One Last Chance

5 Just Wanna Have Fun


Notas iniciais
Citação:
"É absurdo dizer, conforme a linguagem popular, que alguém se esconde na bebida; pelo contrário, a maioria esconde-se na sobriedade." Thomas Quincey

*Damon*

Algumas semanas em Richmond, Cleveland, e agora em Chicago. Fiz um zigue-zague sem sentido pelo país. Não que eu ligasse. Passei boa parte do meu tempo simplesmente procurando algo para fazer. Quando precisava me alimentar, roubava um banco de sangue ou atacava alguém e depois compelia a pessoa a esquecer. Tinha esquecido o quanto a vida era parada antes de me mudar para Mystic Falls. Quando se tem a eternidade pela frente, o tempo parece passar bem devagar — ainda mais quando você quer que ele passe logo.

Havia passado a maior parte do tempo em hotéis de estrada vagabundos e desertos. Pela simples comodidade de ser mais fácil encontrar vítimas mais alheias. Mas não em Chicago. Peguei o melhor hotel da cidade e ainda a suíte presidencial. A sensação de deitar numa cama de verdade depois de semanas era revigorante. As camareiras me alimentavam todo dia de manhã e à noite.

Elena me ligou algumas vezes nas primeiras duas semanas, e Stefan na primeira. Eu ignorei todas as ligações, exceto uma dela, em que apenas atendi para ouvir sua voz, e depois de ouvir um "Damon?" com tom de alívio, desliguei. A tentação era enorme, mas eu a evitava. Ela não parou de ligar nos próximos três dias, mas depois de um tempo, parecia ter desistido. O que não a impediu de ligar mais algumas vezes uma semana depois. E eu me prometi que não atenderia à mais nenhuma, e me esquivaria o máximo possível de qualquer contato da minha lista telefônica ligado à Mystic Falls. Seria mais fácil assim.

Na quinta noite em Chicago, fui à um bar-cabaret bem estilo anos 20. Eu precisava mesmo de um programa diferente para me distrair e me divertir. Vinhos e whiskys do melhor tipo, música da melhor época, e mulheres maravilhosas — pena que nenhuma delas me interessava. Todas pareciam iguais — fúteis e sem um pingo de conteúdo. Sentei-me ao bar e pedi Bourbon — que novidade.

Bebi a noite toda como se não houvesse amanhã. Dancei com estranhas e me deixei levar sem pensar na ressaca que eu ficaria no outro dia. Contei minhas desgraças para o barmen umas trocentas vezes, mas ele não parecia ouvir em nenhuma delas.

E então, uma hora, quando eu estava quase caindo em cima da minha bebida e do balcão, senti alguém me cutucar nas costas. Demorei para processar, e depois me virei lentamente para ver quem era. Uma dançarina, colocando um leque sobre o rosto, deixando apenas seus olhos à mostra, fez menção com os dedos pra eu segui-la.

Ela me levou ao corredor que levava aos toaletes, e começou a falar num sotaque britânico fortíssimo:

– Olá, Sr. Salvatore.

– Oi linda... Como você sabe meu nome? — tentei forçar as palavras para fora, mas elas pareciam sair desordenadas e desarticuladas.

– Aquele cara ali me falou — ela disse, apontando para o barmen.

– Hm, então eu devia agradecê-lo depois. — ela riu.

– Eu não acho que seja necessário. — Ela abaixou o leque e deu um sorriso sarcástico que eu conhecia muito bem.

– Katherine? — me espantei, e na mesma hora, eu parecia relativamente sóbrio de novo.

– Sentiu minha falta? — disse ela levantando as sobrancelhas e voltando ao seu sotaque comum.

– O que você está fazendo aqui? E por quê você está vestida de dançarina?

– Você sabe que eu amo Chicago... As luzes, as pessoas, tudo aqui é simplesmente perfeito.– ela respondeu à minha primeira pergunta, e depois, simplesmente riu com a segunda.

– Como você sabia que eu estava aqui?

– Eu não sabia. Descobri essa noite. — ela riu — Tenho te assistido desde que você chegou aqui... Esse é meu bar favorito, sabia?

Eu ainda estava meio confuso, como se tudo fosse um sonho muito turvo e sem sentido. Senti que o chão estava vindo na minha direção, e só depois percebi que estava caindo. Katherine me segurou e me levou para um dos sofás em frente ao palco.

– Calma aí! — ela riu.

– O que você quer, Katherine?

– De você? Nada. É tão inacreditável assim que eu simplesmente venha falar com você porque quero sua companhia? — ela disse, mas não consegui distinguir se ela estava sendo sarcástica ou não.

– Para falar a verdade, é.

– Bobinho... — ela soltou sua risada de sinos, e depois ficou um tempo sem falar nada. — Então... e essa sua fuga planejada?

– Como você sabe disso?

– Stefan me avisou. Pediu que se eu visse você em algum lugar do país, ou fora dele, que o avisasse.

– E você avisou?!

– Eu até pensei. Mas achei melhor não. — ela me olhou, esperando que eu tivesse alguma reação. Como não falei nada, ela continuou. — Planejei algo melhor. Que tal uma fuga à dois? Uma volta ao mundo, ou coisa do tipo?

– Você está mesmo desesperada desse tanto? — Ri.

– Ah, por favor Damon, você pode abaixar essa guarda de irmão malvado e irônico comigo, sabe disso.

– Katherine, por favor, eu só quero voltar pro meu hotel. Minha cabeça está latejando.

– Ótima ideia! E amanhã a gente discute os planos, ok?

Eu estava muito cansado e sem condições de pensar para impedir que ela voltasse comigo. E, também, eu não sei como faria para voltar sozinho. Tudo girava, e as luzes da cidade me cegavam. Eu só queria ir para casa. Queria me sentir inteiro de novo... Queria Elena.

Pensei em todas as vezes que bebi e aparecia em seu quarto para falar alguma besteira. E ela sempre me aguentava. Ela me tratou diferente de qualquer um desde que me conheceu. Me levou à sério. Não simplesmente partiu para os julgamentos e pensamentos inacabados. E, no começo, eu a odiava por isso. Que irônico o quanto as coisas mudaram. Hoje, não sei onde estaria se não a tivesse conhecido.

Só percebi que havia falado todos esses pensamentos em voz alta para Katherine enquanto estávamos no táxi, quando ela falou:

– Ah, qual é Damon! Aquela menina é uma sem sal.

Eu queria discutir, queria falar o contrário, mas tinha acabado de chegar no quarto e estava exausto. Me joguei na cama, e Katherine tirou meus sapatos. Praticamente a ignorei quando ela apagou a luz e deitou-se à meu lado.

A última coisa que me lembro antes de fechar os olhos, era de ver os olhos de Elena plantados em mim. E foi com eles que eu sonhei a noite toda.


Notas finais
Gente, normalmente estou postando um capítulo por dia, de vez em quando dois. Se algum dia atrasar, me desculpem! ):
Ah, e obrigada pelas reviews de quem deixou!! Amei os recados
TRAILER DA FIC: http://www.youtube.com/watch?v=gcMjtp8a7SY