Notas iniciais
"O que me faz viver é ela. Se tudo o mais acabasse e ela permanecesse, eu continuaria a existir; e, se tudo o mais permanecesse e ela fosse aniquilada, eu não me sentiria mais parte do universo." Emily Brontë

*Damon*

Cada pensamento que eu tinha era sobre Elena. Minha mente estava totalmente tomada por ela. A sensação de seus lábios nos meus, sua pele, seu corpo, cada choque elétrico que seu toque me provocava. Eu podia ouvi-la do outro lado da parede, sugando o sangue da moça que eu a trouxe. Era quase inacreditável que ela estivesse tão próxima de mim depois de tanto tempo.

Depois de um tempo, eu a ouvi compelindo a mulher a esquecer tudo e ir se trocar. Eu me sentia quase orgulhoso. Ainda mais sabendo que eu havia sido quem a tinha ensinado. Parei de prestar atenção no que ela fazia e entrei em meus devaneios de novo.

Lavei meu cabelo e depois fiquei um tempo só deixando a água cair, de olhos fechados.

De repente, ouvi um barulho abafado, como se Elena estivesse arfando, e no mesmo segundo fiquei alerta, mas ainda assim não me mexi. Talvez não fosse nada. Depois, um silêncio.

Desliguei o chuveiro, procurando ouvir melhor, mas ainda assim não havia sinal de nada. Peguei uma toalha e a enrolei na cintura, saindo do box e logo indo para o quarto. Nenhum sinal de Elena.

— Elena? — Chamei. Comecei a ficar preocupado.

Coloquei uma roupa rapidamente e calcei sapatos, e logo saí para procurá-la. Rodei todo o andar e o lobby, e nada de encontrá-la. Até chequei o restaurante e a área da piscina. Quase desesperei, quando pensei numa hipótese óbvia. "Seu idiota! Por que você não pensou nisso antes?"

Voltei para o nosso andar, e ao invés de ir para o lado do corredor que levava para meu quarto, fui para o lado contrário, e deixei minha audição aguçada em alerta. Procurando por vozes conhecidas, finalmente ouvi a de Matt, e fui logo para a porta do quarto. Bati uma vez, duas vezes. Como eles demoraram, comecei a bater freneticamente — mais para irritá-los do que qualquer outra coisa — até Jeremy abrir.

— Pequeno Gilbert. Cadê sua irmã?

— Ela não está aqui. Achei que ela estivesse com você.

— Para de gracinha, eu sei que ela está ai dentro. — Passei por ele, já entrando. A única pessoa que vi foi Matt deitado assistindo tv. Quando ele viu meu rosto, logo a desligou e já se sentou.

— O que aconteceu? — Ele perguntou, preocupado.

— Elena não está aqui. Nem no meu quarto. Ela sumiu.

— O que você quer dizer com "ela sumiu"? — Jeremy intrometeu.

— Sumiu! Fora do mapa, não encontrada, sumiu!

— Quando?

— Agora, praticamente. Ela estava no quarto e num segundo não estava mais.

— Você não a viu sair, nem nada?

— Se eu tivesse visto não estaria aqui.

— A última vez o que ela estava fazendo?

— Bebendo café da manhã. — Jeremy arrepiou à minha fala.

— Ok, então. Vamos sair para procurá-la.

— Encontro vocês no lobby em dez minutos, preciso voltar no quarto para checar uma coisa.

Atravessei para o outro corredor do andar, abrindo a porta, com a esperança de encontrá-la ali, tomando um banho ou deitada na cama. Pensei em ligar para Stefan, mas ele só começaria a gritar e não ajudaria em nada. E eu também não o queria por perto, quando podia tê-la só para mim. Se eu a achasse.

Olhei em volta, e tudo parecia muito normal. Quase desesperei, porém, ouvi um barulho de um secador de cabelo ligando, e respirei aliviado. Encostei no batente da porta, e falei:

— Você nos assustou para caralho.

— Eu não sempre faço isso? — Ela se virou. No entanto, não era ela. Era Katherine.

— Katherine, o que você está fazendo aqui? — Me estressei, mas mais ainda com a possibilidade de não ter a mínima ideia de onde Elena estava.

— Esse quarto é meu também, lembra? Vocês fizeram uma bagunça e tanto aqui, imagino que não tenha sido só brigando. Teremos que dar uma gorjeta extra às camareiras para tirar todo esse sangue dos lençóis. Você pode falar que tirou a inocência da pobre Elena e que você era grande demais para uma virgem. — Ela riu. — E outra coisa, como você esqueceu de mencionar que sua amada se tornou uma de nós? Não gostei nada disso. Assim como não gostei dela ter usado minhas coisas. A não ser que você goste de sabonete de rosas e tenha sido você. E onde ela pôs meu shortinho de veludo? Ela não trouxe as próprias coisas, não é?

— Elena sumiu. — Eu disse, ignorando tudo mais que Katherine havia dito. Ela desligou o secador, e me olhou, surpresa, mas com um sorriso de canto.

