One Last Chance
36 Makeup Game
*Damon*
Acordei com o barulho de um celular vibrando levemente abafado por algo. Percebendo que ele estava longe, simplesmente ignorei e afundei meu nariz novamente nos cabelos de Elena, que deitava em meu peito dormindo tranquilamente, sentindo seu cheiro característico inebriante. Ela suspirou e eu travei e parei de me mexer, sem querer acordá-la. Ela dormia tão lindamente que eu não conseguia parar de observá-la.
Estou pensando seriamente que estou virando um daqueles clichês apaixonados de livros do Nicholas Sparks. Tenho que aprender a controlar melhor meus pensamentos.
Passei alguns minutos apenas acariciando seus cabelos, esperando que ela acordasse. O que, mesmo depois de meia hora, não aconteceu. O relógio marcava quase meio dia e os raios solares que entravam pelas frestas da cortina se tornavam cada vez mais intensos.
— Elena. — Sussurrei suavemente em seu ouvido. Ela apenas se remexeu, soltando um grunhido, mas não despertou. — Elena, meu amor, já passou da hora de acordar. — Nem se mexeu dessa vez.
Tentei sacudi-la um pouco, toquei seu rosto, seus cabelos, até tentei fazer algumas cócegas de leve em sua cintura, mas nada a fez acordar. – Elena, temos que acordar. — Eu disse, a puxando um pouco mais fortemente, e dessa vez ela grunhiu um quase "não". Tirei a coberta de cima de seu corpo e ela apenas se encolheu um pouco. — Será que eu vou ter que te torturar até você levantar, Elena? — Ela nem mesmo respondeu, somente se soltou de mim e se virou de costas. — Ok, você pediu.
Abracei ela, afundando meu rosto em seus cabelos e depois em seu pescoço, deixando um rastro de beijos molhados e mordidas de leve, passando a mão por seu corpo, abraçando sua cintura. Ouvi ela dar alguns suspiros e sua respiração se acelerou um pouco, mas ela não se mexeu. Bem, plano B.
Segui meus lábios até o lóbulo de sua orelha, dando leves chupões e percorri minhas mãos por sua barriga, por cima de sua camisola minúscula vermelha de seda, descendo para seu bumbum e dando leves apertos, para os qual suas reações foram um pouco mais intensas. Sem deixar brechas, segui meus dedos para a parte interna de sua coxa, e agora percebi que ela havia aberto os olhos um tanto surpresa. Ainda sonolenta e teimosa para não se levantar, mas sem nenhuma objeção. Seu olhar se cravou na parede e não me encarou. Só me restava terminar o trabalho.
Desci minha mão para sua intimidade, e como ela não usava calcinha, logo friccionei sem dó meus dedos contra seu clitóris, e um primeiro som saiu de sua boca. Um gemido meio abafado, mas ainda assim, um gemido. Eu fazia movimentos circulares fortes e incessáveis, e então ela perdeu o rumo. Sua respiração estava alta, e logo seu quadril rebolava de encontro com meus dedos. Enfiei-lhe dois e ela gritou baixinho, tentando se controlar. Eu fazia com que eles entrassem e saíssem numa velocidade bem rápida, e ela gemia enlouquecida. Isso sim era jeito de se acordar. Eu tentava atingir seu fundo e voltar, ao mesmo tempo que a palma de minha mão esfregava seu clitóris com um pouco de força.
Elena se retorcia na cama, já suada e sem me olhar ainda. Retirei os dedos e a virei de costas para o colchão, rapidamente levantando sua camisola até a altura de seu umbigo, deixando beijos molhados na região, e ela, prevendo o que eu faria, suspirou alto e afundou a cabeça no travesseiro, agarrando aos lençóis de uma forma um tanto desesperada. Arrastei minha língua até sua virilha e mais abaixo, fazendo leves sucções em seu clitóris e também algumas mordidinhas que a levavam à loucura. Minha língua atingiu seu ponto sensível, e seu quadril se moveu rápido de encontro com meu rosto. Tentando controlar a situação, segurei seu quadril, fazendo com que ela ficasse quieta enquanto eu trabalhava em sua região quente e já totalmente molhada. Penetrei-a e fiz movimentos circulares, lambendo e mordendo, deixando-a totalmente entregue. Ela colocou as mãos por cima das minhas, tentando se livrar de meu aperto forte que a impedia de se mover. Não deixei e apenas fui melhorando e acelerando os movimentos. Era incrível como me excitava apenas de vê-la excitada. Meu membro já estava totalmente rígido e prestes a explodir dentro da minha cueca.
