One Last Chance

12 Pack Your Bags


Notas iniciais
"Nada melhor que morrer de amor, e continuar vivendo." Mário Quintana

(Meses depois)

*Elena*

Eu não conseguia controlar minha raiva por Stefan. No começo, eu tinha achado que era uma coisa boa.

Quando Xerife Forbes me avisou de que Stefan tinha todos o registros de Damon que eles haviam conseguido, primeiro, fiquei surpresa. Não por ele estar procurando o irmão, mas por não ter me contado. Achei que ele queria fazer uma surpresa ou algo do tipo. Mas ainda sim, fui na mansão tirar satisfação.

— Tenho que te perguntar uma coisa. — Falei, já entrando na casa, assim que ele abriu a porta.

— Ok... Oi para você também.

— Por que você anda me escondendo que está tentando rastrear Damon? — Ele ficou parado, não sei se por falta de reação ou por estar escolhendo as palavras. Quando começou a demorar demais, eu falei — Stefan? Estou falando com você.

— É, eu sei. — Ele olhou para o chão — Eu ia te falar.

— Mas não me falou porque...?

— Porque eu não achei uma boa ideia. Ia aumentar suas esperanças — Eu ia começar a falar, mas ele me interrrompeu. – E, no final, acabei desistindo.

— De me contar?

— Não. De rastreá-lo. — Ele respondeu e, depois, saiu andando, me dando as costas e parando em frente a lareira, olhando o fogo queimando. Fiquei confusa. Primeiro, ele parecia determinado a encontrar o irmão, pois tinha procurado a xerife e tinha todos registros dele, assim como eu havia feito. Mas agora ele me fala que tinha desistido?

— An? Por que você faria isso?

— Eu não tenho mesmo que te explicar, tenho? Ele partindo... Talvez seja para melhor mesmo.

As palavras que saíam da boca dele não faziam sentido, até eu entendê-las.

— O quê?! Stefan, você não pode estar falando sério! Por favor, me diga que eu entendi errado.

— Acho que você entendeu absolutamente certo... considerando o jeito que você reagiu. — Ele falou essa última frase mais baixo, quase para si mesmo.

— Stefan! Eu não acredito nisso. Damon é seu irmão! Se fosse você no lugar dele, ele faria de tudo para te trazer de volta! Ou melhor, fez, já que tudo que ele fazia quando você estava sumido e em sabe-se lá onde com o Klaus era te procurar.

— Não tenho tanta certeza disso. Ele esperou a primeira chance que teve para aproveitar e fazer você pular nos braços dele.

— Você é inacreditável! — Eu, literalmente, não conseguia acreditar no que ele falava. Stefan não era assim! — Não consigo digerir a ideia de que você não quer trazer seu irmão de volta por causa de mim, ou qualquer sentimento que ele tenha por mim!

— Qualquer sentimento que ele tenha por você, ou que você tenha por ele? — Ele falou, pela primeira vez me encarando. Paralizei por um momento, mas logo me recuperei.

— Você é um idiota! — Cuspi as palavras para fora de mim como se fossem veneno, que foram muito leves comparadas à raiva que eu sentia. Dei as costas à ele e saí pela porta principal, batendo-a com a maior força vampírica possível sem quebrá-la depois de passar.

Desde esse acontecimento, as coisas entre mim e Stefan não estavam indo muito bem. Nas primeiras semanas, mal nos olhávamos. Ou pelo menos, eu não conseguia olhar para ele. Depois de algum tempo, eu conseguia ficar no mesmo cômodo com ele, desde que não estivesse sozinha. A questão era: não estávamos em boa situação.

Meu ódio pelo que ele falou e fez apenas cresceu, à medida que ficava mais difícil encontrar Damon. Ficava cada vez mais complicado acompanhar seu ritmo de mudança de cidades, e não dava para saber se era ele mesmo. Ele podia muito bem ter trocado de celular e cartão.

O maior tempo que ele ficou em algum lugar que foi registrado foi em Chicago. E depois disso, ele simplesmente sumiu do mapa. Encontramos algumas outras indicações de compras que ele fez em pequenas cidades. Mas nenhum sinal de ligação ou qualquer outra coisa. E eu estava com medo de ele ficar cada vez mais longe. Cada vez mais difícil de alcançar. Que ele resolvesse sair do país ou coisa do tipo.

O tempo estava acabando, e eu precisava agir mais rápido. O que complicava as coisas é que ninguém sabia o que eu e Matt estávamos fazendo. E eu preferia deixar daquele jeito depois da reação de Stefan. Não comentamos mais sobre isso, então eu não fazia ideia se ele sabia que eu continuava procurando ou se tinha desistido naquela hora.

Tudo que conseguimos reunir de pistas era colado num quadro na parede do antigo apartamento de Alaric. Como Damon era o único que ia lá depois de sua morte, obviamente ficava vazio o tempo todo, e nem passava pela cabeça de ninguém ir lá. No final de dois meses, o quadro estava todo tampado, mas com nada que verdadeiramente nos ajudava.

Dias, meses, se passaram sem notícias relevantes ou que nos desse uma pista concreta de onde ele estava. Eu ficava cada vez mais nervosa e menos esperançosa, mas não desistia. Fiquei surpresa que Matt não desistia de mim. Era cansativo. Nós achávamos alguma coisa, e, no segundo seguinte, tudo já havia mudado. Até uma ligação, quase três meses depois. O celular tocou, e eu atendi meio entorpecida, pois era por volta das sete da manhã e eu havia passado a noite no sofá da sala de Alaric, e Matt na poltrona.

— Ah-alô?

— Elena? É a Xerife Forbes.

— Ah, oi! Sim, é Elena. — Me despertei assim que percebi quem era.

— Acho que tenho boas notícias.

— Sério? O que é?!

— Foi registrada na conta bancária de Damon uma compra de passagem para Little Rock, e o avião partiria ontem à noite, e chegaria hoje oito da manhã. Tudo indica que ele embarcou. - Eu parei de respirar por um segundo. Isso fez as coisas tão mais fáceis! Ele sempre viajava de carro, o que dificultava rastreá-lo. Uma semente de esperança brotou em mim, depois de muito tempo. — E, Elena?

— Sim, Xerife? — Eu não conseguia controlar minha felicidade, e provavelmente estava com um sorriso gigante estampado no rosto.

— Se eu fosse você e quisesse realmente encontrá-lo, essa pode ser sua única chance. Como ele têm sido muito inconstante e mudado muito de localização, essa é a melhor pista que tivemos até agora.

— O que quer dizer com isso?

— Quero dizer que, se quiser realmente encontrá-lo, compre uma passagem para Little Rock agora. - Fiquei em silêncio por um tempo, cogitando o que falaria aos outros, mas já aceitando a ideia totalmente. — O hotel dele é o The Capital Hotel.

— Obrigada, Xerife! — Desliguei o celular e sacudi Matt até acordá-lo.

— Matt! Matt! Encontramos Damon!

— O quê? Quando? Como? — Ele perguntou desorientado.

— Ele está em Little Rock! Arrume suas malas. Já vou comprar nossas passagens.

— Graças a Deus. Já estava ficando esquisito o quanto eu sonhava com esse cara.