de nós duas. Eu me sentia deslocada e estranha, então ficava sempre à sombra de Damon para ninguém me perceber. Um bartender jovem e bonito se aproximou, com uma camisa branca e uma típica gravata borboleta preta. Ele arregalou o olho por menos de um segundo — tempo o suficiente para um vampiro reparar — ao olhar para Damon e depois para eu e Katherine a seu lado. Revirei os olhos pensando nas ideias e fantasias eróticas que deviam ter passado na sua cabeça. Ouvi Katherine rir baixo o suficiente que só nós dois ouviríamos.

— O que posso trazer para o Senhor e essas adoráveis moças? — Ele perguntou, com um sorriso gentil, e depois deu uma pequena risada: — Quanta sorte para os pais vir tanta beleza em uma só gravidez.

Damon pareceu incomodado com o comentário, mas nós três preferimos ficar quietos porque explicar que nós não éramos gêmeas seria muito mais complicado. Eu apenas sorri o mais gentilmente que consegui, me segurando para não soltar um comentário rude sarcástico.

— Três "O" negativo, por favor. — Damon sorriu. Boquiaberta, assisti o homem simplesmente anotar o pedido e sair andando para o outro lado para atender outros clientes.

— O... o que você pediu? Eu ouvi direito?

— Ouviu sim. — Damon se virou para mim. — Não sei como, mas esse bar é estranhamente adepto à dieta vampírica.

— Uau.

— Pois é.

Depois de alguns segundos, o bartender voltou com nossos copos com o líquido extremamente vermelho em sua bandeja. Nenhuma pessoa em volta parecia estranhar ou nos encarar por isso. Peguei o meu, e o coloquei na boca, surpresa ao perceber o quanto aquele sangue parecia vir direto da veia.

— Como isso é possível? — Questionei.

— Não tenho a mínima ideia. Mas essa cidade parece ser infestada de vampiros.

Depois de mais alguns copos de sangue e outros de whisky, eu me sentia um pouco tonta e lenta. Bem, lenta para uma vampira. Acho que Damon e Katherine também se sentiam assim, pois nós estávamos rindo de qualquer coisa, por mais boba que fosse. E então, depois de algum tempo calados, Katherine, que estava meio debruçada no balcão falou:

— E como você vai fazer agora? — Ela perguntou, olhando para Damon. — Você vai voltar para Mystic Falls, não é? — Ele me olhou rapidamente e depois assentiu para ela, que riu sem humor. — Eu sabia que era só uma questão de tempo. Você ia acabar voltando para ela de qualquer jeito.

Me senti estranha por ela estar falando de mim na terceira pessoa quando eu estava claramente do lado dela. Eu não sabia qual era o ponto daquilo tudo, mas algo que eu estava curiosa para saber era o que Katherine faria depois que Damon voltasse comigo. Fiquei pensando se ela continuaria normalmente — talvez procurasse outra companhia -, porque minha vida de vampira era bem menor que a vida humana que tive, então eu não fazia ideia de como era ser um nômade. A ideia de viver vagando sozinha pelo mundo me soava um pouco depressiva, mas eu nunca havia pensado nisso antes, porque nunca precisei. Eu tinha Caroline, Stefan e agora, principalmente, Damon para o resto da eternidade. Nunca havia pensado que à medida que as pessoas que você conhece vão morrendo, você, sendo uma vampira, fica totalmente sozinha. Eu nunca me senti assim, e eu me perguntava como deveria ser.

Damon pareceu um pouco importunado com seu comentário, mas ela logo começou a se explicar.

— Não, não desse jeito. Quero dizer, eu sabia que uma hora ou outra vocês iam se encontrar e você voltaria para ou com ela. E eu já fazia ideia desde que soube que você havia deixado Mystic Falls que sua partida não seria nada boa para ela e Stefan. Qualquer um sabe que não dá para aguentá-lo muito tempo sozinho. Você neutraliza um pouco a chatice dele, então fica sem graça sem você. — Depois de falar isso, ela limpou a garganta rapidamente e continuou: — De qualquer jeito, sempre torci mais para vocês dois. Sobra mais Stefan para mim.