— Aaah, Damon. — Ela finalmente balbuciou. — Cristo! Me deixe me mover! Você... Ah. Oh meu De... Eu... Mmm, oh. Ah. — Ela gemia e gritava incoerentemente. Sorte que estávamos sozinhos em casa e não tínhamos vizinhos.
Sem nenhum aviso prévio, ela puxou meus cabelos, me trazendo para cima de seu corpo e prontamente me girando e se sentando em cima de mim com sua velocidade vampírica. Não consegui me controlar ao senti-la em meu colo, e dei um gemido vergonhosamente alto. Ela sorriu vitoriosa, percebendo que não era a única totalmente já fora de controle. Elena se livrou de minha calça e minha cueca de uma vez só e se sentou em meu membro, fazendo-me penetrá-la. Nós dois arfamos com o contato. Ela já estava desesperada. Com as mãos uma de cada lado da minha cabeça, ela começou a cavalgar em cima de mim, quase pulando, um desespero e uma pressa evidentes. Seus olhos estavam fechados e apertados, e nós dois gemíamos loucamente. Ela me deixava louco. Ela fazia tudo com tanta força que eu atingia seu fundo e ela se levantava, me fazendo sair de dentro dela quase totalmente, para depois se sentar novamente com mais intensidade e mais velocidade. Elena parecia um animal selvagem na cama. Ela abriu os olhos, numa súplica.
— Me toque. — Ela pediu, a voz entrecortada.
— O qu... — Quase perguntei, mas então entendi. Levantei sua camisola, e ela parou por alguns segundos, me ajudando a tirá-la. Começou a espalmar meu peito e abdômem, e eu rapidamente atendi seu pedido. Subi minhas mãos para seus seios, apertando-os e massageando-os, enquanto ela rebolava ainda mais rápido contra mim. Coloquei seus mamilos enrijecidos entre meus dedos e fiz movimentos circulares, mas parei quando vi uma lágrima cair de seu olho.
— Elena? O que foi? Eu te machuquei? — Me desesperei.
— O que? Não! — Ela quase gritou. — Não pare. — Atendi à seu pedido, assustado. Ela parou de cavalgar em cima de mim, e eu a encarei, um pouco decepcionado. Eu estava quase chegando ao meu ápice, e ela também. — Vamos fazer algo novo.
Ela se desencaixou de mim e me puxou pela mão, me fazendo sentar na cama. Ela se ajoelhou e me guiou, me fazendo sinal para ajoelhar também. Eu não estava entendendo o que ela queria. Eu não conseguia pensar coerentemente, meus pensamentos estavam todos na minha cabeça de baixo e em seu corpo nu diante de mim. Ela se virou de costas para mim, abrindo e colocando suas pernas uma de cada lado de meus joelhos.
Entendendo que ela queria, sorri presunçoso. Abracei seu corpo e me posicionei em sua entrada, penetrando-lhe intensamente e continuando o trabalho que ela tinha começado.
— Oh, meu Deus. — Elena exclamou.
Ela rebolava contra mim, e eu em troca estocava fortemente contra ela. Estávamos ambos loucos de prazer. Nosso suor se misturava e nós nos mexíamos rapidamente. Ela se abaixou, sentando-se novamente em meu colo e pulando e se remexendo contra meu membro. Subi minhas mãos para seus seios novamente, massageando-os com mais força e desespero. Eles pulavam sob minhas mãos por causa de nossos movimentos, e isso só me deixava mais excitado. Desci minha mão até seu umbigo e depois seu clitóris, esfregando-o fortemente em movimentos circulares enquanto estocávamos um contra o outro.
— Aaaah, Damon. Eu estou tão próxima.
— Eu também, Lena... Meu Deus. Isso é...
— Enlouquecedor! Aaah. — Ela grunhiu, rebolando ainda mais.
— Eu sei. Você me deixa louco, Elena. Aaaah...
