One Last Chance
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Notas iniciais
*Elena*
Damon havia saído em busca da ajuda de uma tal bruxa amiga de Katherine que se chamava Alicia. Eu não queria deixá-lo ir sozinho, mas também não tinha ideia de onde procurá-la, e alguém precisava ficar com Katherine.
— Tem certeza que você vai ficar bem? — Perguntei pela milésima vez à ela, já parada em frente à porta com a mão na maçaneta.
— Vou ficar bem, Elena, não preciso de babá.
— Vou levar só alguns minutos. — Saí, ainda relutante em deixá-la, em direção ao quarto de Jeremy.
Bati duas vezes na porta, que foi aberta prontamente por Matt.
— Elena! Como você está?
— Bem melhor, Matt, obrigada.
— Entra. — Ele me convidou, abrindo o caminho para eu passar.
Senti braços fortes passando ao meu redor e nem tive tempo para perceber de quem eram. Senti o cheiro do cabelo e logo vi que era Jeremy.
— Você está bem? Eu estava tão preocupado! — Ele se afastou um pouco, olhando meu rosto pela primeira vez. — Damon cuidou bem de você? Ainda está um pouco pálida, tem certeza de que não quer se sentar?
— Estou bem, Jeremy, sério. Só vim avisar vocês. Damon cuidou de mim muito bem. — Sorri, um pouco tímida.
— Cadê ele?
— Ele foi procurar uma bruxa amiga de Katherine. Ela está com... problemas. Está alucinando e fazendo coisas sem sentido desde que matou Connor.
— Como assim?
— Não sabemos ainda. Mas como ele era um Caçador dos Cinco, deve ter algo haver com algum feitiço. Tenho que voltar já para ver como ela está.
— Você não vai ficar sozinha com ela lá. Estou indo também.
— Não, Jeremy, está tudo bem. É melhor só eu ficar com ela. Você é humano, e ela meio que não está muito sob controle. Fique aqui, se eu precisar de alguma coisa eu chamo vocês.
Ele pareceu que ia retrucar ou insistir, mas acabou aceitando. Sorri para ele e voltei-me para a porta, quando ele me chamou de novo.
— Elena!
— Oi?
— E... Como estão as coisas com você e Damon? Quero dizer, você já tem ideia do que vai fazer?
— Estão ótimas, Jer. Mas ainda tenho que conversar com ele direito sobre o que vamos fazer de agora em diante.
Passei pela porta, fechando-a e voltando para o quarto, onde, antes de entrar, ouvi um barulho muito alto de algo caindo.
*Katherine*
Elena saiu do quarto e eu revirei os olhos, pensando em como aquela garota era humana. Nenhuma quantidade de sangue vampírico a fez menos patética. Ela me odeia, não precisa ficar fingindo que se importa para parecer uma boa menina.
Tirei meu sapatos, jogando-os num canto qualquer e depois minha roupa, colocando o roupão do hotel. Remexi a mala de Damon em busca de algumas bolsas de sangue, mas acabei achando algumas enroladas nas toalhas no closet. Abri uma e comecei a bebê-la com vontade, até que comecei a rejeitá-la e o quarto começou a girar. Tombei para o lado, apoiando na parede e derramando sangue por todo o roupão branco. Larguei a bolsa no chão e tentei focalizar algum ponto no horizonte para que eu pudesse pelo menos chegar à cama.
Era tudo muito estranho. Alguns flashes passavam pela minha mente enquanto o quarto trocava de cores o tempo todo. Eu ouvia um zumbido irritante ao fundo do ambiente mas só depois percebi que ele só existia na minha cabeça. De repente, eu comecei a ouvir algumas risadas e algumas vozes conhecidas.
— Não se lembra, Stefan? Sem regras. — Eu ria e corria dele ao mesmo tempo.
Entrei num jardim de labirinto, com trepadeiras tampando todas paredes à vista. Eu levantava meu vestido longo e rendado para não tropeçar em sua barra, e via meus cachos soltos voando com o vento. A sensação era boa. Eu ri um pouco mais alto e exclamei:
— Se você demorar muito não vai mais me achar!
Senti os corredores começarem a se fechar em minha direção e parei de rir na hora, parando onde eu estava. Quando olhei para trás, o caminho de volta não estava mais lá, apenas um mato muito alto que parecia não ter fim.
— Stefan? — Perguntei, sem ter resposta alguma.
Comecei a correr de novo, esperando o fim do corredor do jardim chegar, mas ele só parecia mais longe e mais estreito. Quando, por fim, cheguei ao final, havia uma fonte enorme no meio de um campo aberto. Ouvia-se alguns passarinhos e uma música tocando. Procurei a origem do som que eu ouvia, e ao contornar a fonte, encontrei um piano branco com um homem de terno de costas tocando-o. O homem parou e virou-se sorrindo para mim.
