One Last Chance
11 Playing Nancy Drew
Notas iniciais
*Damon*
"Eu tinha que ir embora. Disso eu tinha certeza. Que fosse hoje, ou daqui a cem anos, uma hora eu partiria. Que fosse por tédio, que fosse por ódio, que fosse por não aguentar mais ter que vê-la com meu irmão. Mas eu tinha que ir.
Lembro-me de que era isso que falava à mim mesmo antes de partir. E me lembrava à cada segundo em que eu arrumava minha mala e me dava vontade de colocar tudo de volta no lugar. Que um dia isso aconteceria, de qualquer jeito. E é melhor cortar o mal pela raíz. Acabar com isso tudo de uma vez antes que eu fosse permanentemente danificado. Eu não sou humano. Se eu chegasse à esse ponto, tempo nenhum me curaria.
Mas ao mesmo tempo, o outro de lado de mim pensava que talvez eu estivesse sendo radical. Que eu não precisava fazer isso tudo, e que, talvez — só talvez — alguém me precisasse por perto. Para cuidar das coisas, cuidar da cidade, controlar as situações. Talvez ela me precisasse por perto. Apesar disso, meu outro lado ganhou.
Eu a amava. E talvez essa era a única certeza que eu tinha naquele momento. Pensei em fazer de tudo. Até compeli-la a esquecer minha existência. Porque eu não posso ser egoísta com ela. Não posso simplesmente sair por aí, fazendo o que der na telha e nem me importar se isso vai afetá-la ou não. Porque qualquer coisa que doesse nela, doía trinta vezes mais em mim. E saber que eu mesmo causei a dor... Eu nem conseguia pensar. Mesmo depois de tê-la decepcionado tantas vezes.
O problema era: como se olha para a garota que você ama e fala à si mesmo que é hora de ir embora?
Todas aquelas perguntas estúpidas pareciam ter sumido naquele segundo em que a vi novamente. Como eu fui idiota! Eu não precisava ter ido embora, tudo que eu precisava era dela. Logo tirei esses pensamentos da cabeça para não aumentar minhas esperanças. Mas eu tinha que estar sonhando, não era possível."
(Meses antes)
*Elena*
Acordei bem tarde naquele dia. A enxaqueca não passava, e as luzes me cegavam — minha ressaca havia acabado com o meu dia: já passavam das três da tarde.
Eu sabia que todos deviam estar achando que eu havia ficado louca ontem — o que era meio verdade -, e, mais cedo ou mais tarde, eu teria que lidar com as consequências disso. Escolhi mais tarde.
Tomei um banho gelado, lavando meu cabelo, que cheirava a vodka e arrependimento, e meu rosto que parecia estar inchado de choro ainda. Me renovei depois de sentir a àgua relaxando todos meus músculos. Coloquei um shortinho branco largo de moletom e uma regata simples azul escura. Eu havia prometido Matt de ligá-lo assim que acordasse, e resolvi manter minha promessa.
— Oi, Matt. É Elena.
— Elena! Você quase me matou de susto ontem.
— Eu sei. Me desculpe.
— E você está bem agora?
— É, tomei um banho. Estou me sentindo bem melhor.
— Bom saber.
— Err... Matt... você ainda vai, você sabe, me ajudar? — perguntei com relutância.
Após fazer meu pedido a ele noite passada, mal havia terminado de falar e comecei a vomitar desparadamente. Matt teve que largar o expediente e ficar quase uma hora no banheiro comigo, me esperando me livrar de muitos litros de bebida. Então, como eu já esperava, ele não tinha levado meu pedido à sério.
— An?! Você não estava falando sério ontem, estava?
— Na verdade, estava.
— Você estava tão bêbada, e também estava gritando! Nem passou pela minha cabeça que você realmente queria dizer aquilo. — Fiquei calada, esperando ele falar mais alguma coisa. — Quero dizer, não que eu não te apoie, mas você não acha que vão achar estranho?
— Não importo com o que vão pensar. É o que eu quero. E, de qualquer jeito, depois de algumas coisas que eu fiz e falei ontem, não acho que vão ter muito o que reclamar.
— Ok, então. — Ele disse prontamente. Isso era o que eu adorava nele, além de sempre estar lá quando eu precisava, ele não questionava meus motivos. - Quando começamos?
— Que tal hoje?
— Saio do Grill às cinco hoje.
— Ótimo, eu passo aí e te busco. — eu estava prestes a desligar o celular de novo, quando ele falou:
— Mas... Elena, é para isso ser um segredo?
— Pelo menos por agora, sim.
— Ok então.
— Ah, e, Matt?
— Ainda estou aqui.
— Obrigada. Sério.
—Sempre que precisar, Elena. — então desligamos.