Empurrei-a para a cama, fazendo ela ficar deitada de costas, e continuei penetrando-lhe rápida e incessávelmente. Gritávamos feito loucos. Empurrei-me até seu fundo várias vezes e ela se remexia e se contorcia e rebolava contra mim, totalmente fora de controle. Sua boca se abria e fechava várias vezes, seus olhos apertados. Estoquei várias vezes, intensamente, num vai-e-vem maluco e incessável. Sentindo que meu clímax já estava chegando, e pelo modo como o ventre de Elena se contraía, que o dela também. Subi minhas mãos novamente para seus seios, apertando-os mais uma vez com força. Ela gritou.
— DAMON. CRISTO. EU NÃO VOU AGUENTAR.
Continuei nas estocadas aceleradas até que nossos líquidos se misturaram dentro dela. Ela continuou rebolando contra mim, a sensação pós orgasmo nos atingindo em cheio.
— Aaaah. — Ela gemeu.
Não querendo que ela sentisse meu peso, me joguei ao seu lado. Nossas respirações estavam totalmente descompassadas e aceleradas. Seus olhos estavam fechados e depois de alguns minutos, ela me encarou.
— O que você pensa que está fazendo? — Ela perguntou. Parecia um pouco... brava?
— O que?
— Me acordando desse jeito? Você quer que eu morra?
— Elena, não fale isso. — Falei, sério.
— Mas é verdade. Você ainda vai me matar, Damon Salvatore. — Suspirei, derrotado. Mas então sorri um pouco irônico.
— Não me diga que não gostou, Elena. Você ficou enlouquecida. Parecia uma leoa no cio. — Ops, acho que não devia ter falado isso.
— O quê? Eu que te abusei enquanto você dormia, não é mesmo, Damon? Por mim, quem está no cio aqui é você.
— Machos não tem cio. — Declarei.
— Você me entendeu perfeitamente! — Ela exclamou, irritada.
Elena deitou-se virada para o teto agora, ainda tentando controlar sua respiração. Me aproximei dela e a abracei.
— Me desculpe, prometo nunca mais fazer isso. — Ela me olhou, surpresa e um tanto chocada com minha declaração. Eu tentei controlar meu riso.
— Não... eu não quis dizer... — Eu sorri, vitorioso.
— Você gostou, Lena. Pare de se fazer de difícil, você já me tem inteiro. — Ela me olhou, ainda um pouco nervosa, mas depois revirou os olhos e eu percebi que tinha ganhado. Soltei uma gargalhada e ela continuou calada. — O que foi? — Falei entre risos. — Por que está vermelha?
— Não estou vermelha.
— Está sim. Parecendo um pimentão. — Ela me deu um tapa no braço.
— Não estou, não.
— Ok, ok. — Falei, mas continuei rindo.
— O que é tão engraçado?
— Nada, nada.
Elena se levantou, se dirigindo ao banheiro. Eu rapidamente a segui. Ela prendeu seu cabelo num coque mal-arrumado e foi até o chuveiro, ligando-o e entrando debaixo da água.
— Me desculpe, não quis rir de você.
— Não, tudo bem. Pode rir do fato que eu sou uma recém-vampira com zero à nada de controle sobre seu libido furioso. É hilário mesmo. — Ela murmurou, frustrada.
— O... o que? — Perguntei, incrédulo, mas controlando para não rir mais.
— Você entendeu. Desde que me tornei vampira é... é tudo tão ampliado.
— O que você quer dizer com isso?
— Parece que eu... — Ela suspirou, constrangida. — Eu estou excitada o tempo todo! E meu Deus, como é difícil... Eu... tenho sonhos muito estranhos e eróticos. Bom, pelo menos antes de nós dois nos encontrarmos. E isso tudo é muito constrangedor. — Ela murmurou, virando-se para a parede.
— Nossa, Elena, Stefan não te supriu nos meses que eu estava longe, não? — Brinquei. Ela ficou calada por um tempo.
— Você sabe que não, Damon. — Abri a boca, totalmente surpreso.
— Quer dizer que vocês... vocês não...
— Não, Damon. — Ela me cortou, e eu não falei mais nada. — Você foi meu primeiro como vampira. É tudo muito diferente e... intenso. — Ela murmurou, agora virando-se para mim.
Não consegui descrever o que eu sentia. Parecia um pouco... honrado? Talvez feliz. Fui o primeiro sexo dela. Bom, pelo menos de sua nova vida. Não querendo deixá-la mais constrangida, simplesmente sorri.
