One Last Chance
13 Save The Last Chance
Notas iniciais
*Elena*
Como não consegui passagens disponíveis para partir naquele mesmo dia, conseguimos um voo às 3 da manhã, mas ainda assim, teríamos a viagem de carro para Charlottesville primeiro, ou seja, eu precisava começar a arrumar as malas e tudo mais, mesmo ainda sendo de manhã.
Estacionei meu carro em frente a Mansão e desci, pronta para encarar Stefan. Ao chegar à porta, nem me dei o trabalho de bater, e já fui entrando.
— Stefan? Stefan, você está ai? — Falei, alto o suficiente para ele ouvir de qualquer parte da casa que ele estivesse.
Ele surgiu, descendo as escadas, fechando os botões de sua camisa.
— Elena, hey. Desculpe, estava tomando um banho.
— Tudo bem.
— Algum problema? — Engoli em seco. Naquela hora, travei, como se todo meu vocabulário tivesse sumido, mesmo tendo passado o trajeto todo até aqui pensando no que falar.
E então, um medo surgiu. E se ele tentasse me impedir? Eu não havia pensado nessa possibilidade, pois achava ela improvável. Mas depois de nossa discussão, meses atrás, sobre isso tudo, nunca mais trouxe o assunto à tona. E se ele ainda tivesse a mesma opinião sobre Damon voltar? Eu não podia arriscar. Eu não podia arriscar perder minha última chance de tê-lo de volta.
— Na verdade... Eu estava precisando de algumas bolsas de sangue.
— Ah, fique à vontade. Como Dam... Como eu não bebo, deve ter de sobra lá no freezer. — Percebi sua hesitação ao falar de Damon de novo e notei que havia feito a decisão certa em não avisá-lo.
Sorri para ele e fui ao porão, continuando minha farsa. Não era como se eu estivesse conseguindo manter sangue sem ser da veia em meu estômago, mas eu precisava levar pelo menos alguns. Peguei um saco plástico que estava numa estante e fui colocando algumas bolsas dentro, e alguns segundos depois fui surpreendida pela presença de Stefan ao meu lado, pegando algumas bolsas e colocando na minha sacola.
— Toma... Essas aqui estão mais novas, foram as últimas que ele havia roubado do banco. — Percebi de novo sua aversão a pronunciar seu nome perto de mim.
— Ah, ok, obrigada. — Coloquei a sacola cheia dentro da minha bolsa, e fiquei alguns segundos encarando o chão. Depois fechei o freezer e fitei Stefan. Hesitante, plantei um beijo em sua bochecha, e depois murmurei: — Tenho que ir, combinei de me encontrar com Bonnie.
— Ok, então. — Saí do porão e ao passar pela porta de entrada, fechei-a cuidadosamente.
Apesar de Stefan e eu não termos terminado na prática, há muito tempo não havia nada entre nós. Acho que ele também percebeu isso. Ao me despedir dele, pensei em dar um selinho, curto e rápido, mas até mesmo isso parecia inadequado e fora de lugar.
Percebi que ele não havia gostado dessa "mudança". Às vezes, nas primeiras semanas, ele tentava forçar a barra. Aparecia na minha casa no meio da noite e tentava me seduzir. Tenho que admitir que algumas vezes isso deu certo. Mas não era nada como antes. Ele não me esperava acordar. Ele ia embora quase na mesma hora que estávamos acabados, apenas me dando um beijo na testa. Andávamos de mãos dadas na escola, mas mal conversávamos ou nos olhávamos direito. E, com o tempo, até isso foi sumindo.
Todos perceberam, é claro, mas ninguém comentava muito. Pelo menos, depois do meu ataque na casa de Caroline, acho que a maioria estava esperando isso. Porém, aquela noite nem passava perto dos ouvidos de Stefan — eu nem precisei pedir para não comentarem com ele. Era como se já estivesse no automático e todos percebessem na hora que ele não fazia ideia, e nem era para fazer.
Tinha falado para Stefan que ia me encontrar com Bonnie, apenas como uma desculpa para sair de lá. Eu na verdade ia arrumar minhas malas. "Covarde! Elena, você é uma covarde!" essa frase ficou se repetindo na minha mente em todo caminho de volta. Eu havia decorado tudo, repassado mil vezes na cabeça, e ainda assim, ao chegar lá, foi tudo por água abaixo.
