One Last Chance

30 Saying Goodbye To The Kids


*Elena*

Então estava tudo pronto. Jeremy e Matt iriam voltar para Mystic Falls pela manhã e Katherine ficaria, para manter uma falsa impressão de que Damon e eu não ficamos ali sozinhos. A questão é que ficaríamos, porque ela tinha ido para Dallas visitar um velho amigo. Quando voltamos do restaurante, havia um bilhete dela explicando onde havia ido, mas que iria nos encontrar no aeroporto de Charlosttesville para que depois seguíssemos para Mystic Falls de novo.

Não tinha sido fácil convencer Jeremy de que estava tudo bem por mim ele voltar. Eu me sentia tão culpada de passar tanto tempo com Damon enquanto ele e Matt ficavam presos num quarto de hotel esperando eu decidir minha vida, então insisti o máximo possível para que eles voltassem.

— Mas Elena, e se alguma coisa acontecer e eu não estiver aqui?

— Jeremy, vai ficar tudo bem, eu prometo. Além disso, tenho Damon comigo, nada vai acontecer, ok?

— Mas...

— Sem "mas" Jeremy, eu vou ficar bem. Juro. A única coisa que não está bem aqui é você preso nesse hotel às minhas custas. Se algo acontecer, te ligo na hora, prometo.

Ele ainda demorou a ser convencido depois disso, mas eu acabei ganhando. Uma noite antes dele ir embora, Damon e eu ficamos no quarto deles e pedimos pizza, e enquanto eu ficava deitada na cama trocando de canais sem interesse por nada, eles se sentavam no chão jogando cartas e tomando whisky. Suas comemorações eram estrondosas e as discussões sobre "quem estava roubando" eram sempre tão altas que eu sempre me assustava quando acabava por ficar sonolenta.

Quando por fim os barulhos foram sumindo e minha visão da tv ficou turva, as imagens distorcidas lentamente foram desaparecendo. Caí num sono profundo e fiquei sem noção de quanto tempo havia passado.

*Damon*

Ao terminarmos a última partida e eu esfregar na cara de Matt e Jeremy que havia ganhado em mais da metade delas, eu me sentia exausto. O dia não havia sido longo, mas era como se eu não tivesse dormido há dias, e quando me levantei e olhei para a cama, percebi que Elena estava na mesma situação.

Ela dormia profundamente, totalmente alheia aos nossos barulhos ou à tv ligada, agora, num filme romântico antigo dos anos 60 que eu me lembrava de ter ido ao cinema assisti-lo.

— Ela apagou. — Matt comentou, levantando-se e recolhendo a sujeira que havíamos feito.

— Vou levá-la para o quarto, ela deve estar morta de cansaço.

Me aproximei e, com o máximo de cuidado possível para não acordá-la, a peguei em meus braços tentando não fazer nenhum movimento brusco. Ela murmurou algumas coisas incoerentes sem abrir os olhos, e depois se silenciou de novo. Jeremy foi até a porta para abri-la para mim, e assim que eu passei, ele me chamou de volta:

— Ei, Damon. — Me virei para olhá-lo. — Cuide dela, por favor.

Que tipo de pedido óbvio era esse? Mas é claro que eu cuidaria dela. Eu sentia o calor de seu corpo contra o meu e tudo que eu conseguia pensar é que eu precisava manter aquela pequena criatura extraordinária protegida e em segurança não importa o que me custasse.

— É claro, Jeremy. — Respondi, fazendo com que minha resposta tivesse um tom óbvio.

Ao chegar em nosso quarto, coloquei-a na cama, e ela nem mesmo se mexeu. Tirei suas botas e sua calça jeans para que ela pudesse ficar mais confortável. Eu não conseguiria tirar sua blusa e colocar um pijama sem acordá-la, então deixei-a dormindo daquele jeito mesmo, com sua calcinha e blusa de manga comprida cor-de-rosa. Ela dormia tão docemente que eu poderia assisti-la daquele jeito por dias seguidos sem me cansar. Seu semblante era calmo e pacífico e me transmitia uma sensação de tranquilidade.