— Achei que nunca chegaria. — Damon falou delicadamente. Eu sorri de volta, finalmente encontrando alívio ao ver um rosto conhecido. Até perceber que ele não olhava para mim. Olhei para trás, procurando ver com quem ele falava.
Elena caminhava em sua direção, com um vestido solto, curto e branco e descalça. Ela carregava duas taças de sangue que parecia fresco e sorria de volta para Damon. Ela passou por mim como se nem tivesse me visto e sentou-se ao lado dele no banco, colocando as taças em cima do piano. Ele começou a tocar de novo e ela sem hesitar cravou os dentes em seu pescoço. Nem assim a melodia falhou.
Quando decidi que iria sair dali, senti seus olhos em mim por cima do ombro de Damon. Ela me deu um olhar cínico e parecia sorrir mesmo com os lábios encostados na pele dele. Ela se afastou por um segundo e fez apenas gestos com a boca:
— Você perdeu. No seu próprio jogo. — Ela deu uma risadinha e puxou Damon para um beijo.
E de repente, a risada que eu ouvi não era mais dela. Era bem mais grossa e debochada.
— Dói se sentir substituível, não é mesmo? — Me virei e vi Connor me encarando, parecendo gostar da situação. Ele usava uma roupa encharcada de sangue, principalmente em seu peito, onde mal conseguia-se enxergar o branco de sua blusa. Instintivamente dei um passo para trás.
— Não ligo para isso.
— Duvido! — Ele gargalhou. — Essa cena toda foi sua mente que criou, então algo me diz que você se importa sim. Mas quer saber? Eu é quem não ligo. Estou aqui só para me divertir um pouco. — Ele abriu os braços fazendo menção ao jardim ao nosso redor, que depois, num segundo, não estava mais lá. Estávamos no galpão onde eu havia o matado. Ele esperou por minha reação, que não veio, e então continuou: — Aposto que você adorou ter me matado, não é? Uma vampira da sua idade não deve mais sentir remorso com isso. Na verdade, no seu caso, acho que nem quando você era humana você sentiria alguma culpa por isso. — Continuei calada, sem encará-lo nos olhos — Você me dá nojo.
Ele veio em minha direção enfiando uma adaga em meu estômago, e eu caí para trás, gemendo de dor. Bati minha cabeça forte em algo que não consegui identificar o que era.
Como se eu tivesse trocado de canal de televisão, me vi no quarto do hotel de novo. Estava deitada no chão, apoiando a cabeça na cama.
O que estava acontecendo comigo? O flashback que eu havia acabado de ver fora muito mais que real. Era uma mistura de lembranças antigas, criadas ou distorcidas num pesadelo horrível. Eu me lembrava de ter brincado com Stefan, e até mesmo do jardim. Eu me lembrava de Damon tocando piano para mim, e até de sua melodia. E eu também me lembrava da fonte, que ficava na antiga casa dos Salvatore. Mas todo o resto era algo criado pela minha mente, que não fazia sentido algum.
Percebi que os flashbacks estavam tentando entrar na minha cabeça de novo, e tentei ao máximo me prender à realidade. Tudo ficou mais confuso ainda. Parecia que tudo estava acontecendo ali, no meio do quarto, na minha frente.
Havia um barulho de um rio correndo em algum lugar muito perto. Connor estava sentado na poltrona, apenas me encarando e rindo.
— Sua vadiazinha. Você se acha muito esperta, não é?
Coloquei as mãos no rosto, tentando ficar no controle de meus pensamentos de novo. Levantei-me e ao me apoiar numa cômoda, deixei um enorme abajur cair. Como ele estava ligado, sua luz me cegou por alguns segundos, até eu ouvir o barulho de uma porta se abrir e eu tentar olhar para identificar quem era.
Elena entrou no quarto, hesitante, analisando tudo ao redor. Em um segundo, ela usava roupas normais, e no outro, o vestido branco de meu sonho, só que dessa vez, encharcado de sangue. Sangue humano. Eu conseguia sentir o cheiro. Ela era humana. Sem pensar, corri em sua direção, jogando-a contra a parede e cravando meus dentes em seu pescoço.
— Katherine! Katherine, sou eu, Elena! E eu não sou humana!
Não parei por um bom tempo, mas quando comecei a refletir sobre o que ela havia falado, por um segundo, senti o gosto de seu sangue. Me afastei dela alguns passos, encarando o chão, perdida. Levantei o rosto e a vi com uma mão em seu pescoço e outra em minha direção, como para me acalmar — ou me conter.
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