Estacionei o carro na garagem e, ao entrar em casa, subi as escadas correndo, torcendo para que Jeremy não estivesse lá. Eu teria que lidar com ele mais tarde, de qualquer jeito. Com ele, não haveria escapatória.
Abri o armário do meu closet, e peguei uma mala roxa, na última estante, com alguma dificuldade para alcançá-la. Coloquei-a em cima da cama, deixando-a aberta, e colocando várias blusas e calças, e — por precaução — um vestido mais arrumado. Vai que Damon frequentava bailes e festas e eu tivesse que me misturar num desses eventos para encontrá-lo? Também juntei alguns itens de higiene básica numa necessaire, fechando-a e enterrando-a entre as roupas.
Ao fechar a mala, peguei o celular e mandei uma mensagem. "Matt, você já está com as coisas prontas?"
*Stefan*
Após a estranhíssima visita de Elena, ela saiu falando que precisava encontrar-se com Bonnie. O estranho foi que, alguns minutos depois que ela foi embora, Bonnie me mandou uma mensagem falando que estava com o Prof. Shane e eles poderiam ter descoberto algo sobre a tatuagem de Connor.
Eu sei que Elena e eu não estávamos muito bem nesses últimos meses, mas por que ela começaria a mentir para mim?
Confesso que desde que Damon foi embora, nosso relacionamento foi na direção contrária da que eu pensei que iria. Ele só ia esfriando, declinando cada vez mais. Até eu nem saber mais como nós estávamos e se estávamos juntos ainda. Seu beijo na minha bochecha hoje respondeu as minhas perguntas. E ainda assim, ela parecia desconfortável até mesmo só com ele.
Não pensei que algum dia diria isso, mas eu, na verdade, comecei a me cansar. Não que eu não a amasse mais — claro que não. Mas como se já não fosse a mesma coisa. Ela, eu, nosso namoro — os sentimentos dela e os meus também. O idiota é que o que acho que me aproximava dela era a proximidade de Damon e a possibilidade de perdê-la para ele. Isso me desafiava, me fazia querer ficar cada vez mais perto, cada vez mais tempo... Lutar por ela. E agora, sem ele, eu não parecia mais ter essas mesmas necessidades com a mesma veemência e constância. Eu sentia sua falta, é claro. Mas não me devorava.
A possibidade dela estar fazendo algo que eu não devia saber me despertou um pouco curiosidade. Quero dizer, Elena não tem muito o que esconder, normalmente. Ou tem?
*Elena*
Liguei para Jeremy e perguntei se ele já estava voltando para casa, e ao confirmar, me senti nervosa. E se ele me criticasse e me achasse patética por estar fazendo isso?
Comecei a fazer uma massa ao molho branco para quando ele chegasse. Peguei alguns legumes e um facão, cortando-os com uma força mais que necessária, que eu só percebi que estava usando quando cortei a tábua de madeira ao meio. Xinguei baixinho, e foi quando ouvi Jeremy entrando em casa e deixando sua mochila ao lado da porta. Ele veio caminhando até a cozinha e riu quando me viu cozinhando.
— O que está fazendo? — Perguntou ele, achando a cena engraçada.
— Cozinhando almoço para você. Pare de rir, estou tentando ser uma irmã responsável! — Eu disse brincando, e ele deu uma risada histérica, debochando de mim.
— Ah, tá. Quase acreditei nessa. O que você precisa? O que você quer de mim? — Ele perguntou retoricamente, mas ainda assim eu respondi, agora séria.
— Sua compreensão. — Sua expressão mudou na hora, ficando mais preocupada.
— Ok... Elena, o que foi?
— Estou indo para Little Rock hoje de madrugada. — Falei na lata, deixando-o silencioso por um tempo. — Com Matt. — Adicionei.
— Little Rock... no Arkansas? — Assenti. — Posso perguntar o que você vai fazer lá? — Levei a faca até a pia, enxaguando-a e colocando-a para secar. Depois sequei minhas mãos e me virei para ele, apoiando as duas mãos na bancada.
— Eu vou encontrar Damon.
— O quê? — Ele questionou, sua expressão confusa. — Como você conseguiu falar com ele?
— Eu não consegui. Por isso estou indo para lá.