— Uau! Ela te abandonou mais rápido do que eu esperava. — Revirei os olhos, começando a falar mais rápido. — Nunca imaginei que Elena Gilbert fosse dessas que caem fora antes do cara levantar. Tenho que admitir que estou impressionada. Positivamente.

— É sério, Katherine. Acho que alguém entrou aqui no quarto e a levou. Ela desapareceu do nada. E ela também não está no quarto com Jeremy, e em nenhuma outra parte do hotel.

— Damon, talvez ela só tenha saído pra fazer umas compras, sei lá. — Ela ligou o secador de novo. — Não devia se procupar tanto, vai ficar grisalho rápido. — Ela disse, rindo — Ou não.

Já com raiva e desespero, puxei o fio da tomada, e ela me encarou com uma falsa expressão de indignação.

— Ela não foi fazer porra de compras nenhuma, Katherine! O que você fez com ela?

— Eu?! Eu não fiz nada com seu brinquedinho, Damon. Se eu quisesse fazer, teria feito há muito tempo. Já não está na hora de você parar de desconfiar de mim? Estamos viajando juntos há muito tempo, e acho que já mereço sua confiança porque me comportei o tempo todo. Bem, quase o tempo todo, mas você entendeu. — Ela respondeu, na defensiva.

— Ok, ok. Eu sei que você não fez nada com ela. — Falei, saindo do banheiro e me sentando na borda da cama, e senti ela me seguindo. — Mas não consigo pensar em mais ninguém que iria sequestrá-la por algum motivo.

— Talvez tenha alguém. Você não sabe o que aconteceu desde que saiu de Mystic Falls. — Coloquei as mãos na cabeça, encarando o chão, tentando raciocinar.

Katherine foi em direção à sua mala, e começou a trocar de roupa. Foi quando se deu um clarão em minha mente. O carpete, perto da porta, estava respingado um pouco com sangue e um outro líquido que eu não identificava. Cheguei mais perto e me abaixei. O cheiro do fluído logo me fez engasgar, mas não era verbena.

— O que está fazendo ai? — Perguntou ela ao me ver abaixado no chão.

— Acho que sei com quem estamos lidando. — Ela se aproximou e se abaixou ao meu lado, colocando o dedo na mancha, e depois trazendo-o perto do nariz.

— Isso aqui é veneno de lobisomem. Ontem não foi lua cheia, só poderia ser um híbrido então.

— Não acho que seja um híbrido.

— Então, qu...?

Meu celular tocou no bolso da jaqueta, interrompendo sua fala. Ao olhar o identificador de chamadas, senti uma calma passar pelo meu corpo.

— Elena?! Onde você está? Estamos preoc...

— Damon. Damon, por favor. — Sua voz parecia distante e fraca, como se o celular dela estivesse no viva voz. De repente ela soltou um grito agudo e foi tirada da linha.

— Ei, Elena! O que está acontecendo?

— Acho que você me confundiu. Não é a Elena aqui mais. Não te vejo a muito tempo, Sr. Salvatore. — Rapidamente reconheci sua voz. Connor. — Se você a quiser de volta, me encontre na rua Sonnegan, número 43, um portão vermelho. Você tem cinco horas. Se não, você sabe o que acontece. — Como uma reafirmação, ele fez algo que a fez gritar de novo, logo então soltando um choro desesperado que era, para mim, uma tortura física de ouvir, e depois desligou.

Pelo como Katherine me olhava, eu devia estar com um rosto atônito. E era assim que eu me sentia, para falar a verdade. Não mexi nenhum dedo, mas ela se levantou, me puxando junto.

— Damon! Levanta. E aí? Não vai fazer nada?

— Claro que vou. Eu tenho qu...

— Não tem que fazer nada. Vai logo!

— Você vem?

Ela me encarou por alguns segundos, refletindo. Mas logo pegou seu casaco e saiu pela porta junto comigo.

Era como um pesadelo, ou um sonho que começa muito bom, e depois acaba, como se para te arruinar de vez. Tudo parecia uma piada de muito mal gosto. Quando eu finalmente conseguia tê-la, ela desaparecia. Seu grito ecoava em cada canto de meu pensamento, e seu choro despedaçava meu coração. Eu precisava trazê-la de volta, custe o que custasse.

Se acontecesse alguma coisa... Eu não conseguia nem pensar. Não conseguia imaginar um mundo sem Elena. Sem poder tocá-la de novo, ouvir sua voz ou sua risada exagerada. Eu me perderia completamente. Era algo que simplesmente não entrava na minha cabeça. Eu não conseguia suportar o pensamento de algo de ruim acontecer a ela. Meu desespero foi gradativamente se tornando em ira.

Notas finais
Troquei na citação "ele" por "ela", só pra encaixar um pouco mais na história. Mas o sentido é o mesmo. Estou desanimada pra escrever, vocês não deixam mais review poxa ):