— Obrigado? — Damon disse, sem saber se o que ele falou era uma resposta ou uma pergunta. Eu senti uma estranha necessidade de rebater o discurso de Katherine e pelo menos tentar defender Stefan e nosso relacionamento, mas ela me cortou antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.

— Não se preocupe, Damon, eu também tenho ciúmes de você. Acho que eu já vou indo. — Katherine se levantou, e acho que seu mundo deve ter girado um pouco, porque ela rapidamente segurou na bancada novamente procurando estabilidade.

— Espera. Onde você está indo?

— Estou cansada. Toda essa coisa de ter tido alucinações e tudo mais me deixou exausta. Mas não quero acabar com a festa de vocês, então podem continuar, eu vou ficar bem.

Ela foi se afastando e Damon e eu ficamos a olhando por um tempo até que ela sumisse de vista, depois nos olhamos sem falar nada e eu peguei o resto do whisky que tinha em meu copo e virei.

— Achei que você odiasse whisky.

— Não hoje.

— Ah.

— Ei, ainda hoje vou falar com Jeremy e Matt para eles irem embora. Já vou comprar as passagens e deixar tudo pronto.

— Ok. Se bem que depois de hoje, não acho que eles vão querer ir embora. — Damon riu e eu lhe dei uma cotovelada fraca, rindo também.

— É, mas temos que voltar de um jeito ou de outro uma hora. — Pausei por um tempo, depois soltando uma pergunta que estava há muito tempo em minha cabeça. — Como você acha que vai ser quando voltarmos? Você acha que todos vão aceitar tranquilamente?

Damon levantou as sobrancelhas, como se eu tivesse feito uma pergunta óbvia. E era. Claro que não. Eu ia ter que ouvir de muita gente, e eu sei que especialmente Stefan não iria me acolher de braços abertos e nos dar parabéns.

— É, essa foi uma pergunta idiota.

Ele se levantou, colocando algumas notas debaixo de seu copo e me estendendo a mão. Eu a olhei sem entender, mas ele insistiu, colocando-a mais perto de mim. Peguei, hesitante, sem saber onde ele queria ir.

— Vem, vamos andar um pouco.

— Para onde?

— Pelas ruas. Vamos, vai ser bom. Não temos tido muito tempo sozinhos e juntos, e não era isso que você queria? Então.

Saímos do restaurante e um vento muito frio nos atingiu. Mesmo uma vampira, eu estremeci e minha mandíbula contraiu, fazendo meu dentes baterem um no outro. Mesmo depois de eu insistir para ele não fazer isso, Damon tirou seu casaco e o colocou em mim, depois passando seus braços ao meu redor e me guiando pelas calçadas.

O céu nublado e o clima frio deixavam o cenário um pouco melancólico, o que contrastava totalmente com meu estado de espírito. Damon me abraçava forte, fazendo com que nosso andar ficasse um pouco afetado, mas nenhum de nós dois se importava com isso. Eu me sentia extremamente feliz, poderia arriscar dizer que como nunca antes. O sorriso em meu rosto era claramente visível e mesmo que nós não estivéssemos conversando, o silêncio não era nem um pouco constrangedor ou estranho. Eu apreciava sua companhia mais que a de qualquer um, ainda mais sabendo que ele nunca iria me abandonar. A sensação de segurança me atingiu em cheio assim que ele pousou seus lábios em meus cabelos, dando um longo e leve beijo, e eu o abracei mais forte.

Eu me sentia completa, de um jeito que eu nunca havia me sentido desde o acidente que matou meus pais. Mesmo com Stefan, eu sempre tinha essa sensação de vazio que nunca parecia me deixar, mas com Damon, parecia que eu finalmente tinha esperanças de poder me recuperar de todos meus traumas e seguir em frente. E era exatamente o que eu sentia naquele momento. Um sentimento, que depois de tanto tempo passando longe de mim, eu deveria ter dificuldade de reconhecê-lo, mas foi como tacar fogo em gasolina. Instantaneamente percebi, com os braços de Damon ao meu redor, que eu sentia aquilo novamente: Esperança.