— Bem, prometo nunca mais te deixar tão necessitada assim. — Eu ri, e ela riu junto, um pouco sem graça, jogando uma toalha em mim.
Aquela imagem era divina. Quando eu iria imaginar que eu, Damon Salvatore, estaria assistindo Elena Gilbert conversando comigo e rindo em meu chuveiro, após um sexo louco na minha cama? Nem em meus melhores sonhos.
Após ela sair do banho e trocar de roupa, eu entrei no chuveiro também e logo estávamos descendo para a cozinha para tomar café — em pleno sol de uma hora da tarde. Peguei alguns morangos e um cacho de uva na geladeira e levei para o balcão, onde Elena me esperava sentada de pernas cruzadas, me fitando curiosamente.
— O que foi? — Perguntei.
— Você parece quase... normal, você sabe, mexendo nessas coisas de cozinha e preparando lanches. — Ela riu.
— Normal? Não me ofenda assim, Elena. — Falei cético, mas com um sorriso.
— Você está longe disso.
Comemos juntos e terminamos tudo em pouco tempo. Ainda não satisfeitos, pegamos bolsas de sangue e também alguns biscoitos no armário e acabamos com tudo. Nossa fome pós sexo era insaciável. Estávamos rindo de alguma coisa quando ouvimos um barulho de alguém entrando no cômodo.
Stefan entrou e de primeira se assustou com nós dois, como se tivesse sido pego no flagra.
— Bom dia. — Ele disse.
— Bom dia. — Dissemos ao mesmo tempo, diminuindo os risos.
— Boa tarde, para falar a verdade. Também perderam a hora? — Pigarreei levemente, e Elena respondeu, tentando não passar nenhum sinal de constragimento. Mas claro que ele percebeu.
— Sim. Dormimos demais. — O cômodo ficou tenso por algum tempo. Stefan dirigiu-se a geladeira, procurando por algo. — E então, onde você passou a noite? — Elena perguntou, tentando quebrar o gelo e descontrair.
— Ah, hm, na casa do Tyler. Ele me ofereceu para ficar lá um tempo. — Stefan falou, num tom estranho.
— Entendi. — Ela murmurou, e depois de um tempo completou: — Stefan... Você sabe que não precisa fazer isso, não é? — Ele a olhou, como se perguntasse o quê. — Quero dizer, essa é sua casa, nem minha é. Não quero que se sinta como se tivesse que sair daqui porque estou aqui. Se você preferir, posso voltar para minha casa e...
— Não, não, Elena. — Ele prontamente a interrompeu. — Não tem nenhum problema, pode ficar aqui. Claro que deve, a casa é sua também. Não estou ficando aqui não é porque estou incomodado com vocês dois. É só que... Enfim, não é nada. Vou voltar, se isso te faz se sentir melhor.
Elena parecia que ia intervir, mas eu a lancei um olhar para ficar calada. Ela não era um incômodo, muito menos uma intrusa. Claro que ela era bem-vinda aqui, a casa era dela também. Quero dizer, nos últimos anos, ela passou com certeza muito mais tempo aqui que em sua própria casa. Stefan voltaria quando se sentisse à vontade, ela não tinha que ficar se punindo por isso.
Stefan terminou de tomar um suco que ele havia se servido e pegou sua chave do carro.
— Bem, já tenho que ir. Prometi ao treinador que iria organizar os materiais dos jogos hoje à tarde.
— Você voltou para o futebol? — Elena perguntou, parecendo animada. Eu bufei, querendo rir. Ela me deu uma cotovelada de leve.
— Pode rir, Damon. Sim, voltei, Elena. Precisava de nota em algumas matérias e com uma atividade a mais no currículo eu conseguia melhorá-las.
— Por que você não apenas compeliu os professores? — Perguntei, revirando os olhos.
— Porque eu não sou você, Damon. — Ele retrucou, irônico. — Se você quiser passar lá mais tarde, fique à vontade. — Ele completou, dessa vez mais singelo. Ele estava falando sério?
Stefan saiu e nos deixou na cozinha, arrumando as coisas e lavando os pratos. Elena subiu para terminar de se arrumar e eu fiquei esperando-a enquanto lia um livro qualquer no sofá.