— Espera... — Ele fez uma cara de que estava processando as informações — Então ele não sabe que você está indo para lá?
— Não, não sabe. Ele não faz ideia. Mas ele pousou lá hoje de manhã e fez check-in em um hotel, ou seja, ele vai ficar por lá pelo menos uma noite. — Jeremy ficou em silêncio, e eu fiquei constrangida, com medo de estar parecendo uma criancinha idiota achando que consegue tudo do seu jeito se só acreditar o suficiente. Me virei de costas para ele, guardando algumas coisas na geladeira e depois mexendo a massa que eu fazia.
— Elena, o que você espera fazer depois que encontrá-lo? — Jeremy quebrou o silêncio. — Quero dizer, quais são as opções? Ele pode decidir voltar ou não... E o que você vai fazer qualquer que seja a escolha dele?
— Vou respeitá-la. — Respondi prontamente, mas eu não parecia convicta. A verdade é que ninguém havia me perguntado isso antes, nem mesmo Matt. O que eu iria fazer ao encontrá-lo? Meu foco sempre foi achar ele, não havia chegado a pensar no que significaria quando finalmente o encontrasse.
Terminei de refogar os legumes e misturei-os à massa e ao molho. Depois servi em dois pratos e coloquei-os em cima do balcão, onde eu me sentei ao lado de Jeremy para comer. Ninguém falou nada por um bom tempo, e quando eu estava quase terminando tudo, meu irmão soltou:
— Eu vou com você.
— O quê? — Perguntei, incrédula.
— Quero ir com você. Matt vai, não vai? Acho que um homem a mais não vai fazer diferença.
— Jer, por que você quer fazer isso?
— Não quero te deixar sozinha nisso. Sei que está sendo difícil para você, e não sei... Se você chegar lá e não encontrá-lo, ou se encontrar e ele não quiser voltar... Quero estar lá por você. — Eu o encarava, tentando processar suas palavras — Eu sei que não sou o maior fã do Damon, mas sei como ele é importante para você, e fico feliz que agora você consiga admitir isso para si mesma. — Depois ele riu, e acrescentou: — Achei que você iria acabar explodindo se não fizesse isso logo. Não que você não tenha explodido, mas...
Eu ri junto com ele, e depois passei meus braços ao seu redor, abraçando-o.
— Obrigada, Jer. Já vou comprar sua passagem. — Ele me abraçou mais forte.
— Eu te amo, não se esqueça disso.
— Eu não vou. Também te amo.
Entrei na internet e comprei outra passagem para Jeremy, que logo foi arrumar suas malas. Como eu não tinha ideia de quantos dias passaria fora, coloquei em minha mala roupas o suficiente para uma semana, mais ou menos, mesmo tendo a possibilidade de não ficar nem dois dias.
Depois do almoço, Matt passou aqui em casa e deixou suas malas já no carro e depois eu o deixei no Grill, para terminar seu expediente. Entrei no bar e pedi um copo de whisky com energético, que me serviram sem questionar. Matt chegou, parando do outro lado do balcão, falando:
— Tem certeza de que quer beber? Da última vez não deu muito certo. — Ele riu com deboche estampado no rosto. Percebi que adoravam me lembrar desse acontecimento, só para rir da minha cara.
— Isso aqui é minha coragem líquida.
— Para quê?
— Encarar Stefan... E Caroline, e Bonnie também. E mais tarde, talvez Damon.
— Vai contar para elas?
— Não sei, talvez. Estou me decidindo.
Deixei uma nota no balcão que seria mais que o suficiente para pagar a bebida, e depois fui para o carro, dirigindo até a casa de Caroline. Toquei a campainha uma, duas, três vezes — e nada. Talvez era meu dia de sorte e eu tivesse uma desculpa para não lidar com ela. Quando me virei para sair de sua varanda, vi a viatura policial chegando e estacionando ao lado de meu carro. A Xerife desceu do carro e veio andando em minha direção.
— Elena! Procurando por Caroline? Ela foi para a casa de lago dos Lockwood esse final de semana. Ela está lá com Tyler.
— Ah, eu não sabia!
— E então, já está pronta para ir? Ou desistiu?
— De jeito nenhum. Estou com tudo pronto já, só havia vindo para me despedir de Caroline.
— Por quê? Acha que vai demorar a voltar?