Tirei minha calça jeans e coloquei uma das minhas de moletom preta, deitando-me ao seu lado com cuidado para não mexer muito a cama e depois cobrindo-a com a grossa colcha de algodão. Eu estava com meu rosto posicionado bem perto de seus cabelos, para sentir aquele delicioso cheiro de baunilha e côco que eles tinham, quando de repente ela se virou, ainda inconsciente, para minha direção e se aconchegou perto de mim, colocando um de seus braços ao meu redor. Sorri internamente e abracei-a de volta.

Depois de não muito tempo, também fui levado por meus devaneios.

—------

*Elena*

Senti uma leve claridade e a luz do sol bater em minhas pálpebras e abri os olhos lentamente, ainda meio desorientada por causa do quão profundamente eu havia dormido. Poucos segundos depois, um despertador começou a tocar, e Damon levantou um de seus braços, buscando por algo atrás de seu travesseiro. Ele esticou-se um pouco, ainda de olhos fechados, até encontrar seu celular e desligar o som irritante. Ele bufou, jogando seu braço de volta no colchão e abrindo os olhos.

— Bom dia, boneca. — Damon murmurou sonolento. Ele conseguia ter um tom irônico até mesmo dormindo. Sua voz rouca matinal era tão sexy.

— Bom dia.

— Hora de colocar as crianças de volta para a escola.

— Você tem ideia do quanto isso soa estranho?

— Eu sei. — Ele riu.

Estiquei-me um pouco sobre seu peito e plantei um beijo calmo em seus lábios, e ele riu baixinho entre os meus.

— O que foi? — Perguntei.

— Nada, não. Temos que levantar, se não vamos nos atrasar.

— Humm... — Murmurei, tentando criar coragem para sair daquela posição e não encontrando forças o suficiente para mexer um dedo.

— Vamos logo, preguiçosa. — Disse Damon, soltando-se do meu abraço e sentando-se no colchão, tentando me animar. — Você pretende ficar na cama o dia todo?

— Talvez.

Eu me espreguicei lentamente, respirando fundo e ainda assim não consegui encontrar energia para levantar, jogando meu corpo de volta na cama. Damon me encarou com um olhar malicioso que eu tentei decifrar. Mas não foi a tempo e ele começou a me fazer cócegas.

— Não! Damon! — Eu ria alto e lágrimas escorriam de meus olhos, enquanto eu tentava encontrar ar. — Por favor... Para... Tá bom! — Eu exclamava entre minhas gargalhadas.

Quando ele finalmente parou, seu olhar brilhava e ele ainda ria de mim, e eu continuava rindo apesar de ele já ter parado.

— Melhor agora?

— Bem melhor. — Exclamei, pulando para fora da cama em um segundo.

Tomamos rapidamente um banho juntos e eu o deixei lavar meus cabelos. Aquilo pareceu agradá-lo de algum jeito. Saímos do box praticamente correndo para não nos atrasarmos e vestimos roupas em alguns segundos. Sequei meu cabelo apenas superficialmente enquanto Damon ligava para um táxi.

Descemos para o lobby às pressas e encontramos Jeremy e Matt já fazendo o check-out nos balcões. Damon ajudou alguns funcionários a carregarem as malas até o táxi e eles pareceram um pouco impressionados com sua força.

Assim que Jeremy foi entrando no táxi e eu fiz menção para entrar logo atrás dele, ele virou-se para mim:

— Não precisa me levar até o aeroporto, nós podemos ir daqui.

— O que? Claro que não, vou com vocês.

— Elena, não precisa disso, é sério. Vamos ficar bem.

Olhei-o meio sem entender, e, meio hesitante, concordei. Abracei fortemente meu irmão antes que ele entrasse no carro e depois Matt, murmurando no ouvido dele:

— Muito obrigada, Matt. Eu não sei o que eu faria se você não tivesse me ajudado com isso tudo.

— Disponha. — Ele sorriu.

Os dois deram acenos e tapas nas costas de Damon e foram embora, nos deixando na rua, observando o carro desaparecer algumas esquinas depois. Damon pôs o braço em meu ombro, me abraçando, e falou:

— Vamos, temos que tomar café, e agora que eu te tenho só para mim, tenho algo que quero te mostrar.

— O que? — Perguntei, curiosa.

— Você vai descobrir na hora certa, bobinha. — Ele falou, apertando meu nariz e me guiando para o outro sentido da calçada.

— Onde estamos indo?

— Numa cafeteria primeiro. Mas o lugar que eu quero te levar é só a noite.