— Caroline me mandou uma mensagem me chamando para passar a tarde com ela e Bonnie. — Ela chegou na sala falando, depois fez um biquinho. — Você se importa? Queria muito ficar com você, mas elas vão achar que eu estou fazendo desfeita da companhia delas.
— Vá, é melhor. Depois a culpa cai toda em cima de mim. De qualquer jeito, temos noite inteira para ficarmos juntos. — Eu pisquei malicioso para ela, e ela sorriu, corando um pouco. Tão linda.
Elena pegou sua bolsa na mesa e veio andando até mim. Depositou um beijo leve nos meus lábios e quando ia se afastar, a puxei de volta pelo braço, talvez um pouco forte demais. Ela caiu sentada no sofá e eu a beijei, e ela retribuiu, mas quando tudo começou a tomar outras proporções, ela me deu um selinho e se levantou antes que eu a impedisse.
— Nada disso. — Ela murmurou, andando em direção à porta, já de costas para mim. — Só porque eu te falei aquelas coisas, você não vai se aproveitar de mim desse jeito.
— É o que vamos ver! — Eu disse rindo, enquanto ela já fechava a porta.
*Elena*
Cheguei na casa de Caroline e logo bati na porta, sendo recebida por uma sorridente Bonnie.
— Elena! — Ela disse, e me abraçou forte. Depois olhou por trás do meu ombro, como se estivesse esperando mais alguém.
— Tem mais alguém vindo? — Perguntei.
— Imaginei que Damon. — Ela falou, me encarando. — Quero dizer, vocês dois não se desgrudam agora, né. — Disse, me olhando acusadora.
— Bonnie...
— Tudo bem, tudo bem, eu entendo. — Ela disse, seu rosto voltando ao sorriso de antes. — Mas você vai nos contar tudo.
Bonnie me puxou, me arrastando para dentro e fechou a porta com sua magia. Chegamos na cozinha e Caroline colocava alguma coisa coisa no microondas e assim que me viu, veio em minha direção, toda animada.
— Elena! Finalmente você chegou. Hoje vai ser ótimo. Nós temos muito do que falar. — Ela falou, piscando o olho e voltando-se para o que estava fazendo. É, percebi que não daria mesmo para tentar distraí-las com outras coisas.
Pegamos a pipoca que ela havia feito e fomos para seu quarto, tirando os sapatos e nos jogando na cama de casal cor-de-rosa. Ligamos o ipod às caixas de som, e uma música bem animada tocava ao fundo baixinha.
— Então? Pode começar a falar tudo. — Bonnie falou, se virando para mim.
— O que vocês querem saber? — Perguntei, vencida.
— Tudo! — Elas falaram juntas.
— Não tem nada demais. Estamos juntos agora, só isso.
— Tipo namorando? — Caroline me pressionou, especulativa.
— Sim, acho que sim. — As duas soltaram gritinhos abafados e eu fiquei surpresa. — O que? Achei que vocês odiariam a notícia.
— Elena, claro que não. Não somos as maiores fãs do Damon, mas acho que não te vimos tão feliz desde... — Bonnie pausou, como se decidisse se devia falar ou não.
— Pode falar, Bonnie.
— Desde que seus pais morreram. Então estamos felizes por você. Todos esses meses você andava tão triste, tão deprimida. Mal falava com as pessoas direito, nunca saía, nem sangue te animava mais! Só ficava ouvindo umas músicas depressivas e ficava se abraçando como se estivesse tentando reprimir alguma coisa. Além de ficar tocando isso aí o tempo todo. — Ela disse, apontando para meu relicário dependurado em meu pescoço. Bonnie então me encarou nos olhos. — Você está chorando? Meu Deus, Elena! Me desculpe, não queria dizer nada para te machucar.
Eu estava chorando? Sim, eu estava. Quero dizer, duas lágrimas escorreram do meu olho. Esse tempo todo, e eu achando que estava fingindo tão bem. Só imagino a ansiedade que devo ter feito minhas amigas passarem por me verem naquele estado.
— Me desculpem, gente. É sério. — Eu disse, e aí então, o choro de verdade começou. — Eu não quis deixar vocês preocupadas... É que eu sentia tanto a falta dele... E eu juro que eu tentava não demonstrar isso a ninguém, mas...