— Não faço ideia. Na verdade, vim mais para avisá-la de onde estou indo.
— Pode deixar, eu aviso. — Xerife Forbes colocou a mão no meu ombro e fez menção de que estava saindo — Desculpe-me Elena, tenho que entrar, só passei para buscar algumas coisas e já tenho que voltar para a delegacia.
— Claro, fique à vontade!
— Tchau. E boa sorte, viu?
— Tchau, obrigada! — Entrei no carro e dei partida.
Cortando caminho para ir para casa, passei em frente à praça principal da cidade, onde vi o carro de Stefan estacionado, e ele em pé, conversando com alguns garotos que estavam trabalhando lavando carros lá.
Ao perceber que ele estava longe de casa, decidi na hora o que ia fazer. Não ia ser muito caloroso, mas era melhor que enfrentá-lo. Dirigi até a Mansão e abri a porta, que sempre ficava aberta — não era como se qualquer coisa que ele devesse temer se intimidaria com uma porta trancada. Subi as escadas e fui ao quarto de Stefan, pegando algumas folhas e uma caneta, começando a escrever:
"Stefan,
Desculpe lhe escrever desse jeito. Acredite, eu realmente queria fazer isso de outra maneira, mas como já estou atrasada, acho que é melhor assim.
Estou indo para Little Rock com Matt e Jeremy, e tenho algumas coisas para resolver lá. Não faço ideia de quando irei voltar, mas não acho que vamos demorar. Eu te explico tudo assim que puder. Te ligo provavemente amanhã.
Com amor,
Elena."
Nem por bilhete! Nem por escrito consegui contar à ele! Me senti extremamente boba naquele momento. Quando parei o carro num sinaleiro, bati minha cabeça algumas vezes no topo do volante, me xigando mentalmente. Eu só continuava adiando as coisas. De qualquer jeito, ele ligaria, e, esperançosamente, quando ele ligasse, eu já estaria com Damon e ele descomplicaria as coisas. Como ele sempre fazia.
Quando meus pensamentos me levaram a Damon, deixei minha mente vagar por um bom tempo. Era irritantemente constante a falta que ele me fazia. Eu mal conseguia explicar. Eu também não sei como não consegui perceber antes o quanto era importante sua presença contínua na minha vida. E, ainda assim, apesar de tudo, o deixei ir embora. Como eu sou estúpida.
Fui para casa e guardei todas as malas no porta-malas. Fiquei trocando de canais na tv, sem realmente assistir nada. Quando, por fim, o relógio marcou sete da tarde, chamei Jeremy que estava cochilando, e depois dirigimos até o Grill para buscar Matt. Como não tive coragem de enfrentar quase ninguém — na verdade, ninguém — mandei mensagem para Bonnie, falando praticamente as mesmas coisas que falei para Stefan, também comentando que ligaria assim que pudesse.
Provavelmente os dois saberiam o que eu estava fazendo antes de eu ter a oporturnidade de ligar, por causa de que a Xerife comentaria com Caroline. Mas eu não me preocupava com isso agora — seriam coisas que eu poderia lidar assim que eu chegasse.
Troquei de lugar com Matt, deixando-o dirigir, e seguimos pela estrada até Charlottesville, onde chegamos quase quatro horas depois. No aeroporto, após o check-in, fomos para a praça de alimentação comer alguma coisa e esperar o voo, que só sairia pela madrugada. Pedimos um McDonald's e fomos nos sentar. Eu batia as unhas na mesa ordenadamente e sacudia um pouco as pernas. A sede que eu estava não ajudava também.
— Nervosa? — Perguntou Matt. Parei com meus movimentos e encarei meu sanduíche, que eu não consegui terminar.
— Um pouco. — Admiti. — Com medo de ser um alarme falso, eu acho.
— Relaxa, vai dar tudo certo — Jeremy segurou minha mão por alguns segundos, e depois voltou a comer.
Quando fomos chamados ao portão de embarque, já quase duas e meia, senti um frio na barriga. E também depois, quando eu já estava sentada no avião esperando ele decolar. O voo foi tranquilo, e chegamos em Little Rock uma hora e meia depois.
Desci do avião apreensiva, sem saber o que me esperava. Sabe quando você está tão nervosa que suas pernas ficam bambas, e você não tem nem ideia de como está fazendo elas se moverem para frente? Era assim que eu me sentia. Tive vontade de entrar no avião de novo e fugir para qualquer outro lugar que ele estivesse indo agora.
