One Last Chance

21 Maybe Killing Drives You Crazy


Notas iniciais
"Às vezes, você descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se." Tati Bernardi

*Elena*

Eu e Damon ficamos deitados um bom tempo, apenas conversando e, algumas vezes, nos beijando. Ele não tirava suas mãos de meu rosto, de meus cabelos. E não parava de me tocar, e eu estava adorando toda a atenção que ele me dava. Vou confessar que queria que algo mais tivesse acontecido antes de sermos interrompidos por Stefan, mas tenho que admitir, eu estava ainda muito fraca e isso era comprovado pelas repressões delicadas de Damon quando eu me empolgava demais.

Uma última vez, eu tentei. Deitei-me em cima dele e fui lentamente desabotoando sua camisa, o que ele não fez objeção. Beijei seu peito nu e fui subindo até sua boca, que me correspondia, mas bem reprimida e cuidadosamente. Subi meus lábios até o lóbulo de sua orelha e depois desci para seu pescoço. Ele não me parava, mas também não fazia nada em resposta, e então por fim suspirei e saí de cima dele, caindo ao seu lado, de face para o teto.

— Desisto. — Bufei.

— Achei que nunca iria. — Ele riu. Olhei para ele, acusadora, porém ele continuou a rir e então fiz cara de brava. — Ok, parei. Me desculpe, mas é que acho uma graça você assim. Você sabe que agora não dá. Você ainda está branca, Elena. Guarde essa energia, você precisa dela pra me acompanhar.

Peguei um travesseiro e enterrei no meu rosto, dando alguns gritinhos de raiva. Ele tentava tirá-lo de mim, mas eu não deixava. Até que enfim, ele apenas abaixou-o, tirando-o da minha cara.

— Não faça isso. Fiquei muito tempo sem te ver para você ficar se escondendo. — Não pude impedir que um pequeno sorriso brotasse nos cantos de meus lábios, me dando por vencida. Ele sorriu de volta, me puxando para mais perto e espalhando beijos por todo canto.

E então, um estrondo na porta nos assustou e ambos travamos. Ele se passou na minha frente, em uma posição protetora. Nos encaramos, esperando que algo acontecesse.

— Damon?! Por favor, abra aqui, é a Katherine.

— Por que... — Ele não terminou de falar, e foi se levantando lentamente, receoso. — Fique aqui. — Ele se virou para me falar. — Katherine? O que aconteceu?

— Abra rápido! Por favor! — Ela tinha uma voz desesperada, quase como se estivesse com medo.

— Estou indo. — Ele murmurou, abrindo a porta cautelosamente.

Katherine entrou como um furação, parando do outro lado do quarto, de costas para a parede em uma posição defensiva.

— Ei, o que é?! — Damon perguntou, preocupado, olhando uma segunda vez o corredor para ver se não havia nada.

— Tem algo acontecendo comigo. — Ela falou, desmoronando no chão. Sentou-se encolhida e colocou o rosto nos joelhos. E então, vi algo que pensei que nunca veria na vida. Katherine Pierce levantou o rosto encharcado de lágrimas. — Acho que estou ficando maluca.

Eu ainda estava sentada na cama, olhando atônita sua figura recolhida. Damon teve a mesma reação.

— Desde que... — Ela soluçava — Desde que matei Connor, não paro de ver coisas horríveis. Ele anda me perseguindo. Ele, Klaus, Trevor, Rose e meus pais. Todos eles. A cada segundo, eles me seguem e me deixam assustada ou esfregam que suas mortes são todas minha culpa. Querem que eu me mate.

Fiquei ainda mais surpresa com sua fala. Katherine parecia incomumente frágil e indefesa. Por mais que eu não quisesse, senti pena e vontade de confortá-la. Mas como? Tudo que ela havia falado sobre a morte dessas pessoas era verdade. Eram todas culpa dela. Culpa de seu egoísmo e excesso de amor próprio. Mas ainda assim, não consegui não sentir pena.

Tudo isso era muito estranho. Alucinações? Desde quando um vampiro assassino é condenado por suas matanças? Desde nunca. Como Damon mesmo falou, é da nossa natureza e instinto matar. Se a cada vez que um vampiro matasse ele alucinasse, estaríamos todos doidos. A diferença era que Connor não era um humano comum. Ele era um Caçador, criado por uma bruxa para nos aniquilar. É claro que haveria algum tipo de consequência para um vampiro que ousasse acabar com sua vida.

Como Damon nem se mexeu — ele provavelmente estava em choque -, agi contra meu consciente, que me dizia para simplesmente deixá-la sofrer as consequências de suas ações. Tirei o cobertor de meus pés, me levantando da cama e caminhando na direção de Katherine. Ele me observava atentamente, mas sem tirar os olhos de cada movimento dela. Ela, que antes tinha o rosto enterrado, foi erguendo-o lentamente, provavelmente se perguntando e estranhando minha aproximação.

Abaixei-me à frente dela, e ela simplesmente me encarava, confusa. Segurei cada um de seus braços e puxei-a para cima, fazendo com que ela se levantasse comigo. Limpei suas lágrimas com a manga do moletom e a guiei até a cama, fazendo com que ela se sentasse. Ela ainda me fitava como se eu fosse de outro mundo. Virei-me para Damon, que me encarava atônito:

— Busque uma bolsa de sangue para ela. — Pedi gentilmente. Ele pareceu sair de um estado de transe e foi ao closet buscar. Me entregou e eu a abri, dando para Katherine, que tinha o cabelo todo emaranhado e a maquiagem toda borrada. Ela parecia tão fora de si e seu olhar parecia tão distante agora que nem comentou e nem me impediu de fazer nada que eu estava fazendo.

Prendi seu cabelo num rabo de cavalo mal feito e limpei seu rosto e seu lápis e rímel borrados com algodão. Assim que ela terminou de beber todo o sangue, peguei a bolsa vazia e fui jogar no lixo. Cheguei no quarto de novo e vi Damon tentando conversar com ela, sem ter nenhuma resposta. Ele então, por fim, deitou-a e cobriu-a, depois virando-se para mim com um sorriso que eu não conseguia decifrar. Olhei com pena para Katherine e ele perguntou:

— O que você acha que aconteceu com ela?

Notas finais
Pra quem não lembra, Trevor era o amigo da Rose que o Elijah matou, lembram? Apesar de continuar com as alucinações que tinham no plot na série mesmo, não vou criar Jeremy como um caçador.