— Mas você não conseguiu. Elena, está tudo bem agora. Ninguém aqui está brigando com você. — Caroline disse, e as duas me abraçaram, exasperadas com minha reação exagerada. Eu as abracei de volta fortemente, soluçando. — Nossa, você está cheirando a Damon. — Ela comentou, e então eu ri em meio ao choro e nos separamos.
— Me desculpem pela reação exagerada... Tudo está tão intenso ultimamente. Nunca imaginaria que os primeiros meses de vampira seriam tão confusos assim. Pareço uma grávida, chorando o tempo todo, com essas reações excessivas...
— Nem me fale. Os meus também foram horríveis, se você não se lembra. — Caroline disse. — E por falar nisso... Elena, como você está?
— Como assim?
— Quero dizer, com essa coisa toda de ser vampira. — Ela hesitou. — Eu sei que você nunca quis isso. E você sempre quis ser mãe e tudo mais.
Tenho que admitir que esse assunto me pegou de guarda baixa. Naquele dia no hotel, com certeza eu estava arrasada ao pensar nisso. Hoje, no entanto, não parecia assim tão ruim.
— Ah, Car. Acho que simplesmente não era pra ser. — Falei, deitando novamente e colocando minha cabeça no colo dela. — Mas não acho que ser vampira me impeça se eu quiser de verdade. Em alguns anos, quem sabe. Eu e Damon podemos adotar.
Elas pareceram surpresas com a minha resposta. Caroline parou de mexer com meu cabelo como estava fazendo e ela e Bonnie se encararam, sorrindo insinuativas.
— Vocês estão juntos há menos de um mês. Então é permanente assim? — Ela perguntou.
— O que?
— Você e Damon. — Bonnie disse.
— Não vai ficar mais nesse troca-troca de irmãos mais não? — Caroline soltou.
— Caroline! — Eu e Bonnie dissemos ao mesmo tempo, enquanto ela dava uma cotovelada fraca nela. Ela apenas riu.
— O que? Mas é verdade! — As duas começaram a rir e eu cruzei os braços, me sentando.
— Não tem graça, gente! Parem de rir. — Peguei um travesseiro e atirei nelas. — Parem! Não é engraçado!
— Ai! Ok, paramos, paramos. — Disse Caroline, tentando se controlar.
— Damon é o único para mim. — Declarei, emburrada. — Demorou um tempo para que eu percebesse isso, mas agora eu vejo. Sempre foi ele. Eu amava Stefan, eu amo Stefan, mas não é... não era... — Não consegui achar a palavra.
— Paixão. — Bonnie completou, encaixando o sentido perfeitamente.
— Não, não era. Não se compara ao que eu sinto por Damon. — Agora as duas sorriam levemente para mim, sem nenhum traço das risadas de antes.
— Você realmente o ama, não é? — Caroline perguntou docemente, encarando o colchão. Ela parecia estar falando mais consigo mesma que comigo.
— Sim. Sim, eu o amo. — Falei, ouvindo aquelas palavras saírem pela primeira vez da minha boca, dirigidas à outra pessoa que não fosse ele, sem um pingo de culpa por isso. Eu realmente o amava. Como nunca tinha amado ninguém antes.
Ficamos em silêncio um tempo, e eu olhei pela janela, percebendo que o sol já se punha. Me levantei rapidamente e as duas me olharam.
— Tenho que ir. Acho que tenho um lugar para ir antes de ir para casa.
— Onde? — Bonnie perguntou, curiosa.
— Stefan e Damon iam para o campo da escola hoje. Quero dar uma passada lá e ver como estão as coisas.
— Por falar nisso, como está Stefan no meio disso tudo? — Caroline perguntou de um jeito estranho, como se estivesse escondendo algo.
— Ele está lidando bem melhor do que eu e Damon esperávamos. Apesar de sua reação inicial ter sido tentar matar o Damon, literalmente. Por quê? — Perguntei, curiosa.
— Nada, nada não. — Ela disse, rindo baixinho. — Só pensei que... Nada, deixa.
Eu e Bonnie a encaramos, como se nos perguntássemos qual era o problema dela. Mas eu já estava apressada, e logo deixei isso de lado e peguei minha bolsa, me despedindo das duas e indo em direção ao carro.