Fui ao quarto de Jeremy ver se ele estava lá, pois sabia que era seu dia de folga do trabalho. Ele estava sentado em sua cadeira, com as pernas esticadas e com os pés na escrivaninha. Ele ouvia música e mexia em seu ipod, portanto nem percebeu quando eu entrei. Sentei-me na borda de sua cama e puxei um de seus foninhos.
— Hey. — Falei calmamente, um pouco envergonhada.
— Elena! Nem te vi entrar. Quando você acordou?
— Tem uns vinte minutos.
— E você está bem? Quando Matt te trouxe carregada para casa ontem, fiquei preocupado.
— Estou ótima, bem melhor. — Abaixei minha cabeça e encarei o chão, calada, por um bom tempo — Me desculpe por ontem, Jer. Eu não devia ter feito aquilo. Não devia ter perdido a cabeça daquele jeito e saído sem dizer nada. Sei que você deve ter se preocupado.
— Você não imagina o quanto! — Ele disse, frustrado, e depois completou — Mas está tudo bem, Elena. Eu entendo. Por um lado até fico aliviado que você tirou esse peso que você vinha carregando. Quer dizer, não é como se eu não estivesse esperando para isso acontecer a qualquer hora, principalmente depois que ele foi embora. — Me reprimi depois da menção à ele — Mas só fiquei assustado com você reagindo daquele jeito.
— Me desculpe. — Senti minha voz falhar e uma lágrima se formar em meu olho. — É que... — E então Jeremy me abraçou.
— Eu sei, não precisa falar. — Deitei no ombro dele um pouco e deixei esvaziar tudo que tinha em meus olhos. O que não era muito considerando que eu estava praticamente desidratada depois da choradeira de ontem.
— Obrigada, Jer. — Disse, limpando meu rosto e dando um beijo em sua bochecha.
Levantei-me de sua cama e fui ao banheiro, passando um pouco de base no rosto e corretivo em minhas olheiras. Coloquei uma calça jeans e uma blusinha de manga comprida vermelha, com uma bota marrom de cano alto. "Estou saindo!" gritei para ele, pegando a chave do carro e descendo a escada de dois em dois degraus. Ao abrir a porta, dei de cara com Stefan, que estava com o braço esticado, prestes a tocar a campainha.
— Stefan! Você me assustou. — Realmente, eu estava assustada com sua presença ali. Será que alguém tinha comentado alguma coisa com ele? A última vez que havia o visto havia sido na fogueira, quando ele saiu para procurar Klaus.
— Bom dia. Estava indo à algum lugar?
— É, estava indo encontrar Matt.
— Fiquei sabendo de seu pequeno alvoroço na casa de Caroline ontem à noite. — Travei e depois engoli em seco — O que foi que te estressou assim a ponto de você ter que sair correndo de lá? Por que não me ligou? — Pude respirar novamente.
— Ah, não sei. Só não estava me sentindo bem, e alguém deve ter falado alguma coisa que me estressou. Não lembro direito. Vou ligar para Caroline e pedir desculpas.
— É, você devia. Ela parecia bem preocupada com você.
— É...
— Ah, é mesmo, você estava de saída. Eu ia ficar por perto com você aqui na sua casa, mas parece que não vai ser possível. — Ele me olhou, provavelmente esperando que eu falasse que ia cancelar meus planos com Matt, o que eu não fiz. — Mas enfim, passe lá na Mansão depois, então.
— Claro.
— Estarei te esperando, então. — Ele saiu, me deixando sozinha na varanda.
Entrei no carro e dirigi primeiro para o Grill, para ver se Matt já havia saído, pois era por volta das quatro e cinquenta. Estacionei em frente à pracinha e vi ele atendendo uma pessoa na parte de fora do bar. Ele me viu de longe e fez sinal para eu esperar um pouco. Ele sumiu lá para os fundos, e depois de alguns minutos, apareceu entrando no carro, já sem avental e com sua mochila nas costas.
— É, você parece bem melhor.
— Obrigada por cuidar de mim ontem.
— Não tem de quê. E, para onde estamos indo mesmo?
— Para a delegacia.
Liguei o carro e fomos direto para lá, onde ficamos esperando um tempo na sala de espera até que a Xerife Forbes nos atendeu em seu escritório.
— Elena, Matt, o que estão fazendo aqui?
— Eu preciso que você faça algumas coisas para mim, Xerife. Se não for incômodo, claro.
— E o que seriam essas coisas?
— Rastrear alguns números, de chamadas telefônicas, e também uso de cartões de crédito. E acho melhor acrescentar à lista ataques de animais notificados nas cidades, você sabe, por precaução.
— E por que você iria querer isso, posso perguntar?
— Damon. — Ela me encarou por alguns segundos. — Onde quer que ele esteja, quero encontrá-lo.
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