Me apoiei no braço de Jeremy, e depois de pegarmos as malas, entramos em um táxi, indo direto ao hotel que a Xerife tinha nos indicado que ele estaria.
— Boa noite! — Uma atendente simpática do balcão nos cumprimentou — O que eu posso fazer por vocês?
— Boa noite, por favor, nós querí...
— Desculpe, mas você não esteve aqui ontem? — Ela me perguntou, me analisando.
— Ah, não, sinto muito, você deve ter me confundido com alguém.
— Você até estava com seu marido... É, acho que ele era seu marido.
— Não, realmente não era eu.
— Meu Deus, vocês eram muito parecidas. — Ela pausou alguns segundos, e depois continuou: — Mas enfim, o que posso fazer por vocês?
— Um quarto triplo, por favor.
— Só temos quartos duplos, com duas camas de casal.
— Ahn, tudo bem por você, Jeremy? — Perguntei à ele, duvidosa.
— Claro, sem problema. — Ele respondeu.
Entregamos à mulher todos nossos documentos, e ela registrou tudo, nos dando o cartão depois.
— O Sr. Lefroy aqui vai levar suas malas daqui a pouco, e tenham uma ótima estadia!
— Obrigada. — Sorri para ela, enquanto um senhor baixinho e grisalho colocava nossas malas no carrinho dourado, sorrindo para nós.
Seguimos até o elevador, e ao apertar o botão, vi que havia um pequeno corredor, onde se ouvia muitas pessoas conversando do outro lado.
— Esperem aqui um minutinho. — Murmurei para Matt e Jeremy.
Segui o caminho, até parar em frente à um salão, com portas de vidro. Era o restaurante, que apesar da hora estava cheio. Pensei em como era um lugar provável para Damon estar, ainda mais com o bar gigante que eu conseguia enxergar, localizado na parede oposta. Usei minha visão e audição avançadas para perceber qualquer sinal de que ele estava aí. E nada. Parecia tudo muito normal lá.
Voltei para o elevador, onde eles me esperavam com um rosto inquisitivo, para os quais eu apenas balancei a cabeça e ignorei. Entramos no elevador e apertamos o número de nosso andar.
Tudo que eu queria era me deitar. Tirar essa roupa que já estava quase virando uma segunda pele e colocar um pijama confortável. Eu estava cansada, e mesmo mal tendo chegado, quase sem esperanças. A musiquinha que tocava era irritantemente aguda para meus ouvidos aguçados, e quando ouvimos o barulhinho que nos sinalizava que já havíamos chegado, quase abri as portas do elevador eu mesma, sem paciência para sua lentidão. Minha sede estava me deixando mais nervosa ainda.
Olhei o número no cartão para ver qual era nosso quarto, e já ia me dirigindo para o corredor à esquerda, quando algo me travou. Senti cheiro de sangue humano em algum lugar, o que me deixou meio em transe, procurando a fonte daquele cheiro irresistível. E depois, ouvi uma voz surpreendentemente familiar.
— Ei, podem me ajudar aqui? Acho que bebi um pouco mais do que devia e...
Me virei, quase não acreditando no que ouvia. Mas lá estava ele. Meio curvado, com sua jaqueta de couro no chão e sua cabeça apoiada na parede, de costas para mim. Meu coração teria falhado se ele já não estivesse parado. Até minha sede se acalmou e esqueci a fragrância que fazia minha boca salivar. Senti minha garganta ficar seca, e meus olhos arderem.
— Damon? — Tentei soar uníssona, mas minha voz falhou no fim.
Do canto do olho, vi Matt e Jeremy com as mesmas caras de surpresa que eu, mas me olhando algumas vezes esperando minha reação.
Damon se virou em minha direção e de repente seu rosto, que antes parecia embrigado e sonolento, se tornou ao mesmo tempo incrédulo e com expressões que indicavam que ele tentava processar o que via.
Uma bomba de emoções foi jogada bem em cima de mim. Não sei se era coisa de recém-vampira, ou se era só do momento mesmo. Mas na hora em que seus olhos azuis e perfeitos se focalizaram em mim, tudo o que eu conseguia ver era eles.
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