Não muito tempo depois, parei no estacionamento da escola, conseguindo com minha audição aguçada ouvir barulhos do campo e percebendo que eles ainda estavam lá. Andei até atrás das arquibancadas, observando os dois jogando futebol americano, rindo descontraídamente.
E eu antes, com medo de algum dia destruir o relacionamento que os dois tinham. Era impossível. Era visível o quanto eles se importavam um com o outro.
Numa hora que Stefan foi jogar a bola de volta para Damon, corri até o meio do campo em meio segundo e dei um salto, pegando-a antes que ela chegasse em suas mãos. De primeira os dois ficaram meio sem entender o que havia acontecido, mas depois me avistaram, rindo altamente ao longe, do outro lado do campo.
— Duvido que vocês dois consigam me vencer!
— Ah é? Duvido que você faça um touchdown com nós dois aqui para te impedirmos! — Stefan gritou de volta.
— Vamor ver então! — Desafiei.
Eles se olharam especulativamente, se comunicando em silêncio daquele jeito telepático que só eles faziam, e eu não esperei muito tempo, corri o mais rápido que pude, tentando atravessar o campo todo antes deles e finalmente passar da linha branca. Eu já estava rindo em comemoração quando percebi que estava menos de dez metros dela, mas quando eu ia dar o passo final para ultrapassar o limite, senti dois braços me empurrando e depois mais dois me prendendo para que eu não fugisse.
Nós três espatifamos no chão ao mesmo tempo. Eu bufei irritada, me sentando e me livrando dos braços dos dois, que riam que nem duas criancinhas da minha cara.
— Você... Voc... — Damon tentou falar, mas não conseguia parar de rir. Stefan quase chorava. Damon apontou para meu rosto e tentava colocar as palavras para fora, só que nada saía além de suas risadas estranguladas.
— Argh... Quantos anos vocês tem? 12?!
— Apelou, perdeu, Elena. — Stefan disse entre risos. — Apesar de que você perdeu de todo jeito.
— Elena... — Damon disse se levantando, mas logo caindo de novo na risada. — Tem grama na sua cara.
Coloquei a mão no rosto, sentindo as folhas caindo e tendo que cuspi-las um pouco, junto com um pouco de lama. Me dei por vencida e ri um pouco também.
— Eca. — Os dois riram. Me levantei, passando a mão no bumbum para tirar a terra e arrumando direito minha roupa que havia se amassado toda. — Quero ir pra casa.
— Ok, só vou pegar minhas coisas. — Damon disse, se levantando e recuperando sua respiração.
— Bem, eu já vou indo. — Stefan falou, ficando de pé e passando a mão nos cabelos.
— Stefan, achei que você iria ficar na casa hoje. — Falei, já me sentindo desconfortável.
— Eu vou. — Ele disse, me tranquilizando. — Só vou no Grill, Rebekah me espera.
— Rebekah? — Perguntei, incrédula.
— Sim. — Ele disse, tentando evitar meu olhar. Como um relance, me lembrei de Caroline agindo estranho quando o assunto era Stefan, e finalmente caiu a ficha. Damon me olhou apreensivo, como se esperasse que eu reagisse mal à notícia, mas ri baixinho e Stefan ignorou provavelmente para não entrar no assunto. Damon piscou para mim, rindo também enquanto Stefan se distanciava de nós.
Voltamos para casa rapidamente. Eu estava bem cansada e parecia que Damon também. Tomamos um banho juntos e nos vestimos para dormir. Peguei uma bolsa de sangue no porão e subi novamente, encontrando Damon já deitado na cama. Ele bateu a mão ao seu lado, me chamando.
Deitei-me, me aconchegando debaixo das cobertas em seu peito. Ele puxou meu rosto pelo queixo e iniciou um beijo muito calmo, que foi se aprofundando. Eu queria mais, sabia disso, mas todo meu corpo reclamava.
— Damon, não. Estou morta de cansaço. Hoje não.
— Ah! — Ele reclamou, fazendo um biquinho.
— Posso te recompensar depois, Sr. Salvatore. Você sabe que não estou em condições de negar isso. Mas só que agora não. Vamos dormir, pode ser?
— Claro, quarterback. — Ele brincou e me deu um beijo na testa, apenas se virando para apagar a luz do abajur. Não vi muito mais depois disso. Alguns sonhos muito estranhos e o cheiro inebriante de Damon tomaram minha mente totalmente.
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